31 outubro 2013

Programa Rádio Sim nº 124 – 31 Outubro 2013

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No site da Rádio Sim


Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro


O livro
De cada vez que te folheio
É como se me reconhecesse de novo:
O aspecto já gasto dos dias que parecem anos excessivos
As folhas que se intimidam ao toque áspero dos meus dedos
As palavras que ecoam na minha cabeça como se só hoje fizessem sentido…
As frases que se entrelaçam e criam histórias…

Talvez já me tenha rendido, desistido…
Talvez não volte a escrever-te,
A permitir-me…
Mas serei eu de cada vez que te folhear…

Célia Meira, 31 anos, Viana do Castelo

Cansada de tanto susto

Cansada de tanto susto
e de sempre perder a paz,
repentinamente ousada eu fiquei,
envolvida por uma sede voraz.
Desambição em minha vida? 
Nunca mais!

Livrei-me das regras que sempre segui,
descomedida resolvi do nada ressurgir.
Confidência não mais vai existir,
divulgarei a todos o meu sentir.

Sou um ser em busca do mar,
pois no deserto já não quero mais ficar.

Em um barco desejo velejar,
nos braços da brisa
sonhar, 
viver, 
amar
e me realizar.

Majoli Oliveira, 53 anos, Caçapava, São Paulo, Brasil

Desafio nº 54 – pares de palavras com sentido contrário

A moleira

O peso da maquia castiga o corpo dorido, quando na ousadia do tempo acorda a madrugada revelada ao ouvido da noite, sem regras nem preconceitos. Leva a jumenta airosa pela rédea enquanto tece palavras vãs. Na fonte das bicas matam a sede de água. Nesse mar de confidências e desenganos termina uma etapa de vida por vezes salgada de lágrimas, outras, um susto de gratidão. A velhice adormece depois da encruzilhada no caminho que termina.
Era moleira…

Alda Gonçalves, 46 anos, Porto

Desafio nº 54 – pares de palavras com sentido contrário

A terrível notícia

Naquela noite saíra de casa com o peso da terrível notícia, da palavra que não pudera mais ser calada. Um mar de emoções invadira-o, deixando-lhe o coração deserto. O susto retirara-lhe qualquer ousadia, e fora a imoderação que o fizera partir sem destino, ignorando qualquer regra.
Queria ter amansado a curiosidade que desmascarara a verdade revelada em confidência.
Queria ter abandonado o quarto, antes que a mãe lhe tivesse sussurrado, tristemente:
– Ele não é o teu pai.

Quita Miguel, 53 anos, Cascais

Desafio nº 54 – pares de palavras com sentido contrário

Porque...

Porque me encontraste na encruzilhada da vida quando tudo ruía à minha volta
Porque surgiste no meu caminho num gesto de ousadia e de susto
Porque rompeste o meu silêncio com a tua palavra
Porque cortaste as amarras que me prendiam ao deserto em que o meu coração perdurava
Porque me impuseste como regra acreditar que a vida é uma aventura de cor e sorrisos
E porque tens a força do mar, deixa-me navegar na tua onda!

Isabel Lopo,  67 anos  Lisboa

Desafio nº 54 – pares de palavras com sentido contrário

Ofereces-me a paz

Chove nesta tarde de Outono. Caminho a pontapear as folhas avermelhadas e embrulhadas numa encruzilhada de pensamentos revoltos como o mar da Nazaré. Que susto! Vejo-te mesmo à minha frente. A tua simples palavra, um Olá, traz-me de volta a única  via de pensamento, tu. Quebras o silêncio e dás-me um sorrisoJá não é Outono. Sinto calor como se estivesse em pleno deserto, mas não tenho sedeA tua presença sacia-me. Abraças-me e ofereces-me a paz.

Anabela Silva, 46 anos, Sintra

Desafio nº 54 – pares de palavras com sentido contrário

Doce Lar

Bola redonda, igual às demais. Sua cor azul a distingue.
Bola mágica, girando continuamente em movimentos desiguais, fazendo suceder dias e anos.
É a nossa “casa”, o solo que pisamos…
Porém, tantos são os maus tratos que lhe infligem!…
Queimando, roubando seus bens, e o ar que respira, esquecendo que um dia… talvez seja ela, que estropiada e cansada, se aquiete de vez, deixando de girar, acabando com a magia de vivermos dentro de uma “bola azul”.

Graça Pinto, 55 anos, Almada

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

Programas na Rádio Sim, Outubro 2013

As histórias em 77 palavras na Rádio Sim

Todos os programas, sempre com Helena Almeida, na Companhia da Rádio - podem ouvir-se aqui
(ou pelos links que estão em baixo)

Indicativo do Programa - Música e letra: Margarida Fonseca Santos; Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso - Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 21h20, todos os dias


Quer saber que histórias foram lidas? Vá por aqui:

Em Outubro de 2013:

30 outubro 2013

Programa Rádio Sim nº 123 – 30 Outubro 2013

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No site da Rádio Sim

Uma lágrima escapou
E sem pedir uma lágrima escapou,
Escapou e nunca mais voltou.
Nunca mais voltou e deixou-me à espera,
À espera na minha atmosfera.
Na minha atmosfera um sorriso apareceu,
Apareceu e lá permaneceu.
Permaneceu à espera,
À espera da minha chegada que o motivava.
Que o motivava a viver,
A viver para não morrer porque um sorriso,
Um sorriso é mais que uma lágrima,
Mais que uma lágrima e mais que uma palavra.
Ele é um sentimento.

Tatiana Vanessa Leal, 15 anos, Portugal 

Simplicidade

A sociedade tornou-se um mar imenso de egos, marinheiros de palavra fútil, que, norteados pela sede do poder e a troco de qualquer soldo, traçam retas alicerçadas em regras obtusas, feitas a pedido e por medida. Mas, neste árido clima, desprovido de atitude e altruísmo, sabe tão bem ouvir o Sr. António, na encruzilhada da minha rua, com a simplicidade de um “Bom dia, hoje já vai atrasada!”
Bem haja, Sr. António, é garantidamente uma honrosa excepção.

Paula Maria Inverno, 45 anos, Torres Novas

Desafio nº 54 – pares de palavras com sentido contrário

Ouço-a

Ouço-a,
Essa que me enche de sentimento.
Vem pelo ar, propaga-se
Temerária
Doce
A voz que se enrosca
Nos meus sentidos
Faz-me querer
(se nem sei bem o quê)
Flores, segredos murmurados
Mãos, abraços
Ouço a voz
(serei louca?)
Tentando-me,
Seduzindo os muros
As portas, os cadeados
Seduzindo o que se abre
Alegremente
Para a deixar entrar
É um turbilhão
A ventania da tempestade
Donde vens tu, voz?
E porque me contas
De amor e de saudade?

Alexandra Rafael, 35 anos, Albufeira 
(história sem desafio)    

Sede de ser

Fizemos um piquenique no mar, julgando-o deserto em estado líquido. Contrariámos a regra de comum senso que nos evita o caos de julgarmos por umas coisas outras coisas que não são... e, sem que quiséssemos, puseram-se em encruzilhada a palavra e as palavras que fomos dizendo. E não havia forma de se arrumarem alinhadas em estrada recta. Então permanecemos em  silêncio. E assim ficámos. Até a sede de ser nos tomar. Que saciámos com jorros de mar...

Rosário Caeiro, 39 anos, Lisboa

Desafio nº 54 – pares de palavras com sentido contrário

Rever a minha história

Um livro, uma sombra, um lugar confortável – eis o ambiente ideal para abrir a janela da evasão e perder-me no reino da fantasia.
Um livro transporta-me nas asas da imaginação e faz-me voar até ao infinito, e mais além…
Vivo histórias que não são minhas, conheço seres reais e irreais que me fazem sonhar, rir e chorar... e nas histórias dos outros, revejo a minha história.
Com um livro não sofro de insónias e nunca estou só!

Maria de Fátima Esteves Martins, 44 anos, Coimbra

Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

Desafio nº 54

Preparados para sofrer? Óptimo! Então é assim:

Aqui ficam 7 palavras. Para cada uma destas 7 palavras, terão de encontrar um contrário ou um antónimo.
Tomem nota: antónimos todos sabem a que se referem, mas podem utilizar contrários metafóricos e abrangentes. Dou-vos uns exemplos:
MEDO – contrários: CORAGEM, SERENIDADE, LUCIDEZ
MÃO – contrários: SOLIDÃO, ABANDONADO, SOCO

O texto terá de percorrer pelo menos 5 destes pares de palavras
(encadeadas ou não).
As palavras são:
MAR + SUSTO + CONFIDÊNCIA + PALAVRA 
+ REGRA + SEDE + ENCRUZILHADA

Aqui deixo a minha, com os pares de palavras em cores diferentes:

Caminhaste pelo meu deserto adentro, como se me pudesses trair de novo. Não podes, e talvez fosse melhor entenderes isso. Sei que em nada sou excepção, é antes uma regra tua, colocada nas mulheres com quem trocas palavras, confidências tuas, de sentidos trocados. É fácil cair nesse mar, não julgo ninguém, também eu caí. Contudo, fizeste-me acordar. No silêncio de susto em que me deixaste, encontrei um êxtase novo, recomeçado em pequenos passos. Hoje sou mais forte.
Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa

29 outubro 2013

Programa Rádio Sim nº 122 – 29 Outubro 2013

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No site da Rádio Sim



Naquele momento, bem para lá do olhar, tudo brilha. Confiante, Francisco atravessa o salão em direcção ao abrigo do sorriso de Leonor... o muito que não perdeu, desde que, por doença, a memória se foi. Entrega um beijo, segura-lhe na mão e ocupa o lugar a seu lado. Abre o diário, estreado no dia em que se conheceram, e, palavra por palavra, faz viver mais um pedaço da história de amor que os une há sessenta anos.


Mariana Marques Vidal, locutora da Rádio Sim

Partir ficando

Sentia-se um pateta. Stefan sempre pensou ser razoável. Mas agora sentia-se pesaroso! Sempre podia recolher-se nos seus sonhos, ou seriam pesadelos? Preparou-se para partir. Metade regressava, outra metade permaneceria.
Por momentos, a razão partiu e partia o seu sossego, regressavam à sua mente recordações. Relembrou os sonhos por realizar, as metas realizadas. Sabia... o quê? Sofrer? Morrer de saudades? Pertencia tudo ao passado. Agora mesmo sentia mágoa, medo, saudade. E, sem sorrir, partiu com vontade de permanecer.

Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 46 – substantivos, adjectivos e verbos começando sempre por P, M, S ou R

28 outubro 2013

Programa Rádio Sim nº 121 – 28 Outubro 2013

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Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

O sonho
Era uma noite escura, onde reinava o silêncio. Vi, de repente, um portal para o reino da música. Entrei. As melodias viviam em paz e sossego. Pelos corredores, havia sons muito alegres: eram violinos, guitarras… Comecei a sorrir pelo ruído que havia. Eu pensei que era um sonho: “Nunca mais vou querer acordar!”
Um violino disse-me:
– Que raio de instrumento és tu?
– Eu não sou instrumento nenhum – respondi.
De repente, acordei do sonho…
Era hora do pequeno-almoço…

Diogo Neves, 8 anos; Afonso Cardoso, 8 anos; Nelson Fanha, 9 anos; José Maria Zuzarte Reis, 8 anos – Torres Novas, Colégio Andrade Corvo, prof Carla Veríssimo

O grito

Fogo! – ouviu-se na floresta.
Flip o esquilo subiu à árvore descendo rapidamente.
– Não vejo nada, nem há fumo!?
– Não pode, impossível! – disse Trovão, o alce.
– Fogo – ouviu-se novamente.
Assustados, decidiram seguir os gritos que se repetiam.
Numa clareira, um grupo de crianças brincava de sorriso no rosto. Um deles tinha uma pena na cabeça, era quem gritava fogo!
Flip olhou para Trovão. Passaram tantos anos, que  tinham esquecido o tempo em que as crianças brincavam na floresta.

Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

O rio

A quinta ficava perto do rio.
O rio onde a Maria aprendeu a nadar. Tinha apenas meia dúzia de anos.
Mais um dia de verão, pronta para mais uma aventura.
Maria adorava caminhar pela bouça e como nos outros dias esperava não encontrar nenhuma cobra ou sardão. O percurso era tão divertido como o resto da manhã. Muita gargalhada e diversão.
Maria recorda esses dias.
Sentada na cadeira de baloiço do avô fecha os olhos e adormece.

Sílvia Mota Lopes, 43 anos, Braga

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

Até que... esvaziou

Tocou, circulou, girou. Girou e enfrentou o rodopio vertiginoso. Ficou zonza de rebolar pelas mãos quentes que a envolviam. Foi bem alto dizer aos céus que seria sempre redonda e jurou que rodar e saltar seria sempre o seu principal alento. Sorriu mil vezes às paredes nuas e elas sentiram inveja. Ressentiram o seu toque forte, decidido, e imaginaram como seria maravilhoso circular livre no ar. Viveu solta e alegre até ao dia em que esvaziou, feliz.

Clara Lopes, 37 anos, Agualva, Sintra

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

É difícil ser eu

 Sempre quis ser uma história. Porquê? Porque é difícil ser eu! Se a roupa está espalhada, sou eu, a cama por fazer, eu! Deitar fora o lixo, eu, passear o cão, eu! Ir á mercearia, eu! A mãe precisa de alguma coisa, pois adivinharam, eu! Na aula de história falam e quem é? Pois, eu! Uma colega ri-se, a professora: INÊS! Ser invisível eu quis! E penso: Sempre eu! Agora digam lá, não é difícil ser eu? 

Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 2 – “Sempre quis ser uma história”, palavras obrigatórias por ordem inversa

27 outubro 2013

Catarse

Os algarismos – oito, zero –, repetidos nos dois lados da tabela, enervavam. Ela remexia-se no banco, amaldiçoando a lesão. Subitamente o treinador confrontou-a:
– Consegues jogar? Aquece!
Anuiu, aqueceu – rapidamente –, entrou. Recebeu a bola, driblou-a desalmadamente, sem oposição. Lançou. Soou um oh prolongado, desiludido. Agarrou de novo a bola: encestou. Virou-se. Colegas e treinador: estátuas! Ouviu o silêncio. Porque não se manifestavam? Ninguém conseguira marcá-la, acompanhá-la: estava em forma! Olhou o marcador. Percebeu. Visitante: oito, dois! Apito final.

Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

Vaidosa

A torcida gritava seu nome com entusiasmo!
Não resistiu e sentiu-se envaidecida.
Ora bolas! Era uma mulher, afinal! E uma atleta!
Juntou suas forças e, com garra aconteceu mais uma cesta.
O público delirava! O locutor estava aos berros!
Faltavam segundos para o final da partida. Todos brigavam por ela que, enlouquecida, se deixou lançar do meio da quadra e encestou-se!
Game over!
Lançada ao ar foi abraçada e acariciada.
Feliz, rodopiou vaidosa no dedo do capitão...

Anne Lieri, 53 anos, São Paulo, Brasil

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

25 outubro 2013

Programa Rádio Sim nº 120 - 25 Outubro 2013


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Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres

Logo para uma fábula, pfff!
– Fazer um casting? Eu? O papel é muito simples… poucas falas para decorar, patati, patatá… Logo hoje
que tenho de ir buscar um ponto vermelho e outro azul para a minha coleção. Ainda perguntei que papel me estava reservado, e dizem-me que é para uma fábula. Estava-se mesmo a ver, eu, a entrar em histórias com moralidades. Ainda se fosse para um documentário científico, daqueles que passam ao domingo de manhã, BBC Vida Selvagem, agora fábulas, pfff!!!

Maria Santos, 53 anos, Leiria

A outra metade

Minhas imperfeições são perfeitas: neste meio termo, nestas palavras que refutam a alma perdida de quem vive num silêncio aterrador. A verdade consome os últimos raios de luz e a crueldade trespassa-me num só suspiro. Dei ouvidos ao coração, perdoei o impensável, fiz da vida um ponto de recomeço. Na loucura e inquietude do amor, construí-me! Não sou de prata, muito menos de ouro: sou um meio termo, um meio coração, porque a outra metade é tua!

Ana Sofia Cruz, 15 anos, Porto
(história sem desafio)

Dúvidas galináceas

GANSOS E GALINHAS PARTILHAVAM A QUINTA pacificamente, mas um dia instala-se a discórdia.
– Onde já se viu? – diz a gansa.
– É pela nossa segurança! – diz a galinha.
– Qual segurança, qual quê?!
– A raposa...
– Medricas! Um cão, valha-nos Deus!
– Mas os nossos filhos...
– Queres um cão correndo com os teus filhos??
– Sempre é melhor que uma raposa...
– É impossível falar contigo!
– É pela segurança e harmonia da quinta.
– Pois sim! – afastou-se resmungando. – QUINTA? A PARTILHAVAM GALINHAS E GANSOS!

Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Évora

Desafio nº 22 – frase simétrica

O gato e o cordel

A menina esperava atentamente que o gato se aproximasse da bola de papel. Debruçada no parapeito da janela segurava com firmeza na ponta do cordel que a tia-avó atara.
O gato aproximava-se devagar, levantava a pata a querer tocar, brincar, mas a bola afastava-se.  

– Não tires os joelhos de cima do banco. O cordel é comprido o suficiente. Mexe o cordel para junto do gato.
Eram, e são, tardes  assim, as que me lembram a tia Berta!

Teresa Silva Isabel
, 65 anos, Caldas da Rainha
(história sem desafio)

24 outubro 2013

Programa Rádio Sim nº 119 - 24 Outubro 2013

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Desafio nº 45 – emoções por ordem alfabética

Como meu, deixei-te ir
Apareceste na minha vida fazendo nascer um amor, puro e sincero, um amor que só se afirmou através da culpa sentida na falta de coragem de quem não quer viver. Eras o traço mais puro da minha inspiração esquecida, eras o que de melhor tinha na vida. Deixaste-me na nostalgia dos momentos vividos, das palavras perdidas. Nasceu ódio, que em pena se transformou. Eras meu porque me iludiste com a tua simpatia, e como meu deixei-te ir!

Ana Sofia Cruz, 15 anos, Porto

Basquefutebol

O Pedro recebeu uma Bola de Basquetebol, a sua primeira bola, o seu primeiro brinquedo, a sua primeira prenda. Olhou para ela com os olhos redondos de espanto e chutou-a para longe, em direção ao imbondeiro mais velho da aldeia. De repente, levantou-se uma nuvem de pó e o largo encheu-se de risos e de pernas num baile desenfreado. Iniciou-se, assim, o primeiro jogo de basquefutebol da temporada. O primeiro de muitos jogos com um presente partilhado.

Helena Frontini, 53 anos, Regueira de Pontes, Leiria

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

Prioridades

Carro e casa escolheu ele, quando casou trabalhou para dar à esposa o necessário e mais ainda, seguindo o conselho de seu pai "o homem traz o dinheiro, a mulher gere-o". E assim foi por 15 anos. Hoje apercebe-se de que deu demasiada importância ao que não tinha importância alguma. E em consequência, sua esposa cansou-se da falta de carinho, de passar noites sozinha. Pediu o divórcio e deixou-o com o que ele escolheu: casa e carro.

Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Évora

Desafio nº 22 – frase simétrica

23 outubro 2013

Programa Rádio Sim nº 118 - 23 Outubro 2013

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Desafio nº 41 - dia do livro

Sonhando (e voando)
O destino estava traçado; vamos passar a tarde naquela praia, maravilhosa, que tem como cartão de visita a biblioteca dos meus sonhos.
As bibliotecas são todas iguais, dirão vocês; têm livros e coisas que tal. Todas iguais! Estão enganados, direi eu, estes livros são feitos de sonhos! Estes livros são pensados em muitas línguas; estes livros são muitas vidas! 
O João e o pai lançam o papagaio de papel; eu voo também ao sabor da minha leitura!

Carla Cardoso, 39 anos, Maia

Bola de sabão

Doem-me os ossos do peso de viver,
Fraquejam-me os músculos da leveza da vida,
A vida é o volume,
Da matéria de viver.

A vida é uma bola de sabão
Viver o seu cerne preponderante,
Ascendendo num auguro de rebentação,
Para perecer de uma implosão,
Num ensaio limitante.

A vida é uma bola de sabão,
O pólen, que o vento leva,
E que a flor, impotente, deserda,
Bola submissa, escrava do vento,
Sabão enamorado, amante da fé.

Afonso Caldeira, 14 anos – Torres Novas, Colégio Andrade Corvo, prof Carla Veríssimo

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

O jogo que escolher

O mundo é uma bola onde cada um tem a vida que a sorte lhe ditar ou o resultado das escolhas que fizer.
Enquanto uns constroem o mundo, outros brincam com ele.
Há uma linha que divide o mundo em duas partes: na parte superior existem sorrisos, na parte inferior existe tristeza.
Que tipo de bola é o mundo?
O mundo é a bola que cada um quiser e com ela vai jogar o jogo que escolher!

Maria de Fátima Esteves Martins, 44 anos, Coimbra

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

As duas metades

Francisca lembrava-se ainda do que a sua professora da primária, um dia, lhe explicou:
– Existe uma linha imaginária, o Equador, que divide a terra em dois hemisférios: o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul.
Ri-se, amargamente, em silêncio. Pergunta-se se não daria jeito uma dessas linhas para o seu coração, para poder separar doçuras e amarguras. Chamar-lhe-ia “Quantador”. Separaria então, com clareza, o que a faz feliz do que a faz sofrer. Bom seria poder arrepiar caminho. 

Sandra Évora, 40 anos, Sto. António dos Cavaleiros  

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

Viagem literária

Não é preciso muito, basta um local tranquilo e deixar-se levar.
Podemos fazer viagens incríveis, viver histórias de amor ou de terror, até mesmo desvendar um crime. Podemos ser a heroína ou a vilã, tudo depende do nosso humor.
Mas de uma coisa tenho a certeza: basta um livro para vivermos coisas imagináveis.
Seja qual for a nossa escolha, o importante é ler.  E é sempre um prazer ler ou reler algo que nos faz sorrir, sonhar.

Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Évora

Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro