30 setembro 2011

outubro - histórias recebidas


 
As mãos tentavam abrir a boca da mãe, mas dela não saiam as palavras de que são feitas as histórias. Nessa noite, ela contou-lhe que nunca tinha conseguido entrar na fábrica das palavras. Ele ouviu.

Depois, misturado com as lágrimas que lhe escapavam dos olhos, ela deu-lhe o maior beijo de todos.

António guardou o beijo e a história. Hoje, sabe muitas, que conta aos filhos. Mas eles gostam mesmo é daquela… do beijo feito de água.
Nazaré de Sousa, 49 anos, Sintra

Daniela não queria dormir, queria sempre brincadeira, todos os dias á noite, era sempre a mesma birra. Tudo servia para brincar, ouvir uma história, contemplar uma flor, dar um beijinho, até que por fim, Daniela não resistia e adormecia a sorrir, no sofá completamente exausta. Lentamente, o pai levava-a a cavalgar para num mar de lençóis a Daniela continuar a sonhar. No dia seguinte, ao acordar, Daniela sente-se feliz porque continuou a brincar tudo aquilo que quis.
Luísa Duarte Carinhas, 35 anos e vivo em Agualva Cacém

Costuma-se dizer que a música que ouvimos quando acordamos, nos fica em pensamento!
Esta manhã, acordei a minha princesa que ainda ensonada, deseja-me o bom dia, mais doce que recebo de manhã...
Metidas no carro, seguimos até ao infantário...
Hoje, a princesa, começa a cantarolar e com sotaque à Alpendoradense:
Bom dia, bom dia,
Bom dia a toda a gente
Eu hoje vim para a escola e por isso
Estou contente!!!
Agora, continuo a cantar a música!!!
MÃE: DIANA MARTINS GRILO - 29 ANOS
FILHA: ÍRIS GRILO - 4 ANOS
ALPENDORADA - MARCO DE CANAVESES

No meu mundo pequenino eu vivia... Sobrevivia. Idealizava, imaginava, desejava. 9 meses passaram... Uma nova luz brilhou! Chegaste... E contigo tudo mudou!
Sentimentos, tantas emoçoes... Um novo desafio tenho para jogar: Amar, proteger... Cuidar e mimar!
No meu espaço reduzido, te olho num colinho adormecido. Com minha mao te embalo ao som de sorrisos animados. Teu suspiro me faz sentir um sonho realizado.
Contigo do meu lado, meu mundo nao mais pequeno se tornou!
Obrigado, filho adorado!
Sou Andreia Mendes, mae das maiores riquezas.. Rafael com 9 anos e Mariana com 2. A eles dedico este texto!

Daniela não queria dormir, queria sempre brincadeira, todos os dias á noite, era sempre a mesma birra. Tudo servia para brincar, ouvir uma história, contemplar uma flor, dar um beijinho, até que por fim, Daniela não resistia e adormecia a sorrir, no sofá completamente exausta. Lentamente, o pai levava-a a cavalgar para num mar de lençóis a Daniela continuar a sonhar. No dia seguinte, ao acordar, Daniela sente-se feliz porque continuou a brincar tudo aquilo que quis.
Luísa Duarte Carinhas35 anos e vivo em Agualva Cacém



08 setembro 2011

setembro 2011 - pais e filhos

– Mãe, essa história é verdadeira?
Marta, evitando desmanchar-se a rir, fez um ar sério:
– Acho que é capaz de ser… A avó contava-me esta quase todos os dias.
– Hum… A avó inventa muitas coisas… Até já inventou que, quando era pequenina como eu, tinha uma casa de madeira numa árvore. E que as praias estavam quase vazias…
– E tu? Acreditas que há fadas, assim como nesta história?
– Faz mal, se eu acreditar?
– Claro que não!
– Então, acredito…
(texto: Margarida Fonseca Santos; ilustração: Francisca Torres)

01 setembro 2011

setembro - histórias recebidas


Um cesto cheio de coisas deliciosas, a toalha dos quadrados, e nem faltam as formigas… Uma manta para dormir a sesta, um livro para ler em voz alta e um baralho de cartas. Qual Alice no país das maravilhas…
O entusiasmo foi enorme e a alegria contagiante. De repente, desapareceu o António… onde está?, onde se meteu?, e vamos dar com ele a observar um enorme escaravelho, que empurra o seu ninho para esconder os ovos… Férias!!
Catarina sousa Franco, 36 anos, Lisboa
 
O gato entrou em cena, cofiou os bigodes, lambeu-se todo, olhou em
redor com exuberância, dirigindo-se elegantemente para as luzes da
ribalta. Como lhe pareceram pequenos tanques de água enfureceu-se e
saltou dali e, a toda a velocidade desatou a correr. O público,
deslumbrado, pensando que fazia parte da actuação, bateu palmas
entusiasticamente. O pior foi quando, naquele preciso momento debaixo
de cada assento saíram ratos franzinos, mas rápidos e guinchantes.
Afinal, eles fugiam do seu predador. Rosário Oliveira col Dinis de Melo

Vi-a pela primeira vez em casa da minha melhor amiga. Apaixonei-me logo por ela: era linda, pequenina, com grandes olhos pretos cheios de vida e uma personalidade vincada! Tinha até mau feitio…
Já estava destinada a outra pessoa. Mas, passados alguns dias, a minha amiga ligou-me a perguntar se eu a queria. Claro que aceitei! Viveu feliz durante muitos anos.
Eu nunca hei-de esquecer a minha Bonnie e nunca mais terei uma cadela tão bonita quanto ela!
Maria Leonor Silva Neves

O pano começou o trabalho: o pó da lombada foi removido e a capa acariciada, deixando a descoberto o título do livro: “O anjo aprisionado”.
Uma mão segurou o livro com firmeza, o dedo da outra permitiu o respirar das folhas. O pó soltou-se e dispersou-se na luz da madrugada. No chão, caíram ramos secos, folhas translúcidas... Surgiu uma asa, depois outra, o anjo voou até à janela, e, através da cortina que esvoaçava, desapareceu no céu. 
 Ah, pois! Tive de dar o exemplo. Agora é só esperar que os meus colegas e alunos se ponham a brincar também.
 helena frontini  Leiria 50 anos

 
Entro de rompante pela porta e dou-te os bons dias de (A)braços
abertos para te pregar um beijo repenicado nas bochechas rechonchudas.
Com urgência conto-te: ainda eu estava de cara na almofada, ele
prega-me um beijo de bons dias à socapa. Respondo que também o amo
muito. Ele sabendo desse nosso segredo abana a cauda felpuda de pêlos
louraços e sorri para mim com aqueles olhos, um para cada lado, doces
doces. Estranha felicidade que se entranha...
 
Tenho 35 anos Vivo em Carcavelos Gosto de ser só "Rita"

 
Sabes?
Venho de um sítio encantado onde os braços abraçam, onde com muitas letras construímos palavras que damos uns aos outros.
Os meninos entrelaçam Bês, Ós, Éles, Às, jogam à bola. Juntam Cês com Ós, Erres com Dês e Às, saltam à corda.
Sabes?
Neste sítio que inventei, a pouca distância do mar, há canteiros com palavras coloridas
verdes, amarelas, azuis, todas as cores que imagines.
Mas… o mais importante de tudo… todos os dias nos abraçamos. 
Ana Bela Perdigão Duarte, Oeiras 59 anos, Café Grilo

 
"Havia um menino que estava sempre a tropeçar nas palavras. Ao
levantar-se da cama, quando passava no corredor, ao pequeno-almoço,
almoço e jantar, ao entrar na sala de aula. Tropeçava nelas a toda
a hora. Um dia uma professora atenta disse-lhe ao ouvido que quando
pequena tinha o mesmo problema. Começou a andar mais devagarinho e
a apanhá-las todas antes de lá chegar, guardando-as num livro. Não
importava qual. Desde então nunca mais tropeçou em nenhuma palavra.”
+
Eles são três campeőes.
O Sandro não gosta de confusőes.
Prefere ver as pás da ventoínha a rodar,
conhece de cor os programas da máquina de lavar.
O Diogo, de estar quieto não é capaz.
Ele é todos os heróis num só menino, um ás.
A Margarida é bebé,
mas quer ser maior do que é.
Lindos, todos. Todos diferentes.
Amigos, às vezes, irmãos, parentes.
Não sabem, mas são tesouros de alguém.
Do pai, e da mãe.
Tânia Santana, 30 anos, Elvas
(O Sandro tem 8 anos, tem uma perturbação do espectro do autismo. O
Diogo tem 5 anos. A Margarida tem 8 meses)


Luna já devia estar a dormir.
- Quem é que vai contar história?
- É a mãe! - Disse Luna.
A história era "sem chupeta já sou grande".
- Vou dormir sem a chuchinha.
- Vais deitar fora a chucha?
- Sim, mãe.
- Então amanhã vais comer um gelado.
- Vou comer  gelado? Hum!
 Depois do miminho veio o pedido:
- Quero a chucha!
- Mas... e o gelado?
- Não quero gelado.  Quero a chucha!

                                         Marta Rodrigues 34 anos, Damaia  de cima - Amadora
 

setembro 2011 - filhos

Ambrósio acelerou ao máximo, avançando por entre duas paredes de livros dispostos uns atrás dos outros a delimitar a pista. Primeiro obstáculo – um cinzeiro de mármore cheio de água. Pequena hesitação, nova coragem, passou. O que lhe custava era não saber como se portava o seu adversário, numa pista igualzinha à dele. Segundo obstáculo – uma pedra. Muito mais fácil. A meta estava ali mesmo. Ouviu um grito!
Acabara de ganhar a primeira corrida de cágados do verão!
(texto: Margarida Fonseca Santos; ilustração: Francisca Torres)