31 maio 2014

Feitiços

Saltitei sobre aquelas nuvens fofas, deitei-me, rebolei sobre elas. Entrei num mundo de fantasia repleto de enfeites coloridos, feito de sonhos e de feitiços. Continuei – peito e cabeça erguidos – observando com deleite aquela terra de encantos. Procurei, com um medo expectante, a feiticeira. Maravilhosa mas carregada de mau feitio era o que todos diziam. Encontrei-a e senti o seu feitiço: os olhos faiscantes fazendo uma leitura dos meus desejos. Serás feliz! Não era esse o teu desejo?

Maria José Castro, 54 anos, Azeitão

Desafio nº 67 – 8 palavras com EIT

Uma história verdadeira

A boémia só perguntou por um copo de água para os filhos e sentou-se para aleitar o seu bebé choroso. Nunca vi entrar numa confeitaria uma família tão andrajosa A chegada destes enjeitados provocou uma vaga de solidariedade na clientela, também todas mães. Sem hesitação a conceituada confeiteira trouxe-lhes uns bolos e leite quente. Uma outra mãe preocupada despachava-se para comprar um biberão e fraldas.
E eu! Enfeiticei uma mão cheia com amêndoas confeitos para os miúdos. 

Theo De Bakkere, 61 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio nº 67 – 8 palavras com EIT

30 maio 2014

Programa Rádio Sim 268 – 30 Maio 2014

OUVIR o programa! 


No site da Rádio Sim

Cruzei-me contigo no baile
Cruzei-me contigo à noite no baile
À noite no baile dançaste comigo
Dançaste comigo, tiraste-me o xaile
Tiraste-me o xaile por seres atrevido
Por seres atrevido, roubaste-me um beijo
Roubaste-me um beijo, fui-me logo embora
Fui-me logo embora cheia de desejo
Cheia de desejo de os ir buscar
De os ir buscar, ao beijo e ao xaile 
Ao beijo e ao xaile, que deixei roubar
Que deixei roubar porque me cruzei.
Cruzei-me contigo à noite no baile

Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa
Desafio nº 63 – fim de cada frase é igual ao início da próxima…

EXEMPLOS - desafio nº 67

Política
Foi uma semana de política negra. Vitórias desfeitas por disputas de titãs, que encheram o peito, não de ideias, mas de ambições. Cada um a tentar tirar proveito do rival.
E o Tribunal Constitucional levou tudo a eito. Não desfez o que foi feito, mas o governo, despeitado, procura já medidas adicionais para minimizar os estilhaços que esta trapalhada provocou no seu conceito de austeridade e de redistribuição de riqueza. Sairá certamente uma nova norma a preceito.
Alda Gonçalves, 46, Porto

Feitiços
Saltitei sobre aquelas nuvens fofas, deitei-me, rebolei sobre elas. Entrei num mundo de fantasia repleto de enfeites coloridos, feito de sonhos e de feitiços. Continuei – peito e cabeça erguidos – observando com deleite aquela terra de encantos. Procurei, com um medo expectante, a feiticeira. Maravilhosa mas carregada de mau feitio era o que todos diziam. Encontrei-a e senti o seu feitiço: os olhos faiscantes fazendo uma leitura dos meus desejos. Serás feliz! Não era esse o teu desejo?
Maria José Castro, 54 anos, Azeitão

A boémia só perguntou por um copo de água para os filhos e sentou-se para aleitar o seu bebé choroso. Nunca vi entrar numa confeitaria uma família tão andrajosa A chegada destes enjeitados provocou uma vaga de solidariedade na clientela, também todas mães. Sem hesitação a conceituada confeiteira trouxe-lhes uns bolos e leite quente. Uma outra mãe preocupada despachava-se para comprar um biberão e fraldas.
E eu! Enfeiticei uma mão cheia com amêndoas confeitos para os miúdos. 
Theo De Bakkere, 61 anos, Antuérpia, Bélgica

Arnaldo
Arnaldo achava-se um homem respeitador mas era incrédulo e insignificante.
Levantava-se todas as manhãs e aplicava a mesma receita.
Obstinadamente bebia leite fresquinho, mas suspeitava que estava azedo.
Todas as suas maleitas se resumiam a pequenos jeitos trejeitos, embaraçosos para alguns.
Com firmeza decidiu não ligar aos recados e recomendações dos amigos e embarcar na sua mala voadora em direcção ao sonho e utopia.
Ele tinha todo o direito de decidir a sua vida.
Sem manipulações…
Cristina Lameiras, 48 anos, Casal Cambra

Verdade, verdadeirinha…
Deitámos a semente à terra, resta-nos esperar que o tempo venha a jeito para a colheita ser boa.
Diz o patrão ao feitor.
– Pois é, patrão, isso é que era perfeito, mas no tempo ninguém manda, se assim fosse andava tudo à estalada.
– Porque dizes isso?
– Disse-me um sujeito. Uns querem sol, outros pedem chuva, já viu? Ninguém se entendia!
– Tens razão, não tinha pensado a respeito.
– Patrão, venha o que vier que a todos faça proveito.
Isabel Branco, 53 anos, Charneca de Caparica

Deitada em leito de algodão
flores em edredon de orvalho
alegria aproveitava o pouso em meu peito
como abelha na flor de azeitona

O sabor das manhãs
Aproveitei o rarefeito matutino
Aceitei de bom proveito o leite do curral.
no peitoril da janela o gato mirava o refeitório
não sabia, era apenas gamela de curau 

Refeita maquiagem fui a confeitaria
Atrás da receita
Para confeitar o sabor das manhãs
Aceitando desafios, aproveitando
O deleite, mergulhando na memória.
Enfim degustando um prazer
Ângela Maria Green, 56 anos, Novo Horizonte – SP – Brasil

O poder do amor
Linda e jeitosa, não precisa de enfeites para chamar a atenção. Contudo, já é mãe de três meninas. Conceito de família? União e partilha. Aparentemente, só pode ser feliz. Contudo, o seu feitio não lhe permite tirar proveito das graças que Deus lhe deu. Por querer tudo direito e levar tudo a peito tem ataques de fúria, alternados com momentos de tristeza. A solução? Um abraço ternurento das filhas que ama! O amor produz este efeito calmante…
Margarida Leite, 45 anos, Cucujães

Deitada na cama, insone. Tinha uma decisão difícil a tomar!
O leito não lhe acolhia.
Levanta, vai à cozinha. Toma leite morno.
Torna a deitar. Olha para o lado. Vê um enfeite.
Parece enfeitiçada. Olha dali, espreita. Sente medo dele.
Toma coragem.
O joga longe. Ele quebra. De dentro, um bilhete, um nome. Reiteradas vezes o ouvira.
Era ele!
Não havia jeito! Esse nome a acompanhava. Não mais lutaria! Aceitaria sua companhia...
A cama a aceita agora.
Chica, 65 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Espreitei pela janela
à hora de ele passar.
Pus uma flor ao peito
à espera do seu olhar...
Mas nada surtiu efeito,
resolveu não aparecer
e eu ali no parapeito
condenada a sofrer...
É que nem a carochinha
passou tal humilhação,
pois pr'a não ficar sozinha
lá caçou o João Ratão...
Sentindo apenas despeito,
comecei-me a desenfeitar,
e eis que surge o eleito
que me pede pr'a casar.
Não era nada de jeito....
Mas serviu pr'a desencalhar....
Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa

No Alfeite trabalhavam de empreitada, reparando e embelezando o espaço. Tinham prazo para terminar o trabalho, a responsabilidade multiplicava-se...! Gostavam de espreitar o relógio, trabalho feito assunto arrumado...! Havia um Evento importante, a preocupação apoderava-se. No parapeito da janela estava um gato preto que os observava todos os dias... Ar felino mas aparentemente assustado. Aproximam-se, foge...! Da janela conseguem ver a Rua da Confeitaria mais conceituada da região!
O proveito é só para quem por lá passa!
Prazeres Sousa, 51 anos, Lisboa

Investigação Curiosa
Aquele sujeito de ar circunspecto, postou-se embiocado, à esquina do prédio em ruínas.  Em jeito detectivesco, policiava tudo a eito.  empreitada, intrigava pelo efeito de mistério... Mas o que queria era espreitar quem lhe estragava as sardinheiras do jardim.  Andava furioso e intentava apanhar o ratoneiro na malfeitoria. De repente, do parapeito vizinho, saltou o felino que tirava proveito do leito florido.
feito acabou por surpreendê-lo e, mal refeito do susto, deixou fugir o responsável... 
Elisabeth Oliveira Janeiro, 69 anos, Lisboa

Neste leito onde me deito
Neste leito onde me deito, a colcha ajeito. O peito, qual parapeito, ofegante. E o Heitor, de olhar suspeito, a fazer com a boca o tal trejeito. Mas a quem venero e respeito. E ele, desajeitado, reitera o seu Amor por mim. Digo tudo a eito, de empreitada, sem pensar no efeito. Pronto, já está! Dito e feito! Atreito a loucuras e devaneios. De mim, tirou proveito. Só eu fiquei à espreita da vida… que é estreita…
Violeta Seixas, 47 anos, Lisboa

Saiu de casa bem cedo. O cabelo lustroso bem puxado para trás num efeito anos 40, o sapatinho de verniz a espreitar um tango.
Parou na confeitaria. Uma empreitada aquele pequeno-almoço. Com um ligeiro arroto levou o troco: “Ora bom proveito, homem!”.
Atravessou o jardim, debruçou-se no parapeito do miradouro. Tirou o papel do bolso: “Base Naval do Alfeite: Serviço de Manutenção e Fardamento – 09H00”. Raios! Pensava que era ao Alfaiate que tinha de ir, maldita miopia!
Jaime A., 50 anos, Lisboa

O enfeite
Hortência endireitou as costas, entufou o peito e olhou-o entusiasmada. Ele hesitou. Aquilo que ela apelidava de enfeite era único e…
 Aproveita para mostrar alguma coragem – espicaçou-o Hortência.
O conceito de corajoso não o entusiasmava. Anunciava sarilhos, mas dizer-lhe que não teria um efeito ainda pior.
Espreitou pela fechadura, consciente da falta de respeito. Avançou e quando a mão estava preste a alcançar o objeto, algo lhe agarrou o ombro. Num relance reconheceu a mão da diretora.
Quita Miguel, 54 anos, Cascais

Eleito
Ela é uma pessoa muito reservada, mas para mim isso não é defeito, é feitio. Sendo reservada ela é serena. Adoro o efeito que essa calmia provoca em mim, sim porque aproveito cada momento partilhado com ela. Fui o seu eleito, ela diz que gosta de mim. Que privilégio que é viver ao lado de quem se ama. Ser aceite tal como somos, sem necessitar de máscaras que ajeitem a nossa imagem. Para puro deleite da alma. 
Paulo Renato, 39 anos, Maia

Ambição
Era jovem, bonita e com jeito para comunicar.
A ambição corria-lhe nas veias e de peito inchado enfrentava a vida.
Gabava-se do efeito que produzia e que a conduziria à fama.
Formou-se em Direito. Sentia-se pronta para defender qualquer pleito.
Apaixonou-se pelo primeiro cliente: um velho milionário que requisitara os seus serviços para se divorciar.
Perdeu a causa mas não o cliente.
Hoje partilha o leito com o milionário. Grande empreitada!
Esqueceu a fama, ganhou o proveito.
Palmira Martins, 58 anos, Vila Nova de Gaia

Maria
Chegou ao hotel e, no seu jeito simpático, pediu um quarto. 
Entrou e viu um leito enorme. Atirou-se. Era perfeito! Tinha feito uma longa viagem e sentia-se cansada. Abriu a janela e debruçou-se no parapeito.
Lá em baixo, um empregado limpava a piscina e levava tudo a eito, cadeiras, lixo, tudo... estranha forma de limpar!...
Veio-lhe à memória a discussão com Luís naquela manhã: paciência! Ele sempre levava tudo a peito!!! Tinha o direito de ficar zangada!! 
Zulmira Baleiro, 65 anos, Casa Branca, Sousel

A feiticeira
Ela era uma mulher diferente e teve que aceitar isso.
Pertencia a uma seita de feiticeiras.
Um dia perfeito era quando no caldeirão colocava leite e sapos para uma poção de amor.
Para seu deleite tudo funcionava direito.
Nada fazia para o mal e buscava ajudar as pessoas.
Era sua missão nesse planeta.
As pessoas a procuravam.
Nas noites de lua cheia os amores se encontravam devido aos seus feitiços.
Ficava feliz com o resultado bem feito!
Anne Lieri, 53 anos, São Paulo, Brasil

Ingrata Missão
Espreitei a rua deserta através das vidraças fustigadas pelas bátegas de água impulsionadas pelo vento.
Do meu peito, um suspiro inquieto, lembrou-me que na vida nada é perfeito.
Preciso ir direita ao assunto.
Mas como dizer àquele rapazinho que não fez nada mal feito, que se considera uma pessoa escorreita, que os seus exames revelaram uma anomalia, coisa insuspeita, que o irão condicionar ao leito o resto da sua vida?!
Falta-me coragem. Não posso roubar-lhe os sonhos! 
Rosélia Palminha, 66 anos, Pinhal Novo

Era uma menina pequena e redonda como uma ervilha.
Era Natal… e ela enfeitiçava a vida com toda a delicadeza.
 Era um dia perfeito, com a cair neve, meninos a brincar...
As lojas estavam com enfeites coloridos, cheias de brinquedos.
Todos os meninos tinham o direito de sonhar…
Eles tinham feito a sua árvore de Natal.
E todos aceitaram o presente com alegria.
Dormiram no seu leito e comeram aletria.
Ai que deleite um poema destes fazer!
Daniel Cobileac e Paulo Shan, 8 anos, Colégio Andrade Corvo, Torres Novas, prof. Carla Veríssimo

Um Amigo Especial…
Conheci um feiticeiro que dançava japonês
Ele era divertido e tinha mesmo bom feitio…
Quando pedias uma coisa dizia: “está feito, meu amigo!”
Ele gostava de comer, era mesmo comilão!
Quando era hora do pequeno-almoço,
Bebia leite japonês…
Enquanto jogava xadrez
Ele era bem direito…
 Parecia um palito
Era muito perfeitinho na hora de trabalhar…
Ele aceitava desafios, os mais difíceis de resolver
E bom, meus caros amigos
Este é o meu amigo
Um feiticeirinho a valer.
José Zuzarte Reis e Simão Sottomayor, 9 anos, Colégio Andrade Corvo, Torres Novas, prof. Carla Veríssimo

Uma menina… especial
Era uma vez uma menina que gostava de leite. Era tão pequenina como um grãozinho de arroz.
Adorava ver lojas enfeitadas, mas tinha o braço direito magoado.
Um dia, foi eleita general das guias. Era forte, persistente, muito corajosa, capaz de tudo ultrapassar. Ela era muito carinhosa e tinha um chapéu feito de lã. Ela vivia num prédio. Todos os dias para ela eram perfeitos. A sua bela vida era um deleite, como se fosse um feitiço…
Afonso Sousa, 8 anos, e Afonso Cardoso, 9 anos, Colégio Andrade Corvo, Torres Novas, prof. Carla Veríssimo

Sem jeito!
Ela, toda enfeitada e com um olhar enfeitiçado, colocou-se a jeito para lhe dar um beijo e um confeito de azeite, que acabara de comprar na confeitaria.
Ele contrafeito, desrespeitoso, fingiu que não viu e puxou a aba estreita do chapéu para baixo, a esconder o rosto. Eita que feitio!, nem o enfeite nos cabelos pretos ondulados dela o atraía! A sentir uma ponta de despeito, ela ergueu a cabeça, encheu o peito de ar, dizendo: adeus! 
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra

Espera contrafeita
Ela, alegremente, estava a enfeitar os longos cabelos negros ondulados com o mais perfeito enfeite
O namorado vinha buscá-la, e não tinha feitio para esperar. Iam comprar confeites de azeite, à confeitaria ao fundo da rua estreita. Que alegria sentia no peito!
Ele,  que era atreito a impacientar-se, mal chegava dizia contrafeito:
– Ó amor, vamos lá a despachar!
– Ai, amorzinho, sabes bem que me gosto de ataviar, antes de contigo passear – respondia-lhe ela, com um giro trejeito.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra

A carta
Querida mãe,
Espero que esteja bem. Falei com o feitor, nada feito, não há vagas! Fiquei desfeito, resolvi ir passear, aqui está tudo enfeitado para os Santos Populares. Deitei olho a uma moça, enfeitiçou-me! Entendemo-nos perfeitamente. Depois da festa, com o maior respeito, levei-a a casa, aceitou almoçar comigo.
Fui ao mercado, comprei umas calças, têm defeito mas a mãe é toda jeitosa.
Vou sábado para baixo, o primo tem um feitiozinho!
Respeitosamente seu filho,
Nelito Freitas
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Inéeerciaaaaa
Cá estou, deitado. Feito parvo. Escrevendo tretas a eito. Canalizo toda a inércia para a escrita, talvez saia alguma coisa de jeito. Mas sem esforço, sem efeito.
Que paradoxo, estar inerte a escrever! Afinal a escrita salvou-me. Assim não estou inerte. Mas também não satisfeito, porque se parasse de escrever voltava ao mesmo. No fundo, escrever sobre estar inerte encaixa no próprio conceito.
Ai, que niilismo insuportável! Que rima irritante!
Tenho tanto sono… É hora do leito.
Tomás, 18 anos, Palmela/Lisboa

O leitão
Era uma vez um leitão que bebia muito leite. Um dia foi-se deitar e começou a ter dores no peito. Lá foi ele beber um copo de leite. Depois disto feito comeu uma azeitona toda bonitona! Mas não fez efeito: a dor no peito desapareceu mas a barriga lhe doeu. Resolveu ir ao doutor para lhe tirar a sua dor. E foi todo enfeitado, muito bem arranjado. O doutor um remédio lhe receitou e ele logo melhorou!
1º ano E da Escola Básica de Ribeira do Neiva, Agrup. de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva (Vila Verde, Braga), prof Paula Leitão

Aceitei esta situação com demasiado desleixo. Eu tinha direito a saber o que se passava, a perceber o que tinhas. Aproveitei todas as oportunidades para tirar proveito disto e tentar fazer o tempo andar para trás. Mas não consegui obter o efeito desejado e apesar de todo o respeito que tenho por ti, não consigo libertar o meu coração desfeito, em que, num mundo perfeito, nada disto teria acontecido e tudo estaria como sempre esteve até lá.
Maria Luísa Barros, 15 anos, Porto

Ausência de Meios
No parapeito da varanda pensava no rumo da sua vida. Trabalhava numa confeitaria de empreitada, no efeito de ganhar mais uns trocos.
Mesmo fazendo isto o dinheiro não dá para pagar as contas.
Adora roupas, há 3 anos que não compra nada. Espreita as montras. Cinema; tirar férias, esquece. Resta-lhe um grupo da escola Alfeite; ocasionalmente encontram-se disfrutando do convívio; amizade.
Como alterar a vida de tédio, solidão e dificuldades monetárias?
Que poderá fazer em seu proveito?
Isabel Pinto, 47 anos, Setúbal

Namoro Antigo 
Encontrara na confeitaria um namorado da adolescência. Conversa circunstancial. De empreitada.
Oferece-lhe café. Do parapeito do espaço espreitava-se Alfeite.
Desabafou: ao longo deste tempo, cruzando-nos, quis partilhar confidências. Emocionado, diz-lhe: foste a única miúda que me marcou, senti o que nunca mais senti. Estupefacta: foste parvo; impedias-me fugir. “Era um miúdo, fazia asneiras”. (Que proveito? Que efeito?).
“Hoje não escaparias. Ao encontrarmo-nos sinto o sentimento do tempo passado. Agora, se estivesse sozinha, neste mesmo momento, pedir-te-ia namoro.”
Isabel Pinto, 47 anos, Setúbal

Não há direito
Não é aceitável o que o governo está a fazer ao reiterar não vacilar em relação aos descontos aos funcionários do estado. Partindo deste princípio, amanhã não vai haver dinheiro para um copo de leite, e o pior é que não vai tudo a eito, segundo este conceito são os pobres que pagam a maior fasquia. Ontem debrucei-me no parapeito e senti-me mal, fui de imediato para o leito, sonhei que o ministro não será mais eleito.
Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa

Abri a minha janela e encostei-me ao parapeito, nesse preciso momento ia a passar um sujeito, o seu andar tinha um jeito peculiar, não era nem perfeito nem imperfeito, mas tinha qualquer defeito.  
Quando por mim passou o chapéu tirou e com todo o respeito me cumprimentou, e eu, naquele momento cortei um cravo de um vaso e disse-lhe: Ponha-o ao peito! 
Ele agradeceu, colocando o cravo na lapela, pôs o chapéu e seguiu pela rua abaixo.
São Sebastião, 68 anos, Glória, Estremoz, Academia Sénior, prof Zuzu Baleiro

Feito sonho 
No peito batem memórias
Na lembrança serpenteiam sabores,
Enfeite da vida, alfazema nos lençóis.
Tudo que vem de ti é perfeito, perfeição,
Desalinho de minha alma,
Calor que abrasa um inverno inteiro.
Eco de palavras tortas, sopro de ar,
Sonho desfeito... 
Luz de fim de tarde,
De fim de tudo,
Vazio o leito...
Córrego intermitente
Água corrente, de pouca pressa,
Vida que segue a espreitar.
Sobras e sombras,
Íntimo deleitar.
O que fora feito daquele suposto amar?
Roseane Ferreira, Macapá, Amapá, Extremo Norte do Brasil

reitor, vestido a preceito, encaminhou-se para o seu gabinete dias depois de ter sido eleito. A primeira questão a tratar dizia respeito à uma seita que deambulava pela universidade de uma forma suspeita.
Iria investigar sem preconceito. Só pararia quando se sentisse satisfeito. Chamou os alunos para os questionar.
– Peço desculpa, Exmo Sr. Reitor, mas, responder, eu não aceito. O que para mim é certo, para si pode ser mal feito! Se quiser, chame um advogado!
Márcia Gomes, 36 anos, Vila Nova de Famalicão

Sentiu-se enfeitiçada por aquele rosto alongado. A sua alma parecia sucumbir à doçura daquele verde olhar. Estremeceu. A medo decidiu aproveitar o que o destino lhe concedia. Percebeu-o cauteloso. Com respeito, ele avançou. Sem medo, ela aceitou o sorriso que lhe escorria dos lábios. O efeito do encontro dos seus corpos, estreitou a desconfiança. Lentamente, deixaram-se mergulhar no deleite da dança das emoções. Esqueceram-se de cada um. Existiram em uníssono, cederam-se. O mundo agora fazia-se quase perfeito.
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

A Vaca do Chico
Havia uma vaca
Que era malhada,
Brincava no campo
Toda deleitada!

A vaca do Chico
Não era suspeita
Pastava, bem mansa,
E era escorreita!

Corria e brincava
Tirava o proveito,
Quando satisfeita,
Dormia ao seu jeito!

De pelo macio,
Era bem leiteira
E todo o seu leite
Era de primeira!

Uma linda vaca,
Firme e respeitada
Tinha um olhar meigo
E era admirada!

Um dia, enfeitada,
Bonita e jeitosa,
Teve até um prémio
Por ser tão mimosa!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Porque te sujeitas? Vives enfeitiçada?
Livra-te do problema, que não tem jeito, nem sentido.
Ninguém tem esse direito de prejudicar seja quem for.
E tu, que nem sequer tens feito um esforço para te livrares dele,
aceitas todas as condições, sem reclamar, nem opinar.
Esse teu feitio, correcto e justo, não te deixa ser eleito,
pelo que te faz sofrer.
O sujeito, é um aproveitador, não tem sentimentos.
Dá-lhe corda. Que se enforque, no seu próprio feito.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

A estrela matutina
Com leitosa luz brilhava entre arroxeadas nuvens,
espreitando, com olhar suspeito e doce riso,
o lento baloiçar das espumantes vagas brincalhonas.

Qual pérola refulgente ao peito enfeitada
resplandecia, alegre e risonha, no cinzento céu
e guiava os marinheiros em direito rumo.

Deitava, vaidosa, o seu radiante fulgor
entre os agudos chirrios das joviais gaivotas
e as redes de corda perfeitamente entretecidas.

E como canoro heraldo da manhã,
deleitava-se, em mostrar-se ao mundo
entre ruborizados azeites perfumados.
Mónica Marcos Celestino, 43 anos, Escuela Oficial de Idiomas, Salamanca. (Espanha)

Hoje acordei com o sol a entrar pela janela do quarto. Saí do leito, tomei banho, bebi leite quentinho, arranjei-me e, após ter feito a cama, fui ao supermercado comprar azeite. Em seguida, caminhei até à praia.
Enchi o peito de ar e senti o aroma da maresia.
O vasto areal estava repleto de crianças... pareciam uma tribo de índios, brincando com trejeitos próprios da idade. A praia era estreita para tantos...
Assim, o dia é perfeito!

Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

Desafio nº 67

Vamos a um quebra-cabeças?
O que vos peço é que descubram palavras que contenham estas letras seguidas, 
por esta ordem: EIT (não é um sílaba).
Que texto em 77 palavras se pode escrever
com pelo menos 8 palavras destas?


Eu usei estas e ficou assim:
Alfeite Confeitaria Efeito Empreitada Espreitar Feito Parapeito Proveito

Visitar a base do Alfeite?! Está tudo doido? Estávamos aqui tão bem, na Confeitaria Nacional, a encher-nos de bolos e má-língua… Aquela ideia teve o efeito em mim de uma gigantesca dor de cabeça. Podíamos ter ficado ali, aviando doces de empreitada, mas não. Querem sempre coisas diferentes. Espreitar o coração da Marinha parecia um feito extraordinário. São mesmo parvos. Eu permaneci em casa, debruçada no meu parapeito. Espero que lhes faça muito proveito. Raios os partam!
Margarida Fonseca Santos, 53 anos, Lisboa
Desafio nº 67 – 8 palavras com EIT
EXEMPLOS
OUVIR

29 maio 2014

Programa Rádio Sim 267 – 29 Maio 2014

OUVIR o programa! 


No site da Rádio Sim


Para além de ti
Depois do fim, recordei-te todos os dias, por momentos breves de arrependimento. Depois do fim, alegrias vieram e inquietações permaneceram. Depois do fim, nada foi igual. Lembrei-me mais de mim, afastei-me mais de ti, ficaram as ilusões ansiosas do que poderia ter sido. Depois do fim, o tempo avançou num começo sem conclusões, sem metas definidas ou destinos traçados. Depois do fim, amanheceu-me esta nova esperança de sonhos por viver, num querer conhecer-me para além de ti.

Clara Lopes, 37 anos, Agualva, Sintra 
Desafio nº 64 – texto começando por “Depois do fim…”

A fertilidade da imaginação

Olhar tudo sob diferentes perspectivas. “Pensar fora da caixa” Todos o dizem, quase ninguém o faz! Ou melhor, deixaram de o fazer porque se perde este hábito na proporção inversa com que se envelhece.
Para uma criança 99 pode ser 66 e vice-versa, um 5 pode ser um S, um leão ou um dragão, um amigo. Aos olhos dos pequenos génios o impossível é possível.
Acreditem, mentes brilhantes foram aquelas que jamais esqueceram a fertilidade da imaginação.

Vera Viegas, 30 anos, Lisboa/Penela da Beira

Desafio nº 66 – números 66 e 99

28 maio 2014

Programa Rádio Sim 266 – 28 Maio 2014

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim

Parabéns, Helena Almeida
Juntaram-nos no dia 13 de Maio de 2013. Ficámos de imediato amigas, arrisco dizer. Assim começou esta brincadeira muito séria em torno das histórias, mas sobretudo das pessoas que as escrevem, das que nos escrevem, das que escrevem a nossa vida em cada minuto partilhado aqui. É sempre fácil? Nem sempre, apanho sustos medonhos. Quando a Helena põe carinha de malandrice, tremo! Também me consegue pôr comovida, aí somos iguais. Parabéns, Helena, poder trabalhar consigo é fantástico!

Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa