31 maio 2013

Lágrima

Lágrima.
Apenas uma, sozinha, solta, caindo por dentro dela de pouco serviu, nem para limpar a alma… No coração rasgado de tanta ausência permitiu-se esconder a tristeza pintada no olhar castanho que carinhosamente lhe dedicava e que ninguém via, nem ele. Hoje completando oitenta anos de um passado sem futuro, até do presente duvidava! Tudo era vazio de saudade. Deixou que uma lágrima escorregasse de encontro à solidão da alma. Apenas verteu uma lágrima, uma única gota…

Alda Gonçalves, Porto, 45 anos



Vagas

O mar era forte, como sempre; o seu azul de aço punha na praia os restos do mundo.
 Se ele traz, também pode levar.
 Bom que era: as sobras do que dói irem para terras do outro lado do olhar, onde o sentir não vê a sua cor.  
 Assim, pus todos num saco – os dias meus –, atei  e lancei ao mar os cacos do tempo; talvez dessem para um outro tolo os usar e com eles dançar.
Bau Pires, 50 anos, Porto



Programa Rádio Sim nº 15 – 31 Maio 2013

Indicativo + OUVIR  o programa! No site da Rádio Sim



Desafio nº 20 - O alfabeto duas vezes


A bruxa descontrolada
A bruxa Cacilda deixou o elfo Felipe numa gaiola. Sua habilidade para inventar feitiços transformou-o numa joaninha. Levou-o como mascote para Nagibe, o patrão que roía serpentes e tatus. Disse-lhe umas verdades, xingou e zarpou numa zebra.  Xingou? Por quê? Viu uma tirana sem-vergonha roubando-lhe queijos e  beijos e pasmou. O Nagibe, mal-humorado, libertou a joaninha inocente e hábil que, em gargalhadas, fugiu. Enfurecida e decepcionada, Cacilda sabia do seu mal. Era uma bruxa ciumenta...e apaixonada. 

Bia Hain, Brasil

Estás doida!!!

Vou dizer tudo o que penso! Cá vai: demais, desta vez foste longe demais – estás doida!!!… pronto, tinha que te dizer!... Já disse!…
Mesmo assim, vou tentar, mas nem sei como!
Vou contar também ao Luís o repto do 77, talvez ele queira fazer!
Contei-lhe tudo e ele disse:
- Estás louca!
- Eu?... Eu não… Ela! – disse eu.
Como ele não quis, fiz eu! Uma, duas, uma… não dá!
Mas, depois de muito rir, cá vai o texto!

Dália Maria Figueiredo Santos, 42 anos, Tomar



O Filho

Nada. Não quero ouvir os gritos. Ela grita. Ele grita. Já não os vejo e ainda ouço as vozes. Quero ficar aqui, quieto, sem falar. Não quero pensar. Não quero ouvir. Não quero falar. Não quero nada. Só quero fingir que ela não se livrou de mim. Que ela não me deixou só. Que não me deixou aqui. Nada. Não quero nada. Não sinto nada. Dói tanto que já não sinto... A minha mãe fugiu. Estou só.

Cláudia Sebastião, 34 anos, Lisboa
(Publicado aqui, sem restrições: nocantodocasal.blogspot.pt/)

Pôr-do-Sol à beira mar plantado

Sentada à beira mar, contemplo o pôr-do-sol. A praia está praticamente deserta, apenas umas dezenas de gaivotas recolhem cuidadosamente os restos deixados pelas famílias que ocuparam a areia durante este dia que agora chega ao fim. O silêncio da rebentação das ondas é interrompido apenas pela melodia da tua respiração colada ao meu ouvido. Nas minhas costas, o calor do bater do teu coração. E os teus braços, à minha volta, terminam na carícia das minhas mãos.

Catarina Azevedo Rodrigues, 40 anos, Venda do Pinheiro, Lisboa


Um reconto sem E

Zombava o Láparo da Tartaruga!
Oh, morcão!! Dá corda aos sapatos, moço!
A cada hora a martirizava com graçolas parvas:
‘Bora lá a uma corrida?
À sombra do lampião!
Oh, não dá! A sombra já partiu!
Fartinha, a Tartaruga topa, impondo larga distância. Ávida por paz duradoura.
Partindo a toda a brida, incauto, o Láparo pára, dormindo um sono profundo.
Aplicada no ritmo, a Tartaruga ganha, zombando agora:
Tic Tac, Tic Tac, Trimmmmmm!!! Acorda!, a Tartaruga ganhou!

Luís Marrana, 52, Oliveira do Douro

30 maio 2013

Dia de sorte

Foi dar uma volta, ao sentir que eram horas de pensar na vida. Por estar só,  a moça está triste. Ficou ali a olhar sem saber bem para onde. Se o céu, o sol ou a terra. Em seu redor tudo era calmo. Uma mão tocou o seu ombro. Alguém com um olhar terno lhe deu uma flor. O vento ao passar deixou no seu rosto marcas de carmim. Ficou feliz.  Era o seu dia de sorte.   
 
Rosélia Palminha,  65 anos, Pinhal Novo

Fé no verão

Tenho tanta fé no Verão! O sol não vem, mas no jardim há flores e pombas e rolas e folhas. Corto a relva, planto salsa, jasmim e cravos. As rosas são sóis mudos. A chuva cai, gotas grossas como pedras sulcam um rego junto ao poço. O cão bebe, o gato bebe, a terra sorve. As ervas tombam sob o vento, notam o vagar do tempo em mudar. A hora tarda, porém, eu lavro, cavo, tenho fé.  


Helena Frontini, 52 anos, Regueira de Pontes

desafio nº 44

Uma volta

Ela diz que, sempre que pode, dá uma volta ao bilhar grande.
Vai pela berma e em passos curtos e certos cumpre a bula do doutor.
Andar duas horas na beira do rio é como um sonho de águas claras em dia de nuvens densas.
Pasta os olhos no prado verde, seduz o brilho do sol que poisa na água, brinca com os patos na margem e sonha com uma manhã sem temer de novo o amor.


Alda Gonçalves, 45 anos, Porto

EXEMPLOS - desafio nº 44

– Posso ter dito a Deus que o bom era ter uma pedra verde, mas...
O irmão sorriu:
– Deves ser mais claro!
– Está bem, mas se eu nunca digo que quero uma pedra com musgo, e todos sabem que o que quero é uma pedra com valor, como é que Deus não sabe? Como é que Ele me dá este calhau sujo?
Fazer o quê? O puto pensa que tem sangue azul e que é de clã real.
Quita Miguel, 53 anos, Cascais

Era verão… Era? Não… Era, era, já me lembro!
Eu na manta, livro na mão, sol pelo meio das folhas, tudo pronto.
Pus-me a ler contos. Que seca, pensei, livros…! Mas os contos eram, como dizer…? Eram fortes, loucos, assim quase brutos, sabem? Fui até ao fim com o credo na boca. Quando parei, toca a reler. Tinha um bicho de leitor a nascer por dentro, já se vê. Li o livro, peguei noutro.
Nunca mais parei!
Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa (de momento em Coimbra…)

Tenho tanta fé no Verão! O sol não vem, mas no jardim há flores e pombas e rolas e folhas. Corto a relva, planto salsa, jasmim e cravos. As rosas são sóis mudos. A chuva cai, gotas grossas como pedras sulcam um rego junto ao poço. O cão bebe, o gato bebe, a terra sorve. As ervas tombam sob o vento, notam o vagar do tempo em mudar. A hora tarda, porém, eu lavro, cavo, tenho fé.
Helena Frontini, 52 anos, Regueira de Pontes

Ela diz que sempre que pode dar uma volta ao bilhar grande.
Vai pela berma e em passos curtos e certos cumpre a bula do doutor.
Andar duas horas na beira do rio é como um sonho de águas claras em dia de nuvens densas.
Pasta os olhos no prado verde, seduz o brilho do sol que poisa na água, brinca com os patos na margem e sonha com uma manhã sem temer de novo o amor.
Alda Gonçalves, 45 anos, Porto

Foi dar uma volta, ao sentir que eram horas de pensar na vida. Por estar só,  a moça está triste. Ficou ali a olhar sem saber bem para onde. Se o céu, o sol ou a terra. Em seu redor tudo era calmo. Uma mão tocou o seu ombro. Alguém com um olhar terno lhe deu uma flor. O vento ao passar deixou no seu rosto marcas de carmim. Ficou feliz.  Era o seu dia de sorte.
Rosélia Palminha, 65 anos - Pinhal Novo

O Filho
Nada. Não quero ouvir os gritos. Ela grita. Ele grita. Já não os vejo e ainda ouço as vozes. Quero ficar aqui, quieto, sem falar. Não quero pensar. Não quero ouvir. Não quero falar. Não quero nada. Só quero fingir que ela não se livrou de mim. Que ela não me deixou só. Que não me deixou aqui. Nada. Não quero nada. Não sinto nada. Dói tanto que já não sinto... A minha mãe fugiu. Estou só.
Cláudia Sebastião, 34 anos, Lisboa

Vou dizer tudo o que penso! Cá vai: demais, desta vez foste longe demais – estás doida!!!… pronto, tinha que te dizer!... Já disse!…
Mesmo assim, vou tentar, mas nem sei como!
Vou contar também ao Luís o repto do 77, talvez ele queira fazer!
Contei-lhe tudo e ele disse:
- Estás louca!
- Eu?... Eu não… Ela! – disse eu.
Como ele não quis, fiz eu! Uma, duas, uma… não dá!
Mas, depois de muito rir, cá vai o texto!
 Dália Maria Figueiredo Santos, 42 anos, Tomar

Vagas
O mar era forte, como sempre; o seu azul de aço punha na praia os restos do mundo.
 Se ele traz, também pode levar.
 Bom que era: as sobras do que dói irem para terras do outro lado do olhar, onde o sentir não vê a sua cor.  
 Assim, pus todos num saco – os dias meus –, atei e lancei ao mar os cacos do tempo; talvez dessem para um outro tolo os usar e com eles dançar.
Bau Pires, 50 anos, Porto

Nome de Natal
O Nuno ria e ria sem parar. O nome dela era mesmo giro: Céu Palha de Jesus.
– Só falta a mãe, o José, o burro e a vaca! É o Natal!
– Nunca tal ouvi! – disse o João do outro lado, rindo também.
A Dona Ana ficou fula.
– Mas o que é isto? Quem deu ordem para rir? Li a lista de nomes e os putos ficam nisto – achou ela, parva de raiva.
Mas este nome era raro!
Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

Vinham até mim, pela mão das mães, com medo do novo mundo que viam à sua frente.
Com vagar, iam para o seu lugar, de olhar fixo na mãe.
Será que ela os vinha buscar? – temia cada um no seu canto.
Com amor, os puxei para mim;
Com jeito os pus a cantar, a contar, a dançar, a ouvir contar…
Ao fim do dia já é para mim que o olhar deles foge.
Sinto que vão voltar!
Maria da Graça Palhares, 60 anos, Senhora da Hora

Eu tô que tô,
E tu como é que tá?
Eu vou que vou,
E tu já chegou lá?

Um sonho eu quero
E tu o quê que quer?
Ficar no marco zero?
Assim não vai dar pé!

Eu vivo nas nuvens,
Sou anjo, tenho asas.
E você, por que se detém?
Sai de dentro dessa casa!

Sei que não é todo dia
Que o sol vai brilhar,
Mas tenha santa pia,
Desse jeito tu vai mofar.
Majoli Oliveira, Brasil

O bebé sabe
O que custa a vida, ele não sabe.
Nem sabe como se faz a sopa que come, as horas que a mãe leva a lavar fraldas, o tempo que o pai passou a montar móveis para guardar roupa, rocas, bolas, botas, bichos de pano, álbuns de fotos.
Ele é só um bebé: chora se tem fome e sorri se lhe pegam ao colo.
É só um bebé. E pouco sabe.
Mas sabe o que o amor é.
Rita Bertrand, 41 anos, Lisboa

Porque será que sempre que a vejo sinto que é o tempo a parar e nada mais, sem valor, a se mostrar? Ela, sem o tempo que anda de novo, como se uma linha de luz forte do olhar fosse, pára. Será por ser filha da mente que me leva aos céus em brilhos a voar e de astros a cair? Ou será por ser ela o meu mote de vida? Fanal da minha dada vida: mãe.
Carolina Cordeiro, 34 anos, Ponta Delgada, São Miguel, Açores

O mar...
Como gosto do mar...
Azul ou verde, calmo ou forte, quente ou frio...
Com o seu som doce ou rude, que me faz deixar o meu corpo e voar sobre ele como uma ave livre de asas ao vento.
Mas o que será do mar sem o amor da praia, sem um mimo das conchas, sem a força das rochas?
Fica sem cor, sem som, sem vida.
Triste, só, morto.
E eu, morro com ele.
Vera Novais, 31 anos, Lisboa

– Foste! Mais uma vez! Não posso mais! As minhas forças estão a chegar ao fim! Voltas…?
– Talvez… Quem sabe…?!
– Tanto tempo sem ti!
Num dia chegas; no outro, vais… Nunca sei se torno a sentir o teu terno braço à minha volta…
Sonho, choro pelo dia, pela hora de te rever…
Vejo o teu rosto no jardim, no bosque, no canto das aves, no azul do céu…
– Algum dia, virás para (enfim!) ficar, PAZ?
– Talvez… Quem sabe…?                           
Maria José Coelho, 51 anos, Santa Maria da Feira

A chuva
“Ontem, chuva; hoje, mais chuva… E o sol, brinca atrás das nuvens?” “Não é bem isso… ele quer chegar a todos: anda por outras bandas…É j usto!” “Tu, e os teus sermões… mais logo estou a dormir como os gatos” “Se calhar, fazes bem; eles sabem muito!... Estes dias também fazem falta: são tão ricos como os outros. Podes parar um pouco, olhar para os outros, olhar para dentro de ti… e, quem sabe, crescer!” “Até logo…”
Graça Samora, 67 anos, Massamá, Queluz

Chega a noite e o sol já dorme
Chega a noite e o sol já dorme. Lia não quer que a luz se vá. Tem medo do negro da noite. Pega num livro, trilho para a calma. Lê e ri. Solta os medos sempre que vira mais uma folha.
Pousa o livro e dorme. Sonha com bruxas e fadas, elfos e magos. As horas passam, lentas. E nasce uma manhã nova feita de risos claros. Sem fome nem frio. Sem lama, sem manchas, sem sombras.
Ana Paula Oliveira, 52 anos, São João da Madeira

O Pé
A mesma Mãe nos pariu aos dois no mesmo dia. Somos um par, mas sempre rivais. Sempre juntos para todo o lado vamos. Meu irmão é bom para a bola, eu nem tanto. Às vezes teimo, paro, ele cai e chora. Somos um só, sem ti não vivo, digo. Olho para o lado, não está lá, não o vejo, choro. Eu não ando como dantes. Maus os homens que deitam minas nos rumos. Sou o pé Dextro.
Cândido Pinheiro, 73 anos, Póvoa do Varzim

A jovem com chapéu cor de sangue levou o tacho à vovó. Na selva topou o lobão que disse.
– Onde vais?
– Levar doces à vovó. ‘Tá só. – E deu-lhe o poiso da mesma.
O lobo sorriu e a moça passou. Esta não sendo tola viu o trama, deu corda às socas e chegou antes do mauzão junto da avó. Chegou o lobo, mal pôs a tola dentro da porta leva com os tachos e morre. Bem feito!
Cândido Pinheiro, 73 anos, Póvoa do Varzim

As Fadas
Os pós de fada voam por aí... Dizem adeus ao seu mundo de sonho para salvar os outros...
Que ato este de amor e paixão, dando vida ao mundo para que se sinta a fada que há dentro de nós, bem lá no fundo do corpo, mesmo junto da alma.
As fadas são os seres que temos de louvar, pois são como um grande pilar que, para o nosso bem, surgem no sítio e no tempo certo!
Rickyoescritor, 11 anos Pedroso, VNG

Abriu a porta e sentiu o calor do sol no rosto. No jardim, ouviu o canto das aves, viu as flores cheias de cor e sentiu o seu cheiro. Ao fundo, o calmo mar azul. Correu para a praia, parou frente ao mar e sorriu. Sorriu por não ter dor, por ter força para estar ali. Até que enfim, era uma mulher sã! Vale a pena lutar e crer que o dia a seguir será sempre melhor!
Margarida Leite, 44 anos, Cucujães

Irmãos?
A Rita é uma gata bela e doce e o Rui um cão fofo como uma bola de pêlo.
Na casa do Abel nunca têm sono, fome e sede. Vão à rua com o seu novo dono, olham para o céu ou lua, mas vêem o sol se for dia.
Bebem leite e comem pão ou será que têm ração?
A Rita sobe para cima da mesa e o Rui rola no chão. Nesse jogo são irmãos…
Cristina Lameiras, 48 anos, Casal Cambra

Dia feliz com uma avó e o neto de 21 anos!
Hoje o meu neto veio comer cá a casa.
Fiz salmão porque ele gosta muito. A seguir fomos sair
pois o tempo está fresco bom para sentir o ar no rosto e
encher com ele o peito.
Em casa era só TV e não há coisas boas.
Foi um belo dia com uma tarde fixe e, nem sequer me deu
o sono como nos outros dias.
Arminda Montez, 75 anos, Queluz

Há muito que Tito, o gato de nobre porte e fino pelo, branco e ocre a dar cor aos muros do quintal, ia ver Mimi, uma gata doutra casa. Meiga, de olhos grandes em cerco de negros tufos, era um clarão de luz e fogo.
Mas tudo mudou.
Tito, em vestes de grande gala ia fazer a corte a uma tal Susy, de felpa ruiva, uma graça.
Certa e tenaz gota turvou o olhar azul de Mimi.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 68 anos, Lisboa

Os Bichos
Estou só! Pior, ou não: a minha mente vê cobras, por todo o lado da casa. Medo. Tenho medo. Um frio no meu corpo. Quero a cama; fecho a porta e eles não vêm. Louca, estou louca, ou não?! Eles estão a vir, rente ao chão. Vou morrer. Chamo alguém? Quem? Não. Tomo drogas: eles fogem. Não! De manhã estão em todo o meu corpo, como se com contacto me dessem amor. No fim, os bichos são bons.
Isabel Pinto, Setúbal

Noite na praia
Na praia, olho o mar. A onda que vem. A onda que vai. Vai e vem sem parar. Fecho os olhos. Sinto paz, calma. Alma leve e solta. No céu azul,  aves a voar. Para longe, e logo depois, de novo para perto. Canção de duas cores, qual foto a preto e branco. Nuvens fofas que quero tocar. Lá no alto, a lua brilha, a noite cai. Quero ficar aqui, junto ao mar, e aqui livre sonhar.
Elsa Rodrigues, 41 anos, Lisboa

O sol, a lua, e o mar
Manhã, o sol já raiou
O meu amor chegou
Vamos à praia, ver o mar
As ondas vêm nos beijar
Oh, mar!, vem para meus braços
Vamos unir os laços
Fica aqui, ao pé de mim
Sabes mar!, gosto de ti
Diz que me mas, e me queres
Quero ser tua mulher
Vamos casar, mar, eu, tu e a lua
Eu digo que já sou tua
É dia, mar!, que calor
Sol, lua, mar amo com ardor
Maria Silvéria dos Mártires, 67 anos, Lisboa

A Rita já conta
Rita conta: Um, dois, três, sete, oito... 
A mãe ralha:
– Não é assim!           
E ela conta outra vez: quatro, cinco... e lá vai ela até ao dez.
– Vês, Rui? – diz a mãe ao pai. – Eu não te disse? Ela sabe. Tu é que pensas que não.
O pai olha a filha que já não conta, canta feliz: come a papa, Joana, come a papa...
O pai sorri.
– Vês? Ela sabe cantar, tu é que pensas que não.
Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

O João e a Ana têm uma gata de seu nome Nina. E como é ela? Branca, preta e cinza às riscas. E o que faz? Dorme de dia e mia de noite. E porquê? Porque acha que na casa onde vive há ratos e outros bichos para caçar.
Como podem os donos dizer à Nina que onde moram, nem moscas há? E que de noite é para dormir e de dia é que é para brincar?
Paula Fialho Silva, 34 anos, Badajoz

Mata-bicho 
Havia um burro ou asno, como lhe queiram chamar, de seu nome “Mata Bicho”. Mata Bicho, que gosta de estar junto à porta do dono, ouve assim logo pela manhã:
– Oh, homem! Então, anda lá comer o teu mata bicho – diz a mulher do dono do burro.
– É para já, estou cá com uma fome.
Pobre burro, ao ouvir tal coisa, põe-se a zurrar, como que a dizer:
– Sou burro mas nem tanto, foge Mata Bicho, foge.
Isabel Branco, 53 anos, Charneca da Caparica

Amor do bom
Quando amar faz doer, melhor é deixar findar. Amor do bom só faz bem, toca os dois e cada um, não fere, só constrói. Amor do bom, do bem, não é blasé, nem café com leite. Amor do bem se dá também, ao outro, aos bichos, a vida, as plantas, aos rios, ao mar. Amor foi feito para se trocar, unir, ao mundo se lançar.
Com amor tudo é melhor, somos mais fortes, vivos, feitos de riso!
Roseane Ferreira, Macapá, Estado de Amapá, Brasil

Pedro viu Inês, no café, uma perna por cima da outra, em cruz. Olhou, mirou e não mais deixou de pensar nela. Amor à vista! Paixão certa.
Chegou junto dela e fitou seus olhos grandes e azuis. Sorriu. Ela sorriu também e com a mão mostrou o lugar ao seu lado. O rapaz ficou feliz e pediu um licor para cada um. Mais tarde, chegou um homem junto deles, beijou Inês nos lábios. Pedro corou e saiu.
Fátima Fradique, 40 anos, Fundão

Pensei no meu dia entre ser, sentir, passar e estar, e vi que tudo o que mostra ser mau, tem um pingo de bom. Por isso é que nem tudo é o que se vê, nem tudo o que se sente é mau, nem tudo o que se sente é bom. Enfim, nada é fácil, por isso vamos pensar em coisas belas, com amor. Assim vejo o dia, não igual ao que seria, mas ao que sentia...
Mariana Correia, nº18, do 12ºLH2, 17 anos, Escola Secundária José Saramago, Mafra, prof. Maria Teresa Simões

Falando
Gosto muito de falar de mim. Como todos nós. Somos mesmo assim!
Mas hoje, meu bem, vou falar de ti!
És doce, suave, tão fofo. Olhas os meus olhos com essa luz linda, densa, quente e feliz. 
Vês a minha alma com o amor certo, que mais ninguém me diz. 
Dizes o meu nome a cantar o som fresco da água no verão. 
Tocas a minha pele qual gota de mel que cai na flor em botão.
Fernanda Elisabete Gomes, 58 anos, Vila Franca de Xira  

Hoje é quinta feira, dia dois de julho de dois mil e quinze. Já só faltam três sessões!!!! Ufff!!!!
Estou a gostar muito! O grupo é do melhor e da prof nem se fala!
O tempo está bem: sol, chuva e, às vezes, vento!
Ontem foi bom, rimos muito! Dia três, Expo de metro, mais coisas lindas. Depois, falar, café e… fumar um pouco.
E é assim que se passa um bom tempo!
Adeus e até sempre!
Maria José Mota

Ana gosta de brincar com os pais, avós e tios. O pai comprou um jogo de Xadrez e joga com a Ana. Ela fez um livro com as regras do jogo e já tem ganho muitas vezes. Tem boas notas.
O pai da Ana sabe que o Xadrez foi boa compra, pois a filha age com mais calma, fixa melhor. Lê livros de Xadrez para saber mais. É um jogo muito útil para todos, fácil de jogar.
Lídia Ferreira Mendes

O brilho da lua, como era lindo… O mar de cor prata, belo... O mesmo mar que levou o seu grande amor… e mesmo assim era belo… Fechou os olhos. Deixou a brisa roçar a sua pele. O som do bater das ondas… como era bom… nele tentou ouvir a voz dele… A dor da perda era forte, mas o amor deles ficou para sempre… O mar era, para ela, o doce e acre da sua vida…
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

As minhas flores
Tenho um lindo jardim,
Com belas flores a nascer,
Verdes, brancas ou azuis,
Gosto sempre de as ver!

E, logo pela manhã,
Vou vê-las mesmo ao pé,
São lindas, as minhas flores,
Tenho uma cor de café!

O sol tão bom ao nascer
Vem rindo para as beijar,
Eu troco com elas mimos
E fico sempre a ganhar!

Às vezes falo com elas,
A brincar como quem diz:
– Olhem, esta nasceu hoje!...
E eu estou muito Feliz!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Uma tarde Feliz
Rosa e Mara vão dar um copo de chá às irmãs Ana e Lara, para brindar os anos da avó Sara. Ela vai contar um conto sobre um belo lago de água doce, que fica perto da casa da prima Vera. A avó conta e elas pintam patos e flores com lápis de cera. Na caixa dos lápis, a avó Sara guarda um dedal de prata e linhas para coser. A avó e as netas riem juntas.
Sandra Martins

O Zé já dorme. No sofá branco com a manta quente. Jornal numa mão e chá noutra.
– Mas tu já dormes? Bolas! Nem dá para falar!
Ouço: Hum… Sim? O quê? TV? Que foi?
– Qual TV? Estás doido? Só dormes! Fala, homem!
Tens razão. Diz.
Fecha os olhos. Outra vez!
E eis que: Pimba! Chá no chão, tudo sujo. Jornal feito sopa.
– Chega! Limpa tudo! Já!
Ok, vai dormir. Quase rosna.
Fiz cara de má e cama!
Carla Augusto, Alenquer

A dona no sofá a dormir. O avô bate à porta. Vem com ele a Eva.
O gato vê a porta abrir, o avô a sorrir e mia.
A Eva quer o gato ao colo. Corre e ele foge. É o caos!
A dona grita, o avô cai e bate com a tola.
Entra o pai, passa por baixo da mesa, limpa o sangue do avô, casca na Eva e dá um beijo à dona do gato.
Andrea Ramos, 39 anos, Torres Vedras

Ação
Solto o riso, pulo e salto.
Falo e grito muito alto.
Juro que digo, juro que faço.
Uma vez, e outra mais.
Ponho tudo nesta mão.
Entre o sim e o talvez não.
Sei que o sonho é muito mais
que esta fome de fazer.
Pois se dizes e não fazes
vais ficar como eu fiquei.
Tanto tempo se passou
que o meu grito se calou
E de noite, se me calo,
ouço o sonho que ficou…
Paula Coelho Pais, Lisboa, 54 anos

A tarde está fria,
mas o brilho do sol, dá calor à alma.
Vi-te junto ao mar que um dia levou 
nossas juras de amor.
Não deste por mim, fiquei a ver
teu rosto triste, pude sentir.
Esse tempo ficou no fundo de um baú.
Como eu deixei no fundo desse mar
que está agora à nossa frente.
Como a dizer: Os sonhos eu os tenho.
Será que é tarde?
Que passou o tempo de os viver?
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Ia mudar a cama, mas não pude. Os lençóis não estão secos porque esta noite choveu.
Está muita chuva e frio. Quero sair, mas... onde ir? 
Vou a casa da Rita, ela está triste, porque os pais estão em Londres e sente a falta deles.
Ela disse que eles chegam hoje. A ida a Londres foi a prenda de anos da mãe, pois o seu sonho era ver o Big Ben. A Rita pensa que ela amou!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Os pais sempre afirmaram que a saúde é base fundamental da nossa vida. Se não estivermos bem, física e psicologicamente, não podemos estudar, trabalhar, apoiar as pessoas que amamos, ou seja, lutar pelo nosso futuro, pela nossa independência.
Eu acreditava que estavam plenamente correctos.
Mas, apesar de obedecer às demandas clínicas, cumprindo rotinas de consultas, medicação, fazendo inclusive cirurgias, cultivando hábitos de vida extremamente regrados, a epilepsia continua a perseguir-me.
Como posso continuar a acreditar nesta teoria?

Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto