22 maio 2014

Amor de mãe

Acariciava-lhe as mãos cheias de calos, mãos de quem trabalha a terra.
Durante muitos anos envergonhara-se delas, melhor, de a quem pertenciam!
Aprendera com a vida a reconhecer-lhe o valor. Arrependia-se da sua futilidade.
Nunca quisera ir a casa nas férias, nem no natal. Preferia ficar em Lisboa com os tios. Sua mãe tudo desculpava. Mas ela não se perdoava, nunca esqueceria que hoje, graças àquelas mãos, aos sacrifícios da sua querida mãe Pastorisa, era advogada.

Carla Silva, 40 anos,  Barbacena, Elvas
Desafio nº 65 – chamavam-lhe Pastorisa

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