30 abril 2013

Guindaste


Encontrava-me na cabina do guindaste, olhando para baixo, quando reparei em Madaleno, que, de fininho, se preparava para começar o feriado mais cedo.
O POBRE INFELIZ DESCEU UMA LADEIRA. TOLO, OU… ANTA. Não havia outra explicação. O encarregado iria chegar com o pagamento do mês, e o palerma não teria como justificar a sua ausência.
Comecei a acenar para lhe chamar a atenção e quando reparei, a obra inteira parara, e todos tentavam desvendar a minha aflição.

Quita Miguel, 53 anos, Cascais

Mudança


Dia de mudança da família.
Bagunça por todos os lados, caixas, caixotes e gente que entrava e saía!
Em meio aos carregadores, vizinhos que chegavam para se despedir.
Lágrimas rolavam dos olhos dela. Sabia que sentiria saudades de tudo.
Moravam num prédio de onde avistavam lindas cenas da natureza!
Ela disse:
EBAAINDA HOJE OLHEI PRA VER MAIUM POUCO DO CÉU
– Amanhã, na nova casa térrea, como hás de fazer?
– Pintarei céus nas minhas paredes!
Chica, 64 anos, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Publicado aqui:
http://sementesdiarias.blogspot.com.br/2013/04/uma-despedida-e-solucao.html

29 abril 2013

Bichinho da Leitura


Jantávamos na cozinha, apertados junto à fogueira, o único sítio quente da casa. Terminado o Terço, sentava-me nos joelhos do avô.
– A sua bênção, meu avô.
– Deus te abençoe, meu filho! Queres uma história?
Previamente marcada por um fio vermelho, no livro grosso, guardado numa prateleira alta ao lado da chaminé – fazia-me sonhar.
Apenas uma de cada vez, fez crescer a vontade de saber ler, de crescer, de surripiar os livros das prateleiras e de os ler.

Luís Marrana, 52, Oliveira do Douro, Portugal.

SEM NADA PARA FAZER


Estava em casa, sem nada para fazer. Fui ao meu quarto. Nada para fazer! Decidi visitar o escritório do meu pai…
“Só livros velhos! Deixa lá espreitar!”
Por simples curiosidade, abri um e decidi ler; só as primeiras páginas. Eu nem gosto muito de ler!
Lidas as primeiras, admiração minha, até gostei. Li as seguintes e as outras todas… até que cheguei ao fim daquele livro maravilhoso.
Adorei! A partir daí, o meu passatempo preferido é LER.

Inês Branco, 6E, N.º 11, 11 anos, ESPS – Escola Básica N.º 2 de S. Pedro do Sul – prof. José Soares

S. Pedro do Sul, prof José Soares e o desafio nº 41


DIA MUNDIAL DO LIVRO 
Bianca tinha-se mudado para o Porto.
Adorava ler!
Um dia, ia a passar na rua; viu um menino também a ler. Meteu conversa com ele e disse-lhe que adorava ler. Ele disse “Eu também!”
Bianca sentou-se e perguntou-lhe que história estava a ler.
– “O Mundo Misterioso de Guta”…
Passaram a tarde a ler…
E o menino fez uma lista sobre a importância da leitura e de ler.
É ótimo ler um livro! Um bom amigo e companheiro.
Bruna Oliveira, 6.º E, n.º 6, 12 anos, ESPS – Escola Básica N.º 2 de S. Pedro do Sul – Prof. José Soares


MARIA APRENDEU A LER 
Quando a Maria era pequena, não sabia ler. Nem sequer estava interessada em aprender.
No dia em que foi para a escola, só queria brincar. Não queria aprender.
Certo dia, estava sozinha em casa, sem saber que fazer… Pegou num livro para ver as imagens. Apenas.
Lembrou-se que, para ler, tinha de juntar as letras. A partir daí, começou a ler… Gostava de as juntar!
Nunca mais parou de ler. Sabia-lhe tão bem! Horas a fio!...
Catarina Oliveira, 6.º E, n.º 7, 11 anos, ESPS – Escola Básica N.º 2 de S. Pedro do Sul – Prof. José Soares


Desafio nº 42

Andamos a precisar de um quebra-cabeças, não vos parece?

O desafio é escrever uma frase, ou duas pequenas, que utilizem na íntegra e apenas 5 As, 5 Es, 5 Os, 3 Is e 3 Us, ou seja:

AAAAA  OOOOO  EEEEE  III  UUU

Não pode haver nem mais uma vogal, nem menos, têm de ser todas utilizadas neste número.
Dou-vos alguns exemplos:

1 – ONTEM, QUANDO O VI, LEMBREI-ME: ERA UM RAPAZ NÃO DIURNO.

2 – AFINAL… E ERAS TU QUEM ME CONTAVA CONTOS DE ÍNDIOS, OU…?

3 – OH!, QUANDO TERMINEI, TODOS ESTAVAM CIENTES DA LOUCURA.

Depois de feita esta parte, resta incluir a(s) frase(s) no vosso texto. Deixem em maiúsculas, para se distinguir do resto. Não se esqueçam de enviar com a idade e local de onde escrevem.

Eu escolhi uma, e escrevi assim:

Podia ter dito tanta coisa… Optei por falar com ideias claras sobre o que, pelos vistos, nos esperava. OH!, QUANDO TERMINEI, TODOS ESTAVAM CIENTES DA LOUCURA. Contudo, não havia nada a fazer, estávamos todos também conscientes disso. Talvez por essa razão, cada um partiu numa direcção diferente, começando a construir o seu próprio destino dentro da loucura. O meu, traçara-o há muito – iria ter contigo. Queria que pudéssemos, nestes últimos dias antes de tudo desaparecer, estar juntos.
Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa

(exercício retirado do livro “Escrita em Dia”, de MFS, Clube do Autor, 2013)

Palavra para voltar


Um dia fui de viagem numa palavra até Marraquexe mas quando cheguei já a palavra estava toda dita, eu tinha muito frio e não tinha palavra para voltar. 
Foi então que um mercador me ofereceu um livro com muito pelo, um livro como um camelo e eu fui para Tumbutcu. No livro as palavras nunca se gastavam, fossem palavras do princípio ou do fim. Ainda hoje quando estou para chegar sei sempre que posso de novo partir.

António Mendes, 53 anos, Lisboa

Foi de repente


Foi de repente. 
O que antes era insignificante se tornou relevante.
Juntou as sílabas quase naturalmente e percebeu que agora entendia tudo!
Seus olhinhos de menina curiosa cresceram diante de uma sílaba, uma palavra e, finalmente, um texto.
Compreendeu a história que se descortinava à sua frente.
Ficou imensamente feliz e poderosa.
Viajou naquele livro sem precisar de asas.
Voou em mundos que não imaginava.
Foi um pouco de cada coisa.
Assim, ela começou a ler.

Anne Lieri, 53 anos, São Paulo, Brasil

O Pomar


Laranjas são palavras muito frescas. Às vezes vou pelos pomares e entre filas de árvores muito alinhadas colho dos ramos os gomos de todas as palavras. Porque os pomares são como palavras. E em verdade vos digo: pomares são bibliotecas lavadas pelo orvalho. Por isso, e sem pedir licença a ninguém, às vezes gosto de ir ao pomar pela madrugada, tirar da árvore um livro muito fresco e trazer no cesto toda a fruta que há nas palavras.

António Mendes, 53 anos, Lisboa

O castelo das 20 catapultas


Luís estava chateado, porque chovia. Na cantina, meteu conversa com Xavier.
– Não há nada para fazer – lamentou.
– Que disparate – respondeu Xavier, de mãos atrás das costas. – Eu divirto-me imenso. Tenho um castelo protegido por piranhas assassinas!
– A sério? – espantou-se Luís.
– Sim!!! E os mutantes inimigos querem entrar... Mas estão tramados com as 20 catapultas empoleiradas nas ameias.
– Fixe! Mostra! – pediu Luís, aos pulos de excitação.
Xavier tirou as mãos de trás das costas.
– Toma.
Era um livro.
 
Rita Bertrand, 41 anos, Lisboa

LETRA


Letra após letra, uma palavra depois de outra combinando os parágrafos, as ideias num turbilhão de caminhos por inventar, preenchendo páginas em branco de vidas por viver. Sempre e de cada vez que se abre um livro, folheia uma página vive-se uma história aqui bem perto ou lá longe muito longe onde nunca sonhámos chegar. Fecha-se o livro mas guarda-se na memória as aventuras descritas nas palavras de um livro fechado que aguarda na estante outro leitor.

Paulo Roma, 50 anos, Lisboa

PRESSA


Era uma vez um livro. Um livro pequenino, que de tão pequenino se lia depressa tão depressa que dava para ler com um cruzar de olhar, mesmo a caminhar em menos de um passo estava lido. O tempo passava depressa ao mesmo tempo que se lia aquele livro que de tão pequeno não pesava no tempo das nossas vidas e nele se podiam ler todas as palavras de uma vida, mesmo que fosse uma vida sem pressa.

Paulo Roma, 50 anos, Lisboa

27 abril 2013

O sol

O sol escondeu a sua timidez por detrás do amontoado de nuvens negras que chocavam entre si libertando fios de luz faiscantes que chegavam com estrondo aos meus ouvidos. Impelidas pelo vento, as gotas de chuva quedavam-se contra os vidros da janela tecendo um bailado furioso de deuses agitados pela minha imaginação que combatiam lá em cima nas densas nuvens pela posse das estrelas da noite que por fim chegou serena descobrindo uma lua cheia de prata.

Paulo Roma, 50 anos, Lisboa

26 abril 2013

Ao adormecer


Todas as noites, mesmo antes de adormecer, pego no meu livro e entro noutro mundo, no mundo da fantasia e da imaginação.
Folheio as suas páginas e sinto-me longe. Descubro mundos distantes, vivo aventuras perigosas, emocionantes.
Cruzo-me com “hobbits”, elfos, feiticeiros, reis… os bons e os maus da história. Com eles alegro-me e entristeço-me!
Já não estou no meu quarto… Estou numa escola de magia, na selva, em Shire, no deserto, eu sei lá.
É tarde! Adormeço…


Mariana Almeida, 11 anos, 6ºE, Agrup. de escolas de São Pedro de Sul nº2 – professor José Soares

Ler, ler e ler


Ler, ler e ler…
            O senhor Eduardo vivia rodeado de livros. Pelas suas mãos passaram milhares deles. No entanto, sempre que pegava num novo livro, o sentimento era o mesmo: uma enorme vontade de saber o que diziam aquelas palavras… Mas apenas conseguia olhar e desfolhar o livro, imaginando o que diria, que história contaria… porque era analfabeto!
            Já com 70 anos, resolveu ir para a escola. Quando aprendeu a ler, passava dias inteiros a ler… ler… LER.
Beatriz Pinto, 12 anos, 6ºE, Agrup. de escolas de São Pedro de Sul nº2 – professor José Soares

25 abril 2013

Ler, descobrir, sentir


Ler, descobrir, sentir

Em tenra idade comecei
Páginas de livros a folhear
Foi então que me deparei
Com o prazer de associar.

Cada figura um significado
Cada palavra uma imagem
E foi neste caminho simplificado
Que descobri cada mensagem.

Livro a livro lá ia eu
Vivendo histórias encantadas
Com fadas e pigmeus
Que me deixavam maravilhada.

Hoje os livros são janelas
Abertas para um novo mundo
Como as pinturas ou telas
Que nos tocam no coração profundo.

Inês Gonçalves, 11 anos

O Meu Fiel Amigo

Pertences ao meu passado. Invadiste a minha infância, em tantos livros que li. Livros de histórias felizes, que acabavam bem. Livros de aventuras, que fazíamos acontecer, levando-nos ao cansaço. Fizeste parte dos meus sonhos, brincaste comigo, demo-nos mimos.
Acompanhaste-me durante anos numa amizade profunda e fiel, povoaste a minha vida, brindando-me com tuas carícias incondicionais. Depois… Partiste…
Hoje na incerteza da tua demora, cansei-me de esperar, entrei neste livro onde tudo nos é possível – e vou-te buscar…

Graça Pinto, 54 anos, Almada

Até que enfim


Até que enfim, já era grande. Só faltavam os dedos de uma mão para ir para a escola. Ia conhecer a professora e muitos meninos que iam ser os seus colegas de sala de aula. Quase não dormia de excitação.
A mãe chegou carregada com as compras. Compraria gomas? Espreitou, espreitou e… um livro. Tirou-o do saco e sentou-se, mesmo ali, no chão. Abriu-o, sentiu-lhe o cheiro a novo e folheou-o. Era o seu primeiro livro escolar!

Margarida Leite, 44 anos, Cucujães

Diferente


Devagar, devagarinho virei aquela capa azul e o coração acelerou logo na primeira página e começou a contrair a cada palavra. O cérebro foi esbarrando violentamente com todas as importantes verdades, até as mais escondidas, e as lágrimas soltaram-se na fatídica frase. Os ponteiros haviam dado duas voltas completas quando deixei cair livremente a contracapa sobre aquela linda história. Eu estava virada do avesso, como se o tempo também me tivesse dado a volta. Estava decididamente diferente.

Ana Sofia Milheiro

24 abril 2013

Cidade de Letras


O ambiente intimista exibia invariavelmente bem-estar e
sobretudo predispunha à leitura. O alfarrabista, dono brioso
daquele império de livros conseguidos em várias décadas
de buscas e aquisições, vivia rodeado de delícias letradas.
Imaginava-se numa Cidade de Letras, num País de Livreiros,
no Planeta do Conhecimento.
O mundo seria outro, sem guerras, contendas, se o homem
lesse mais.
A sinalética sonora da porta de entrada chamava-o à realidade.
A Verdade e a Utopia... dois propósitos que se consentiam.

Elisabeth Oliveira Janeiro, 68 anos, Lisboa

Sei-te


Sei que estás aí. Sempre. Quando fecho os olhos, quando respiro, quando sonho e sinto. Branca, doce, paciente e incomensuravelmente generosa na recetividade incondicional à tinta.
És folha.
Quero-te, porque sei que serás presente e futuro, porque sei que me esperas sem pressas, sem perguntas, sem desassossegos.
Sabes que chegará o dia em que te farei plural. Sabes que carregarás segredos, pensamentos, alegrias e tormentos. Viverás para sempre da imaginação e abarcarás o mundo.
Serás Livro.
Eternamente.

Sandra Évora, 40 anos, Sto António dos Cavaleiros

Nunca só



Entrei na livraria para... absorver títulos, visitar sinopses e rever o cheiro dos livros empilhados uns sobre os outros. Pensei eu que tinha entrado só, apenas comigo mesma, para visitar um mundo cheio de pequenos outros mundos que existiram na imaginação ou na vida de alguém. Na verdade, não entrei nem saí só. Dizem que aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

Sandra Évora, 40 anos, Sto António dos Cavaleiros

Nasceu um livro!



O momento foi mágico, inspirador, emocionante...
Não parava de recordar o dia em que assisti ao parto de uma amiga, que teve a generosidade de mo permitir. Aquele pequenino novo ser estava cá fora, à mercê do mundo, e eu podia mexer-lhe, acarinhá-lo, amá-lo.
Hoje, a Margarida passou-nos o seu livro. Foi um acto de amor. Viu-se o brilho da paixão nos olhos, a alegria da partilha. Nasceu um livro. Vamos honrá-lo pondo a Escrita em Dia.

Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

(esta história diz-me respeito directamente, comoveu-me... Obrigada, Maria José!)

Uma vida, um livro


Nunca tinha ido à escola nem sabia da magia de juntar letras para inventar existências. Os dias seguiam o ritmo das horas e o sol que debaixo de um céu inquietante mediava entre o nascer e o morrer ensinou-a a descobrir o dia de amanhã. Mas daquele olhar autêntico era como se brotasse um livro, tamanha a sabedoria com que nos presenteava. Aprendera a ler a alma dos homens através do coração. Para quê mais palavras …

Alda Gonçalves, 45 anos, Porto

23 abril 2013

Desafio nº 41 pelo 6ºE São Pedro do Sul nº2


LER… 
De que serão feitos os livros? Só de tinta e papel? Não serão fruto da nossa imaginação?!
Que bom que era que todos ouvissem e pudessem escrever histórias!
Será que há melhor que ter um livro e poder lê-lo?
Ler livros é poder sonhar acordado, com algo que nunca aconteceu; imaginar o inesperado, através das palavras que alguém escreveu!...
Ler livros ajuda a construir as nossas vidas, a acreditar e a afastar problemas que parecem sem saída…
Joana Figueiredo, 11 anos, 6E, Agrup de Escolas S. Pedro do Sul nº 2 – professor José Soares


O LIVRO 
Era uma vez um livro. Um livro velho, já meio carunchoso, parado num canto da estante velha, cheia de pó. Anos…
Já tinha sido livro de encantar, livro famoso, muito falado…
Passaram três gerações, desde que ali parou, tal como o encanto doutrora. Por que assim acontecera?...
Um dia, Maria, menina de bom coração, foi ao quarto dos livros e descobriu O LIVRO.
Os seus olhos brilharam de alegria.
Começou a LER. Magia!...
Não conseguia parar! Magia!...
Ema Lima, 11 anos, 6E, Agrup de Escolas S. Pedro do Sul nº 2 – professor José Soares

Uma vida, um livro


Nunca tinha ido à escola nem sabia da magia de juntar letras para inventar existências. Os dias seguiam o ritmo das horas e o sol que, debaixo de um céu inquietante mediava entre o nascer e o morrer, ensinou-a a descobrir o dia de amanhã. Mas daquele olhar autêntico era como se brotasse um livro, tamanha a sabedoria com que nos presenteava. Aprendera a ler a alma dos homens através do coração. Para quê mais palavras…

Alda Gonçalves, 45, Porto

Um Livro Especial


Inseparável companheiro. Fascinam-me as livrarias revestidas de títulos.
Foi a minha mãe que me transmitiu esta dávida. 
Gosto de abrir um livro especial, acariciar-lhe as folhas. Ler e reler as letras nele impressas como se fosse a primeira vez. Olho-o embevecida!
É o meu segundo filho, não que o considere obra de prestigio, mas é meu, não existia, fui eu sem nada saber que o inventei a partir desse nada.
São as minhas poesias :"LINHAS E ENTRELINHAS.
 
Rosélia Palminha, 65 anos, Pinhal Novo

Namoro


Salto de página em página e todas percorro, sem pressa nem nervosismos. Lentamente. Saboreio o percurso, paro, avanço, recuo.
Deito-me com as palavras, observo-as, acaricio-as e saboreio cada uma delas.
Chego ao fim, à última página, aquela que menos tempo me vai deixar ficar para dela usufruir. Dói-me não poder continuar entre elas mas sei que tenho outras que me esperam ansiosamente.
Não sou um marcador fiel: namoro, com volúpia, todas as páginas dos livros que marco.

Ana Paula Oliveira, 52 anos, São João da Madeira

Sem precisar de asas


Foi de repente. O que antes era insignificante se tornou relevante.
Juntou as sílabas quase naturalmente e percebeu que agora entendia tudo!
Seus olhinhos de menina curiosa cresceram diante de uma sílaba, uma palavra e, finalmente, um texto.
Compreendeu a história que se descortinava à sua frente.
Ficou imensamente feliz e poderosa.
Viajou naquele livro sem precisar de asas.
Voou em mundos que não imaginava.
Foi um pouco de cada coisa.
Assim, ela começou a ler.

Anne Lieri, 53 anos, S. Paulo, Brasil

22 abril 2013

A descoberta dos livros




Naquela aldeia perdida, era o dia do mês era mais desejado. As preciosidades chegavam numa velha carrinha, a biblioteca itinerante.
A jovem adolescente esperava, desde cedo, para ser a primeira a encontrar os tesouros. Escolhia criteriosamente e carregava-os com a ajuda da mãe, com quem dividia a paixão.
Depois  devorava cada um deles sofregamente e através das suas páginas se abria um mundo de conhecimento, de sonho, de fantasia, que extravasava para além dos horizontes  vazios alentejanos. 
Maria Bruno, Lisboa

Escrita em Dia


Hoje vai ser um dia especial, pois é o lançamento do livro "Escrita em Dia". E a Palmira resolveu dar-me um  presente especial, ora leiam. Obrigada!

A inspiração andava arredia. Há tempos que não conseguia escrever um texto que lhe agradasse.
Como sempre que isso acontecia, entrou numa livraria e pôs os olhos a passear pelas prateleiras.
Lá estavam os velhos amigos, aqueles que a tinham namorado desde sempre, mas também muitas novidades.
De repente, um novo título interpelou-a. Pegou nele, folheou-o, parou, dirigiu-se à caixa.
Já em casa pôs finalmente a “Escrita em Dia”.
Obrigada Margarida Fonseca Santos pela partilha generosa.

Palmira Martins, 57 anos, Vila Nova de Gaia

Nas asas de um livro


(em jeito de canção, cada um poderá escrever na palavra que falta!)

Pegamos numa letra, e juntamos a outra, assim...
Juntamos outras letras, faz-se uma palavra.
Palavra a palavras a ideia nasce...
Ideia a Ideia a história faz-se!
Página a página o livro aparece!
E com muitas páginas um livro aberto,
Pássaro de ideias onde a gente cresce!
De asas abertas o mundo floresce!
Nas asas de um livro eu vou poder voar
Nas asas de um livro eu… (completar com palavra pessoal)
Nas asas de um livro…

Dulce Silva, 32 anos, Leiria

Ler!


Nada me dá mais prazer que deslizar o dedo pelos livros de uma prateleira. Saltito de resumo em resumo, de título em ilustração… até encontrar o que procuro. Às vezes nem sei bem o que é… Fico com a impressão de que é o livro que me escolhe a mim. Fica meu dono, absorve-me, consome-me, aprisiona-me e deixa-me livre para voltar quando quiser!
Viro a capa, entro na história, o mundo desaparece!
É assim que me acontece!

Sandra Lopes, 37 anos, Amadora

Velas e livros


Nas férias da aldeia era sempre assim: os livros ficavam para trás na casa da cidade. Ali andava-se à solta no meio de hortas e mergulhava-se na água fria do rio. E havia a loja do Manel sapateiro com o seu pequeno mas extraordinário armário recheado de livros, alguns mais velhos que Matusalém, que proporcionavam longas noites à luz da vela com os seus companheiros na viagem dos sonhos. As velas desapareceram mas os livros continuam vivos.

Filipe Ribeiro, 52 anos, Toronto/Canadá

Pequenos leitores


A lojinha do senhor Tomás era mágica. Entre tabaco, jornais, isqueiros e outras utilidades, os livros que nos faziam sonhar.
Sempre que conseguíamos juntar os sessenta centavos, corríamos até lá e trazíamos mais um exemplar.
Aquele tesouro passava, de mão em mão, entre os pequenos leitores da família.
Foi a soletrar esses livros da colecção Formiguinha que viajámos por mundos fantásticos, sonhámos com cavaleiros brancos, tememos bruxas más, amámos príncipes e princesas e fomos felizes para sempre.

Palmira Martins, 57 anos, Vila Nova de Gaia

21 abril 2013

A primavera entrou


Levantou-se deprimida, com dores de cabeça de tanto fazer contas à vida durante a noite. A casa sempre igual, a precisar de uma pintura, de cortinas novas. Tirou os livros da estante, lixou a madeira, limpou, pintou com tinta branca e esperou que secasse, relendo a poesia de Florbela Espanca. Acendeu as luzes, numa velha garrafa pôs uma rosa, recolocou os livros na estante, ao acaso. Uma brisa fez voar as velhas cortinas e a primavera entrou. 

Maria Helena Frontini, 52 anos, Regueira de Pontes, Leiria

Sentia-lhe a falta

Sentia-lhe a falta, de lhe tocar, de o cheirar. Quando chegou foi como se o sol brilhasse novamente. Não te tinha mas tinha-o a ele. Abri o embrulho e sentei-me no sofá. Faltava o meu marcador de livros preferido, verde esmeralda e prateado. Mesmo assim o prazer subiu-me à alma. Passei os dedos pela capa novinha em folha e pensei em ti. Quando o abri o meu coração encheu-se de emoção porque te encontrei em cada página.

Alexandra Rafael, 35 anos, Albufeira

O Corvo e a gaivota

Era uma vez um corvo
Um corvo vestido e rodeado de negro
Até que conheceu uma gaivota
Uma gaivota branca rodeada de luz.
O corvo rapidamente se apaixonou
Mas sempre soube que o negro corromperia a gaivota
Nunca disse nada …
Abalou e partiu sem dizer nada
E volta de vez em quando, encontra a gaivota
E continua sem dizer nada
Até hoje o corvo não disse nada
Será verdadeiro amor?
Abala e volta sem dizer nada.

João, 22 anos, uma cidade distante que pertence a um pequeno planeta chamado Terra.

Entregou-se


A noite era calma, 
as estrelas cintilavam no azul negro do céu,
e os raios de sol já tinham ido dormir.

A menina passeava à beira-mar quando encontrou um livro sob a areia molhada.
Baixou-se e pegou nele. 
À sorte, abriu o livro e qual foi o seu espanto quando na página 2 ele lhe perguntou:
– Quero abraçar-te, posso?
Ela corada sorriu e disse:
– Sim!
E até hoje entregou-se a ele como quem desconhece o medo!

Ravena Ariane, 22 anos, Braga

O Livro


No ar o toque ensurdecedor dos telefones. As vozes monotonamente profissionais. “Está quase”. Os olhos encontram o relógio. “Quase”. Atende o telefone.
É hora. Voa pelos cubículos impessoais, desliza  escadas abaixo, ziguezagueia pela multidão, olhar fixo no autocarro fechando as portas. Empurra. Óculos embaciados, respiração ofegante. “Quase”.
Sai correndo. Não cumprimenta. Entra, despe o casaco, limpa os óculos. Aterra no sofá. Suspira. Pega no livro. “Onde íamos, amor?”. O homem de papel e sonhos materializa-se naquele instante.

Isabel Galucho, 41 anos, Lisboa

E voou


Era uma vez um rapaz que queria voar.
Experimentou balões de criança, asas emprestadas, tapetes do oriente, até pelo vento se deixou levar. Mas não, nem um dedo do chão os pés ousaram levantar.
Triste, desistiu, teria mesmo que andar pela terra e apenas contemplar os pássaros no ar, que lá em cima mostravam postura de tudo reinar.
Um dia, leu um livro, dois, três, muitos sem parar. Levantou voo, tão alto que ninguém o conseguiu alcançar.

Bau Pires, 50 anos, Porto

Amigos maravilhosos


Rosa ia ao trabalho. 
Lico ia à escola. 
Após isso, a avó o cuidava, mas não sabia brincar, apenas da casa cuidar! 
Ela, culpada, triste por ver Lico assim. 
Mas o trabalho lhe permitia sustentar filho, casa. Era fundamental!
Certa vez, com Lico ao lado pergunta: 
– Filho ficas triste assim sozinho? 
– Mamãe, tenho amigos maravilhosos. 
São meus livros. Com eles aprendo e voo! 
São perfeitas companhias! Não me podem faltar! 
Rosa sorriu! 
Percebeu a maravilha de filho...

Chica, Porto Alegre, Brasil

Publicado aqui:

20 abril 2013

Direitos


– Não voltes a ligar. Quando eu puder ou quiser, eu telefono!
Aquele «quiser» ressoava-lhe na cabeça, quando pegou no livro e se refugiou no extremo da praia.
Leu o mesmo parágrafo diversas vezes, até conseguir serenar o espírito e embrenhar-se no conteúdo das palavras.
Uma frase fê-la interromper a leitura «não há nada nem ninguém, que tenha o direito de te entristecer».
Sorriu e apagou do telemóvel o número daquele que, talvez um dia, lhe quisesse ligar.

Quita Miguel, 53 anos, Cascais

Um outro mundo


Aquele quarto era o seu mundo, há muito tempo, mas sem o ver! Os sons diários enchiam-no de tédio e só o chilrear dos pássaros na alvorada e no crepúsculo o tiravam do entorpecimento. Não era justo. Estava exaurido, sem ânimo, sem futuro. A enfermeira nova chegou com ideias… ia trazer livros. Para quê?... Nunca gostara deles.
Até ela começar a ler. Aí viajou e começou a ansiar pela alvorada para ouvir os pássaros e… as histórias.

Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

Desafio nº 41


  
Estamos na época da comemoração do Dia Mundial do Livro!

Sendo assim, aquilo que vos pedia era um conto que, de alguma forma, fizesse o elogio da leitura:
  • Como alguém começou a ler;
  • Como o livro transforma as vidas;
  • Como um livro pode, de forma silenciosa, salvar o mundo de uma pessoa;
  • Como se viaja com livros;
  • Uma história com com um livro dentro;
  •  O que quiserem…
Vamos a isto?

 A minha ficou assim:

Fechou o livro. Ainda sentia os olhos húmidos da emoção, da estranha sensação de se sentir acompanhada. Sim, fora isso! Durante toda a leitura, sentira-se acompanhada por quem a entendia, pois a personagem principal, falando na primeira pessoa, contava uma história que podia ser a sua, com dificuldades parecidas, tristezas iguais, indelicadezas de outros decalcadas do que vivia todos os dias. Bem dizia a escritora: um livro pode salvar um mundo de cada vez. Agradeceu-lhe em pensamentos.
Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa

Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Mudar de vida



Noto no a imensa fragilidade de alguém quer tenta despedir-se da família e não consegue. Tonto que foi de quando era mais novo  não o ter feito. Agora homem feito e chefe de família a sua maior preocupação  gira em torno da hipótese  de poder ainda tentar uma vida melhor em Toronto. De olhos rotos feitos em lágrimas, no momento da partida, oro convictamente para que seja breve o seu retorno, repleto de esperanças  preenchidas.


Graça Pinto, Almada 

Os dois Animais

O Joaquim era um cão. Um dia o Joaquim estava a andar e viu uma gata chamada Lúcia. O Joaquim perguntou:
– Lúcia, queres vir ao parque comigo hoje?
A Lúcia respondeu:
– Eu gostava muito disso.
Eles foram para o parque felizes. Quando chegaram, jogaram à bola. E o Joaquim logo marcou dez golos, mas a Lúcia só marcou dois.
– Isto e muito engraçado! – disse a Lúcia ao Joaquim.
Assim acaba a história do Joaquim e da Lúcia.

Victoria Ferreira e Emma Santos, 8 anos, St.Helens, Toronto Canada

Tó estava tonto...



acordou e deixou-se levar pela nostalgia daquele dia. Tudo era melancólico, tudo girava em torno da pessoa, mais querida, que mais tinha amado. As lembranças estavam espalhadas por toda a casa, desde os quadros aos livros. Decidiu sair e comprar um trono onde pudesse sentar-se a contar histórias ao seu neto. Porém quando chegou a Toronto descobriu que o noto não vendia tronos. Então achou-se tonto por querer contar histórias ao neto que nunca tinha tido.

Sara Oliveira

19 abril 2013

Toronto


– Eh lá, TONO!! Que fazes? Fico TONTO!!
– Ora! Não vês? Rodo o TORNO à roda do TORO. Está TORTO, não notas?
– Sim, NOTO, mas fico TONTO com todo esse movimento.
– TONTO já tu és, TOTÓ!!
– Ora! E o que vais fazer com ele?
– Vai comigo para TORONTO, para a bienal de arte. Vai ser um TRONO!!
– Um TRONO? Que grande NÓ!! Um TORNO e um TONO TOTÓ vão transformar, em TORONTO, um TORO TORTO, num TRONO rococó!

Luís Marrana, 52, Oliveira do Douro Portugal