30 setembro 2012

desafio nº 20


Prontos para mais um desafio?
Então vamos lá…

Hoje vamos dar uso ao alfabeto!
Sabendo que cada palavra escrita começa com uma letra do alfabeto, e podendo escrever, entre estas, uma ou duas (três?) palavras para que tudo faça sentido, como ficará o texto? Contem bem as palavras – são 77 certinhas!!!

Atenção: usem o alfabeto sem k, y e w… E escreveram-nos duas vezes, uma como ele é, outra de trás para a frente… 

Podem copiar daqui, escusam de ter trabalho com esta parte…
ABCDEFGHIJLMNOPQRSTUVXZ
ZXVUTSRQPONMLJIHGFEDCBA
(e deixem em negrito as palavras com as letras impostas, vê-se melhor!)

Divirtam-se! J

Um exemplo:
A Belmira sempre Comeu Doces E, agora que Ficou Gorda, anda triste. Hoje começou jejum, mas Infelizmente convidaram-na para Lanchar. Mesmo tentando resistir, Não conseguiu. Os Petiscos eram Quase todos Razoáveis, muito Saborosos, Teve de devorar Uns, já se Xiiii! Zás! Xavier, ao Ver aquilo, Uivou, Transtornado. “Se Realmente Queres emagrecer, não Podes comer doces!” Ouvindo-o, Não comeu Mais jejuou, Irritada. “Logo Hoje, que Grande Falhanço!” E, De regresso a Casa, Belmira Aprendeu!




29 setembro 2012

Era uma vez uma torta...


Pra missa eu estava de saída
Quando tocou a campainha
Levei um susto, estava distraída
Assim tropecei, caí na cozinha

Uma torta eu tinha feito
Estava na beira do fogão
Ao tropeçar, não teve jeito
Ela foi todinha ao chão

Com minha amiga Carlota
Eu tinha feito um trato
De vir saborear a torta
Após sair da igreja, de imediato

Não atendi a porta
No chão, o prato quebrado
Agora já era a torta
Estava tudo esculhambado

Majoli Oliveira, Brasil

A Ana


Ana mora em Roma. Ela adora comer romã descascada pela mãe com amor. Os bagos vermelhos são frescos e ela diverte-se a colocá-los em fila!
Uma tarde, Ana sentiu um aroma diferente. Seguiu o seu narizito e descobriu uma bela amora. Também tinha baguinhos, embora mais pequenos. Não os conseguia comer sem ficar com as mãos todas roxas e cheias de sumo.
Ana achou engraçado e pintou uns traços na cara, como tinha visto nos desenhos animados!

Ana Santos, Portugal

28 setembro 2012

A visita


maldita alergia, suspirou de nariz a pingar e lenço apertado no punho, à entrada da adega, húmida como a galeria que os romanos escavaram na baixa.
ali ao lado estava o pai, que não via há quinze anos.
a ansiedade da situação não ajudava.
e ele espirrava.
mas não se permitia chorar, não fosse o pai pensar que eram lágrimas de alegria.
assoou-se de novo e desceu.
onde estaria o vinho do ano em que ele partiu?
Rita Bertrand, 40 anos, Lisboa

A vingança do rato Renato






Numa manhã de outono, o rato Renato saiu da sua toca e foi dar uma volta de mota até ao mato assustador.

No caminho... um pneu furou, o rato despistou-se e caiu em cima de um cato. Ficou com a roupa toda rota. Para a próxima terá de usar uma cota!

O Renato, para se vingar do cato, com toda a sua força e energia, acertou-lhe em cheio com o seu taco. E, bem alto, gritou:

Toma!

Somos a turma do 3ºA da Escola EB1 Feira nº 2 de Santa Maria da Feira, professora Cátia Silva

27 setembro 2012

EB de Veiros e a professora Carmo Silva


O Marco e a sua irmã Carmo gostavam de ir ao parque brincar no escorrega. Lá encontraram o amigo Pedro.
O Pedro andava com a sua pedra, que tinha um poder mágico.
O Marco caiu numa poça e ficou todo sujo de lama.
O amigo Pedro ajudou-o a levantar-se e até conseguiu que a sua roupa ficasse limpinha, graças à sua pedra de poderes mágicos.
O Marco e Carmo ficaram muito impressionados e viveram felizes para sempre.

Bruno, 3º ano, EB de Veiros


Uma aventura
No último dia de verão, o Marco e a Carmo foram passear ao parque, viram um mapa e decidiram segui-lo.
Foram parar a uma ilha, onde conheceram a Dora e perguntaram-lhe:
– Onde fica a aldeia Mama Mia?
– Ao pé da cidade Totó Mia.
– Vamos, Marco!
E lá foram. Encontraram outro amigo, o Pomia, que também ia para a cidade de Mama Mia.
Eles adoraram conhecer as espantosas cidades de Mama Mia e Totó Mia.

Teresa, 4º ano, EB de Veiros


Era uma vez um menino que tinha o poder de atravessar paredes. O menino chamava-se Pedro. Ele fazia muitas travessuras.
Um dia foi apanhado a pregar uma partida e todos ficaram a saber.
Juntou-se uma multidão e perseguiram-no.
Ele correu, correu até não conseguir mais.
A multidão acabou por apanhá-lo.
De seguida perguntaram-lhe:
– Porque nos andas a pregar partidas?
– Porque gosto de pregar partidas.
– Mas nós estamos fartos… Não aguentamos mais!
– Desculpem – suplicou ele.

João Filipe, 4º ano, EB de Veiros


A menina da praia            
Uma menina chamada Carmo estava na praia e apareceu um menino.
Ela perguntou-lhe:
– Como te chamas?
– Eu chamo-me Marco. E tu?
– Chamo-me Carmo.
– Queres brincar comigo?
– Sim. Adorava.
Eles foram brincar lá para o fundo.
Eles nadaram, nadaram e, de repente veio uma onda enorme.
– Fogo! A onda era muita grande! – disse a Carmo.
O Marco atrapalhou-se, e a Carmo agarrou nele e levou-o para a areia.

Marco, 4º ano, EB de Veiros


Dois irmãos, o Marco e a Carmo, resolveram dar um passeio, mas apareceu-lhes à frente uma andorinha ferida na pata. Eles apanharam-na e levaram-na para casa.

Porém, eles tinham uns vizinhos que odiavam andorinhas.

Passados alguns dias, a andorinha já estava boa e voltou a voar.

Mas tal não foi o seu azar, a andorinha foi para o quintal dos vizinhos e eles prenderam-na. 

A rainha das andorinhas teve um mau pressentimento e correu a salvá-la.


António, 4º ano, EB de Veiros

26 setembro 2012

Que grande história!


Trabalho realizado pela turma do 4ºA da EB1 Feira Nº2 de Santa Maria da Feira, professor Carlos Oliveira

Nós conhecemos um porco que tem um grande corpo. Penteia-se com laca e nunca se cala. Certo dia, encontrou uma lesma que resolveu os seus males dando amor em cima de um ramo. Logo pediu à lesma que o ajudasse a resolver os dele. Quando passeava pelo campo, encontrou uma vaca chamada Vera a comer erva. Ela que cava tão bem, disse que o ajudava a encontrar o amor. Não era preciso, entretanto, ele apaixonou-se… sabem por quem?

O grande dia


Anda atrás de um sentido para a sua vida. Mas, tonta que é, nada a satisfaz e a vida só fará sentido se casar. Tanto se lhe dá que ele seja um mulherengo depravado sem emenda!
Foi à rasca que conseguiu sacar dele a promessa do tão desejado casamento. Arcas abarrotadas de rico enxoval esperaram, durante um ano, o grande dia.
O grande dia chegou mas, afinal, mostrou-se curto, muito curto. Quanto às arcas… nunca se abriram.

Ana Paula Oliveira, São João da Madeira

O desafio nº 1, pelas palavras da Raquel


A Princesa da pena

Esta é a lenda da princesa da pena. Era uma princesa que certo dia passeava perto do rio, quando avistou um lindo e majestoso pavão, passou a tarde a brincar com ele, mas essa tarde se repetia todos os dias. Certo dia aquela floresta ardeu.
Fogo, Fogo – gritava a princesa, desolada.
Ela estava, muito preocupada com o seu pavão. Quando finalmente viu que ele estava salvo, um sorriso se formou!

Raquel, 14 anos, Aveiro

Um fogo...


Quem dera voltar atrás no tempo. Menos 10 anos bastavam. Agora é tarde! Abandonei-me à doença; com isso descurei a nossa relação. Foi desmoronando, lenta e subtilmente; até não restar nada do sentimento de outrora. Hoje, apercebo-me: fui estúpida. Perdi-te! Quando me disseste adeus, depois da estranheza a lucidez. Esqueci-me de ti, absorvida e obcecada na minha dor.

Agora, arde em mim, como uma ferida aberta, a tua ausência. Arde queimando-me o corpo, toda a minha alma.

Isabel Pinto

25 setembro 2012

Do outro lado do espelho



Alice correu, abriu a porta, aproximou-se da mesa redonda de vidro e quando se inclinava para comer o bombom, olhou rasando o ombro e para seu espanto esperava-a silenciosamente a tropa de sua majestade a rainha do trapo. Assustada deixou cair o prato, ao mesmo tempo que levou as mãos à cabeça antecipando estardalhaço.
- Não, não parto, não parto!
Tanto desejou que o prato não partiu. Não partiu, mas Alice partiu para o outro lado do espelho.


Catarina Confraria Peças, 42 anos, Lisboa

24 setembro 2012

E que rombo...!


– Amanhã, o mais tardar teremos que tomar uma decisão definitiva.

Dito isto, aproximou-se de Cecílio e pousou-lhe a mão no ombro. Aquele rombo nas finanças não estava previsto.

O negócio, que passara de geração em geração, estava ameaçado, de forma irremediável, pelos hipermercados que iam abrindo, uns ao lado dos outros.

Quem tinha dinheiro abastecia-se agora nas grandes superfícies e o mercadinho ficara como fornecedor dos que compram fiado, com um rol que não havia como manter.

Quita Miguel

23 setembro 2012

Cuidado com esta conspiração!



pergunta bailava nos meus lábios. Precisava conhecer a realidade da situação. Não lhe podia perguntar directamente. Talvez vivesse mais feliz na ignorância, como se o véu do desconhecimento fosse o meu purgante para a culpa. Quando a olhei nos olhos soube a resposta. Era o fim. Passei a mão pelas flores em forma de campainha. A dedaleira do jardim tinha encontrado o seu uso...a morte! Ninguém iria desconfiar da nossa conspiração. Finalmente a fortuna seria minha!

Alexandra Rafael

Grande tartaruga!!!


Numa manhã de verão, apareceu, na Cidade das Flores, um dinossauro que queria comer tudo.
Chamaram a tropa para o enfrentar, mas todos tinham medo dele…
Apareceu então uma tartaruga que disse não ter medo nenhum! Todos ficaram admirados mas aceitaram a sua ajuda.
Assim, quando o dinossauro se preparava para comer mais um prato, a tartaruga atirou-lhe um trapo que o fez cair, engasgado…
O dinossauro foi então capturado e a tartaruga disse:
- Parto feliz!

Os Miúdos da Armando Guerreiro – Linda-a-Velha
2.ºBG - Professora Sandra Reis

Hum... uma broa com poderes mágicos!


Naquele dia, que começara cinzento e cedo se transformou num dia solarengo, o Rodrigo caiu da cama sem que precisasse de maca ou de ser socorrido. O Rodrigo atira-se da cama, ao acordar, todas as santas manhãs de ida para a escola! É manha do Rodrigo! Acorda com cara de sono e de quem está a sair de uma arca medieval, de um sono profundo. Mas tudo muda, com a broa do pequeno-almoço! Bela obra da avó!

Carlos Nuno Granja, Ovar, 36 anos

Renascimento




Eram oito horas da manhã. Acordou e deu uma espreguiçada longa. Sentiu seus músculos doloridos, a visão ficou turva frente à claridade que vinha da janela, pequenas rugas formaram-se no canto dos olhos e o cérebro demorou alguns instantes para funcionar. Reuniu uma frota de coragem, fé e audácia, esqueceu o fator tempo, resgatou a alma da lama, colocou seu melhor vestido, perfume com odor de baunilha e partiu com sua tropa rumo à porta. Enfim, (re)nasceu.

Bia Hain, Brasil

Surpresas destas... são perigosas!


Não sei se por montanhas ou vales, mas cheguei lá; um telefonema urgente pedira a minha presença. Abri a porta: era a selva. Tudo estava revirado, como se uma manada tresmalhada tivesse passado por ali. Será que me tinha enganado? Para ver melhor – a luz falhara – acendi duas velas. Sim, estava no rés-do-chão do velho prédio de Elvas, meu eterno conhecido.
Quando gritaram “surpresa” e acenderam as luzes, desmaiei.
Levas tudo tão a sério! – disseram-me no hospital.

Bau Pires

Viciado em anagramas, diz o Nelson


NUNCA MAIS LÁ CHEGO
19h30 e eu em Alvalade! Logo hoje, que ía fazer uma maratona de filmes doOMAR Sharif! O motorista do Metro, enfadado, grita nos altifalantes – “Não forcem as portas!” Como uma sardinha enlatada deixo-me levar pelas conversas. Àquela senhora morreu-lhe um ente inimigo e os miúdos atrás, faltaram às aulas, novamente. Quero chegar depressa a ROMA para poder disfrutar de um momento só meu, pois corra bem ou mal o dia, essa palavra refletida será sempre AMOR.

AMOR DAQUELES QUE JÁ NÃO HÁ

Não seja tola menina, vá!
CORRA, que ainda o apanha.
Porque me estranha?
Se o ama verdadeiramente…
Não esteja a CORAR!
Também eu tive a sua idade, também já soube o que é AMAR.
Essa tal RAMA que nos traz o sonho…
que no meu caso foi medonho e por ISSO deixei de amar.
Mas esqueça! Não a quero assustar! Tenha SISO, vá!
Desses amores já não veem por cá!
Vá… e nunca mais olhe para trás.


UM TAL DE ÊXODO

CENTENAS de vezes brinquei aqui!
Corria ao lado do rio e a sorte cuidava de mim.
A idade alongou-me as pernas e levou-me a descobrir a NASCENTE. Era lá que saltava à corda com o tempo e mais tarde, levava os ralhetes do avô, por chegar tarde para jantar.
Quando as borbulhas e o buço deram lugar à barba abriu-se uma PORTA para uma cidade cinzenta. Tive de OPTAR neste PARTO. Apartar-me deste sítio não foi fácil.

Nelson Mendes, 32, Santa Marta do Pinhal

O 3º e 4º ano da professora Carmo Silva

Os posts que se seguem são todos referentes ao desafio nº 18, o anterior ao do momento - era aquele das palavras proibidas! Não podíamos usar:

não   que   mas  pois  como         verbos: estar + ser


Os alunos da professora Carmo Silva não se atrapalharam nada - são meninos de 8, 9 anos, da EB de Veiros.

Isto é algo que me deixa profundamente feliz! Já no ano anterior aconteceu com alunos de muitos anos diferentes. Os professores agarraram nestes desafios de escrita criativa e levaram-nos para a sala de aula.

Claro que, para este blogue, as histórias terão sempre de ter 77 palavras. Contudo, são pistas para exercícios divertidos e que põem a cabeça a pensar de forma diferente acerca da escrita. E podem sempre usá-los para textos mais longos, claro! Obrigando a mente a contornar os obstáculos que são colocados nestes desafios, abrem-se portas na forma de escrever, abre-se o vocabulário para áreas menos visitadas, provocam-se gargalhadas e os textos surgem.

Experimentem! O importante é fazer da escrita uma actividade empolgante.

3º e 4º ano de Veiros desafio 18 - Teresa


Escola EB de Veiros,
o texto e ilustração da Teresa
3º e 4º anos da Professora Carmo Silva


Uma menina chamada Bruna tinha uma irmã, três anos mais nova, a Inês.
Um dia, decidiram passear sozinhas pelo parque e perderam-se.
Passaram por lá uns meninos, a Isabel, a Dália e o Rafael, e ajudaram-nas.
Porém, perderam-se novamente.
Olharam atentamente, viram umas tabuletas e foram andando devagarinho.
Chegaram bem e, para festejar o regresso a casa, resolveram ir brincar para a casa da Bruna e da Inês.
Gostaram muito de brincar juntos, tornaram-se os melhores amigos.

3º e 4º ano de Veiros desafio 18 - Rui


Escola EB de Veiros,
o texto e ilustração do Rui

3º e 4º anos da Professora Carmo Silva

Nas férias de verão, realizaram-se excelentes festas de Veiros.
Eu vou sempre às festas e às touradas.
Eu gostei das festas, especialmente das touradas e do baile.
Fui à discoteca, só um bocadinho, e dancei com a minha mãe.
Nas festas, uma mulher caiu quando estava a dançar e outra mulher ajudou-a.
Eu comprei gomas, pipocas e pipas para comer.
Brinquei ao apanha, no adro da igreja, com os meus amigos e, nesse dia houve largada.

3º e 4º ano de Veiros desafio 18 - João M


Escola EB de Veiros,
o texto e ilustração do João M

3º e 4º anos da Professora Carmo Silva

Uma manhã, o João e o Diogo foram surfar e, de repente, viram uma cria de golfinho.
E o Diogo disse:
– Olha, uma cria de golfinho!
E rapidamente o golfinho começou a falar:
– Eu chamo-me Manchinha. E vocês?
– Eu chamo-me João.
– E eu Diogo.
– Onde vim parar?
– À praia de Hollywood.
– Agora tens dois amigos, o João e o Diogo.
Os amigos levaram o Manchinha para o zoo. Ele adorou!

3º e 4º ano de Veiros desafio 18 - João Filipe


Escola EB de Veiros,
o texto e ilustração do João Filipe

3º e 4º anos da Professora Carmo Silva


O meu animal preferido, o tigre, tem um comportamento fascinante. O
O tigre pode considerar-se um animal de grande porte.
Pesa aproximadamente 130kg e caça gnus.
Depois de caçar, ele quer ficar em paz.
O habitat – as selvas tropicais.
As pitons, também deslumbrante, pesam 600kgs. Elas escondem-se com a sua pele.
Conseguem saltar para cima das suas presas graças ao seu músculo. Depois abrem a boca e comem-nas de uma só vez.
Por isso, tenham cuidado!

3º e 4º ano de Veiros, desafio 18 - António

Escola EB de Veiros,
o texto e ilustração do António

3º e 4º anos da Professora Carmo Silva



Era uma vez um menino, começou a cavar no jardim e encontrou um mapa do tesouro. Ele mostrou o mapa aos amigos, porém, ninguém acreditou nele.
Passou por muitos desafios, até teve de enfrentar um monstro.
Quando chegou à ilha encontrou o X, começou a escavar e encontrou o tesouro.
Quando se dirigia para o barco, este tinha desaparecido.
Os anos passaram, ele sobreviveu e já tinha 30 anos quando um barco o salvou.
António

22 setembro 2012

Fim de verão


Fim de verão. A chuva surpreendia os desavisados. Alice saiu de casa num contentamento desmedido. Combinara com Célia, passarem o dia juntas.
Agarrou na mala e atravessou a azinhaga, com alguma lama. Quando chegou, como era seu lema, abriu a porta chamando pela avó. Não houve resposta!
Calcorreou a casa desatinadamente. Pelo chão velhos trapos dispersos. Abriu, fechou portas, o coração acelerou, as pernas bambolearam, um sufoco! Subiu ao sótão, o quadro que viu doeu-lhe  a alma.

 Graça Pinto 54 anos Almada

21 setembro 2012

Como coram os adolescentes...


Roçam quase a perfeição aqueles gestos reconhecidos... Do alto dos seus 15 anos, Carmo e Marco coram de embaraço por tudo e por nada e isso irrita-os, por agora! Simultaneamente têm uma macrocoragem de enfrentar tudo e todos. À semelhança dos dias em Março, também neles cresce essa vontade de “tratarem a vida por croma” e simplesmente rirem. Como riem...
Quem assiste, inveja-os. Para manter aparências, repreendem-nos! Fizeram o mesmo com eles.
Ai, esse tempo chamado adolescência!

Vera Viegas, 28 anos, Lisboa

Pobre Pedro...


Hoje, o Pedro começa o dia muito atrasado. Tem de se vestir apressadamente, tomar o pequeno-almoço com urgência, lavar os dentes, correr e acordar com violência. Pensa que seria bom ter o poder de fazer o tempo voltar atrás. A porta chama-o incessantemente, a correria acelera-lhe o coração e, de repente, o Pedro pára. E optar? Senta-se e respira. Pega no telefone. A velocidade não só não detém o tempo, como aleija a vida e o dia.

Clara, Lisboa, 36 anos

A Rita não está bem



Um homem de ar RUDE diz à filha:
RITA! Estás bem da TOLA?
Espero que isto não DURE muito!
ASSIM não dá! TIRA o rabo da cama!
Não sais para comer, nem para sair! Queria a tua companhia para ir à MISSA, disseste que não ias.
Tinha um resto de batatas na SACA, para cozer… não queres!
Saí de CASA, de madrugada, no autocarro da CARRIS para ir à LOTA, comprar pota…
…tenho de RISCAR da lista!

Nelson Mendes, 32 anos, Santa Marta do Pinhal

20 setembro 2012

Entre a lama e os ratos, alguém se há-de salvar!


Alma + Mala + Lama

Às 8h da manhã, a Mónica já tinha decidido que estava num dia NÃO. Além de chover como se o céu quisesse desabar sobre a terra, acordara sem luz em casa, obrigando-a a tomar duche às escuras e impedindo-a de preparar as suas torradas preferidas que sempre comia com compota de cereja. A sua alma não podia ter ficado mais destroçada e como se não bastasse, mal pôs os pés na rua, a mala caiu na lama.


Rotas + Ratos + Astro + Ostra

A viagem estava programada, assim como as rotas a percorrerem. O objetivo era ir a todos os continentes por mar, demorasse o tempo que demorasse. Esperavam não passar por nenhuma tempestade, mas confiavam que o verão só trouxesse o brilho do Sol. À luz do astro sonhavam comer muita ostra e outros suculentos mariscos. Só não se atreviam a ir ao porão do barco para não darem de caras com os inúmeros ratos que por lá viviam.

Maria Jorge

Ai, a saudade...



Falar de Roma para mim é falar de amor.
Lindos momentos vivemos por lá. Temos netos romanos e parte da família ainda mora lá.
Lembro que fim do ano, noite fria, a cerimônia de comer romã para dar sorte, não era esquecida. Após todas as formalidades, juntos, oram pedindo um novo ano cheio de paz e alegrias e sempre saúde à lembrada.
Armo-me de coragem, hoje, para cada uma daquelas fotos lindas rever. A saudade é grande!
Chica, Brasil

Publicada aqui:

deixa-se ir, oca...



A droga côa nas veias de Madalena da mesma maneira, lenta e suave, que a avó coava o café aos domingos, depois da missa.
Sente o cheiro a café e deita-se no chão sujo e frio à espera que a avó a acorde. Mas a avó não vem e ela estranha.
Ouve o latido de um cão, pressente que é o Thor, mas o Thor morreu quando ela tinha treze anos. Não tenta perceber, deixa-se ir, oca.


Lena Pacheco, 31 anos, Funchal

Amor de Omar

Ora aqui está uma história que vai para além do pedido! Reparem nas sonoridades... Grande Dulce!


AMOR + ROMA + OMAR + RAMO + MORA  +   AMORAS + AROMAS



"Bom dia AMOR!" Saúdo o sol quando me levanto. O meu sol, OMAR... O meu amor.  Omar MORA comigo. Dá-me mimo. Vai comigo às AMORAS, ver o mar...
Omar, trouxe-o de ROMA, onde o romance espreita a cada esquina e AROMAS de encanto viajam do RAMO da roseira brava que pende da janela. No altar mor da capela, ele saudava todos com os seus olhos verdes, felinos, intensos.
“Miau...” Respondeu ronronando em saudação. Um amor de gato! 


Dulce Silva

19 setembro 2012

o desafio 4 ressuscitado!


Sou um bule rachado,
Sou um pobre coitado
Num jardim fui abandonado
Estou ficando meio enferrujado

Sou um bule rachado
Daqueles que nem alça tem
Por muitos eu fui chutado
Acho que não valho um vintém

Sou um bule rachado
Que na mesa fui muito usado
Mas com toda a modernidade
Parece que não deixei saudade 

Sou um bule rachado
Por uma cafeteira fui trocado
Mas vejam só, agora sirvo de ninho
Dentro de mim, lindo passarinho

 Majoli Oliveira

Hoje dei-me a mão


(aqui fica um texto extra-desafio)

Encontrei-me, finalmente, debaixo de papéis e papelinhos que fui guardando ao longo da minha vida. Uns, guardei por pena. Outros, porque me diziam algo. Outros há, que guardei, simplesmente porque sim! Porque não? E quem devia ter guardado, não guardei. Entrincheirei-me, deixando-me ao pó! À lentura! E preso às tintas e caligrafias fumadas pelo tempo perdi-me… sem colete salva vidas, sem luz de presença, sem me recordar.
Hoje dei-me a mão! Apesar de estar amachucado, estou vivo!

Nelson Mendes

18 setembro 2012

Lábia

Queria provar a cor daqueles olhos, perder-se neles e lá ficar.
Custava-lhe, contudo, tomar a iniciativa.
Nunca lho tinham ensinado, nem em casa, nem na escola.
O pai levara-o ao bordel e ao estádio, a mãe ao médico e à lavandaria, o irmão à biblioteca.
De lábia, porém, só conhecia a dos poetas.
Mesmo assim, arriscou.
Chegou-se a ela e disse,
Queria provar a cor desses olhos, perder-me neles e aí ficar.
Ela sorriu e deixou-o entrar.

Rita Bertrand, Lisboa, 40 anos

Da montanha ao balão


A MONTANHA
O desafio de escalar a montanha fazia-me tremer da cabeça aos pés. Tinha prometido realizá-lo e tinha jurado conseguir. Faltava a coragem. Erguendo a cabeça ao céu, avistei o topo. Poucos metros para a ilusão ótica de o cume desaparecer por entre as nuvens. O Sol brilhava e o vento sussurrava-me ao ouvido «Força». A ousadia atropelava o medo ou vice-versa, porque os pés continuavam no lugar. Um dia, a audácia há de conseguir combater o pânico.

O BALÃO
Naquele dia de outono a chuva miudinha teimava em cessar. Seguiu-se uma novidade para alegrar o céu cinzento, porém, deixou-me sem palavras. Ele comprara um balão. No início pensei tratar-se de um a brincar. Qual o meu espanto ao ver um balão de ar quente. Queria dar a volta ao mundo. Tentei dissuadi-lo, cheia de medo, contudo parecia decidido a enfiar-se no meio das nuvens e viajar ao lado dos pássaros mal o Sol voltasse a brilhar.

Maria Jorge

17 setembro 2012

Do Brasil, uma história dos dias de hoje

Não corresponde ao desafio nº 18, mas corresponde à nossa vida. Aqui fica:


Lá estava ela, magrinha quase raquítica, debaixo da garoa fina. Seu sorriso gigantesco que me tocou lá no fundo. “Compra doce tia?! Só um real” Os olhos grandes afundados naquele rostinho me diziam histórias que os homens do poder nunca ouviram. Não por desinteresse, mas por incapacidade de ler ou ouvir a história alheia. Somente sabem ler as cifras de suas contas bancárias. O sinal abriu e acelerei meu fusquinha, envergonhada de viver numa sociedade tão insensível.
Marisa de Goes, Brasil

As três irmãs



Promessas existiriam sem existência da confiança? Ambas nasceram afilhadas de pai e mãe. Promessa, menina brejeira e encantadora, chega aos olhos do ouvinte como lentes coloridas para enxergar no futuro a chegada suave dos anseios realizados. Já a confiança, irmã mais velha, dá força necessária para afastar a incredulidade, irmã invejosa, ovelha negra da família...Torço para a vitória da promessa e da confiança, sob pena de ver a incredulidade, com risinho ladino, feliz pela tristeza alheia.

Bia Hain
publicado também aqui: www.revoltaeromance.blogspot.com.br

11 setembro 2012

Saia rodada...


A saia rodada, vermelha, acetinada, rodopia catita
Nas flores manchadas jazem doces roubados às barrigudas tias,
Foge, veloz, quem a apanha?
No chão encharcado, ri-se, destemida.


A saia rodada, de negro tingida, chora inquieta
Nas flores molhadas, dos doces dados, resta o odor a queimado,     
Cresce, veloz, quem a trava?
Em colos estranhos, rende-se, perdida.

A saia rodada, branca, rendada, avança sozinha
Na igreja florida, sorrisos arrancados a cada conviva
Aproxima-se, veloz, ninguém a impede
Ama, vencida.

  
Lena Pacheco, Funchal

O voo de estreia


– Então, vá lá… Tu consegues.
Pegou na pequena ave, acalmando-a. Depois subiu num tijolo e levou-a para o ninho de onde caíra minutos antes.
Aguardou à sombra da árvore, examinando a nova tentativa. O bico espreitando o chão, as patinhas no bordo do ninho, as asinhas abrindo-se aguardando a coragem para saltar.
– Vai. Força! Tu consegues – incentivou.
As asas bateram descompassadas, o voo desceu a pique até quase ao chão, para logo em seguida ganhar o céu.


Quita Miguel

Apagar uma palavra


Passou verão e inverno embrulhada na sua melancolia feita de muitas melancolias tecidas ao longo dos anos. Parou de sorrir à vida. Afastou o brilho do olhar. Deixou de querer.
Desistir. Verbo medonho!
Decidi, então, apagar no dicionário a palavra desistir e todas as suas derivadas. Tudo porque ela desistiu da vida e se deixou apagar, dia a dia, qual vela a arder lentamente e a desvanecer.
Na folha rasurada do dicionário, escrevi em maiúsculas: EXISTIR. RESISTIR.

Ana Paula Oliveira, 51 anos, S. João da Madeira 

10 setembro 2012

Um "sim" e um PM...


i)
Mal vi aquele anel na montra, apaixonei-me, contudo o preço travou o meu impulso. Vim embora e durante toda a semana a sua imagem jamais me abandonou.”Bolas”, pensei, “Nunca cometo nenhuma extravagância... vou comprá-lo!”
Imaginava-o já nos meus dedos, objecto de inveja das minhas colegas de trabalho... Porém, quando cheguei à loja: “Lamento, vendeu-se esta manhã!”.
Assim, nessa noite, quando abri o presente do Ricardo e ali estava ele, soube só haver uma resposta possível: “Sim, aceito casar contigo!”

ii)
Cerveja aos molhos e tremoços aos quilos na mesa em frente ao sofá. Faltava meia-hora para o grande jogo. Como adoro as noites de jogo da selecção! Sempre tudo à grande... Antes o nosso primeiro iria falar-nos! Quanta honra!!! Blá, blá, blá...e dos finalmentes, nada. Quando acabou e tive noção do significado daquele comunicado, congelei os tremoços, devolvi as cervejas e segui o jogo pelos gritos dos vizinhos. Nada me atrapalha, tudo aguento e jamais ficarei de tanga!

Vera Viegas, 28 anos, Lisboa

Cuidar de um coração


Ela veio sem muita conversa, sem nada explicar; sentou-se ao meu lado e convidou-me para dançar. Aceitei, gosto de mulheres sem medo de começar.
Pouco falámos, apenas dançámos; a música e o corpo têm língua própria para namorar.
No dia seguinte, passei na sua janela e assobiei para ela espreitar. Espreitou, olhou e convidou-me a entrar.  
Lá dentro, mostrou-me uma caixa, bonita de encantar. Abri-a: tinha um coração a saltitar. Ela sorriu e pediu-me para o cuidar. 

Bau Pires, 49 anos, Porto