31 dezembro 2014

Que toleirão!

Que toleirão! Lá porque participa num programa saloio, Julinho Pitorra julga-se o maior humorista à escala planetária.
2015 entrou mas o seu ego ficou em 2014. Situemo-nos, então!
Festa bombástica no hotel, ele tinha a seu cargo a animação. Enquanto o jantar acontecia, arremessou as suas larachas e ninguém lhe prestou atenção. Esmoreceu.
Meia-noite: os foliões beberam, comeram passas, bailaram.
Uma hora: altura para Julinho bisar a atuação. Encontraram-no a ressonar, com três enormes garrafas nas mãos.

Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira
Desafio nº 81 – Julinho Pitorra, humorista sem graça

Presente para o menino Jesus brincar

A mãe levou os filhotes a ver o presépio de Natal montado pelos paroquianos da aldeia.
Eles observaram deslumbrados as figuras em barro, estáticas sobre o musgo verde e fofo, que o fluir do ribeiro e o rodar das hélices dos moinhos emprestavam movimento e vida.
Pararam em frente à sagrada família.
Uma teia de aranha, artisticamente fabricada, brilhante e orvalhada, surgia acima das mãos estendidas do menino Jesus sorridente.
– Mãe, que rei mago ofereceu o móbile?

Márcia, 36 anos, Vila Nova de Famalicão

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

Sem jeito

Julinho Pitorra, ou, como lhe chamam por aquelas margens, o cómico com as graças sem graça. Triste alcunha, mas certa! As pessoas riam-se justamente pelo seu pouco jeito! Era um facto, Julinho não era cómico! Na passagem para o ano seguinte, a animação era o seu cargo... Já se imagina o fiasco! Mas este ano... Oh, este ano ia ser outra coisa! Julinho esforçou-se como nunca. O certo é que apareceram risos, risos sinceros, Julinho finalmente conseguira!

Liliana Macedo,16 anos, Ovar
Desafio nº 81 – Julinho Pitorra, humorista sem graça

2015

Que seja muito bom. O seu, o meu, o nosso 2015.
Que venha com mais paz, tolerância, menos ansiedade, acendendo esperanças. E nós tenhamos mais consciência, gestos concretos com o meio ambiente, natureza, animais, nossos semelhantes, com a vida.
Não falte entusiasmo, não deixemos a fraqueza nos abater.
A  seja maior que nós mesmos, medo algum nos paralise, mortifique.
Evoquemos só os bons fluídos, sensibilidade para perceber que todos somos um, se formos juntos.
FELICIDADES!

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil.
Desafio nº 45 – emoções por ordem alfabética (nesta caso, baralhadas)


30 dezembro 2014

Programa Rádio Sim 416 – 30 Dezembro 2014

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim



Obrigatório falar em 77 palavras
“História em 77 palavras", era este ano a minha prenda de Natal. Alcançou, na escala de felicidade, uns oitenta por cento. Aliás, é uma coisa recomendável para muitos, teríamos de formular tudo em poucas palavras. Não há lugar para mentiras, anuladas por causa do comprimento.
Imaginem a felicidade dos Cubanos se o discurso do Fidel só tivesse durado 77 palavras. Felicidade assegurada.
Por isso, tenho a convicção viva para recomendar o blog da Margarida como disciplina obrigatória.

Theo De Bakkere, 61 anos, Antuérpia Bélgica
Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida (não precisa de ser material, pode ser emocional)


EXEMPLOS - desafio nº 81

Quase final ano.
Para Julinho Pitorra, humorista e artista também seria o fim. Seus espetáculos, um fracasso.
Não sabia o porquê, mas não conseguira fazer rir, o que era sempre seu intento.
Sentia-se triste. Era enorme sua frustração.
Nem a casa cheia, festa na família que era imensa, o animara.
Quanto mais triste, mais ele comia. 
E, repentinamente, foi ele quem, sem perceber, no sofá, proporcionou os “foguetes barulhentos” que anunciaram o ano!
Ninguém riu. Iniciou mal!
Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Palratório chato
Não há quem não afirme que Julinho Pitorra está mais para político, que para cómico. É que as graças arrancam apenas bocejos. Palratório chato! Os risos, esses ficam longe. Palco que Julinho pise é monotonia na certa. Mas insiste e, agora que o ano termina, ali está ele com a cara e a coragem, mas sem graça.
Sobe no palco, afina o tom e inicia o obsoleto repertório. Ninguém escuta.
Começa o ano sozinho, numa sala cheia.
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Julinho Pitorra, ou, como lhe chamam por aquelas margens, o cómico com as graças sem graça. Triste alcunha, mas certa! As pessoas riam-se justamente pelo seu pouco jeito! Era um facto, Julinho não era cómico! Na passagem para o ano seguinte, a animação era o seu cargo... Já se imagina o fiasco! Mas este ano... Oh, este ano ia ser outra coisa! Julinho esforçou-se como nunca. O certo é que apareceram risos, risos sinceros, Julinho finalmente conseguira!
Liliana Macedo,16 anos, Ovar

Que toleirão! Lá porque participa num programa saloio, Julinho Pitorra julga-se o maior humorista à escala planetária.
2015 entrou mas o seu ego ficou em 2014. Situemo-nos, então!
Festa bombástica no hotel, ele tinha a seu cargo a animação. Enquanto o jantar acontecia, arremessou as suas larachas e ninguém lhe prestou atenção. Esmoreceu.
Meia-noite: os foliões beberam, comeram passas, bailaram.
Uma hora: altura para Julinho bisar a atuação. Encontraram-no a ressonar, com três enormes garrafas nas mãos.
Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira

Seja como for, aplausos ou tomates, Julinho Pitorra acha sempre algo bacano. Não se importa se tem um talento não maior que um tijolo. Ama simplesmente qualquer atenção no palco. Embora pareça um fantoche, comporta-se como uma estrela formosa. Muitos riem-se até às lágrimas com a sua megalomania infantil à mostra no ecrã. Julinho contara com excesso o êxito pressuposto que teria no espectáculo no ano seguinte. Curiosamente, foram continhas generosas que o tornaram uma figura pública.
Theo De Bakkere, 61 anos, Antuérpia Bélgica

Passagem de Ano especial
“Passe o ano com Julinho Pitorra no Grupo Cultural” – lia-se no enorme cartaz.
O nome era sonante, famoso nos écrans. O bilhete era caro mas o show compensaria…
Acorreram milhares.
À hora certa apareceu Julinho: asneirolas sem graça, risinhos tolos, palermices reles.
Num ápice, ecoaram assobios.
Perante o fiasco iminente, Zé palhaço, actor local, entrou e animou a sala, como sempre fizera.
O famoso Pitorra arrumou as graçolas, pegou nas trouxas e foi passar o ano longe.
Palmira Martins, 58 anos, Vila Nova de Gaia

A sala encheu-se com foliões para celebrarem com música e humor 2015! Muitos comes e bebes e um palco! Julinho Pitorra, um cómico sem graça nenhuma, era o artista que iria animar aquelas pessoas! Chegou a hora e, em cima, no palco, iniciou o seu repertório. Ninguém parecia escutá-lo. Mas não ficou triste e continuou. Esgotou as suas chalaças. Nem um aplauso. Entretanto, alguém batia palmas! A família num canto enaltecia-o energicamente! Uma lágrima rolou-lhe no rosto.
Emília Simões, 63 anos, Mem-Martins (Algueirão)

Seu nome: Julinho Pitorra. Profissão: humorista. Com assento lá pela graça, assistia pela janela ao plim… plim  amarelo que fugia por entre ruas e casas, cheio com gentes estranhas. Com os olhos atentos na plateia assentia os sons que coloriam o casario lisboeta, musa para as suas fracas graças. Pobre Pitorra, humorista sem graça nenhuma. Bateu a meia-noite, o fogo iluminou os céus com cores alegres, riu-se Julinho. Chorou o ano que parte, bateu palmas ao que chega.
Paulo Roma, 50 anos, Lisboa

Julinho Pitorra era um cromo! Queria ser humorista, mas não tinha
jeito nem graça. Apenas à noite tinha sonhos com sucessos
inexistentes...
O Ano a acabar e chegou o Circo. Soube-se que o palhaço fugira e
surgiram cartazes, a solicitar outro. Julinho sentiu chegar o momento e
ofereceu-se.
Mas, perante a enorme assistência, bloqueou. Quis fazer larachas, só
gaguejou...
Foi então que o público riu a bom rir! E nessa noite Julinho foi a
maior atração humorística!
Isabel Lopo, 68 anos, Alentejo

A Importância dos Contrários
Julinho Pitorra contrafez a noção que quem nasce "é para o que nasce'. Ele não nascera para o que insistia em ser: humorista. Mas, ser resiliente, foi o lema que elegeu para a sua rocambolesca existência. E aparecia em pequenas festas.
O ano ia finalmente acabar e a animação prometia.  Julinho Pitorra passou essa última noite com colegas. Mimou, mas foi notoriamente patético e fez rir os palhaços a sério!...
Os contrários são contrapeso, garantem o equilíbrio...
Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Julinho o político
Julinho Pitorra tinha ótimas relações com políticos, na comunicação social uma coluna incipiente mas paga a ouro, laços com o jet set lisboeta. Enfim, ao que se chama um homem com sucesso. Mas não tinha graça nenhuma. O seu sonho era fazer umas graçolas. Eleito para o Parlamento, terminou o ano em apoteose ao proferir solenemente na sessão final:
– A recessão não é uma espiral, é uma hipérbole à qual o matemático não calculou o coeficiente pobre.
Alda Gonçalves, 47, Porto

Desilusão
Julinho Pitorras, presunçoso, sem graça, assume-se um óptimo humorista.
Sua mãe manifesta a honra que sente. 
Seu filho é uma estrela!
Com esta ilusão, Julinho Pitorras, que por acaso é zarolho, pensa que é o maior.
Aproxima-se o Ano Seguinte. 
Que lembrança genial, fazer um espetáculo na sua terra natal.
Assim foi. Casa cheia.
Contou chalaças, mas graça, nenhuma!
Preparou a apoteose.
Imaginou a alegria, os aplausos. 
Tristeza, na sala apenas ficou uma pessoa...  A Rosinha manca.
Rosélia Palminha, 66 anos, Pinhal Novo

O sonho de Julinho Pitorra
Julinho Pitorra preparou-se para a atuação, que como sempre acabou por não ter graça alguma. Não era costume rirem-se mas assobiarem? Era insultuoso até para um humorista sem graça como ele. Tentara coisas sem fim, chegara a cair no palco mas não conseguia arrancar-lhes um simples sorriso, umzinho que fosse!
Se não fosse a enorme fortuna que sua mãe lhe legara... Ele insistiria no seu sonho, afinal o que é um homem se não insistir em sonhar?
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Céu de tantas estrelas
Sempre há tempo para quem está em constante atraso. Junto a isso, Julinho parecia não se afinar com o humor, mesmo assim teimou: Era humorista. Chegou e o Ano Nascente já iniciara. Contou umas histórias e sem aplausos optou por fazer algo incomum: Colocou uma peruca, batom, roupas femininas estrambóticas e saiu a bailar e cantar Beyoncé. Não é que foi certo? Ganhou a noite e, sem planejar, achou uma outra profissão! Há céu para infinitas estrelas!
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

– A festa não tinha graça nenhuma!
Com o Julinho Pitorra não se esperariam graçolas picantes, mas como não tinham troco para contratar um profissional a sério, este humorista nos seus tempos ociosos era o único que aceitaria. Ele esforçar-se-ia em explicar os chistes, e quanto mais explicou menos o perceberam! Os seus risos jocosos já eram familiares. Parecia um maluquinho.  Lambia os tomates crus pegajosos que lhe escorriam pela face! E as garrafas não se fariam esperar!
Faísca Maria, 58 anos, Faro

Julinho Pitorra
Julinho Pitorra era humorista. Mas até a graça mais hilariante, na sua boca, não tinha graça alguma.
Uma altura, na rua, numa passagem para o próximo ano, como costume, sentia frustração por ninguém rir.
Eis então que aparece no palco um carneiro feito louco porque lhe roubaram as suas fêmeas. Acerta com os cornos no Julinho. Julinho a fugir, a proteger o traseiro, carneiro atrás… foi risota sem parar!
A única que Julinho escutou nos seus espetáculos! 
Domingos Correia, 57 anos, Amarante

Julinho Pitorra pensa-se nato para triunfar no espetáculo com humor. O público há muito que lhe oferecia sinal que tinha feito uma escolha incorreta. O real era que as suas graças faziam chorar por tão reles serem. A sua ambição era atuar numa passagem para o além. E lá chegou o momento. Foi um sucesso! Nunca no funeral para um enorme traste, charlatão, mafioso e outras coisas mais, pranteara tanta gente. O órfão, finalmente conseguira também chorar.
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Humorista sem graça, mas, o nome com que o presentearam,
é para morrer a rir,
e pior era a moça que escolheu para casar.
Chama-se Engrácia, nome que não tem graça.
Pobre Julinho Pitorra, combinou com Engrácia,
festejar o ano que termina, outro que irá começar, com os amigos,
que tinham em comum.
A certa altura, o Julinho conta uma história que ninguém achou graça.
até à hora das passas, porque a Engrácia se engasgou com elas.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Julinho Pitorra queria ser famoso como um rei humorista. E era, realmente, um rei humorista... sem graça nenhuma!
Como as suas inúmeras chalaças não tinham gracejo, os habitantes locais ficaram estupefactos pelo xerife contratar Julinho para animar a festa referente à transição anual.
Na festa apareceu um rato gigante e o humorista começou a gaguejar.
A expressão aflita e fala titubeante originaram o riso fácil e aplausos.
Graças a um acaso, Julinho alcançou o sucesso como cómico.

Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Palratório chato

Não há quem não afirme que Julinho Pitorra está mais para político, que para cómico. É que as graças arrancam apenas bocejos. Palratório chato! Os risos, esses ficam longe. Palco que Julinho pise é monotonia na certa. Mas insiste e, agora que o ano termina, ali está ele com a cara e a coragem, mas sem graça.
Sobe no palco, afina o tom e inicia o obsoleto repertório. Ninguém escuta.
Começa o ano sozinho, numa sala cheia.

Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Desafio nº 81 – Julinho Pitorra, humorista sem graça

Um outro final

Quase final ano.
Para Julinho Pitorra, humorista e artista também seria o fim. Seus espetáculos, um fracasso.
Não sabia o porquê, mas não conseguira fazer rir, o que era sempre seu intento.
Sentia-se triste. Era enorme sua frustração.
Nem a casa cheia, festa na família que era imensa, o animara.
Quanto mais triste, mais ele comia. 
E, repentinamente, foi ele quem, sem perceber, no sofá, proporcionou os “foguetes barulhentos” que anunciaram o ano!
Ninguém riu. Iniciou mal!
Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Publicado aqui:
Desafio nº 81 – Julinho Pitorra, humorista sem graça 

Palavras

É difícil escrever, e eliminar uma letra
Mas amiga que dizer da amizade que alastra
E falar da magia, e também da alegria
Que alegra, e embeleza meus dias
Perfumam céu mar e cheiram a maresia
Diz-me se seria agradável, a vida ser infindável?
Que maravilha seria perfeitamente incrível.
Admira as estrelas cintilantes
E a lua a iluminar teu amante, é deslumbrante
É estranha esta escrita, mas perfeitamente aceitável
Escrever para mim é viver, é quase irresistível.

Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa

Desafio nº 76 – escrever sem a letra O

Desafio nº 81

Vamos para o novo ano, e gostava que me contassem como foi 
a passagem de ano de Julinho Pitorra, o humorista sem graça…

Um pequeno pormenor: não podem usar nem o D, nem o V.

Julinho Pitorra era um humorista sem gracinha nenhuma. Não se conhecia quem risse nos seus espectáculos, ninguém lá ia, sequer. Mesmo assim, apareceu na festa, na passagem para o ano seguinte. Logo fugiu muito público. Julinho ficou triste, mas mesmo assim fez o seu número, com um humor reles e tolo. Um Pitorra não foge! Só uma pessoa lhe bateu palmas. Era Clementina, pois queria praticar os aplausos. Seriam para o cantor rock que entraria a seguir!
Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 81 – Julinho Pitorra, humorista sem graça
EXEMPLOS

29 dezembro 2014

Programa Rádio Sim 415 – 29 Dezembro 2014

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim



Privilégio
Caras companheiras de escrita,  considero-me  "sortuda".  Conheço a Margarida há quase  vinte anos.  Tive a sorte de estar inserida num grupo de escrita criativa orientado por esta senhora que se tornou numa amiga. (Não é difícil).
Foi muito gratificante.
Agora, com o desafio 77 de 77 palavras, sonhar não custa, se nos juntássemos para falar, uns 77 minutinhos, tomar um chá feito, por exemplo de 77 folhas. De tília ou outras.
Quem sabe... talvez na Rádio, "SIM"?! 

Rosélia Palminha, 66 anos,  Pinhal Novo
Desafio nº 77 – texto sobre o blogue

A aranha e o menino

Pobre aranha. Vivia numa luta diária para manter a sua teia perfeita, pronta para recolher o pão – desculpem, quis dizer insecto! – de cada dia. O orvalho enfeitava aquela rede, todas as noites. O menino encantava-se com aquele rendilhado: não resistia, mexia-lhe. Um pequeno toque, um roçar suave dos seus rechonchudos dedos, era quanto bastava para a destruir. Era Natal. Ela queria-a bem bonita. Decorou-a com pequeninas folhas de azevinho. O menino entendeu: a aranha também tinha Natal.

Maia José Castro, 54 anos, Azeitão

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

Ceia trocada

Lançou-lhe um olhar curioso e piedoso. Fixou os olhos famintos e ansiosos da idosa: deixou cair uma moeda. Era Natal, seria caridosa.
Entrou, pesarosa, no restaurante famoso onde um rico e jeitoso quarentão a aguardava.
Beijou-o distraidamente, olhou a ementa de forma jocosa, e pediu o prato mais oneroso da lista. Pensava na idosa sem ouvir as palavras espirituosas, as insinuações maldosas. Num silêncio cauteloso embrulhou a comida do prato e saiu. Afinal nem gostava de lagosta.

Maria José Castro, 54 anos, Azeitão

Desafio RS nº 20 – 14 palavras acabadas em -oso, -osa

28 dezembro 2014

Rabiscos de Letras

Das 77 palavras para mais textos, vale a pena seguir!

http://rabiscosdeletras.blogspot.pt/

Natal em família

Um casal de aranhas planifica a quadra de Natal:
– A minha mãe quer saber se vamos lá consoar.
– Temos mesmo que passar com eles?
– É a minha mãe…
Pois sim, mas há coisas mais divertidas que uma família aos gritos, cheiro de fritos e um frio de rachar...
– Levas a tua teia e já não tens frio.
– ‘Tás a gozar…
– Não, não estou, mas pensando melhor… vou sozinho.
– Hãaa??! E a minha prenda?
– Vai comprá-la! Feliz Natal!

Alda Gonçalves, 47, Porto

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

A aranha viajante

Era uma aranha preta, patinhas grossas e cheias de pelos. Queria visitar a família, lá longe e fazer surpresa. Decidiu partir à aventura. Entrou no avião, escondeu-se na casa de banho e não se lembra se adormeceu. Quando acordou estava calor e o avião vazio. Saiu e foi caminhando até encontrar o prédio onde morava a família, no 9º andar do prédio em S. Paulo. Subiu pelo corrimão e quando chegou junto da claraboia foi uma festa.

Manuel, 8 anos, Porto
Desafio nº 80 – o Natal da aranha


Tréguas

Teias há muitas!... dizia empertigada, a nédia aranha Felisberta ao mirrado ácaro Felismino.  Amizades improváveis são as que amiúde perduram, pois as incompatibilidades atraem, atiçam a conquista do terreno alheio.
Aqueles dois fizeram-se apresentados numa velha mansarda, pejada de trastes, embelecos doutras eras.
Num divertido jogo, Felismino, por aleivosia, concedia-se à aventura da prisão aramada da amiga, que na sua paciente crueldade aranhou ostentosa: Não hoje! Vou descer ao salão tecer brilhantes fios na Árvore de Natal!

Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa
Desafio nº 80 – o Natal da aranha

27 dezembro 2014

Aranhida

Aranhida era gorda e esforçada. Sonhava com a primeira noite natalícia na companhia do seu amado Aranhudo Mais Que Tudo, desde que, em passeios atados de beijos sedosos, teceram conversas sobre a prenda ideal para os dois.
Fazia muito calor à meia-noite. A lareira crepitava sonoramente e o vento nem se mexia. Preparados há meses para receberem o Pai Natal na sua teia, foi em êxtase que o olharam, espantado, e lhe disseram: "bem-vindo à nossa ceia!"

Clara Lopes, 38 anos, Agualva, Sintra 

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

A aranha Virgínia

A aranha Virgínia não sabe fazer teias. Neste Natal pediu ao Pai Natal que lhe desse uma máquina para a ensinar a fazer teias.
No Natal, o Pai Natal trouxe-lhe o que pediu. Logo começou a fazer a sua teia. Ficou bonita!
Mas, as aranhas são muito competitivas e decidiram fazer um concurso de melhor teia do ano tendo como júri o Pai Natal. A aranha Virgínia ganhou o concurso.
A partir daí foi ela a júri.

Adriana Carvalho Passos, 11 anos, Viana do Castelo

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

26 dezembro 2014

Programa Rádio Sim 414 – 26 Dezembro 2014

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim



Deixar de ser eu
êxtase em mim passa tão rápido, basta eu perceber quem sou. Afinal é tão fácil o sol desaparecer e trazer de volta o cheiro a humidade. Porque insisto em beijar quem nunca beijarei? A doar a chave do cacifo que é o meu coração? Coração que não pode aspirar a nada mais do que cacifo. De qualquer forma não aparecem interessados em que o cacifo deixe de ser cacifo, em que eu deixe de ser eu.

Salvador Fachada, 25 anos, Lisboa
Desafio RS nº 8 – juntar cacifo, cheiro a humidade e êxtase

25 dezembro 2014

Workshop de teias

Todas as aranhas do mundo festejam o Natal!
Este ano, a aranha Lasanha, que é gorda e peluda, não sabia construir uma teia e foi arrastando a sua tristeza até lhe surgir uma ideia: “vou tirar um workshop de teias!”. Na noite da ceia começou a construir a sua teia e enfeitou-a com luzinhas de Natal. Mesmo quando a aranha-Natal se ia embora viu a teia dela a piscar e deslocou-se até lá e entregou-lhe uma prenda.

Ana Miguel Castro, 11 anos, Viana do Castelo
Desafio nº 80 – o Natal da aranha

De volta ao (re)começo

Depois do fim,
O que resta?
A casa vazia,
A louça na pia,
A hora tardia,
É quase tudo que resta...

O cheiro impregnado
O livro encontrado
As dedicatórias
Cartões, miudezas
Tão parte da história
Tão tudo que resta...

Comidas, lugares,
Lembranças constantes
Por onde se passa
Em todo instante
Materialidades
Singularidades
Achados no armário
Vazios tão completos
De falta repleto
São necessidades...

Depois do fim
São restos que restam
E resta por fim

Um (só) recomeçar...

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio nº 64 – texto começando por “Depois do fim…”

A Aranha

Era uma vez uma aranha
Elegante e bonitinha
Que fazia a sua teia
Lá num canto da cozinha.
O menino mais novinho
Era muito seu amigo,
Sempre a mimava
E lhe dava muito carinho.
Às escondidas, devagar,
Quando todos já dormiam
Ele foi buscar a aranha
Para lhe mostrar os presentes
E a árvore de Natal,
Com as luzes reluzentes.
Que lindo... disse a aranha,
Pulando de alegria...
E quando voltou para a teia
Imaginem: já era dia!

Leonor Costa, 73 anos, Lisboa

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

Falta tua

... Eu te amo calado como quem ouve uma sinfonia de silêncio e de luz, nós somos medo e desejo somos feitos de silêncio e som, tem certas coisas que eu não sei dizer... (Certas Coisas - By Lulu Santos).


Dias passam tão silentes, horas seguem o rumo das sombras, e se acabrunham contorcidas, condoídas. Sinto na alma, na pele, o efeito da tristeza.  Posso ouvir o som da tua ausência. Se fecho os olhos, em silêncio, ouço o compassado derramar de lágrimas, em cada rua que passa, tua lembrança chega.
Ruídos de memórias embaçam o pensamento. Canção que solenemente vem, trazendo impresso na música, o que tua alma cantou para minha.
Pequenas doses de eternas saudades...

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil.
Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio


23 dezembro 2014

Programa Rádio Sim 413 – 23 Dezembro 2014

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim


A Leitura
Nada mais fácil do que ler não há. No primeiro ciclo ensinam-nos a ler e a escrever. É muito bom continuar a ler cada vez mais ao longo do tempo. Por isso, quero agradecer à escritora Margarida Fonseca Santos por ter decidido ser escritora. Sempre gostei de ler. Nunca li um dos seus livros, mas hei-de ler. Agradeço-lhe porque o meu passatempo preferido é ler. Estar com atenção à professora nas aulas, não há nada mais difícil.

Bruno Vicente, 11 anos, Escola de Santa Catarina da Serra, Leiria, prof Mafalda Delgado
Desafio RS nº 19 – começando em Nada mais fácil e terminando em Nada mais difícil

Aranha rainha

Das Aranhas sou rainha,
ninguém me consegue igualar
pois ninguém sabe bordar
teia mais bela que a minha...
Este ano pelas festas
a todos eu vou espantar
pois vou pôr tudo a brilhar
com luzes de pirilampos.
E as outras, as invejosas,
vão ficar todas furiosas....
Quando a criada chegar,
com o espanador de pó,
vai desfazê-las sem dó!
A mim, não me vai tocar,
porque estou a decorar
esta festa especial.
Hoje é noite de Natal!

Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

Tecendo o Natal

Por ser enorme e ter menos uma perna, tecia teias diferentes, por isso a recriminavam e ela isolava-se.
Era véspera de Natal. Quando entrou na sala, sorrateira, para fazer a teia, estranhou. Não havia pinheiro iluminado, nem música, nem cheiro a consoada. Apenas viu Dalila que chorava o seu azar. Fábrica falida, desempregada, fartura só de desânimo.
Então, em vez da teia, com os mais finos fios de seda, Aracnídea teceu o vestido com que Dalila sonhara.

Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

O sorriso da aranha

Todas as manhãs, Bernarda limpava o pó com o espanador e nem uma teia escapava...
Maria, a benjamim da casa, tinha uma aranha de estimação, que tecia uma
linda teia como se fosse renda. Pediu a Bernarda que não a destruísse. Esta, refilando, fez-lhe a vontade. «À noite, quando ela adormecer, volto...», pensou. Mas quando a hora chegou, Bernarda encheu-se de espanto. Toda enfeitada de luzinhas, a teia brilhava... No meio a aranha parecia sorrir. Era Natal!

Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

22 dezembro 2014

Programa Rádio Sim 412 – 22 Dezembro 2014

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim


A minha vida
Nasci no meio do mato, numa propriedade no Bié, onde os meus pais estavam havia um mês. Aos onze vim para Lisboa estudar durante cinco anos. Regressei a Angola em 1930, casei em 1935, enviuvei com 34. Fui para Luanda com o Afonso aos 40, enviuvei em 1978. Foi uma vida trabalhosa, com desgostos. Mas valeu a pena! Agora, São Pedro podia lembrar-se de mim… É que hoje faço 101 anos. Sou feliz, com tantos sobrinhos queridos.
Tia Nininha, 101 anos, Lisboa

Traje de Natal

Que chatice, tenho novamente que comprar o traje adequado para a festa de Natal. Isto parece fácil, mas sabem quanto custa comprar quatro pares de meias iguais, compridas, quase tipo collants? E os sapatos? Comprar dois já é difícil, dizem, quanto mais oito! Depois a depilação… sim, uma aranha que se preze faz a depilação… Já não basta ser rechonchudinha… e ainda peluda? Temos que estar preparadas para qualquer eventualidade, não vá o Deus das aranhas tecê-las.

Isabel Pinela Fortunato, 41 anos, Amadora
Desafio nº 80 – o Natal da aranha

O presente

Era uma vez uma aranha. Ara sentia-se detestada pelos insectos pois sabiam-na predadora.
Mas desconheciam as suas qualidades. E nesse Natal a menina aranha resolveu dar um presente de verdade: embelezou a sua teia com fios solares matizados de filigranas vegetais e grãozinhos de especiarias e beijou algumas gotas de orvalho para conseguir transformar a sua obra numa cama elástica. Depois, convocou os insectos para a ceia e ofereceu a sua prenda:
Que grande presente de Natal!

Ana Mafalda, 44 anos, Lisboa

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

21 dezembro 2014

Um novo brilho

O povo andava triste e até a árvore de Natal da aldeia não tinha o brilho habitual. A aranha negra e peluda que a todos assustava teve uma ideia. Se melhor pensou, melhor o fez. Convocou todos os pirilampos para com ela iluminarem aquela noite especial. A aranha com a sua teia foi envolvendo a árvore em deslumbrantes fios de seda. Os pirilampos cobriram-na com as suas luzes cintilantes... O povo jamais esqueceu aquela noite de Natal.

Emília Simões, 63 anos, Mem-Matins (Algueirão)
Mais histórias aqui: http://ailime-sinais.blogspot.pt/
Desafio nº 80 – o Natal da aranha

A estrela roubada

Foram os mugidos dos bois no estábulo que preveniam os presentes. Um indivíduo ruim tinha roubado a estrela de Belém. Os pastores buscaram desesperados, mas não encontravam nem rasto.
Imagine, um presépio sem estrela!
O socorro veio duma aranha ágil que na luz dos candeeiros tecia em fios brilhantes um astro, magnificamente decorado com escaravelhos verdes e asinhas coloridas de libélulas. O menino na manjedoura olhava aprovando, e de gratidão premiava-a com uma cruz branca no abdómen.

Theo De Bakkere, 61 anos, Antuérpia Bélgica

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

O maestro que cura

Zeloso. Aquecia a voz cavernosa no ensaio. Seria fabuloso o concerto de Natal. A antífona entoada, tal como o saudoso maestro a concebera. Já idoso ainda se dedicava de forma garbosa e generosa à criação artística. Cioso da sua arte será lembrado como um educador de homens. Bondoso no acolhimento, corajoso na entrega diária ao sanatório procurava a cura para os leprosos. Uma vida de entrega dolorosa por vezes, frutuosa quase sempre, ditosa na voz que perdura.

Alda Gonçalves, 47anos, Porto
Desafio RS nº 20 – 14 palavras acabadas em -oso, -osa


Um pedido importante

Jesus está quase a nascer. “Criar-se-á eternamente humano e menino, correndo atrás das raparigas com bilhas à cabeça, levantando-lhes as saias”, esse menino de Fernando Pessoa? Traquinas seja sempre, que levante as saias da corrupção e do cinismo para que se “fechem as outras riquezas, mas tenham fartas as mesas do ar que a vida nos dá” no dizer de Miguel Torga. Que esse ar alivie os que cada vez mais sofrem em silêncio digno e envergonhado.

Fernando Silva Fernandes, 69 anos, Lisboa          

Felizes para sempre?!

Penso em desistir de tudo, partir para bem longe.
Mas depois de dormir sobre o assunto desisto! Não sei porquê. As pessoas dizem que me acostumei a viver assim. Será?
Às vezes gostava que a vida fosse um filme onde tudo acaba bem.
Romântico? Nem pensar! Drama? Aventura? Bem, não sei que tipo de filme seria, mas sei que no final em vez do felizes para sempre diziam: e foram quase felizes num para sempre muito pequeno.

Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 79quase felizes, num sempre muito pequeno

20 dezembro 2014

EXEMPLOS - desafio nº 80

O Natal na teia
A Ranha queria a sua teia linda, limpa para o Natal. 
Corria de cá pra lá, carregava pirilampos para iluminar, flores para enfeitar, mosquinhas para agradar cada filhinho. Panetone, bolo, uma coxa de peru, carregados com muito esforço. Tudo ficando lindo! 
Mas uma tarefa faltava: a depilação de cada uma de suas longas pernas. Puxa, como isso era chato, mas queria ficar linda para o Sr. Aranildo. 
A festa foi linda! E tiveram todos um feliz Natal!
Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

A aranha
História sem igual
Numa noite de Natal
Uma aranha gorda
Ainda hoje me recorda
Povoou de muitas teias
Uma árvore de natal
Junto dos presentes e meias
Parecia uma rede
Juntinha à parede
Ficaram todos sem fome e sede
A aranha grande víbora
Pediu desculpa à senhora
Que com pena de a matar
A deitou logo fora
As crianças naquela casa
Das teias fizeram asas
E já madrugada
Começaram a voar
A árvore estava bonita assim enfeitada.
Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa

Salva in extremis
Não se falava noutra coisa senão nos enfeites de Natal. Organizado pelos mais velhos, coube aos mais pequenos decorar a árvore.
– Aiiiiiiiiii! – gritou Ricardo Nuno, ao mesmo tempo que dava um pulo para trás quase derrubando a avó, que tentava pôr ordem no recinto.
– Uiiiiiiiiiii! – gritou a aranha, vendo-se ameaçada pela vassoura e adivinhando passar a consoada ao relento.
Foi salva in extremis pelo avô, que ordenou:
– Que ninguém se atreva a tocar-lhe. Aranha é dinheiro certo!
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Foram os mugidos dos bois no estábulo que preveniam os presentes. Um indivíduo ruim tinha roubado a estrela de Belém. Os pastores buscaram desesperados, mas não encontravam nem rasto.
Imagine, um presépio sem estrela!
O socorro veio duma aranha ágil que na luz dos candeeiros tecia em fios brilhantes um astro, magnificamente decorado com escaravelhos verdes e asinhas coloridas de libélulas. O menino na manjedoura olhava aprovando, e de gratidão premiava-a com uma cruz branca no abdómen.
Theo De Bakkere, 61 anos, Antuérpia Bélgica

O povo andava triste e até a árvore de Natal da aldeia não tinha o brilho habitual. A aranha negra e peluda que a todos assustava teve uma ideia. Se melhor pensou, melhor o fez. Convocou todos os pirilampos para com ela iluminarem aquela noite especial. A aranha com a sua teia foi envolvendo a árvore em deslumbrantes fios de seda. Os pirilampos cobriram-na com as suas luzes cintilantes... O povo jamais esqueceu aquela noite de Natal.
Emília Simões, 63 anos, Mem-Matins (Algueirão)

De novo Natal
Tinha fobia às aranhas. 
Na Véspera de Natal, uma na despensa. Socorro!
Apareceu o marido, sempre com a "piela", cantando a canção que os unira para "sempre"!
Ele, antes do fim do ano, saiu de casa!
Passaram anos. Nunca mais soube dele. Saudades!
Hoje, 24 de Dezembro passando num vão dos sem-abrigo, ouviu a melodia.
Não conseguiu ignorar. Escutou, ouviu soluçar.
Espreitou pelas frestas dos cartões.
Aproximou-se, acariciou-o. Juntaram as lágrimas.
A aranha juntou-os na sua teia! 
Rosélia Palminha, 66 anos, Pinhal Novo

Era uma vez uma aranha. Ara sentia-se detestada pelos insectos pois sabiam-na predadora.
Mas desconheciam as suas qualidades. E nesse Natal a menina aranha resolveu dar um presente de verdade: embelezou a sua teia com fios solares matizados de filigranas vegetais e grãozinhos de especiarias e beijou algumas gotas de orvalho para conseguir transformar a sua obra numa cama elástica. Depois, convocou os insectos para a ceia e ofereceu a sua prenda:
Que grande presente de Natal!
Ana Mafalda, 44 anos, Lisboa

Que chatice, tenho novamente que comprar o traje adequado para a festa de Natal. Isto parece fácil, mas sabem quanto custa comprar quatro pares de meias iguais, compridas, quase tipo collants? E os sapatos? Comprar dois já é difícil, dizem, quanto mais oito! Depois a depilação… sim, uma aranha que se preze faz a depilação… Já não basta ser rechonchudinha… e ainda peluda? Temos que estar preparadas para qualquer eventualidade, não vá o Deus das aranhas tecê-las.
Isabel Pinela Fortunato, 41 anos, Amadora

Por ser enorme e ter menos uma perna, tecia teias diferentes, por isso a recriminavam e ela isolava-se.
Era véspera de Natal. Quando entrou na sala, sorrateira, para fazer a teia, estranhou. Não havia pinheiro iluminado, nem música, nem cheiro a consoada. Apenas viu Dalila que chorava o seu azar. Fábrica falida, desempregada, fartura só de desânimo.
Então, em vez da teia, com os mais finos fios de seda, Aracnídea teceu o vestido com que Dalila sonhara.
Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira

Das Aranhas sou rainha,
ninguém me consegue igualar
pois ninguém sabe bordar
teia mais bela que a minha...
Este ano pelas festas
a todos eu vou espantar
pois vou pôr tudo a brilhar
com luzes de pirilampos.
E as outras, as invejosas,
vão ficar todas furiosas....
Quando a criada chegar,
com o espanador de pó,
vai desfazê-las sem dó!
A mim, não me vai tocar,
porque estou a decorar
esta festa especial.
Hoje é noite de Natal!
Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa

Todas as manhãs, Bernarda limpava o pó com o espanador e nem uma teia escapava...
Maria, a benjamim da casa, tinha uma aranha de estimação, que tecia uma
linda teia como se fosse renda. Pediu a Bernarda que não a destruísse. Esta, refilando, fez-lhe a vontade. «À noite, quando ela
adormecer, volto...», pensou. Mas quando a hora chegou, Bernarda encheu-se
de espanto. Toda enfeitada de luzinhas, a teia brilhava... No meio a
aranha parecia sorrir. Era Natal!
Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa
A aranha Virgínia não sabe fazer teias. Neste Natal pediu ao Pai Natal que lhe desse uma máquina para a ensinar a fazer teias.
No Natal, o Pai Natal trouxe-lhe o que pediu. Logo começou a fazer a sua teia. Ficou bonita!
Mas, as aranhas são muito competitivas e decidiram fazer um concurso de melhor teia do ano tendo como júri o Pai Natal. A aranha Virgínia ganhou o concurso.
A partir daí foi ela a júri.
Adriana Carvalho Passos, 11 anos, Viana do Castelo

Aranhida era gorda e esforçada. Sonhava com a primeira noite natalícia na companhia do seu amado Aranhudo Mais Que Tudo, desde que, em passeios atados de beijos sedosos, teceram conversas sobre a prenda ideal para os dois.
Fazia muito calor à meia-noite. A lareira crepitava sonoramente e o vento nem se mexia. Preparados há meses para receberem o Pai Natal na sua teia, foi em êxtase que o olharam, espantado, e lhe disseram: "bem-vindo à nossa ceia!"
Clara Lopes, 38 anos, Agualva, Sintra 

A Aranha
Era uma vez uma aranha
Elegante e bonitinha
Que fazia a sua teia
Lá num canto da cozinha.
O menino mais novinho
Era muito seu amigo,
Sempre a mimava
E lhe dava muito carinho.
Às escondidas, devagar,
Quando todos já dormiam
Ele foi buscar a aranha
Para lhe mostrar os presentes
E a árvore de Natal,
Com as luzes reluzentes.
Que lindo... disse a aranha,
Pulando de alegria...
E quando voltou para a teia
Imaginem: já era dia!
Leonor Costa, 73 anos, Lisboa

Todas as aranhas do mundo festejam o Natal!
Este ano, a aranha Lasanha, que é gorda e peluda, não sabia construir uma teia e foi arrastando a sua tristeza até lhe surgir uma ideia: “vou tirar um workshop de teias!”. Na noite da ceia começou a construir a sua teia e enfeitou-a com luzinhas de Natal. Mesmo quando a aranha-Natal se ia embora viu a teia dela a piscar e deslocou-se até lá e entregou-lhe uma prenda.
Ana Miguel Castro, 11 anos, Viana do Castelo
Tréguas
Teias há muitas!... dizia empertigada, a nédia aranha Felisberta ao mirrado ácaro Felismino.  Amizades improváveis são as que amiúde perduram, pois as incompatibilidades atraem, atiçam a conquista do terreno alheio.
Aqueles dois fizeram-se apresentados numa velha mansarda, pejada de trastes, embelecos doutras eras.
Num divertido jogo, Felismino, por aleivosia, concedia-se à aventura da prisão aramada da amiga, que na sua paciente crueldade aranhou ostentosa: Não hoje! Vou descer ao salão tecer brilhantes fios na Árvore de Natal!
Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

A aranha viajante
Era uma aranha preta, patinhas grossas e cheias de pelos. Queria visitar a família, lá longe e fazer surpresa. Decidiu partir à aventura. Entrou no avião, escondeu-se na casa de banho e não se lembra se adormeceu. Quando acordou estava calor e o avião vazio. Saiu e foi caminhando até encontrar o prédio onde morava a família, no 9º andar do prédio em S. Paulo. Subiu pelo corrimão e quando chegou junto da claraboia foi uma festa.
Manuel, 8 anos, Porto

Natal em família
Um casal de aranhas planifica a quadra de Natal:
– A minha mãe quer saber se vamos lá consoar.
– Temos mesmo que passar com eles?
– É a minha mãe…
– Pois sim, mas há coisas mais divertidas que uma família aos gritos, cheiro de fritos e um frio de rachar...
– Levas a tua teia e já não tens frio.
– ‘Tás a gozar…
– Não, não estou, mas pensando melhor… vou sozinho.
– Hãaa??! E a minha prenda?
– Vai comprá-la! Feliz Natal!
Alda Gonçalves, 47, Porto

A aranha e o menino
Pobre aranha. Vivia numa luta diária para manter a sua teia perfeita, pronta para recolher o pão – desculpem, quis dizer insecto! – de cada dia. O orvalho enfeitava aquela rede, todas as noites. O menino encantava-se com aquele rendilhado: não resistia, mexia-lhe. Um pequeno toque, um roçar suave dos seus rechonchudos dedos, era quanto bastava para a destruir. Era Natal. Ela queria-a bem bonita. Decorou-a com pequeninas folhas de azevinho. O menino entendeu: a aranha também tinha Natal.
Maia José Castro, 54 anos, Azeitão

Maria Aranha estica a teia castanha,
olhando embevecida para tanta comida:
moscas recheadas, formigas assadas,
bolo de mosquito com um creme esquisito.
Refreia a gula e revê a bula:
o medicamento, após o alimento,
tudo alivia e controla a azia.
Revira a caixa, e procura a faixa –
A marca da idade, prazo de validade.
Término atingido, triste azar imerecido.
Ignora a verdade, comendo como um abade!
Lambe os beiços e pensa: Não faz mal, afinal... é Natal!
Elsa Cortez, 45 anos, Torres Vedras

Presente para o menino Jesus brincar 
A mãe levou os filhotes a ver o presépio de Natal montado pelos paroquianos da aldeia.
Eles observaram deslumbrados as figuras em barro, estáticas sobre o musgo verde e fofo, que o fluir do ribeiro e o rodar das hélices dos moinhos emprestavam movimento e vida.
Pararam em frente à sagrada família.
Uma teia de aranha, artisticamente fabricada, brilhante e orvalhada, surgia acima das mãos estendidas do menino Jesus sorridente.
– Mãe, que rei mago ofereceu o móbile?
Márcia, 36 anos, Vila Nova de Famalicão

O Natal da Dona Maricota
Dona Maricota agarrou-se fortemente. Fazia vinte anos que era assim, chegado Dezembro levavam-na para dentro. 
Estava tão acostumada às mudanças que nem remendava a teia antes disso!
Repentinamente a sua casa ficava enfeitada com luzes, bolinhas, anjos...
Na grande noite, familiares e amigos reúnem-se à mesa em amena cavaqueira. Na lareira já arde o madeiro.
Dona Maricota tem a sua ceia preparada, uma suculenta mosca. 
Do alto do pinheiro observa-os agradecida por participar em mais um Natal.
Carla Silva, 41 anos, Barbacena, Elvas

Natal diferente
“A vida por vezes impõe teias, e tecendo, nos enredamos em nosso próprio destino.”
Dona aranha era assim, faceira, dona de si.  No Natal quis se vestir diferente, cansada que estava dos tons pastéis.
Nada de nudes, beges, gris, sépias, dégradées. Seria colorido.
Tratou de tecer muitos encarnados, abóboras, azuis, neons...
No Natal, sua teia compôs a verde árvore da casa, formando uma estrela colorida e reluzente no topo...
Assim anunciou o Natal! Cheio de cores! Esperanças!
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

O Natal com Ara
O Natal era em casa da grande e gorda Ara. Tudo corria de feição. A dona da casa ia ausentar-se. Estaria livre do maldito aspirador. Receberia a família no hall de entrada. A luz iria ficar ligada, fingindo haver gente em casa. Teceu a sua árvore com perícia. Parecia um pinheiro nórdico. As bolas cuspidas de um jeito especial refletiam a luz. Pendurou os mosquitos há muito guardados. Foi um sucesso. O maior Natal… à sua medida.
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Chegara o dia do natal na casa da aranha Júlia. Ela estava a montar a sua árvore de natal. Estava ansiosa por receber as suas prendas. A Júlia já tinha entregue a sua lista de natal ao Pai Natal. No dia 25, a aranha recebia prendas e mais prendas, até que viu o seu pai triste e foi fazer uma prenda para ele. Quando o pai viu a prenda ficou contente.  Foi um natal cheio de alegria.
Íris Coroado Vaz, 8 anos, Castelo Branco

A teia de natal 
Prateada.
Dourada
Preta é mais bonita.
Branca é linda.
Cinzenta, como as nuvens nesta época.
Verde! Vá lá, como os pinheiros de natal!
Se houver neve, ficam brancos. Vai ser branca. Mãeeee! Sim? Pode ser?
Vermelha, amarela ou laranja, como o fogo!
Misturas, fazemos no carnaval.
Dourada é melhor.
Prateada.
Cala-te! Mãe deixa ser branca.
Shuuuut! A mãe, em palpos de aranha com tamanha barafunda, decretou:
Fazemos a teia branca, a estrela prateada e fiozinhos dourados pendurados.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

Cadena de regalos
La araña Ofelia se caracterizaba por su amabilidad, su imaginación y solidaridad. No se debería permitir que hubiera tristeza en estos días, ni nunca. Así que la araña Ofelia quería crear una cadena de regalos. Le entregó un regalo a un niño con un mensaje: “Comparte felicidad”. De igual manera, el niño araña cumplió su cometido y poco a poco consiguieron que las navidades para los más desfavorecidos fueran un poquito más navidades. Volveremos a cumplir sueños…
Lexuri Márquez Guantes, 21 años, Badajoz, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

Ya es Navidad
Abrió un ojo en la esquina de su chimenea, aquellos pesados humanos ya estaban haciendo ruido otra vez. Pero, ¿qué estaban llevando a la esquina del salón? ¡No podía ser! Era aquel arbolito al que le ponían las bolas brillantes por el que tanto le gustaba pasearse. ¡Que rápido había pasado este año! - pensó la araña. Era hora de avisar a su familia, que se trasladasen a pasar las fiestas al magnífico pino de todos los años!
Jesús Rey Aneiros, 22 años, Ferrol España, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

Una tejedora pequeñita
La Navidad es época de estar con la familia, de descansar… ¡Ja! Que se atreviera alguien a decirle eso a la pobre araña Dedal. Pasaba las “vacaciones” encerrada en casa, cual ermitaño, sin ver siquiera a sus 42 hijitos... Todo para terminar a tiempo su trabajo: Disfraces de Reyes Magos hechos a mano para los demás insectos, que se olvidaban de ella el resto del año. Cosía y cosía mientras soñaba con ser modista de alta costura.
Carolina Cárcel Pedrera, 22 años, Palma de Mallorca, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

Estaba acostumbrada al tejer sin cesar, incluso en época navideña. Primaba el hambre y para los arquitectos arácnidos, entusiastas modernos de la línea curva, no había descanso.
Un hombre advirtió su presencia con un grito. La tarántula percibió la violencia que se avecinaba. Con sus ocho ojos, señaló a la tela, tejida con tanta delicadeza. El hombre entonces observó: cada hilacho parecía un copo acendrado de nieve. Supo, en ese momento, que no podría quitarle la vida.
Andrea Crespo Madrid, 20 anos, Salamanca, Espanha, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

¿Las arañas también van al cielo?
Aunque intuía su destino, no lo creyó hasta ese momento, en que Luis y Raquel sacaban el viejo árbol de Navidad de la casa. Al principio, pensó en mudarse al techo, pero sabía que la pareja era muy dada a usar el plumero. Se quedó en el árbol. Una vez fuera, buscaría una casa abandonada en la que vivir. Sin embargo, al sacar el árbol, Raquel la descubrió y la araña evitó así su destino para siempre.
Laura Herrero Román, 29 años, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

Vuelta a casa
Tomé el primer bus que salía ese sábado por la mañana. Después de tanto tiempo lejos por fin iba a volver a casa, a reunirme con familiares y amigos. Pero lo que más deseaba era llegar y montar el árbol de Navidad: pasar la tarde en familia, jugar con las guirnaldas y volvernos locos desenredando las luces. Me senté en el único asiento que quedaba libre mientras me despedía de esa ciudad para volver a mi hogar.
Vanessa Roch, 21 años, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

La Navidad en Guadalupe es genial. Desde que me mudé aquí mi vida es mucho más fácil: no me intentan matar todo el rato porque mi dieta rica en mosquitos al parecer es conveniente para mis compañeros de piso. Ah, ¿no te he hablado de Jorge y Paula? Son dos animales de dos patas muy majos de esos que sólo tienen pelo en la cabeza. Este año por Navidad me dejaron decorar la casa a mí enterita.
Lara Lagoa Patiño, 21 años, Vigo, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

Las arañas quieren celebrar la Navidad, así que la familia telaraña se prepara para adornar la casa. Cubren todos los palos y esquinas de la casa de blanco, adornada con alguna mosca para llamar la atención de todas las arañas vecinas. Al llegar la nochebuena se reúne toda la familia con una buena fiesta, de banquete unos insectos y las moscas iluminadas fuera atraen a los niños más pequeños ante la gran llegada de Papa Araña.
Marta Deza, 19 años, Zamora, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

La época del año preferida de la araña Alpargata era la Navidad. Le gustaba convertir la Navidad en Halloween. ¡Y se le daba bastante bien! Año tras año, se escondía en la caja de cartón donde la familia guardaba los adornos navideños. Cuando bajaban al sótano para cogerlos, llegaba su momento estelar. Ella aparecía entre los adornos, los niños lloraban y, mientras, ¡la madre trataba de aplastarla sin mirar con una alpargata mientras chillaba como una descosida!
Lara Cantos Modesto, 21 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

La telaraña navideña
Tejer. Es lo único que venía haciendo la araña, desde finales de Noviembre, para que en Navidad estuviera hecha la telaraña que hacía cada año para esas fechas. Todos los animales estaban expectantes a que la araña terminara y adornara el árbol con esa telaraña, que parecía hecha de magia. ¡Algunos animales decían que hasta brillaba! Seguramente lo que brillaba era la ilusión que les hacía verla y el cariño con el que la hacía la araña.
Blanca Vázquez, 21 anos, Zamora, prof Paula Pessanha Isidoro, USAL

A aranha gulosa
A aranha preta, gulosa,
Reforçou a sua teia,
Em noite bela e cheirosa,
Ia comer boa ceia!

Torturou, rasgou, comeu,            
Todo o bicho e mais algum,
Nenhum pedido atendeu,
Nem poupou filho nenhum!

Atraiçoou os mosquitos,
E insetos descuidados,
Fez deles grandes petiscos
E foram dilacerados!

Atacou  sem piedade,
E teve uma indigestão,
Agonizou à vontade,
Caindo morta no chão!

A aranha preta, malvada,
Não voltou a fazer mal…
Finalmente, a bicharada
Também teve o seu Natal!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Era véspera de Natal, e a aranha, reconstruía a teia 
reclamando, porque todos os dias lhe era destruída.
A mosca, que presenciava a cena, gozava o prato.
– Um dia, pagarás caro por essas risadas.
se não for com o mata moscas, cairás na minha teia.
– Isso se ainda tiveres teia…
Por sorte, a árvore, foi posta nesse canto da sala,
e já a aranha esfregava as patas de contente, imaginando
a ementa para a ceia dessa noite.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

O Natal da aranha
Uma aranha pequenina
Que teimou em se esconder
Dentro da pinha de enfeitar
E na árvore de Natal foi aparecer

Fez a teia bem feitinha
Para tudo poder ver
Esqueceu-se a espertinha
Que as luzes iam acender

Quando as viu a piscar
Não sabia onde parar
Correu para o chão
E escondeu-se no fogão

Logo a fornalha se abriu
Viu a lenha e fugiu
Nunca mais ninguém a viu
O Natal passou e a aranha não voltou.
Ana Maria Troncho, 66 anos, Academia Sénior de Estremoz

Este ano não nevou e a Clarinha tinha tudo para enfeitar a sua árvore de Natal: bolas, sinos, anjos, fitas... excepto neve. Podia colocar algodão, mas ela não gostava de neve artificial.
Então, lembrou-se de pedir ajuda à aranha gigante que vivia no telhado da igreja da vila... as teias são uma obra da Natureza.
A aranha adorou ajudar, era fantástico ter uma ligação tão forte ao Natal. As árvores natalícias foram enfeitadas com lindas teias prateadas.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto