31 maio 2013

Lágrima

Lágrima.
Apenas uma, sozinha, solta, caindo por dentro dela de pouco serviu, nem para limpar a alma… No coração rasgado de tanta ausência permitiu-se esconder a tristeza pintada no olhar castanho que carinhosamente lhe dedicava e que ninguém via, nem ele. Hoje completando oitenta anos de um passado sem futuro, até do presente duvidava! Tudo era vazio de saudade. Deixou que uma lágrima escorregasse de encontro à solidão da alma. Apenas verteu uma lágrima, uma única gota…

Alda Gonçalves, Porto, 45 anos



Vagas

O mar era forte, como sempre; o seu azul de aço punha na praia os restos do mundo.
 Se ele traz, também pode levar.
 Bom que era: as sobras do que dói irem para terras do outro lado do olhar, onde o sentir não vê a sua cor.  
 Assim, pus todos num saco – os dias meus –, atei  e lancei ao mar os cacos do tempo; talvez dessem para um outro tolo os usar e com eles dançar.
Bau Pires, 50 anos, Porto



Programa Rádio Sim nº 15 – 31 Maio 2013

Indicativo + OUVIR  o programa! No site da Rádio Sim



Desafio nº 20 - O alfabeto duas vezes


A bruxa descontrolada
A bruxa Cacilda deixou o elfo Felipe numa gaiola. Sua habilidade para inventar feitiços transformou-o numa joaninha. Levou-o como mascote para Nagibe, o patrão que roía serpentes e tatus. Disse-lhe umas verdades, xingou e zarpou numa zebra.  Xingou? Por quê? Viu uma tirana sem-vergonha roubando-lhe queijos e  beijos e pasmou. O Nagibe, mal-humorado, libertou a joaninha inocente e hábil que, em gargalhadas, fugiu. Enfurecida e decepcionada, Cacilda sabia do seu mal. Era uma bruxa ciumenta...e apaixonada. 

Bia Hain, Brasil

Estás doida!!!

Vou dizer tudo o que penso! Cá vai: demais, desta vez foste longe demais – estás doida!!!… pronto, tinha que te dizer!... Já disse!…
Mesmo assim, vou tentar, mas nem sei como!
Vou contar também ao Luís o repto do 77, talvez ele queira fazer!
Contei-lhe tudo e ele disse:
- Estás louca!
- Eu?... Eu não… Ela! – disse eu.
Como ele não quis, fiz eu! Uma, duas, uma… não dá!
Mas, depois de muito rir, cá vai o texto!

Dália Maria Figueiredo Santos, 42 anos, Tomar



O Filho

Nada. Não quero ouvir os gritos. Ela grita. Ele grita. Já não os vejo e ainda ouço as vozes. Quero ficar aqui, quieto, sem falar. Não quero pensar. Não quero ouvir. Não quero falar. Não quero nada. Só quero fingir que ela não se livrou de mim. Que ela não me deixou só. Que não me deixou aqui. Nada. Não quero nada. Não sinto nada. Dói tanto que já não sinto... A minha mãe fugiu. Estou só.

Cláudia Sebastião, 34 anos, Lisboa
(Publicado aqui, sem restrições: nocantodocasal.blogspot.pt/)

Pôr-do-Sol à beira mar plantado

Sentada à beira mar, contemplo o pôr-do-sol. A praia está praticamente deserta, apenas umas dezenas de gaivotas recolhem cuidadosamente os restos deixados pelas famílias que ocuparam a areia durante este dia que agora chega ao fim. O silêncio da rebentação das ondas é interrompido apenas pela melodia da tua respiração colada ao meu ouvido. Nas minhas costas, o calor do bater do teu coração. E os teus braços, à minha volta, terminam na carícia das minhas mãos.

Catarina Azevedo Rodrigues, 40 anos, Venda do Pinheiro, Lisboa


Um reconto sem E

Zombava o Láparo da Tartaruga!
Oh, morcão!! Dá corda aos sapatos, moço!
A cada hora a martirizava com graçolas parvas:
‘Bora lá a uma corrida?
À sombra do lampião!
Oh, não dá! A sombra já partiu!
Fartinha, a Tartaruga topa, impondo larga distância. Ávida por paz duradoura.
Partindo a toda a brida, incauto, o Láparo pára, dormindo um sono profundo.
Aplicada no ritmo, a Tartaruga ganha, zombando agora:
Tic Tac, Tic Tac, Trimmmmmm!!! Acorda!, a Tartaruga ganhou!

Luís Marrana, 52, Oliveira do Douro

30 maio 2013

Dia de sorte

Foi dar uma volta, ao sentir que eram horas de pensar na vida. Por estar só,  a moça está triste. Ficou ali a olhar sem saber bem para onde. Se o céu, o sol ou a terra. Em seu redor tudo era calmo. Uma mão tocou o seu ombro. Alguém com um olhar terno lhe deu uma flor. O vento ao passar deixou no seu rosto marcas de carmim. Ficou feliz.  Era o seu dia de sorte.   
 
Rosélia Palminha,  65 anos, Pinhal Novo

Fé no verão

Tenho tanta fé no Verão! O sol não vem, mas no jardim há flores e pombas e rolas e folhas. Corto a relva, planto salsa, jasmim e cravos. As rosas são sóis mudos. A chuva cai, gotas grossas como pedras sulcam um rego junto ao poço. O cão bebe, o gato bebe, a terra sorve. As ervas tombam sob o vento, notam o vagar do tempo em mudar. A hora tarda, porém, eu lavro, cavo, tenho fé.  


Helena Frontini, 52 anos, Regueira de Pontes

desafio nº 44

Uma volta

Ela diz que, sempre que pode, dá uma volta ao bilhar grande.
Vai pela berma e em passos curtos e certos cumpre a bula do doutor.
Andar duas horas na beira do rio é como um sonho de águas claras em dia de nuvens densas.
Pasta os olhos no prado verde, seduz o brilho do sol que poisa na água, brinca com os patos na margem e sonha com uma manhã sem temer de novo o amor.


Alda Gonçalves, 45 anos, Porto

Isto até é giro! Fiz outro...

Era verão… Era? Não… Era, era, já me lembro!
Eu na manta, livro na mão, sol pelo meio das folhas, tudo pronto.
Pus-me a ler contos. Que seca, pensei, livros…! Mas os contos eram, como dizer…? Eram fortes, loucos, assim quase brutos, sabem? Fui até ao fim com o credo na boca. Quando parei, toca a reler. Tinha um bicho de leitor a nascer por dentro, já se vê. Li o livro, peguei noutro.
Nunca mais parei!


Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa (de momento em Coimbra…)

Pedras...

– Posso ter dito a Deus que o bom era ter uma pedra verde, mas...
O irmão sorriu:
– Deves ser mais claro!
– Está bem, mas se eu nunca digo que quero uma pedra com musgo, e todos sabem que o que quero é uma pedra com valor, como é que Deus não sabe? Como é que Ele me dá este calhau sujo?
Fazer o quê? O puto pensa que tem sangue azul e que é de clã real.


Quita Miguel, 53 anos, Cascais

Despido de alma

Com roupa ou sem roupa terei de trabalhar,
Apenas para isso me procuram e me querem.
Hoje, visto este colete rasgado e estas calças velhas,
A boina que a minha mãe me fez,
Mas, estou quase despido de alma.

Vou andando para o trabalho,
Tentando-me esconder, no entanto,
Marco o caminho no chão
Deslizo neste manto.

Vou morrer, já sei,
Resta-me escolher a forma de o fazer.
Morrerei a criticar o prazer
Daquele que se designa “Rei”.

Jorge Gaspar, 17 anos, Regueira de Pontes, professora Helena Frontini

(a propósito de “O Memorial do Convento”, de José Saramago)

Leituras

Era o fim de tarde. Trovejava e o mar batia furiosamente nas rochas. Parecia que se tratava de um confronto entre Zeus e Poseidon. Eu, para não estragar os meus livros, cobri-os com a minha longa samarra e corri para a taberna. Sentei-me na mesa mais ao canto, pedi uma bebida e, ao calor e luz da lareira, comecei a ler: criaturas estranhas, guerra e um misterioso homem que roubava a realeza para beneficiar os pobres apareceram-me.

Tony Moreira, 19 anos, Vieira de Leiria, professora Helena Frontini
(a propósito de “O Memorial do Convento”, de José Saramago)


Programa Rádio Sim nº 14 – 30 Maio 2013

Indicativo + OUVIR o programa! No site da Rádio Sim

Desafio nº 21 – uma imagem obrigatória 
A imagem é de Inês do Carmo (http://www.inesdocarmo.com/ )

Um jantar e uma desgraça
O convite estava feito, o jantar era em sua casa. A ementa estava combinada há muito. Tudo perfeito - a toalha bordada, copos de cristal, os talhares das ocasiões especiais. Faltava ele, tinha agora tempo para se preparar. O aroma fresco do perfume misturou-se repentinamente com o fumo da cozinha. Reconheceu o cheiro dos ingredientes cuidadosamente escolhidos agora irremediavelmente queimados. Estava desgraçado, o jantar estava queimado e, com as mãos na cabeça, ouviu a campainha a tocar…

Mafalda Palmela (13 anos) e Nicolau Palmela (7 anos), Marinha Grande.

desafio nº 44


Prontos para um quebra-cabeças daqueles que nos faz rir?
Andei a experimentar e é mesmo divertido!!!

Então será este:
O texto só poderá usar palavras de 1 ou 2 sílabas, nada mais!
Se quiserem uma dica, escrevam à vontade e depois reescrevam com esta regra.

Diverti-me tanto… Escrevi assim:

Raquel mal abre os olhos. Livra!, dorme há tempo demais… Já Pedro está feliz com o feito de ontem: tocou no São Luís a solo e foi um rei. Mas, ao ver Raquel, perde o viço – ela olha para ele como quem quer vê-lo dali para fora!!!
Pedro faz café para ambos, tenta ler o jornal, até leva o cão à rua. Nada. Raquel mantém a cara e os maus modos. Pedro sai sem olhar para trás.
Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa

29 maio 2013

Programa Rádio Sim nº 13 – 29 Maio 2013

Indicativo + OUVIR o programa! 
No site da Rádio Sim


Desafio nº 18 - Palavras proibidas 
não que mas pois como + verbos: estar / ser





Marcha do futuro
Primeiro, pingaram algumas gotas dispersas, qual chuvisco de Verão. Gota a gota, o caudal engrossou, até se transformar numa torrente imparável. E a torrente fez-se rio, um rio de gente corajosa, ocupando as cidades.
Vieram novos e velhos, trazendo a força dos sonhos atraiçoados, uma réstia de esperança, um grito na garganta. Por isso, armaram-se apenas com palavras, algumas muito duras… porém verdadeiras. Encheram praças e avenidas, quebrando a letargia de um país adiado. Exigindo um futuro!

Carlos Alberto Silva

Publicada por Carlos A. Silva em Ficções Breves 

Tarde fria

Tarde fria, chuvosa, de repente... silêncio, o rádio cala-se. Espero... percorro com ele o atelier. Continua mudo, sem sinal. Ponho-o debaixo duma cadeira e de gatas procuro um posto emissor. Canta Demis Roussus... Neste instante revejo-me na minha juventude, em casa. Ouço o riso contagiante de minha mãe, os sermões de meu pai, os incentivos de meu avô, os queixumes de meus irmãos... lágrimas de saudade correm-me pelas faces. Nunca mais deixei de ouvir a Rádio Sim.

Anunciação, 60 anos, Caldas da Rainha 

desafio Rádio Sim nº 1

Gota de suor

Levanto-me cedo, a terra não espera. Sou um rapaz do campo, aí nasci e morrerei de velho.
O meu mata-bicho é um pão. Ceifo, a pele escalda sob o sol ardente. Como batata e feijão. Porque nasci rapaz do campo? Quero especiarias e roupas finas. Hoje apanho azeitona. Minha mãe prepara o jantar, rimos.
Olho agora para o céu, enquanto, deitado na cama, reparo que é esta a vida que eu quero: ser um rapaz do campo.


28 maio 2013

A casa assombrada

Certo dia, eu e a minha irmã fomos explorar um bosque.
Encontrámos um muro alto que envolvia uma casa enorme, antiga e misteriosa.
Ouvimos um barulho estranho, que vinha dessa casa. Saltámos o muro para ver o que se passava.
Espreitámos por uma das enormes janelas e ficámos admiradas com o que vimos: uma criança vestida de branco subia e descia as escadas… Mas, misteriosamente, desapareceu!
Aterrorizadas, corremos e fomos embora daquele estranho lugar…
Antes que… Chiça!...

Inês Pereira, 6D, 12 anos. AESPS, EB 2, professor José Soares

Desafio nº 42 – frase com 5A5E5O3I e 3U, que dá o mote


A RÁDIO

A rádio tem muita importância. Para ouvirmos o tempo atmosférico, o trânsito,…
Quando ando de carro, a rádio está sempre a dar, especialmente música.
Para mim é muito importante haver uma companhia, nos bons e maus momentos. A rádio está sempre a “contar” anedotas, para quem ouve ficar um pouco mais feliz.
Algumas músicas que passam na rádio são bem escolhidas.
Adoro ouvir rádio, especialmente nos maus momentos.
Sem a rádio, eu não seria feliz!
Adoro rádio!

Raquel Pinheiro, 6C, 11 anos. AESPS, EB 2, professor José Soares

desafio Rádio Sim nº 1

A MATEMÁTICA E O PORTUGUÊS

A Matemática e o Português andavam num desafio constante para verem qual era “a” melhor.
A Matemática dizia que era a mais importante, porque tinha números infinitos; o Português insistia que era mais interessante, porque só tinha 26 letras que os meninos aprendiam num instante…
Decidiram ir a uma escola fazer um inquérito para que fossem os alunos a decidir.
Qual não foi o se espanto quando descobriram que ambas obtiveram o mesmo resultado: são igualmente importantes!

Rúben Maia, 6D, 12 anos. AESPS, EB 2, professor José Soares

desafio nº 31

UMA HISTÓRIA COM HISTÓRIAS

Numa biblioteca da cidade Book, era um dia muito agitado. Era a Feira do Livro. Lá, encontravam-se os maiores e melhores livros em exposição.
No final do dia, havia uma grande festa. Todos se divertiam, principalmente “O Livro de Lendas”, “Um Conto de Fadas” e “Uma Banda Desenhada”, que eram os mais recentes, entre milhares doutros.
Todos concordaram que um Livro é um amigo especial, que nos ensina, muda as nossas vidas e fica sempre na memória.

Petra Fernandes, 6D, 11 anos. AESPS, EB 2, professor José Soares

desafio nº 41

O belo sol

O Sol é indispensável à vida do Homem, plantas e animais. Ele é que dá luz ao dia.
O Sol é uma estrela que, em vez de reluzir ao lado de todas as outras, à noite, reluz durante o dia.
- Ah oh ah! Olha que lindo! Nunca vi Sol igual! É belo, é, é!...
- Porque é que o sol – estrela do dia – é tão grande?
- Porque está a muitos milhões de quilómetros… afastados…
- Mas ilumina tudo, todos!

Diogo Pereira, 6D, 12 anos. AESPS, EB 2, professor José Soares

Desafio nº 42 – frase com 5A5E5O3I e 3U, que dá o mote

Programa Rádio Sim nº 12 – 28 Maio 2013

Indicativo + OUVIR  o programa!
No site da Rádio Sim


Desafio nº 35 – versos de dois poemas diferentes

Fica aqui um beijinho à Helena Almeida, que faz hoje anos, e um texto em forma de prenda!

A palavra não pode traduzir o que sente quem se abandona ao abandono que lhe pertence por desamparo ou convicção, ou mesmo apenas por apego, um apego que habita dentro de si e ao qual se habituou, deixando na névoa a dor, a saudade, as razões, agora sem nexo ou justificação, e deixando também uma esperança perdida numa esquina esquecida da vida, nesse lugar onde um dia, sem olhar para trás, desistiu, retirando-se enfim para o deserto.

Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa

Versos escolhidos:
Ana Luísa Amaral, Inversos (2010) – A palavra não pode traduzir
Maria Teresa Maia Gonzalez, Retratos Imperfeitos (2001) – Retirando-se enfim para o deserto

27 maio 2013

Programa Rádio Sim nº 11 – 27 Maio 2013


Indicativo + OUVIR  o programa! No site da Rádio Sim

Desafio nº 30 – provérbio obrigatório à esquerda – e nº 41 – sobre livros!


Mais um ano
Bom dia pra todos! Iniciamos mais um ano agora!
Saber ver o raiar de mais esse novo ano como um presente
É muito importante e realmente nos faz bem.
O que precisamos nessa hora é ficar em silêncio,
Calar, por uns momentos.
Até perceber tudo isso...
Ser grata é preciso. Temos agora pela frente mais um
Tempo, vários dias em branco, como páginas
De um livro onde de todas nossas emoções poderemos
Falar e muito a contar!

Chica, Brasil

Foi assim

Foi assim que começou. A Alberta disse:
– João, eu… – mas foi tão baixinho que o João já ia muito longe.
Alberta queria brincar com ele, mas era muito tímida para lhe pedir isso.
O João queria brincar com a Alberta, mas era muito tímido para falar com ela.
A Maria, que era amiga dos dois, queria brincar com eles e não era nada tímida, por isso escreveu uma carta de amor para o João, mas assinou Alberta.

Tiago Simonette Teixeira, 23 anos, Alcabideche
Desafio nº 42 – frase com 5A5E5O3I e 3U, que dá o mote

Parabéns

Era uma vez um destemido grão de amor que correu, empurrou, batalhou o primeiro lugar.
Aconchegou-se docemente na caixa dos desejos do meu coração e sonhou ser alguém.
Já nos meus braços proporcionou-me um dos momentos mais luminosos de toda a minha vida. Cresceu e é serena, sensata, doce, decidida, apaixonada, é a minha filha.
Faz anos que o meu grão de amor lutou pelo milagre da vida.
Obrigada, Princesa por tantos dias de amor.
PARABÉNS, AMO-TE.


Madalena Gomes, 59 anos, Barreiro

26 maio 2013

Uma gota de esperança


Uma gota de esperança 
Era uma vez uma aldeia onde nunca chovia. Das torneiras já não saía água.
Um rapaz já muito preocupado disse:
– Mãe, nós estamos a ficar sem água!
– É verdade filho… e as fontes e os poços também já secaram.
De repente começou a chover muito, durante cinco dias sem parar.
– Mãe, está a chover muito, já temos água!
– Estou muito feliz, meu filho, sem água ninguém consegue sobreviver. Temos de a saber poupar!

Florival, EB Veiros, 4º ano, professora Carmo Silva

Cai suavemente


Uma gota de água
Cai suavemente na poça
Enquanto a chuva forte
Cai bruscamente no mar azul.

Uma outra gotinha
Ganhou coragem
Saiu das nuvens
Pôs-se a caminho
E foi parar à barragem.

A barragem estava a descarregar
Pois atingiu a cota máxima
A gotinha seguiu viagem
Foi alegrar as plantas e os animais.

Um menino relembrou:
– A água é fonte de vida!
O Homem, os animais e as plantas
Precisam dela para sobreviver.
Não falte jamais!

António, EB Veiros, 4º ano, professora Carmo Silva

Uma gota pequena


Uma gota pequena
Que cai no mar
Fico com medo
É a chuva que vem do ar.

O céu azul
É tão brilhante
Reflete a sua cor
Na gota elegante.

As árvores viçosas
Que a gota regou
Cresceram muito saudáveis
E à gota de água agradeceram.

O pássaro frágil
Estava com sede
Caiu uma gota de água
E saciou a sua sede.

As gotas de água,
Com a sua coragem e valentia
Salvarão todos os seres vivos!

Marco, EB Veiros, 4º ano, professora Carmo Silva

Eu vi uma gota


Eu vi uma gota
A cair no mar
No mar azul
Sempre a ondular.

Em Lisboa
Vi cair a pequena gota
No Rio Tejo
Veio uma gaivota
E saciou a sua sede.

Voltei à minha casa
Fui ver a Barragem
Começou a fazer trovões
Mas tive coragem

Estou a escrever este poema
Pois adoro o mar, o rio e o lago
Eu adoro a água, límpida e transparente
E também adoro a minha amiga gotinha de água.

TERESA, EB Veiros, 4º ano, professora Carmo Silva

A gota mágica


A gota mágica 
Eu andava a jogar futebol e, de repente, caiu-me uma gota de água, mesmo no centro da testa.
Limpei a testa com o braço. A gotinha escorregou do braço para a perna. E, a partir desse momento, estive imparável.  
Nos primeiros quarenta e cinco minutos marquei cinco golos e, na segunda parte, oito golos. Quando terminou o jogo gritei:
– Ganhámos treze a zero! Viva! Viva!
Fui para casa muito feliz, graças à gota mágica.

Luís, EB Veiros, 3º ano, professora Carmo Silva

As gotinhas brincalhonas


As GOTINHAS brincalhonas 
Um dia uma gotinha de água foi ter à Barragem do Alqueva com as suas amigas, elas já estavam à sua espera.
Combinaram ir ver o fundo do grande lago.
Fizeram uma longa viagem e novas amizades.
Conheceram muitas carpas, achigãs, barbos e xixitos. O achigã sábio disse-lhes que a Barragem do Alqueva é a maior barragem portuguesa e da Europa e situa-se no rio Guadiana, perto da aldeia de Alqueva, em pleno Alentejo.

Rui, EB Veiros, 3º ano, professora Carmo Silva

A gotinha de água


A gotinha de água
Era uma vez uma gotinha que estava sempre a brincar com as nuvens.
De repente as nuvens começaram a tremer e a gotinha caiu.
Quando a gotinha acordou reparou que junto dela estava um pequeno pássaro com muita sede.
A gotinha pensou que lhe podia matar a sede.
Mas o pássaro não quis que a gotinha se sacrificasse por ele.
No entanto, a gotinha sacrificou-se e conseguiu salvá-lo.
O pássaro ficou-lhe eternamente grato.

João Miguel, EB Veiros, 4º ano, professora Carmo Silva 

O Mar


O MAR                     

Eu olho para o azul do mar
Uma gota cai
Para começar a flutuar
E ela lá vai.

A cor do mar,
É bonita podem crer,
Faz-me rir e chorar
É lindo o seu ser.

E o azul emociona-me
Um azul tão intenso
É como correr, rir, saltar, caminhar, bailar…
No ar suspenso.

Perguntei à gota se queria brincar
Mas ela não respondeu.
– Ó, que azar!!!!!!!!!!!!!!!
Mas nesse momento ela caiu e sorriu para mim.

João Filipe, EB Veiros, 4º ano, professora Carmo Silva

25 maio 2013

VÃOS JUÍZOS

Dantes os teus olhos foram mar, onde lágrimas feitas ondas agitadas e revoltas marcaram de sal, em sulcos o teu rosto.
Hoje teus olhos não são mais mar, em que se debateram tempestades.
Hoje calam soluços arrebatados, recordam ténues vagas esperanças… meu longínquo porto de abrigo…
Teus olhos hoje feitos de lago nos quais derramei gotas de pranto, aquietaram-se, serenos, vencidos no turbilhão da vida…
Teus olhos hoje perdidos, cansaram-se apenas de procurar o porquê das coisas…

Graça Pinto, 54 anos, Almada

Lágrima


Ao longo dos anos tinha-se habituado a visitá-los. A doença mental da tia obrigava o tio a ficar em casa, preso aos medos da mulher. Idosos, mas apaixonados como dois adolescentes, passavam os dias entre quatro paredes. Ela centrada em si própria e ele à espera de uma visita que o ajudasse a passar os dias.
Até que um AVC levou-o à demência. Onde estava o tio contador de histórias? Uma lágrima, triste gota, correu-lhe pelo rosto…

Margarida Leite, 44 anos, Cucujães

E a tua?


Na minha floresta foram nascendo muitas árvores. Contei 77 duma vez. Tinha uma floresta dentro de mim. Senti-me muito, muito perdida?
Predispus-me então a fazer um caminho: observá-las a todas, senti-las, cheirá-las, a conversar e  ouvir as suas histórias. Até que descobri que aquela floresta densa e assustadora só tinha um tronco com vários ramos folhas e flores. E hoje é um dia feliz. Encontrei a minha árvore. A minha árvore afinal sou eu. Encontra a tua!

Isabel Figueiras, 42 anos, Setúbal

A Ti Josefina


A Ti Josefina, viúva, de 76 anos, levanta-se ao cantar do galo. Lava o rosto enrugado pelo passar dos anos e bebe a malga de leite. É tempo de dar de comer aos animais. Além do galo, um gato, seis galinhas e um porco. Trata da roupa, da casa e do quintal. Não parar é uma maneira de não sentir a solidão da despovoada Aldeia da Pena, com apenas seis habitantes. Além disso, vale-lhe a Rádio… Sim!

Margarida Leite, 44 anos, Cucujães

24 maio 2013

A MAGIA DAS CORES


O arco íris percorria o céu pousando nas águas dum mar inquieto que limitava o horizonte.
O pescador, que tentava sem resultado equilibrar o seu bote, ergueu-se e abraçou o feixe de cores que parecia suspenso do céu.
Inebriado com tanta beleza percorreu-o levitando sem saber se o caminho era esperança ou magia.
Tudo era efémero menos aquela gotinha de água que caíra dos seus olhos azuis cor do mar e que transluziu no reflexo do espaço.
Rosélia Palminha, 65 anos, Pinhal Novo

Programa Rádio Sim nº 10 – 24 Maio 2013


Indicativo + OUVIR o programa! No site da Rádio Sim


Desafio nº 37

Sonho em delírio menor
Sonhei fugir; correr sem limites, subir montes, romper muros, cingir nuvens.
Do términus pouco pensei, um sítio esquecido pelo mundo soou-me perfeito.
Pelo trilho, encontrei monstros sedentos de corpos, serpentes com o pior dos venenos, intempéries de nos engolir sem dó; nem mesmo vozes doces, com feitiços de nos escurecer, deixei de sentir. Todos venci, o medo morreu de esquecimento.  
Despertei; no fio de um livro. É bom ser herói. Crescer e morrer no delírio dos outros.

Bau Pires, Porto