31 dezembro 2012

EXEMPLOS - desafios nº 28 e 29

Natal
Rodou a chave e entrou sem vontade num espaço pleno de vazio, de silêncio, de ausência de luz. Despiu o sobretudo, mas o peso nas costas permaneceu igual. Era uma carga de tristeza que lhe impedia o sorriso e o fazia arrastar os pés sem propósito.
Um miar despertou-o e ao ver aqueles olhos irradiando amor, não teve como evitar curvar-se e acariciar-lhe o pêlo. Ele era agora, a sua única companhia e isso teria de bastar.
Quita Miguel, história de Natal, Cascais

É Natal
Bem cedinho acordar
o dia será diferente!

O Natal já vai chegar,
encantando a toda a gente.

Passa o tempo e a criança
passa o dia na esperança...

No presépio à noite ela vai colocar
o menino Jesus que de lá vai iluminar...

Depois, cantos, oração, alegria
Natal é uma festa da família, amor e magia...

Presentes o bom velhinho vai dar
a criança está com olhinhos a brilhar!

Mas a essência do Natal não pode ser esquecida
ele, menino Jesus, renasce nesse dia na nossa vida!
Chica, Brasil

Era uma vez uma menina chamada Matilde que não acreditava em nada relacionado com o Pai Natal. Até que um dia, o seu amigo Nicolau convenceu-a a ficar na noite do dia 24 de dezembro acordada para assistir à chegada do Pai Natal, assim ficaria a saber se existia ou não. Até que se ouviram sinos – era realmente ele, o Pai Natal! A partir daí Matilde passou a acreditar em tudo relacionado com o Natal.
Maria Lopes, 12 anos, Portugal, Abrantes

Não me podia mexer muito. Ouvi passos. Ele dizia: “Mas que raio será isto?”. Os passos afastaram-se. Adormeci, o corpo tolhido no espaço pequeno. Acordei com o som de risos. A festa! Tinha-me esquecido dos convidados! Agora não havia mais nada a fazer. Saltei de dentro da caixa e gritei: “Feliz Natal, meu amor!”. Fiquei sem saber se devia rir ou chorar do ar de choque dos pais dele a olharem para mim vestida só de tanga…
Alexandra Rafael

Era uma vez um menino chamado Guilherme, tinha os olhos castanhos e pretos o cabelo claro e de boca vermelha. Era um menino muito bonito.
Mas o Guilherme nunca viu o Pai Natal. Mas hoje era dezembro, dia de Natal. Mas o Pai Natal deu a todos os outros meninos presentes e estes ficaram muito felizes.
Mas o Guilherme recebeu mais do que os outros meninos de Portugal que eram um elevado número de meninos e pessoas.
Bernardo Lopes, 8 anos, Portugal, Abrantes.

Pedi a Jesus uma prenda impossível.
Não pedi ouro, diamantes, cristais. Nem carros, viagens ou sedas.
Pedi uma prenda impossível. Pudesse eu ver minhas filhas, meninas ainda, de mãozinhas dadas, junto ao presépio, rezando a Jesus com as almas puras! Pudesse eu ver esse quadro de candura e ficaria minha alma inundada de ternura!
Espanto profundo! Junto ao presépio, de mãozinhas dadas, os netinhos, rezam:
- Jesus, protege a mamã, o papá e todos os meninos do Mundo!
Dorinda Oliveira, 72 anos, Arrifana, Santa Maria da Feira

A neve caía, a lareira aquecia a sala, o bolo-rei, os coscorões, as rabanadas e as filhoses recheavam as mesas até a árvore de natal reluzia, só faltavam os presentes. Miguel olhou para a cozinha, a azáfama e os gritos eram tantos, porque uns queriam bacalhau, outros peru, que ele nem se atreveu a sair do lugar. Preocupava-o este ano não haver as enormes prendas que o deliciavam. Será que o Pai Natal este ano se esquecera?
Vanda Pinheiro

Nesta noite de Natal eu tive um sonho! Um sonho aberto a quem nele queria entrar e onde todo aquele,
que dele quisesse fazer parte, se saudava num abraço amigo, tão apertado capaz de agarrar o mundo.
Depois, nesse mesmo instante se pintava todo o mundo de arco-iris.
A bondade e a tolerância tomavam conta dos corações e todos eram iguais.
A felicidade esbanjava-se desse abraço e as diferenças, essas, eram tão só nas cores do arco-iris.
Graça Pinto – Almada

Numa terra distante algo aconteceria no Céu. E não só no Céu e sim também nos corações de todos os humanos da terra. É uma Senhora que com seu companheiro viajaram para encontrar um lugar aconchegante, calmo e sereno para poder fazer nascer. Aquele que será o maior de todos os homens que fará nascer em todos os nossos corações a esperança, o amor, a dedicação para podermos juntos lutar pela vida. Para todos um Feliz Natal.
Vivian Vilela

Querido Pai Natal,
Este Natal não vou pedir as novas coisas recentes e materiais como um Iphone, um Ipad, umas Vans...
Gostava que mais pessoas se lembrassem por que se festeja o Natal, que há 2013 anos nasceu o Salvador muito longe, em Belém...
Há pessoas que se esquecem da verdadeira importância do Natal, que apenas se importam com os embrulhos, as etiquetas dos preços...
Por isso Pai Natal, este ano quero estar perto de Jesus.
Laura, 10 anos, Lisboa

– Mãe, o Pai Natal existe?
– Claro, filho!
– Como sabes, se não o conheces?
– Ele vem todos os anos, é porque existe, não achas?
– Pois mas o meu avô conhece-o, também tem cabelos brancos!
Damos vida a uma vida nova e é Natal em nós e no nosso coração.
Ser mãe é viver o Natal em toda a sua plenitude, é construir um ciclo, desenvolver um projeto, realizar um sonho e permitir que muitos sonhos se tornem realidade.
Alda Gonçalves, Porto

Abri a porta do quintal e a velha oliveira lá estava, com os seus ramos onde, há muito, pendurara um baloiço; voltei a voar naquele instante.
Procurei o tanque, mais afastado; ainda que rachado e vazio, vi-o cheio de água cristalina, a mesma que me ensinou a nadar.
Mais um pouco e até consegui ouvir o Piruças a ladrar.
Fechei a porta. Não há melhor máquina do tempo do que os cheiros da cozinha, especialmente no Natal.
Bau Pires 

Desanimado quando perdeu o emprego, desesperado quando a mulher o deixou, em pânico quando não conseguiu pagar dívidas contraídas, decidiu fechar a vida, no dia 21-12-12, dando cumprimento à profecia do fim do mundo.
Descia à terra, observado pelos rostos constrangidos dos poucos amigos que lhe sobraram. Ainda a urna não tinha pousado e o milagre aconteceu.
Gotas caíram. Não era chuva, não era neve, não eram lágrimas. Minúsculos seres etéreos levaram-no de mãos dadas. Era Natal!
Ana Paula Oliveira, São João da Madeira

ANO NOVO
Um dia como os demais...
Mas, qual o motivo de tanta correria?
O forno aceso, cozinha exalava perfumes...
O enorme panelão já cozinhava. Eram as lentilhas que todos teriam que comer, assim que terminassem os beijos e abraços, saudando o novo ano!
Contagem regressiva: Dez, nove, oito, sete... Três, dois... 
Viva 2013!
Abraços, brindes, esperanças renovadas.
Nessa hora, criancinha pergunta:
– Onde foi parar o ano velho?
– Dentro de nossas lembranças e corações!
Vais entender um dia!
Chica, Brasil

Parara diante da porta com a velha mala que lhe queimava os dedos. Não havia como voltar atrás. Fazia demasiado tempo que não riam juntos, não entrecruzavam um olhar, nem olhavam na mesma direcção.
O afastamento não fora propositado, limitara-se a acontecer. Deixaram de ter interesses em comum, e os dias passaram a ser vividos isoladamente, sem partilha, mas também sem mágoas.
Agora diante da porta, despedia-se com nostalgia do passado. Era um novo ano que começava.
Quita Miguel, Cascais

O Natal passou. Desde há anos, sem expectativas ou esperança. Aguenta, cumpre o ritual, pelos filhos. Falta o dia 31. Nunca encontrou diferença entre este e o dia 1; chegou a acalentar mudanças, desejos, diferenças em si e nos outros. Agora não. Com filhos fora, no próximo dia 1, sabe-o, entregar-se-á ao tédio, ao vazio à, quase, ausência de sentido da sua vida. Seria bom se acreditasse em algo, que não o pó… Talvez neste novo ano…
Isabel Pinto, Setúbal

O ano correra mal; o próximo seria pior.
Grandes males, grandes remédios. Assim, naquela noite, nada faltou: dozes passas numa mão e panela na outra; empoleirado numa cadeira; vestido de branco com cuecas vermelhas. Tradições a rodos, o ano só poderia ser excelente.
No entanto, no hospital – quando ele entrou com o coxis partido, por ter caído da cadeira com o engasgue das passas -, ao questionarem a razão do acidente, estranharam a resposta: tradição a mais.
Bau Pires, Porto

Ele olhou em volta, as cadeiras vazias, a mesa farta… a máscara da solidão. Suspirou de cansaço. Levantou-se, vestiu o casaco e saiu. A vida lá fora borbulhava de emoção. O relógio dava as últimas badaladas. Meia-noite. No meio daquele mar de gente sentiu uma mão quente no ombro. Virou-se para uma cara sorridente, cheia de vida.
– Feliz Ano Novo! – disse ela. Pôs-se nas pontas dos pés e agarrou-o para um beijo. O primeiro de uma vida nova.
Alexandra Rafael

De portas abertas ao espanto, o Novo Ano começou!
Num mundo de rimas e de sonhos, de poemas e de poetas e de cidades repletas de vida, cor e de movimento.
Com janelas abertas para os jardins, para os museus e para bibliotecas cheias de vida, onde vivem e dormem os escritores.
Se não houvesse horários, nem preocupações de vida, nem lamentos, nem miséria...
Aí sim, seria um verdadeiro Novo Ano Bom em toda a sua plenitude!
Alda Gonçalves – Porto, 45 anos

O último convidado saiu. Fico só. Mergulho no sofá, ligo a televisão e percorro as boas-vindas ao novo ano. Tanta euforia para quê?! Continuam os pesadelos, os medos de dormir.
Todos vieram menos um. Perdeu-se num passado que o roubou de mim. A memória esqueceu-o. O coração não. Lembra e magoa.
Não vou dormir. Vou fechar portas e janelas e vou por aí, à procura de uma luz que ofusque as minhas sombras. Vou fechar o passado.
Ana Paula Oliveira, S. João da Madeira

Mais um ano acabou, uma porta se fechou.
Fiquem guardadas nas lembranças, bons momentos e festanças.
O que não se realizou, seja herança do ano que findou.
Com planos revisados, fica mais fácil esquecer no passado
a derrota que amargurou, e toneladas no coração pesou. 
Pois de tempos idos, sonhos podem ser vividos
no novo ano que virá, e uma nova porta abrirá.
Lembrando que portas podemos abrir o ano todo
basta coragem para a maçaneta, girar.
Bia Hain, Brasil

É ano novo!!
2012 acabou, a porta fechou
outro ano começou!
As lembraças, as festas e os bons momentos
ficam guadradas com grande amor!
Mas agora é outro ano, outra oportonidade
para fazer aquilo que não foi feito.
As discussões, os odios acabaram
agora é tudo muito feliz!!
Marta Bernardo – não tem as palavras certas

O champanhe estava pronto, as passas também, só faltava o relógio dar as doze badaladas. O silêncio era apenas interrompido pelo ranger das cadeiras, que sendo poucas, tinham de suportar dois de cada vez. Com notas nas mãos, queriam que a meia-noite chegasse rápido, mas a hora nunca mais chegava. Esperaram, esperaram até que repararam que os ponteiros tinham ficado parados a um minuto das 24h. Tristes, perceberam que tinham de esperar um ano para poder celebrar.
Vanda Pinheiro, Vila Franca de Xira

Dezembro, 31, 23.59h
No negrume frio do campanário, ignora os solavancos ritmados.
24.00h
DLÃO!!!!!
Nas entranhas, o badalo investe.
DLÃO!!!!
Vibra, ressoa.
DLÃO!!!!!
Vozeario alegre.
DLÃO!!!!!
Trau tau tau. Caçadores exultam.
DLÃO!!!!!
A boca escancarada, o frio penetra.
DLÃO!!!!!
Desamparado, o badalo violento.
DLÃO!!!!
Um lado,
DLÃO!!!!!
Outro.
DLÃO!!!!!
Marca,
DLÃO!!!!!
Fere.
DLÃO!!!!!
Derradeiro, frio na boca.
DLÃO!!!!!
Atordoado, reequilibra. O badalo. Repouso metálico…
- Contarei cliques e claques …
- A 31/12, mal desequilibre, agarro um dos booooordozzzzzzzzzahahah.....
DLÃO!!!!!
Fere.
DLÃO!!!!!
Luís Marrana, 51 anos, Portugal

É apenas mais uma meia-noite. Muda o mês como todos os meses, muda o ano, como todos os anos.
A expectativa, contudo, é mais expectante, vulnerável, sonhadora ou pessimista.
A grande árvore do jardim ergue seus ramos nus, perdeu as folhas. Talvez em 2013 perca também seus ramos, ou te-los-á, quem sabe, cobertos de folhagem verde de esperança.
Ah! Ouço foguetes a estralejar!
Há festa no ar.
Felicidades, Paz, Saúde, Amor!
São também os meus votos.
Rosélia Palminha

Abstruso, tem sido meu desejo de expressar.
Foi um ano cheio de condicionais, sem certezas de melhores dias, porém quando o ultimo suspiro de 2012 emudeceu, impetuosamente arrebatada, saudei 2013 acabadinho de nascer.
Seus primeiros minutos de existência inundam-nos de sentimentos saudosos, rejubilando por melhores dias.
Depois, feito o balanço e graças à modéstia que nasceu connosco, aquietamos...
A família esteve junta, pão na mesa não faltou e a corrente que nos une não quebrou.
Benvindo 2013
Graça Pinto - Almada

Ano Novo 2012
Dizem que em 2012
o mundo vai acabar
mas isso são só “tretas”
para quem não tem que falar.
Falta pouco para o ano novo 
faz-se a contagem decrescente
eu queria ver toda a gente contente.
É uma noite de
festa e desejos
pedidos e alegrias
promessas e esperanças,
para melhorar o mundo 
de todas as crianças.
Que no nosso planeta
entre as pessoas e todos os povos
haja igualdade,
muita paz e felicidade.
Inês Figueira – 6º C, EB23 António Bento Franco – Ericeira

Era a primeira noite de Natal em casa dos meus donos. Sentia-me nervoso com toda aquela azáfama e alegria contagiantes.
Eis chegada a hora por que todos esperavam ansiosamente, as doze badaladas não se deixaram atrasar pela neve que dançava em redor dos pinheiros aperaltados para o momento.
Um embrulho para mim?! O rafeiro que até há duas semanas farejava a lixeira à procura de algo comestível! Um osso enorme surgiu diante dos meus olhos. Sorri calorosamente!
Anabela Soares, 40 anos, Maceda – Ovar

O ano novo está aí outra vez, com ele as novas resoluções.
Muitas ficam pelo caminho.
Fazer dieta? Desisti. Um emprego novo? Com esta crise é melhor estar feliz por ter emprego!
Cuidar mais de mim? Era bom, mas com tantos afazeres... É melhor apostar na felicidade. Essa devia ser a nossa meta. Cheguei a uma conclusão: a minha felicidade passa pela felicidade das minhas filhas. Se estão felizes, eu também, logo será um feliz ano novo.
Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Era uma vez uma menina que tinha muitas saudades da sua terra natal, lá longe, no país das uvas.
A menina guardava no seu coração as lembranças dos serões à lareira, embrulhando-as com o laço da intemporalidade. Esse recordar era o seu melhor presente.
Os anos passaram, mas nada mudara na sua essência; aquela noite era sempre mágica e todos estavam sempre muito felizes.
Ao imaginar como seria lá longe, no país das uvas, a menina sorria.
Clara Oliveira, 31 anos, leitora do Instituto Camões em Pequim

Natal
Há quanto tempo
não me nevava na alma…
há quanto tempo
as pinhas não crepitavam
ritmando a lareira…
há quanto tempo
não se contava a história
de um bebé
sem lugar para nascer…
e o encanto desse conto
que criou o Natal:
enfeitando-o
com reis,
pastores,
com o paradoxo
que só Cristo soube viver…
É hoje que me embrulho
em histórias,
em desejos,
alegrias e memórias…
E a si que me lê
um Bom e Feliz Natal!!
Jaime A., 49 anos, Lisboa

Uma história engraçada
Cansado, o Pai Natal resolveu meter os papéis para a reforma. Contudo, a Segurança Social só autorizava se este deixasse alguém no seu lugar. Resolveu assim colocar um anúncio no jornal: “Procura-se Pai Natal com curso superior, inteira e imediata disponibilidade para distribuir presentes pelo mundo. As prendas são muitas, não há tempo a perder. Pretende-se que seja multidisciplinar, fale várias línguas, saiba matemática... Ups... Preferência possua colaboradora para ajudar. Oferece-se ordenado mínimo. Empresa sediada em Portugal…”
Graça Pinto, 55 anos, Almada

Desejo de Natal
Este ano, decidira comprar uma árvore de Natal branca. Ficou linda! Na cozinha, os cheiros dos cozinhados misturam-se. A mesa está pronta, as crianças correm casa fora numa enorme algazarra. A família está toda reunida. A vizinha que mora sozinha sorria para as crianças com lágrimas nos olhos.
As recordações eram o tema principal. Olhei para todos, reinava a alegria... O Gui tropeça, acordo aflita... suspiro, fora um sonho! Como gostava que os meus Natais fossem assim!
Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Olho para a minha prenda com grande laço brilhante que jaz por baixo da árvore Natalícia. O meu pensamento desvia-se para a festinha do ano passado. O meu irmão ainda estava presente, fitava petrificado em frente, inacessível a qualquer emoção. Olhos mortos. Demência e afeição um pelo outro são insuperáveis grandezas, carinho e um nada de reconhecimento. A época de Natal é para pensar nos outros e ter uma atenção extremosa com aqueles que se tornaram inacessíveis.
Theo De Bakkere, 60 anos, Antuérpia, Bélgica

Querido Jesus,
Há muito que queria escrever-te. Tenho tanto para te contar!
Os cristãos acabam de celebrar mais uma festa do teu aniversário. Estavas presente, deitado na tua caminha, de olhos abertos, atento e protetor. As crianças entoaram cânticos em teu louvor e exultaram de alegria com os presentes que lhes proporcionaste. Mas, nem todas…! Peço-te que penses naquelas que nada têm. Intercede por elas, invade o coração frio daqueles que muito podem fazer pela Humanidade. Ilumina-os!
Joana Marmelo, 50 anos, Cáceres, Espanha

Era hora do Ano Velho passar o testemunho e o Ano Novo estava desejoso de tomar posse. Queria cumprir as promessas da sua campanha. Porém, quando chegou encontrou os meses em muito mau estado. Deploráveis, defraudados…
O orçamento iria ser curto, efeitos da crise, dizia-se…O Ano Velho ditara contenção, mas muito gastara insensatamente…Um Ano mau!...
Agora o Novo Ano herdara um problema difícil de resolver… Nem a troika lhe valeria…
Precisava mesmo era de um milagre! Pensou… 
Graça Pinto, 55 anos, Almada

Sempre ouvi dizer que o Natal deve acontecer todos os dias nos nossos corações.
No entanto, aquele que acontece uma vez por ano, fascina-me pela magia que deixou no meu imaginário de criança.
Gosto das luzes que enfeitam a cidade e que nos fazem brilhar a alma. Gosto da confusão das compras, dos presentes em duplicado, dos almoços entre amigas, do rebuliço das nossas vidas para poder chegar a tudo. Porque isto é partilha e é NATAL!
Isabel Lopo, 67 anos, Alentejo

Como de costume, Hermínia foi levar metade da sua sopa ao vizinho e fazer-lhe um pouco de companhia. Ambos partilhavam a vida com a solidão.
Quando voltava para casa, reparou que a sua luz estava acesa, apesar da certeza de a ter desligado.
Ao abrir a porta, foi em lágrimas que viu a mesa posta com a comida que o filho, tão ausente, trouxera e junto à lareira, os netos colocavam os presentes.
Era véspera de Natal!
Maria de Fátima (Esteves Martins), 44 anos, Coimbra

Natal ou utopia?
É o Natal que me encanta. As decorações, as luzes que brilham, a agitação que preenche o espírito das crianças, o frenesim que sentimos. E o olhar, sempre o olhar que se deixa seduzir pela beleza, pela originalidade de um presente, pelo encanto da imaginação infantil. Os sentimentos que nestes dias explodem, adormecidos, o ano inteiro. Fazermos de 2014 um Bom Ano, na generosidade, alegria, amizade, coragem, solidariedade. Será utopia?
Que seja! Desde que 2014 seja Bom!
Alda Gonçalves, 46 anos, Porto

Felicitar
o que faço agora
Lindas datas!
Impregnadas de amor e
Zelo pela vida

Natal, nascimento, novidade, bons fluidos, Jesus!
Aquele que veio para nos redimir,
Trazendo graças, luz, esperanças.
Amor infinito por cada um
Linda criança abençoada entre nós!

Boas novas
Olhar de venturas e
Muito mais!

Abençoados sejam os próximos 365 dias
Nos quais tenhamos Paz abundando
Olhar para o futuro

Nos edificando
Ofertando novas chances
Vez de ser feliz,
Oportunidade de ser melhor.
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

O consumismo há muito lembrava o Natal. O frenesim fazia-se sentir nas lojas e nas ruas. Apressados, poucos reparavam no idoso que, recostado na esquina, olhava fixamente para a montra. José, chamava-se José, e tinha tido uma vida rica, de sucesso… Pouco amigo de ajudar viu-se, a pouco e pouco, votado ao abandono. Era Natal e com ele morava agora a miséria. À mãe sempre a ouvira dizer ”mãos que não dais, porque esperais?” Agora fazia sentido…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Alegria por encomenda
O 'espirito' de Natal já invade as montras e as lojas. São os enfeites, as luzes, as árvores de Natal, as cadeiras para o pai natal; tudo alusivo à época. E já se fazem planos para a grande noite seja em casa de familiares ou em hotéis. As crianças pensam nas prendas a pedir ao pai Natal. E a passagem de ano também entra nos planos a agendar. Alegria por encomenda para todos os gostos e carteiras.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra/Ovar

O tempo corre indiferente a tudo. Mais um novo ano se aproximava. Mais uma promessa de vida melhor. Seria? Nunca tivera sorte nem ao amor nem ao jogo. Pensativo, deambulava pelas ruas quase desertas da cidade. Ela interpelou-o. Uma cautela da lotaria, era a última. Sentiu-se atraído. Tão bela e jovem… Resolveu comprar o bilhete. Um pretexto para ficar mais um pouco… Chegou a notícia. Foi a melhor passagem de ano da sua vida e da dela…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Não me deu o trabalho porque achou que se tratava de uma piada natalícia fora de época. Sim, sou mãe Natal há quase duas décadas e isso exige preparação, esforço e dedicação. Na minha família é assim: só há mães natais e é algo que passa de geração em geração. De cunhada para cunhada, de tia para sobrinha e é uma honra envergar tamanhas barbas. Talvez quando ela não tiver nada no sapatinho se lembre de mim.
Paula Isidoro, Mãe Natal desde 1997

As batatas estavam descascadas, os ovos contados e as postas de bacalhau separadas para não se misturarem sabores e estragar a noite de consoada aos vegetarianos. Aparentemente, e segundo todos os cálculos, o jantar estaria pronto às 20:00, coisa rara naquela família onde a pontualidade nunca fora a imagem de marca. Mesa posta, prendas guardadas para ninguém cair na tentação antes da hora. Subitamente ouve-se um grito: não há gás! A tradição ainda é o que era!
Paula Isidoro, Mãe Natal desde 1997

25 de dezembro
Natal de novo. Outra vez sentia solidão – a falta dos ausentes.
Por que não vieram todos?
Queria aquela confusão de pessoas na sala, as crianças pulando, ansiosas pelos presentes. Até os comprara. Mas elas não tinham vindo.
Já era meia-noite. Resolveu jantar e dormir, ouvindo os fogos das comemorações.
Sonhou. Dançava numa festa que demorava. Enfim se viu saindo, voltando para casa. Batia à porta... o barulho o acordou.
– Abra logo, vovô! Não mandou que chegássemos cedo?
Celina Silva Pereira, 65 anos, Brasília, Brasil

Un dia sin uvas
Todo parecía perfecto. Ya solo quedaban dos días para Nochevieja y no faltaba nada, todo estaba en orden. Las bebidas en la nevera, toda la comida lista, la sala de festejos perfecta… todo parecía correcto. Y por fin llegó el día, fue todo muy bien hasta que nos percatamos de que nos faltaba lo más importante, las uvas. No podía ser, la mala suerte llegaría a nuestras vidas solo por un puñado de uvas, doce, exactamente, doce.
Alejandro González Caro, 23 anos, Badajoz, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

La navidad es la fiesta del amor que da lugar a las reuniones familiares al final de cada año. Sin embargo la moneda tiene dos caras. Las preparaciones empiezan semanas antes y  es el periodo con más conflictos y discusiones. La comida la decoración la música, todos forman parte del debate que dura varios días. El punto cumbre del año pasado fue cuando durante la disputa el árbol de navidad se cayó y los ornamentos se rompieron.
Lilla Lendvai; 21 anos, Budapest, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

El regalo de Felipe
Eran las 10 de la mañana en la morada de la familia Sánchez. Como cada año Santa Claus acude a ella para depositar los presentes para aquellos que se hayan portado bien durante el año. Todos felices comenzaron a desembalar los añorados regalos, pero de repente Felipe saltó como un resorte. ¿Qué seria? Poco a poco iba asomando una bola de pelo con patas que resultó ser una tarántula. Felipe no volvió a portarse mal nunca más.
Marcos Pascua Flores, 21 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

La Navidad ya está aquí
Llegó diciembre, tan esperadamente inesperado como de costumbre. Con él, llegan la navidad, las fiestas, las luces y el frío. Es el mes de la alegría en familia y es un tiempo realmente especial. Esperamos esta época con ansia durante todo el año. El espíritu navideño invade las calles y los corazones. Las tiendas ponen adornos y se comen dulces típicos. La ilusión se refleja en los ojos de los niños. Es mi época preferida del año.
Noemí Alonso Hidalgo, 20 años, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

Una navidad distinta
Este año todo será distinto, los olores no tendrán las mismas esencias que otros años. Los sabores no serán tan exquisitos como los anteriores, dicen que todo cambia para algo mejor, pero no estoy de acuerdo, puede que cambie pero no tiene que ser a mejor, y este año será todo con otra perspectiva muy acorde con esta temporada. Los propósitos de este año no serán los tópicos que hace la gente, y en estos no estarás.
Iván Grande Thompson, 24 años, Madrid, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

La mejor noche de la Navidad
Era una noche de Navidad cualquiera, o eso creía yo. Hasta que recibí una llamada que cambió mi vida. Era mi novio. No me creía lo que me estaba pidiendo... ¡Me pidió matrimonio! De repente me convertí en la mujer más feliz del mundo y pasamos toda la navidad juntos y muy enamorados. Y todavía seguimos enamorados, además de tener dos preciosas hija y ser una familia maravillosa... ¡Ahora estoy embarazada de mellizos! ¡Adoro a mi familia!
Paola Peralta Bragado, 20 años, Zamora, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

El lugar equivocado en el momento equivocado
El ataúd quemó lentamente. Salimos con la mente al revés y el estómago vacío. Entramos en el primer restaurante que vimos. Menú Beijing para todos. Después de una hora nos llegó el primer plato, veinte chinos empezaron a bailar. Otra hora, vino el arroz frito, un dragón y música tradicional. A la hora del postre, se volvieron locos, cohetes, tambores y mi pobre mamá en medio tan agobiada. Me sentaron mal los rollitos del año nuevo chino.
Lucas Krywicki, 20 años, Liège, Bélgica, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

Estava numa aflição. Acabar-se assim o seu reinado parecia-lhe prematuro. Ficara tanto por fazer. Mas precisava de entrouxar os tarecos. Depressa se apercebeu de que não cabiam na maleta com que chegara. Decidiu-se por levar apenas as coisas boas que haviam acontecido. Foi preciso apertá-las, afinal eram mesmo muitas! Pôs-se a caminho. Cruzou-se com o Ano Novo que chegava. Já fora assim, pensou. Cumprimentaram-se e, num impulso, deu-lhe a mala. Pareceu-lhe a solução certa. Partiu, então, descansado.
Margarida Fonseca Santos, 55 anos, Lisboa

Ele vem ele vai, com ele os cantos, os contos… e também com ele, a vida envolta de vidas e pedaços de tudo e de nada. Falava do Natal, das cartas que meninos escrevem, que meninos não sabem que se escreve e de meninos que nem papéis têm para escrever. Agora falo dele mesmo; do Pai Natal que também ele não sabe que existe de tanto existir em tantos e… de não existir em muitos outros tantos!
Lucrécia, 55 anos, Lisboa
Como um caleidoscópio as imagens vão mudando. Há pessoas que se movem
e gesticulam, falam mas eu não as oiço. No centro da sala estou eu. A
minha avó tem a mão calejada e cheia de veias azuis sobre os meus
ombros.
Sei que é Natal.
Hoje, cega-me a luz branca de uma felicidade distante. O pinheiro
brilha estático e mudo. Na casa resta apenas o silêncio e a menina que
ficou por dentro dos meus olhos.
Maria Jorgete Teixeira, 66 anos, Barreiro

Feliz Ano Novo
Duas datas muito bonitas para mim: Natal e Ano Novo.
Entretanto, neste ano, elas passaram a me dar tristeza pois a saúde familiar se abalou e as cores ficaram cinzentas, de repente.
É preciso ressurgir e assim será porque em Deus confio plenamente!
É necessário ser otimista em qualquer circunstância mesmo com o coração de mãe abalado e tristonho.
Urge ser esperançosa sempre!
A união faz a força e, em qualquer tempo e lugar, podemos renovar forças. 
Rosélia Bezerra, 61anos, Rio de Janeiro, Brasil

Logo de imediato, um fumo branco, foi sugado pela chaminé assim que a chama inundou a carqueja ainda húmida pelo tempo.
Reconfortante naquela noite fria, o calor, foi animando as conversas que davam lugar a risos, iluminando as almas em seu redor enquanto as mais pequenas pulsavam pela casa, numa alegria contagiante. Lá fora o fumo, juntava-se a outros na escuridão serena da noite. A outros de outras tantas almas de outros tantos tamanhos, lembrados na saudade.
Paulo Roma, 52 anos, Lisboa

Bem feito
Gostava. Gostava muito do Natal. Luzes, cores, vozes, tudo era lindo! Até a nostalgia das ausências.
O pior era o Ano Novo… Doze badaladas pseudo-mágicas, que tudo resolviam, em nome das quais todos estavam alegres e sonhadores.
Mas esta noite haveria boicote.
Ia adiantar o relógio grande, o que mandava nos festejos. Quando todos erguessem as taças, o palerma do Ano Novo já teria passado, sem saudações especiais.
Bem feito! Que mal lhe tinha feito o Ano Velho?
Fernanda Elisabete Silva Gomes - Vila Franca de Xira

Sim! Novo! Dizem! Renova-se tudo num girar de dizer e redizer sem fim, de coisas que vais fazer! De coisas que não vais fazer! E de “novo” nada tem! Cada vez fica mais velho! E é tão bom desejar coisas boas e novas para o “novo”!... Vesti-me de azul, como habitualmente, e, coisa que raramente faço… vi-me ao espelho. Fiz um placar e escarrapachei tudo o que de novo vou fazer no “novo”. É esta a novidade!
Lucrécia, 55 anos, Lisboa

Um Bom Ano Novo!
Habita em mim o mais belo cântico de natal.
Vive na menina vendedeira de fósforos, resgatada do tormento para uma dimensão maior.
 No príncipe folheado a ouro, olhos de pedras preciosas,
 na delicada e fiel andorinha que deixou esquecer o tempo de rumar a sul.
São imagens de amor abrigadas com melodias de encanto.
Tudo por desumanidade, vencida pelo amor.
No começo do Novo Ano, confio na Humanidade,
Advirá um tempo novo, tempo de amor e justeza! 
Goretti Pina, 53 Anos, Odivelas

Esta noite tive um sonho,
de amor e fantasia
sonhei que um mundo novo,
das cinzas renascia.

Sonhei que o Natal
ia ser todos os dias
que havia paz e amor
em todas as famílias.

Há mais de dois mil anos
o primeiro aconteceu
para mostrar ao Mundo
o que ninguém aprendeu.

Gostava que este sonho
se tornasse em verdade
São meus votos pedidos
todos os fins de ano,
mas quando começa o novo
caio na realidade.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Não sei como irei descrever o Natal em apenas setenta e sete palavras. É algo tão mágico, tão poderoso, tão puro, impossível de descrever. Tenho pena de quem não sente o Natal. De quem não consegue ver o seu brilho intenso, de quem não consegue sentir o seu aroma especial. Como é possível que uma só palavra consiga transmitir mil sentimentos de uma só vez? Parece o amor que, com apenas quatro letras, consegue transformar qualquer coração.
Carolina Constância, 23 anos, Ponta Delgada, São Miguel, Açores

Os dias são dias e decorrem num tempo que os homens insistem em acrescentar luzes e luzinhas para criarem a ilusão de diferente ou de importante… mas os dias são dias e decorrem num tempo.
Tempos houve em que sentia afronta o ser humano consumir-se em festas enquanto tantos outros rasgavam-se apenas para existir. A contradição do ser e do ter… bichos manipulados por uma máquina que os quer obedientes…
Hoje dias são dias. Decorrem no tempo.
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra