31 dezembro 2012

12 Sonoras Badaladas


Dezembro, 31, 23.59h
No negrume frio do campanário, ignora os solavancos ritmados.
24.00h
DLÃO!!!!!
Nas entranhas, o badalo investe.
DLÃO!!!!
Vibra, ressoa.
DLÃO!!!!!
Vozeario alegre.
DLÃO!!!!!
Trau tau tau. Caçadores exultam.
DLÃO!!!!!
A boca escancarada, o frio penetra.
DLÃO!!!!!
Desamparado, o badalo violento.
DLÃO!!!!
Um lado,
DLÃO!!!!!
Outro.
DLÃO!!!!!
Marca,
DLÃO!!!!!
Fere.
DLÃO!!!!!
Derradeiro, frio na boca.
DLÃO!!!!!
Atordoado, reequilibra. O badalo. Repouso metálico…
- Contarei cliques e claques …
- A 31/12, mal desequilibre, agarro um dos booooordozzzzzzzzzahahah.....
DLÃO!!!!!
Fere.
DLÃO!!!!!

Luís Marrana, 51 anos, Portugal

30 dezembro 2012

Passagem de ano



O champanhe estava pronto, as passas também, só faltava o relógio dar as doze badaladas. O silêncio era apenas interrompido pelo ranger das cadeiras, que sendo poucas, tinham de suportar dois de cada vez. Com notas nas mãos, queriam que a meia-noite chegasse rápido, mas a hora nunca mais chegava. Esperaram, esperaram até que repararam que os ponteiros tinham ficado parados a um minuto das 24h. Tristes, perceberam que tinham de esperar um ano para poder celebrar.

Maria Jorge, Vila Franca de Xira

28 dezembro 2012

A porta



Mais um ano acabou, uma porta se fechou.
Fiquem guardadas nas lembranças, bons momentos e festanças.
O que não se realizou, seja herança do ano que findou.
Com planos revisados, fica mais fácil esquecer no passado
a derrota que amargurou, e toneladas no coração pesou. 
Pois de tempos idos, sonhos podem ser vividos
no novo ano que virá, e uma nova porta abrirá.

Lembrando que portas podemos abrir o ano todo
basta coragem para a maçaneta, girar.

Bia Hain, Brasil

27 dezembro 2012

Fechar o passado



O último convidado saiu. Fico só. Mergulho no sofá, ligo a televisão e percorro as boas-vindas ao novo ano. Tanta euforia para quê?! Continuam os pesadelos, os medos de dormir.
Todos vieram menos um. Perdeu-se num passado que o roubou de mim. A memória esqueceu-o. O coração não. Lembra e magoa.
Não vou dormir. Vou fechar portas e janelas e vou por aí, à procura de uma luz que ofusque as minhas sombras. Vou fechar o passado.

Ana Paula Oliveira, S. João da Madeira

Novo Ano



De portas abertas ao espanto, o Novo Ano começou!
Num mundo de rimas e de sonhos, de poemas e de poetas e de cidades repletas de vida, cor e de movimento.
Com janelas abertas para os jardins, para os museus e para bibliotecas cheias de vida, onde vivem e dormem os escritores.
Se não houvesse horários, nem preocupações de vida, nem lamentos, nem miséria...
Aí sim, seria um verdadeiro Novo Ano Bom em toda a sua plenitude!

Alda Gonçalves
– Porto, 45 anos
Publicado aqui: http://macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt/2012/11/historias-em-77-palavras.html

26 dezembro 2012

...agarrou-o para um beijo



Ele olhou em volta, as cadeiras vazias, a mesa farta… a máscara da solidão. Suspirou de cansaço. Levantou-se, vestiu o casaco e saiu. A vida lá fora borbulhava de emoção. O relógio dava as últimas badaladas. Meia-noite. No meio daquele mar de gente sentiu uma mão quente no ombro. Virou-se para uma cara sorridente, cheia de vida.
– Feliz Ano Novo! – disse ela. Pôs-se nas pontas dos pés e agarrou-o para um beijo. O primeiro de uma vida nova.

Alexandra Rafael

Tradição



O ano correra mal; o próximo seria pior.
Grandes males, grandes remédios. Assim, naquela noite, nada faltou: dozes passas numa mão e panela na outra; empoleirado numa cadeira; vestido de branco com cuecas vermelhas. Tradições a rodos, o ano só poderia ser excelente.
No entanto, no hospital – quando ele entrou com o coxis partido, por ter caído da cadeira com o engasgue das passas -, ao questionarem a razão do acidente, estranharam a resposta: tradição a mais.

Bau Pires, Porto

Talvez neste novo ano...



O Natal passou. Desde há anos, sem expectativas ou esperança. Aguenta, cumpre o ritual, pelos filhos. Falta o dia 31. Nunca encontrou diferença entre este e o dia 1; chegou a acalentar mudanças, desejos, diferenças em si e nos outros. Agora não. Com filhos fora, no próximo dia 1, sabe-o, entregar-se-á ao tédio, ao vazio à, quase, ausência de sentido da sua vida. Seria bom se acreditasse em algo, que não o pó… Talvez neste novo ano…

Isabel Pinto, Setúbal

Um novo ano que começava



Parara diante da porta com a velha mala que lhe queimava os dedos. Não havia como voltar atrás. Fazia demasiado tempo que não riam juntos, não entrecruzavam um olhar, nem olhavam na mesma direcção.

O afastamento não fora propositado, limitara-se a acontecer. Deixaram de ter interesses em comum, e os dias passaram a ser vividos isoladamente, sem partilha, mas também sem mágoas.

Agora diante da porta, despedia-se com nostalgia do passado. Era um novo ano que começava.

Quita Miguel, Cascais

Feliz Ano Novo!


Um dia como os demais...
Mas, qual o motivo de tanta correria?

O forno aceso, cozinha exalava perfumes...

O enorme panelão já cozinhava. Eram as lentilhas que todos teriam que comer, assim que terminassem os beijos e abraços, saudando o novo ano!

Contagem regressiva: Dez, nove, oito, sete... Três, dois... 

Viva 2013!

Abraços, brindes, esperanças renovadas.

Nessa hora, criancinha pergunta:

– Onde foi parar o ano velho?

– Dentro de nossas lembranças e corações!

Vais entender um dia!

(((o)))o(((o)))o(((o)))

Chica, Brasil

24 dezembro 2012

Querido Pai Natal



Querido Pai Natal,

Este Natal não vou pedir as novas coisas recentes e materiais como um Iphone, um Ipad, umas Vans...
Gostava que mais pessoas se lembrassem por que se festeja o Natal, que há 2013 anos nasceu o Salvador muito longe, em Belém...
Há pessoas que se esquecem da verdadeira importância do Natal, que apenas se importam com os embrulhos, as etiquetas dos preços...
Por isso Pai Natal, este ano quero estar perto de Jesus.

Laura, 10 anos, Lisboa

23 dezembro 2012

Fim do mundo



Desanimado quando perdeu o emprego, desesperado quando a mulher o deixou, em pânico quando não conseguiu pagar dívidas contraídas, decidiu fechar a vida, no dia 21-12-12, dando cumprimento à profecia do fim do mundo.
Descia à terra, observado pelos rostos constrangidos dos poucos amigos que lhe sobraram. Ainda a urna não tinha pousado e o milagre aconteceu.
Gotas caíram. Não era chuva, não era neve, não eram lágrimas. Minúsculoseres etéreos levaram-no de mãos dadas. Era Natal!

Ana Paula Oliviera, São João da Madeira

Publicado aqui, com ilustração de Carla Antunes http://livro-leitor.blogspot.pt/2012/12/ilustracao-de-carla-antunes-desanimado.html?m=1

22 dezembro 2012

Conheces o Natal?




– Mãe, o Pai Natal existe?
– Claro, filho!
– Como sabes, se não o conheces?
– Ele vem todos os anos, é porque existe, não achas?
– Pois mas o meu avô conhece-o, também tem cabelos brancos!
Damos vida a uma vida nova e é
 Natal em nós e no nosso coração.
Ser mãe é viver o
 Natal em toda a sua plenitude, é construir um ciclo, desenvolver um projeto, realizar um sonho e permitir que muitos sonhos se tornem realidade.

Alda Gonçalves, Porto
Publicado aqui: http://macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt/2012/11/historias-em-77-palavras.html

Cheiros



Abri a porta do quintal e a velha oliveira lá estava, com os seus ramos onde, há muito, pendurara um baloiço; voltei a voar naquele instante.
Procurei o tanque, mais afastado; ainda que rachado e vazio, vi-o cheio de água cristalina, a mesma que me ensinou a nadar.
Mais um pouco e até consegui ouvir o Piruças a ladrar.
Fechei a porta. Não há melhor máquina do tempo do que os cheiros da cozinha, especialmente no Natal.

Bau Pires 

21 dezembro 2012

Uma prenda impossível



Pedi a Jesus uma prenda impossível.
Não pedi ourodiamantescristais. Nem carros, viagens ou sedas.
Pedi uma prenda impossívelPudesse eu ver minhas filhas, meninas ainda, de mãozinhas dadas, junto ao presépio, rezando a Jesus com as almas puras! Pudesse eu ver esse quadro de candura e ficaria minha alma inundada de ternura!
Espanto profundo! Junto ao presépio, de mãozinhas dadas, os netinhos, rezam:
- Jesus, protege a mamã, o papá e todos os meninos do Mundo!

Dorinda Oliveira, 72 anos, Arrifana, Santa Maria da Feira

NATAL



A neve caía, a lareira aquecia a sala, o bolo-rei, os coscorões, as rabanadas e as filhoses recheavam as mesas até a árvore de natal reluzia, só faltavam os presentes. Miguel olhou para a cozinha, a azáfama e os gritos eram tantos, porque uns queriam bacalhau, outros peru, que ele nem se atreveu a sair do lugar. Preocupava-o este ano não haver as enormes prendas que o deliciavam. Será que o Pai Natal este ano se esquecera?

Maria Jorge

20 dezembro 2012

Um Guilherme



Era uma vez um menino chamado Guilhermetinha os olhos castanhos e pretos o cabelo claro e de boca vermelha. Era um menino muito bonito.
Mas o Guilherme nunca viu o Pai Natal. Mas hoje era dezembro, dia de Natal. Mas o Pai Natal deu a todos os outros meninos presentes e estes ficaram muito felizes.
Mas o Guilherme recebeu mais do que os outros meninos de Portugal que eram um elevado número de meninos e pessoas.

Bernardo Lopes, 8 anos, Portugal, Abrantes.

 


Ui, que Natal perigoso!



Não me podia mexer muito. Ouvi passos. Ele dizia: “Mas que raio será isto?”. Os passos afastaram-se. Adormeci, o corpo tolhido no espaço pequeno. Acordei com o som de risos. A festa! Tinha-me esquecido dos convidados! Agora não havia mais nada a fazer. Saltei de dentro da caixa e gritei: “Feliz Natal, meu amor!”. Fiquei sem saber se devia rir ou chorar do ar de choque dos pais dele a olharem para mim vestida só de tanga…

Alexandra Rafael

Programa Rádio Miúdos - 13 Março 2017

Todos os programas gravados com a Maria e a Mariana Sanchez, e a equipa da Rádio Miúdos.

Indicativo do Programa - Música e letra: Margarida Fonseca Santos; Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso - Histórias de Cantar CD - Uma Conta Errada

É Natal



Bem cedinho acordar
o dia será diferente!

O Natal já vai chegar,
encantando a toda a gente.

Passa o tempo e a criança
passa o dia na esperança...

No presépio à noite ela vai colocar
o menino Jesus que de lá vai iluminar...

Depois, cantos, oração, alegria
Natal é uma festa da família, amor e magia...

Presentes o bom velhinho vai dar
a criança está com olhinhos a brilhar!

Mas a essência do Natal não pode ser esquecida
ele , menino Jesus, renasce nesse dia na nossa vida!

Chica, Brasil


Natal com a Quita


Rodou a chave e entrou sem vontade num espaço pleno de vazio, de silêncio, de ausência de luz. Despiu o sobretudo, mas o peso nas costas permaneceu igual. Era uma carga de tristeza que lhe impedia o sorriso e o fazia arrastar os pés sem propósito.

Um miar despertou-o e ao ver aqueles olhos irradiando amor, não teve como evitar curvar-se e acariciar-lhe o pêlo. Ele era agora, a sua única companhia e isso teria de bastar.

Quita Miguel, história de Natal, Cascais

19 dezembro 2012

Preciso de ar...



Preciso de arSinto como se tivesse uma mão enluvada sobre a boca. A minha cabeça arde de dor. Tenho de deixar sair as lágrimas ardentes que se amontoam nos meus olhos. Um soluço e eis que elas se libertam para dar vazão à mágoa. Olho para as minhas mãos e vejo-as tão vazias. O que é que eu fiz da minha vida? Pego no copo de aguardente e bebo-o num trago. Isto há-de adormecer a dor…

Alexandra Rafael

Floriculturas



Flor + Flora + Florista + Floriculturas 

— Que linda flor!” — exclamou D. Hortência. — Esta orquídea está muito viçosa.
Flora corou com o elogio.
— Fizeste muito bem em ser florista. Nas tuas mãos as flores ganham vida!
— Não me vejo a fazer mais nada.
— Já pensaste expandir o negócio?
— Por acaso, não.
— Se tivesses uma estufa poderias fazer muito mais do que só vender flores.
— Podia cultivar as flores! — concluiu Flora com ar sonhador.
— Podias ter muitas floriculturas!
O olhar de Flora brilhou de entusiasmo.

Maria Jorge

Era uma vez...



Era uma vez uma menina
Que por cima das nuvens vivia
Levada e traquina
Ano inteiro fazendo estrepolia


Um dia na nuvem deitada
Viu um anjo aproximar
Esfregou os olhos, abobada
Pensou, estou a delirar

Beliscou-se, sentiu dor
Olhou, o danado estava ali
Veio com papo de grande amor
Disse ela, disso eu manjo, sai daqui

Como pôde isso fazer
A menina tentar iludir
Desse marmanjo, ferrou a correr
Na leveza da nuvem, se pôs a cair



Majoli Oliveira, Brasil

Matilde e um pé partido!



A minha amiga Matilde  partiu o , durante o jogo de ontem, pobre coitadinha.
Tenho muita pena dela, pois um pé partido  deve doer muito.
Passa o dia inteiro deitada na cama com a perna esticada e deve ter  muitas saudades de jogar futebol connosco lá na escola!
Mais logo à tardinha  vou visitá-la com uns amigos e vou levar-lhe umas perneiras quentinhas e coloridas, como é do gosto da querida Matilde! Espero que ela se anime!


Beatriz, 9 anos, Odivelas

18 dezembro 2012

i-Valente!



Tivera eu uma boa LENTE e veria com muito mais facilidade o que se passa aí ao longe...
Seria VALENTE e correria a ajudar, para que não sofresses sem razão, eu  mostrar-te-ia a solução! Mas se eu fosse ainda mais forte, seria I-VALENTE  e resolveria num ápice o problema...
Mas afinal que problema há?
Não me parece nada insolucionável...
Tu não sabes, mas eu sou POLIVALENTE e posso ajudar-te em tudo, especialmente em amar-te e fazer-te feliz!!"


Marina Maia

16 dezembro 2012

O jogo




Assim não vale, protestou.
Tinha razão, o valete apresentado sobre a mesa era carta guardada na manga.
O outro não se incomodou com o protesto, sentiu-se valente, ganhara o jogo e isso era o mais importante. Sempre houvera batota nos jogos, desde o início, ambos sabiam disso.
Sem mais discussões, o resultado não era relevante – há muito que o perdedor fora definido -, levantaram-se e, na velha casa dos deuses, carregaram no botão vermelho que dizia: Terra Fim.

Bau Pires

15 dezembro 2012

Amar




Ama os filhos. Visceralmente. Intensidade. Intensidade de sentimento único; indescritível. Toda ela é amor por eles. Mas nunca pensou que se tornassem, quase, só, o seu projecto de vida.

 Amar, às vezes dói. Em si, as dores deles, em si, as suas dores - menores.

Na alma amarra este sentimento; bem precioso, que cuida com a sua própria vida.

Frequentemente, assim, amarrada esquece-se de si, neles. Sempre foi o que verdadeiramente valeu a pena.


Isabel Pinto, Setúbal

14 dezembro 2012

Um segredo


palavras:   Tem tempo tempero temperamento

Tem um sonho bem guardado
fechado com um segredo
Numa caixinha de música
 Longe do mundo e do medo

Escutando levemente as notas do tempo
Num desalento profundo
Esconde dos dias a dor que o prende
à crua matéria deste mundo

As notas da partitura
São uma forma de amar
Cada tom com seu tempero
Desfolham doce  poesia no ar

Cada homem um temperamento 
Cada dia uma ilusão
De saber abrir a porta 
Para aquele  pobre coração

Alda Gonçalves, 45 anos, Porto
Publicado aqui: http://macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt/2012/11/historias-em-77-palavras.html

Doutora André...



Entra uma criança na urgência de pediatria a queixar-se que a ferida ARDE. De imediato, um enfermeiro grita:
– Chamem a Doutora ANDRÉ!
Erica, mais conhecida por Doutora André, vem a deslizar pelo corredor, pronta a acudir a criança. Sem hesitar, exclama:
– É preciso DRENAR esta ferida agora!
O enfermeiro que estava a auxiliar a doutora ficou boquiaberto com a perspicácia e rapidez do diagnóstico e apaixonou-se:
– Doutora, sou o enfermeiro RENARDO, aceita ir tomar um café comigo?

Rita Torres, Roterdão

Que é o amor?



Pergunta desafiante: “que é o amor?” … não serei eu a tentar responder, ainda que o limite de palavras fosse 77 x7…Nem toda a literatura de todo o mundo, de todos os tempos, conseguiu dar essa resposta: sim, Dido e Eneias namoraram e demoraram-nos numa teia de intrigas fascinante.  Talvez… se o mar estivesse encapelado, ele não partisse… Desarmonizar-se-ia com a pátria, e ficava. E seria “por amor”? E Dido?... não “enlouqueceria por amor”?  Por falta dele?

Graça Samora

11 dezembro 2012

Sonho de criança


 

De nariz colado à montra o menino imaginava o sabor que teriam aqueles bolos cobertos de nata.
Seguidamente, olhou os outros meninos, imaginando os brinquedos que teriam nesta quadra, porém este era mais um natal, sozinho no mundo  no qual foi deitado ao abandono.
Sonhava… mas, fora os seus sonhos, o natural era receber um pouco de conforto de mãos solidárias.
Depois, nessa noite fria restava-lhe noctambular pela cidade na esperança de conseguir ver o pai natal.

Graça Pinto – Almada

Nostalgia



Uma ida para a escola não se restringia a percorrer o caminho casa-escola.
Naquela idade, esses trinta minutos eram gigantes, assim como as gargalhadas e aventuras proporcionadas.
cidade pouco mudara. As ruas estavam iguais, até a sombra era oferecida pelas mesmas árvores.
Nesse dia nostálgico voltaram a percorrer aquele caminho. A amizade que os unia permanecia, mas foi com tristeza que concluíram que a capacidade de encontrarem magia no simples e essencial, essa... essa tinha desaparecido.

Vera Viegas, 29 anos, Lisboa

10 dezembro 2012

Um bife...



Debaixo do sol escaldante arrastou-se até ao bar. A manhã de praia deixara-o desidratado, e a fome começava a dar sinal. Olhou o menu e, algo impaciente, esperou ser servido.
– Mas que porcaria é esta? Pedi um bife, não uma sola de sapato?
Do velho solar desceu a patroa, impelida pelos gritos do cliente.
Observou-o com cuidado, suspirou e abanando a cabeça comentou: «Toda a gente fica assim nervosa, num dia ensolarado. É sol demais na moleirinha.»

Quita Miguel, Cascais

Futebol



Era uma partida de futebol de amadores veteranos x novatos.
Todos corriam, faziam o seu melhor.  Veio o esperado gol.
Irritado um vovô sem razão, pega o parceiro pela gola. Queria  vingar  uma derrota sofrida por sua culpa! O faz voar longe. Surpreende a todos com aquele golpe inesperado.

Ele cai numa lagoa.
Correria para acodi-lo e ele corre, corre. Acorda assustado. 
Estava em Alagoas, sonhando, embalado numa rede...
Fora lindo.
Vingara-se sonhando, após anos daquele menino...

Chica, Brasil

Publicado aqui:

Desafio nº 27


Dia 10 de Dezembro, dia de desafio, claro!

A proposta de hoje é esta:

Precisava que descobrissem quatro palavras obedecendo a esta regra – depois de escolher a primeira palavra, a segunda terá as letras da anterior, acrescentado algumas novas; a terceira mantém as letras da segunda, acrescentando mais umas; por fim, a quarta, que será a última, terá as letras da terceira, mais umas novas.

Por exemplo – pen + pente + potente + prepotente

A seguir, teremos quatro parágrafos, cada um com uma das palavras!

Ora, pegando nestas do exemplo, poderia ser assim:



Tinha tudo numa pen, pensou que assim estaria a salvo de qualquer ataque à sua pessoa, à sua integridade.
Contudo, não contou que as finanças passassem a pente fino os seus bens, as transacções, tudo!
Nunca imaginou tão pouco que o diabo levasse a cabo um plano tão potente que o fizesse ficar a penar pelas culpas de outros, para além das suas.
Ninguém o salvaria, nem o prepotente cúmplice. Agarrado à pen, atirou-se no vazio. 

MFS




09 dezembro 2012

O meu primo Daniel



Gosto tanto do meu primo Daniel.
Quando vou a Santo Aleixo ele joga computador, joga muito tempo. Quando paramos de jogar vamos brincar à lagarta. É uma coisa brutal. Nunca estamos parados, umas vezes estamos a ver televisão, a jogar PC ou a brincar no monte. Gosto muito dele. Ele é fantástico. Se eu passasse mais tempo com ele era bestial.
Quando ele vinha da escola começávamos logo a brincar.
O meu primo é muito, muito especial!


Marco, EB de Veiros, 4º ano, professora Carmo Silva


Cristiano Ronaldo



A pessoa que eu venero é um craque do futebol
É o capitão da Seleção Nacional.
O seu nome é Cristiano Ronaldo.
Ele estreou-se ao marcar o seu primeiro golo e aí ninguém o conseguia parar e aí souberam que ele tinha talento. Nesse dia tinha o pé carregado de energia!
E continuou o seu caminho para ser o melhor do mundo, conseguiu mesmo!!!
Eu gostava de ter um autógrafo dele.
Pode ser que um dia tenha…


João Filipe, EB de Veiros, 4º ano, professora Carmo Silva

Beckie e Jimy



Não são meus, mas é como se fossem. Beckie é uma caniche que desde pequenina começou a frequentar a nossa casa. Refilona, egoísta e ciumenta, mas doce quando pede colo. O Jimy chegou há pouco. É brincalhão e parece um rato quando roí tudo o que encontra. Mas tem um olhar ternurento quando pede para partilharmos a refeição. Como é reconfortante vê-los como se atropelam um ao outro para se juntarem a nós pedindo mimos e carícias.

Maria Jorge

A dedicatória a Passos Coelho



Senhor Passos Coelho, Portugal está em crise.
Eu acho que os meus pais não deviam votar em si.
Vós e os vossos deputados meteram a crise em Portugal por isso, vão ter que a resolver!
Já agora, as pessoas vão ter subsídio de Natal e de férias?
Eu acho que vós não deveis estar no topo do governo.
Portugal não consegue estar tanto tempo em crise.
Os trabalhadores não merecem este sofrimento.


João Miguel - EB Veiros - 4º ano, professora Carmo Silva


Amiga especial


Eu tenho uma amiga especial, ela nunca me deixou mal.
Chama-se Iulia, conhecemo-nos em pequenas, com discussões, choros… mas tornámo-nos as melhores amigas.
Gostava de lhe dizer que a adoro e que estará sempre no meu coração, mesmo que os países nos separem.
Penso nela a toda a hora e saudades não me faltam.
Desejo que tenha muita saúde e sorte.
Espero por ela no 2º período. Vou enchê-la de carinhos, vou matar as saudades
                   Beijinhos, Teresa! …

Teresa - EB Veiros - 4º ano, professora Carmo Silva


Pai e mãe


Meu pai e minha mãe
Vocês nunca me desiludiram,
Sempre me fizeram rir
E nunca me mentiram.

Sempre me acompanharam
Sempre me ajudaram,
Sei que sempre me amaram
E muitas coisas me ensinaram.

Eu adoro-vos
Do fundo do meu coração
Sei que sou muito brincalhão
Por isso devo vos muita gratidão.

Às vezes fico aborrecido
Vocês conseguem-me animar,
Olho para um e para outro
E começo a falar.

São os melhores pais do mundo
Sempre os amarei.

António - EB Veiros - 4º ano, professora Carmo Silva


08 dezembro 2012

A ti, governante



Sou um país pequenino, simpático, cheio de luz. Pacífico e paciente por natureza, neste momento trago o semblante carregado, enrugado de preocupação e ensombrado pelo medo, dúvida e insegurança.
A todos que me governam e governarão só peço que não me contagiem com a sua incompetência e mediocridade, que não me metralhem com decretos estapafúrdios nem apressados.
Lembrem-se que eu sou feito de gente.
Apontem-me o caminho certeiro, coerente, para não sentir vergonha de me chamar Portugal.

Ana Paula Oliveira, Santa Maria da Feira

Ajudar-te a roubar o céu



Queria passear contigo de mão dada. Queria ouvir os teus sonhos e medos. Que me contasses projetos mirabolantes. Que me deixasses ajudar-te a roubar a lua do céu. Queria rir até às lágrimas das tuas piadas. Queria chorar com saudades e aguardar ansiosamente o teu regresso. Esperar-te no aeroporto, na gare, na paragem, à entrada da porta, poder voar para os teus braços e dizer-te o quão bem vindo a casa és. Queria ser a tua casa...
Alexandra Rafael, Albufeira

Vida de gato



Tenho um vizinho. O gato preto. Não é do shopping, é verdadeiro.
 Anda  triste, o muro foi protegido  com uma rede,  já não se pavoneia pelos quintais miando e apelando às gatas amarelas que venham ter com ele.
Miados lânguidos, olhares ternos, mostram  como está apaixonado. Sente-se só.
Àh!  aquelas gatas amarelas, galdérias que andam  percorrendo  os telhados da vizinhança , convivendo e amando qualquer gato, e ele ... limitado ao seu cativeiro .
Vida de Gato! 

Maria Rosélia Palminha, 64 anos, Portugal

06 dezembro 2012

A tua ausência




Dói-me a tua ausência. Solidão de ti. Parte de mim foi contigo. Sofrimento violento. A tua partida transtornou-me.
Lutei, desde a adolescência, pela recuperação da relação de amor da infância. Falhei! Fechaste-te para o mundo, para mim. Rejeitavas a minha presença com ódio.

Um dos meus projectos de vida foi resgatar o teu amor. Demorei a perceber. A doença impedia-te a "reconciliação". Vivo essa dor. A tua falta tornou definitivo o abandono afectivo - dele prisioneira, até hoje.

Isabel, Setúbal

04 dezembro 2012

Nem sempre te compreendi



Nem sempre te compreendi! Existiram longas horas e eternos minutos que cheguei a odiar-te! Odiei-te por esse lado calmo e sereno quando tudo em mim era urgência. Urgência de ir, urgência de chegar e urgência de ser! Depois, fui crescendo... habituada a ver-te assim: sempre ali, consistente, ao meu lado. Nunca falhaste no compasso do meu percurso. Como era assim possível não te tornares naquilo que és hoje: o meu melhor amigo. Tempo, conto sempre contigo, obrigada!

Vera Viegas, 29 anos, Lisboa

03 dezembro 2012

Tirar a máscara


Quando chega a casa, pode, por fim, tirar a máscara e revelar-se como de facto é. Pode parar de fingir que gosta do que faz, que o trabalho a realiza, que as informações que gere são importantes e lhe interessam.

Sonha com o momento em que terá dinheiro suficiente para não necessitar levar um dia-a-dia sem história. Não quer dinheiro para ter coisas, nem para ser importante, mas para ser ela e poder dizer: “Não me interessa!”

Quita Miguel, Cascais

02 dezembro 2012

Inventas histórias...



Inventas histórias, 
Para voar nas auto-estradas que ligam dois corações
De encontro à rebentação das ondas
Passeias no tapete de nuvens
E olhas as estrelas que brilham num até breve suave e doce
Escreves a tua história
e contemplas a tua bem aventurança na imensidão da paisagem
Levas-me contigo para eu fazer parte desta história
És o meu herói 
Mas eu não sei saltar muros nem fronteiras
Leva-me pela mão
Eu fico aqui perto do teu coração.


Alda Gonçalves, Porto

Publicado aqui: http://macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt/2012/11/historias-em-77-palavras.html

Uma Questão de Azul-Escuro e o desafio 25


Azul-Escuro ---- rodeado ---- dorido ---- dores ---- resto ---- tormento ---- todos

Uma Questão de Azul-Escuro é um livro que fala sobre uma criança normal, como todas as outras. Todos os dias a caminho de casa ficava rodeado e muito dorido, levava pancada, mas ninguém se apercebia das suas dores. Para ele o mundo era azul-escuro. Já não queria saber do resto do mundo! Imagino o tormento! Mas um dia todos o perceberam, salvaram-no. Foi o melhor dia do mundo inteiro! O seu nome era Luís. 

Zé Pedro Figueiredo, Colégio Pedro Arrupe

Nota: Estive neste colégio a fazer uma conversa acerca do Livro "Uma Questão de Azul-Escuro". Um dia que me tocou mesmo muito... Um mar de alunos vestidos de azul-escuro, para depois me mostrarem camisolas amarelas, comoveram-me tanto!
Obrigada, Zé Pedro!
Obrigada a todos

A partilha


Ela é mulher de gostos requintados, de olhar brilhante e maquilhado, de palavras sábias saídas do coração, de pensamentos e sonhos grandiosos, de força e luz, de ações generosas e altruístas. Ela é mãe de peito cheio, de orgulho nas crias que defende como leoa, de atitudes de união e de carinho, de mente aberta, atenta e perspicaz, de luta pela felicidade e pela partilha, de caminhos dolorosos e esplendorosos. Ela, a mulher Emília, senhora minha mãe.


Marisa Luna Vinagre, 34 anos, Portugal

Publicada aqui: http://simplesmentemarisa.blogspot.pt/2012/12/77-palavras-sobre-quem-amo.html

Cinco sentidos e uma saudade



Na memória olfativa, cheiro da pele.
Meus olhos espelham os seus
e na saliva, bem guardada, mora a seiva dos lábios beijados e pele tocada.
Ecoa no ouvido a voz dos sussurros traçados em momentos de entrega
e nas lembranças do tato, o calor do atrito quente do rígido no côncavo.
No sentimento, território tomado e conquistado em usucapião.
É como rocha sobre o mar - deixa-se esculpir, mas não cede.
Ao meu amor, um poema respirando saudade.

Bia Hain, Brasil