01 maio 2014

Vida ao vento

Falhara tudo. Escola, avaliação zero. Empresa, competência nula. Família, tentativa falhada.
No bolso somava trinta e mais muitos anos sem rumo.
O papel falava que as crianças eram despojos de guerra que queriam sorrir. E gritavam por alguém com mãos fortes e coração aberto.
Era longe. Nem conseguia dizer o nome da terra. Mas chegou.
– Nome?
– Pastorisa.
– Pastorisa?
– Sim, meu pai era pastor, minha mãe uma brisa… O encontro do sonho.
A vida cumpria-se agora. Sabia-o. Sentia-o.

Fernanda Elisabete Gomes, 58 anos, Lisboa

Desafio nº 65 – chamavam-lhe Pastorisa

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