30 junho 2013

O salto

Saltar é a melhor solução! Pensava ele, enquanto a mulher sorria sorrateiramente. Sobre o som mudo dos santos, sabia que seria rei. Podia ser que aquele mundano sentimento não precisasse de mais sol. Mata-o e serás solto! Que rico pesar, pensou. Não seria a pior solução; seria apenas a mais prudente. Saltar e soltá-lo, por entre os muros daquela sala, seria como renovar o sentimento, da pior maneira possível. Não poderia permitir-se sentir-se preso mais uma vez.

Carolina Cordeiro, 34 anos, Ponta Delgada, São Miguel, Açores +


Desafio nº 46 – substantivos, adjectivos e verbos começando sempre por P, M, S ou R

Coração aventureiro

Naquele momento, na praia, debaixo de um sol radioso, sonhava…
Como seria maravilhoso partir mar dentro, qual marinheiro de seiscentos, à procura de outros mares, outras paragens, outras pessoas.
Talvez até surgissem monstros marinhos, piratas temíveis ou sereias manhosas, mas tudo seria melhor do que aquela mediocridade.  
Precisava de mudar a monotonia, preencher os momentos sombrios, resolver aquela solidão.
Sentou-se no penedo mais próximo, respirou a maresia e releu o seu romance preferido “Piratas”.
Sentiu-se em paz.

Palmira Martins, 57 anos, V. N. de Gaia

Desafio nº 46 – substantivos, adjectivos e verbos começando sempre por P, M, S ou R

Partir para o mar

Depois de passear muito por Paraty, percorrer roças, saborear risoto de pitanga e robalo com manteiga, o maestro rondou os pontos de paragem dos profissionais da música e meteu-se na roda de samba.
De regresso à pousada, preparou as malas, pegou na sanfona e rumou para o porto.
O mestre preparava o saveiro, que por um mês seria a morada de Marcelo.
Quando partiu para o mar, sentia-se verdadeiramente rijo por perambular por rotas perigosas completamente sozinho.

Quita Miguel, 53 anos, Cascais


Desafio nº 46 – substantivos, adjectivos e verbos começando sempre por P, M, S ou R

Sonho

Sonho.
Seria sonho ou realidade? Parecia...
Puro sabor, puro prazer
Manuel sonhava... que maravilha!

Um sonho que só ele podia sonhar...
Mundo maravilhoso, muito misterioso...
Só ele sabia o que pensar.

Pular, saltar, mirar o mar
De muitos reflexos...
O pequeno Mário e a menina Maria
Pulavam com ele...

Mas ele saltava... em sonho!
E, ao primeiro raiar do Sol reluzente,
Manuel separa-se dele, sabendo sempre que posteriormente
Saltará e para sempre pulará no
Mundo dos Miúdos!

Rickyoescritor, 11 anos, Pedroso, VNG


Desafio nº 46 – substantivos, adjectivos e verbos começando sempre por P, M, S ou R

Marcar o mal

Num rastejante período, passei por uma pessoa que planejava marcar o mal no mundo todo e nada lhe saciava, afinal.
Mandona e sedutora, sem pensar no ritmo pessoal e social de cada semelhante, pregava seu rastro 'sobrenatural' e raivoso em todos que lhe permitiam...
Não possibilitava raciocínio e logo logo punha a sua miraculosa maneira de seduzir.
Pirateava a todos, no pormenor que rastejassem sobre si.
Pobre miserável, se prostrou por mentir!
O mal não prevalece jamais...

Rosélia Bezerra, 59 anos, Brasil

Acaba de publicar um livro, seja aqui

Desafio nº 46 – substantivos, adjectivos e verbos começando por P, M, S ou R

Que pintor!

Roberta pediu ao pintor que pintasse a parede e ainda sua porta.
O pintor molhou o pincel, sacudindo pingos pela sala.
Até a maçaneta da porta, simples, mas moderna, restou toda respingada.
Roberta perguntou ao pintor se podia ser mais responsável.
Poderoso se sentia ele com o pincel. Mas pouca ou rara pintura mostrava satisfatória.
Roberta raivosa pegou o material e deu um pontapé porta afora no pintor.
Ruminava de raiva, o pintor porco.
Mas, Roberta, ria.

Chica, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil



Desafio nº 46 – substantivos, adjectivos e verbos começando por P, M, S ou R

29 junho 2013

Desafio nº 46

Estamos há muito tempo sem quebra-cabeças com letras, não é verdade?

Inventei aqui um que vos vai dar algum trabalho (trabalho divertido, claro, de pôr a língua ao canto da boca e avançar).

Que me dizem de escrever uma história em 77 palavras em que todos os verbos, substantivos e adjectivos comecem por P, M, S ou R?


Não é difícil, não, eu já experimentei, ficou assim:

Preparara-se para sofrer, pensou, e agora restava-lhe isso mesmo, sofrer. Pensara que, matando as saudades com persistência, elas saíssem da sua mente, mas não. Ali permaneciam, pontuais, relembrando os momentos passados perto do sossego pateta dos sonhos realizados, mas sem proveito. Agora, sabia que, revolvendo mágoas e resistindo aos recuos, só poderia sofrer. Pessoa por metade, sentia-se assim. E só parou quando, reabrindo o peito ao sorriso, sentiu-se pertencendo ao mar. Partiu em paz, sem mais suplícios.

Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa



Arrumação

Andei à procura delas pela casa; não as encontrava. A mania de nunca prestar atenção onde deixo as coisas, dava nisto. Precisava de as encontrar.
Encontrei a alegria, esquecida, a um canto; senti compaixão. Depois, quase que tropecei na desilusão; estúpido, não reparei que era minha companheira. Acordei a esperança e a felicidade; ficaram  surpreendidas, dormiam há muito.
Meti-as num saco, no frigorífico, para melhores dias. Só a tristeza ficou cá fora; era a dona da casa.

Bau Pires, 50 anos, Porto


Deixaste-me o medo

Deixaste-me o medo. De começar, de acabar, de viver. É uma garra sufocante que prende a esperança bem lá no fundo. Deixaste também a melancolia dos dias passados em êxtase, com o coração na boca, sempre a palpitar. Lamento a decepção.  Sentia-me fraca, tolhida pelas escolhas. Não vivo triste. Depuro as minhas emoções todos os dias. Bem vês, tudo o que escrevo é para ti. Para que sintas o amor que ainda arde cá dentro,  para sempre.

Alexandra Rafael, 35 anos, Albufeira
  
Desafio nº 45 (sem as emoções por ordem alfabética)


28 junho 2013

Programa Rádio Sim nº 35 – 28 Junho 2013

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim

(Esta história é livre)
Descobri tudo.
Vi como se enterravam as tuas raízes na carne dela. A seiva que te alimentava, ensopando-nos os lençóis, deixou-me sem pinga de sangue. Arderam-me os olhos na tua cegueira, ainda assim, olhas-me como se nunca tivesses visto uma estátua. Asseguro-te que acabou.
Tiraste-me a vontade e o medo. Tiraste-me os gritos e os segredos. Foi tudo diluído no sangue. Deixa-me, não me tires da chuva. Não agora, que finalmente aprendi por que choram certas árvores.

Gonçalo Amadeu
(não resisto a partilhar convosco que o Gonçalo é autor de Escrito Sem Cuidados, Ed. Colibri, que adorei, e músico)

Memórias…


Os caracóis louros saltavam com os solavancos do jipe imaginário. Os olhos fixavam o amigo, que manejava o ringue de plástico do jogo do mata. Sentia-se seguranaquela tábua em equilíbrio periclitante sobre os tijolos amontoados. O amigo sabia bem o que fazia! Já andava na escola e até fazia trabalhos de casa. Ela só iria à escola no outono,… agora restava-lhe sobreviver, na savana do quintal. Mas caiu. A mãe, e o mercurocromo,envergonharam-lhe a coragem.

Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

(História sem desafio)

27 junho 2013

Programa Rádio Sim nº 34 – 27 Junho 2013

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Desafio nº 36 - última frase de um conto usando as palavras por ordem inversa


Dezembro estava no fim.  A Praça em prisma quadrangular embainhada de palácios doutras eras, pertença do rio que até de noite reverberava, exibia uma turba mole como que deslizando até ao cais que, por destempero ou amargura, travava as ondas melífluas dos reinos da Ninfa. Neste cenário de figuras romanescas, pontuava o assador de castanhas. Tisnado pela fumaça, descia-lhe pela fronte carimbada, a pesada, odorada e frondosa cabeleiraA barganha fora farta e o dia estava ganho.

Elisabeth Oliveira Janeiro, Lisboa

Citação:  Vergílio Ferreira in "Gló"E a cabeleira pesada descia-lhe pela amargura como uma noite do fim.

26 junho 2013

Programa Rádio Sim nº 33 – 26 Junho 2013

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Desafio nº 31 - sobre matemática


ANÚNCIO APRESSADO
Numerólogo e professor de matemática carente procura moça solteira para casamento imediato.
Motivo: conjunção astral favorável breve.
Deve ter até 25 anos, nascida em 12/03/1988, às 22h30min horas, 1,75 metros, 65 quilos, gostar de crianças, trabalhadora e residir em Três Corações, Três Pontas ou Passa quatro.
Tenho 33 anos, nasci no dia 12/3/198O, uso óculos de grau 3,5, calço 40, meço 1,82, 80 quilos, honesto e carinhoso.

Contato urgente: celular 938752643, falar com Marcos Paulo Décimo Segundo.


Anne Lieri, São Paulo, Brasil, 54 anos
Publicado aqui: asasdosversosereversos.blogspot.com

Para ficar...

Deixo a alegria fugaz, já não me concentro nela.  Não consigo perante certos discursos, terrivelmente teóricos não me decepcionar.
Permaneço colérica por não me surpreender já dos que falam, que apregoam palavras simpáticas num discurso teórico perfeitamente pragmático. No primeiro instante, são os que precipitadamente oscilam e propendem para os que lhe dá mais jeito, mais visibilidade. O desprezo invade a minha fúria.  A raiva de me sentir impotente revela-se como surpresa. tristeza vem para ficar.

Elvira Cristina Silva, 49 anos, Queluz


Ser carteiro

– Quando for grande quero ser carteiro!
– Olha, essa é uma profissão onde se ganha pouco e carrega-se com grandes pesos…
– Mas eu gosto MUITO de ver a cara das pessoas quando recebem os meus “correios”.
–?!
– Às vezes, elas saltam de alegria. Outras, choram. E eu não sei porquê… Fiz tudo bem…
– Pois é, mas nem sempre o que se dá com alegria é recebido da mesma maneira. O que vem lá dentro dos “correios”, se calhar, magoa…

Edite Esteves, 67 anos, Venda do Alcaide (Palmela)

(história sem desafio)

Diferentes Realidades

Neste barco de emoções, vagueio sem norte. Constante excitação, esta que me dá prazer, me prende à vida.
Desilusões!... Armadilhas hostis que a vida por vezes nos arma!
Dizem que a inveja mata, mas o medo?... Esse sim, é hoje a minha revolta. Ter de aceitar de uma forma abrupta, novas realidades… perder aquilo que fui e que ainda hoje sou. Intolerantemente ter de me encarar outra pessoa, com uma tristeza envergonhada do tamanho do mundo.

Graça Pinto, 44 anos, Almada


Lembram-se do desafio de Toronto?

– Toronto! Onde fica isso? Ó ! Vem cá. ‘Tou tonto, procuro Toronto no mapa e não encontro.
– És um totó. Aí é Europa, tens que ver nas Américas.
– Falas como se estivesses sentado num trono real. Pomposo!
Noto que, de geografia, não topas nada.
– Já percebi! Não encontro porque o mapa está roto, falta um bom bocado.
– Meu velhaco. Vou pegar neste toro de madeira e no torno, vou tornear um “Pinóquio” com a tua cara. Palhaço!

Cândido Pinheiro, 73 anos, Póvoa do Varzim


25 junho 2013

Programa Rádio Sim nº 32 – 25 Junho 2013

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Desafio nº 3 - números de 1 a 10

Era um formigueiro como outro qualquer… mas tinha duas formiguinhas loucas. Saíam e voltavam sempre com novidades e sarilhos.
Um dia, deixaram três grãos gigantescos a tapar a entrada… Durante quatro dias ninguém conseguiu entrar ou sair do formigueiro...
Ouviram mais de cinco minutos de ralhete real.
Só seis ou sete dias depois saíram de novo. Escoltadas por oito obreiras mal-encaradas, cheias de nove-horas… 
Nesse dia, trabalharam a valer.
– Carregar dez vezes o nosso peso… Que exagero!


Sandra Lopes, 37 anos, Amadora, professora 1º ciclo

Estranhos Pensamentos

Qu-an-do-ob-se-rv-oa-se-st-re-la-sf-ic-om-ar-av-il-ha-do

Quando observo as estrelas, fico maravilhado!
QUotas para pagar? Esqueço... ANtigas e DOces recordações relembro!
OBras e palestras... Que SEca! Não sei porquê, mas isto faz-me pensar em eRVas...
Umas apanhadas em LisbOA... Isso foi uma grande aventura, SE foi!
Aí, eSTradas percorremos e com RÉguas medimos... Mas isso LÁ importa...
O que importa é que agora tenho de eSFregar o MICas, meu OMnívoro!
E eu como sou, ainda perguntam? ARtur, AVarento, humILde, HÁbil e DOce!

Rickyoescritor, 11 anos, Pedroso, VNG


24 junho 2013

Aos meus amigos

São letras, só letras! Às vezes olhares, ligeiros trejeitos de lábios, toques disfarçados: e a amizade está lá! Gestos repletos de cumplicidade, sorrisos sem sentido… de tudo, ou de nada; alegria das pequenas vitórias, desapontamento das duras derrotas; a lembrança da ausência. As palavras nunca doem, nunca amargam,… reconfortam sempre. O perdão não gagueja, nem se engole. Sem egoísmo, nem gratidão, apenas satisfação ou sofrimento, lado a lado, corram lá os ventos que correrem, de onde correrem.

Maria José Castro, 53 anos, Azeitão


Em Palco

De coração a explodir de amor e com uma boa dose de ansiedade, viu a filha surgir no palco, cintilante sob o xaile negro e o “Fado do Ciúme” na voz, a engolir de um trago o medo da estreia.
Correu bem, mas os jurados preferiram a loirinha da Mouraria.
“Que raiva”, pensou.
Tanto fazia.
Na segunda volta, com o “Fado da Saudade”, a sua moreninha levou a melhor.
E o coração da mãe explodiu de vaidade.

Rita Bertrand, 41 anos, Lisboa


Imprudência

Paixão não faltava para Alfredo.
Quem o conhecia imediatamente comentava: - “Quanto patriotismo!”.
Seu idealismo era exagerado.
Era fanático.
No dia daquela manifestação nas ruas, Alfredo cheio de esperança, pintou a cara com as cores da bandeira, gritando palavras de ordem.
Emocionava-se com estas passeatas!
Quando começaram os tumultos teve medo e correu do lado contrário.
Alfredo, com imprudência, estava ao lado dos baderneiros.
Ele, um sujeito pacifista, foi o primeiro a receber uma bala de borracha...

Anne Lieri, 53 anos, São Paulo, Brasil
Publicado aqui: http://asasdosversosereversos.blogspot.com.br/2013/06/imprudencia.html 

Tonto apaixonado

, hoje, foi magnífico. Um tonto apaixonado. Fez-lhe uma declaração de amor. Daquelas que vêm das vísceras e da alma. Sentiu-se princesa num trono.
Contou-me o que acontecera assim que chegou ao trabalho. Perguntei-lhe: tu, que disseste? Simplesmente, que também o amava. Noto a sua felicidade. O e rosto espalhava serenidade, beleza. Disse-lhe que ficava feliz por ela. Abraçando-me, sussurrou: vou-lhe oferecer uma prenda: um livro chamado TorontoTorno rumo à secretária, deixando-a com face iluminada.

Isabel Pinto, 43 anos, Setúbal



Éramos um grupo unido

Éramos um pequeno grupo unido de alunas do Preparatório.
Vivíamos por essa altura os arroubos, sem desfalecimentos, das  exaltações  
que definem a primeira adolescência.
Todos os dias eram de glória perpetuando a nossa jovialidade e alguma inocência. Neste turbilhão emotivo, a partida duma de nós para longe, imolou a amizade.
Fomos ver o navio que a levava. Tanta mágoa!
No chão do cais caíram as nossas penas, e lá ficaram, sabendo
que toda a resistência seria inútil.

Elisabeth Oliveira Janeiro, 68 anos, Lisboa



Perdi-me nos teus olhos

Perdi-me nos teus olhos, onde li afecto. Apercebi-me tarde de mais que era apenas desejo físico. Imaginara enseada onde nos descobrimos. Agora, em sofrimento e stresse, isolo-me. Sim, isolo-me em teoria. Eu sozinha e alheada de tudo; os simples sons da rua desesperam-me. Terei de libertar-me, afastar-me interiormente de ti, economizar na força anímica, para reerguer-me.
Possível com todo o trabalho psicoterapêutico que iniciei. O engano custou-me uma depressão, mas passando estarei mais preparada par a vida.

Isabel Pinto, 43 anos, Setúbal


PE RD IM EN TR EO ST EU SO LH OS ON DE LI AF EC TO

O São João da família Guerra

Via eu televisão muito sossegado, até que comecei a sentir um cheirinho maravilhoso vindo da cozinha: sardinhas acabadas de grelhar, prontas a comer!
– Todos para a mesa! – gritava a minha mãe.
Os homens lá de casa (mais propriamente, o meu tio, o meu pai, o meu avô e o meu primo) levantaram-se.
Todos comeram muito tranquilamente... As sardinhas estavam muito boas!
Dali a nada enchemos o grande balão...
E assim acabou o São João da família Guerra!

Rickyoescritor, 11 anos, Pedroso, VNG

Tarde demais

Telefonei-te, naquele fim de tarde escuro. Vieste. Marcaste encontro numa rua sem saída, sem luz. Estranhei, mas só conseguia pensar na encomenda assustadora recebida. Queria a tua ajuda, de amigo, para resolver o problema. Ouviste serenamente. Aceitaste, sem julgar. Eu, vulnerável, com medo, senti as tuas palavras e os teus gestos: pagava, ingenuamente, fragilmente a solução. Abriste o caixote: "Afinal era só um ovo de Páscoa".
Arrependi-me! Tarde demais. Agarrei no ovo e atirei-o ao teu rosto.

Isabel Pinto, 43 anos, Setúbal



Programa Rádio Sim nº 31 – 24 Junho 2013

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Desafio nº 9 - recontar sem R

Ufano, o Coelho dizia do Cágado:
–‘Tá bom, ‘Tá! O gajo pede licença a cada pata! Nunca mais é sábado!
Paciente, o cágado ouvia, engolindo com azia!
Um dia, levantou o Coelho a voz:
– Olhó Sô Cagádo! Vai veloz! Um despique ó fim d’Avenida?
Manhoso, lançou-lhe o isco:
– Dez vezes a avenidazinha?
Fez o coelho 92% da distância, sentou-se:
– Dá sono, tanta velocidade!
E... sucumbiu!
Ganhou o Cágado. Bem disposto diz:
– Sô Danonininho, faltou só um bocadinho!

Luís Marrana, 52 anos, Miranda do Douro

Relação polígama

Foi amor ao primeiro encontro e a relação intensificou-se. Longe deles, sinto ansiedade, o desassossego é difícil de controlar.
Absorvo o cheiro das suas peles, tão macias, acaricio-as com entusiasmo e, após uns momentos de namoro, a quietude regressa. É uma relação polígama, bem sei, mas desejo-os para recuperar a serenidade. Sem eles, a imaginação atrofia, as ideias acorrentam-se e a solidão torna-se insuportável. Sem eles, tudo é escuridão. Eles trazem a luz. Tranquilamente provocadores. Os livros.

Ana Paula Oliveira, 52 anos, S. João da Madeira


23 junho 2013

Tão perto

O estômago estava às voltas, a ansiedade percorria-lhe o corpo. Ele estava ali, mesmo à sua frente, tão perto que sentia o ar quente da sua respiração. Seria hoje que trocariam o primeiro beijo? A coragem veio de toda a cumplicidade e euforia que sentia, fazendo-a avançar. E o beijo aconteceu. Tal como sonhara todas as noites, o Universo parou e ficaram só os dois envolvidos naquela bolha de felicidade. Sentiam-se iluminados! Como se renascessem. Era Paixão!

Margarida Ramos, 26 anos, Torres Vedras


22 junho 2013

Timidez

Preciso entrar no teu coração para deixar sair a CONFUSÃO em que está o meu. Entrar aí dar-me-á a CORAGEM necessária ao meu DESABAFO. A DÚVIDA desaparecerá.
A ESPERANÇA que tenho dará lugar à EUFORIA ou à FRUSTAÇÃO de uma vida, mas terei a HUMILDADE de aceitar o que encontrar, porque o que me mata é esta INDECISÃO, este MEDO de arriscar.
Infelizmente reconheço que essa  porta no teu coração só abrirá ao cair da minha TIMIDEZ. 

Vera Viegas, 29 anos, Lisboa


Um desafio cheio de emoções...

Assim que me lembrei do dia de hoje, fui a correr para o computador: sabia que mais um desafio me esperava...
A ANSIEDADE era muita e o desafio incrível! Chamei a minha mãe que, com BONDADE e CARINHO também ficou ENTUSIASMADA!
A FELICIDADE e HISTERIA contribuíram para que o meu INTERESSE crescesse a olhos vistos!
Dali a nada o desafio estava feito e pronto a enviar, mas já é muito tarde e preciso de descansar! Boa noite!


Rickyoescritor, 11 anos, Pedroso, VNG

21 junho 2013

Um susto

Nascera tudo de uma aflição. Ela sentia-se queimar com um constrangimento, que metia . Mas lá continuava sem saber muito bem o que dizer. Ela perguntava e voltava a perguntar; a questionar, mas nada lhe vinha de resposta. Faltava-lhe a inspiração. Ele, o tempo, percorria-lhe e passava-lhe por entre os meandros das suas carnes rubras, latentes, numa melancolia que arranhava o sentir de um remorso por estar tão livre. E, na realidade, tudo era só um susto.

Carolina Cordeiro, 34 anos, Ponta Delgada, São Miguel, Açores


Programa Rádio Sim nº 30 – 21 Junho 2013

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Desafio Rádio Sim nº 1

COMO O TEMPO PASSA

Foi há tanto tempo, era eu uma criança, quando a rádio foi divulgada.
Na hora do "TIDE" e discos pedidos, já as senhoras tinham  loiça lavada, cozinha arrumada e o ouvido colado ao aparelho.
Ao jantar  ouviam-se notícias.
Ao serão, músicas de embalar.
A recordar esses tempos, temos a Rádio SIM  com os mesmos temas, as mesmas vozes, fazendo-nos sorrir  lembrando algum episódio  mais pessoal.
Não acrescento mais nada, a Margarida só me concedeu 77 palavras.
Esgotaram-se! 

Rosélia Palminha, 65 anos, Pinhal Novo

desafio RS nº 1

Romper com o estigma

Um dedo esticou-se, apontando.
– Lá, estão os novos recrutas – indicou o sargento com afectividade.
– E agora?
– Um lugar cobiçado por muitos é o que lhes estamos a proporcionar – explicou em voz baixa.
Uma confusão, alguns metros adiante, despertou a atenção de ambos. 
Quando se aproximaram, a sensação de entusiasmo tomou conta deles.
– Está apostado! – prometia um dos novos, num sorriso de desafio e excitação.
Havia-se rompido qualquer estigma de isolamento e para a raiva não havia lugar.

Quita Miguel, 53 anos, Cascais

20 junho 2013

O homem certo

Continuava incapaz de reagir ao desespero que lhe ia na alma. Decidiu divorciar-se. A dor da traição lavou-a em lágrimas até ao dia em que, inesperadamente, ouviu a seguinte conversa entre homens: “Sempre fui fiel e acredito nos casamentos para a vida. Não permito traições!”. Afinal, havia homens que pensavam como ela! A fidelidade era possível! Precisava de paz. Tinha de abandonar a raiva, a saudade e o sofrimento. Com tranquilidade, encontraria o homem certo para si!

Margarida Leite, 44 anos, Cucujães


Programa Rádio Sim nº 29 – 20 Junho 2013

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Desafio nº 2

O SAPO
No regresso do campismo, a Marta e o Miguel estavam ansiosos para revelar como correra o fim de semana. A história que tinham para contar aos primos era hilariante e até estava retratada em fotografias. Quando mostraram uma foto do pai com um sapo sobre a cabeça, a gargalhada foi geral. Concordaram que ele sabia ser bom pescador e até o primo Francisco quis conhecer o local de tanta diversão. Combinaram que a família iria sempre reunida.

Maria Jorge, 36 anos, Vila Franca de Xira