31 julho 2014

Programa Rádio Sim 312 – 31 Julho 2014

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A criação dos sentimentos
Pairavam outrora no ar, revoltos, ao sabor do vento, eram expressões difusas nunca completas sem um corpo que lhes desse forma, um nome, um alimento.

Um dia, no jardim do Éden, cruzaram-se dois olhares. Surpresa! Curiosidade! Atracção!!! Lentamente se aproximaram, até que de tão próximos, tão intensos, fecharam-se os olhos e estreitaram-se os corpos num abraço imenso. Nunca até aí, se vira algo assim. Intuindo a oportunidade, entraram neles os sentimentos!

Deliciados, fundiram-se nos corpos, mútua, demoradamente...



Luís Marrana, 52 anos, Oliveira do Douro - 
Desafio nº 42 – frase com 5A5E5O3I e 3U, que dá o mote



Bem longe

Bem longe,
um pequeno ponto
ainda nítido no horizonte
perdido de cores e sombras.
Espaço ou luz? Flor ou aroma?
Apenas poalha dourada de ar e sal,
reflexo da manhã nascido na profundidade das ondas
na frescura azul e escura dessa planície mais bela
em que o mar se converte por dentro do olhar.
Vejo-o vogar sem pressas, não sei se hoje, ontem ou amanhã
aquele que não teve nome, apenas alma, no desfraldar da sua vela.

Paula Coelho Pais, 53 anos, Lisboa
Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras


Foste tu

Foste tu.
Foste tu, amigo,
que me levaste contigo,
e me ensinaste a sonhar...
Foi contigo que aprendi a voar,
e a teu lado conheci a vida,
e a teu lado nunca me senti perdida...
Contigo, eu atravessei a noite para ver as estrelas.
Contigo, eu vi o mundo e toda a sua imensidão.
E também aprendi que a liberdade é das coisas mais belas,
e que é junto a ti, Pai, que a trago no coração!

Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa 
Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras
Insana sou
Por viver continuamente
Na penumbra desse olhar.
Carregas a profundidade do abismo,
Porque no abismo estou: sozinha, despedaçada
Quebrada e estilhaçada em meio de cacos.
Apunhalei-me vezes sem conta, desferindo, alguns, golpes cruéis
Sem um motivo que sustentasse a razão do porquê,
Apenas com o dom de curar falsamente uma alma machucada.
Refugiei-me do mundo, e no mundo perdi o direito de viver
Ai, ninguém compreende o que fiz nem o que senti, insana sou!

Ana Sofia Cruz, 16 anos, Porto 

Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras

Ilusão

Acordei cedo.
Invisível, mas acordei.
Mansamente, soprei-lhe ao ouvido.
Oportunidade única para me aproximar.
Tanto gostaria de reatar laços desatados!
Pousei-lhe terno e frágil beijo no pescoço.
Estremeceu, tocado por essa brisa imaterial, levemente soprada.
Foi como música que lhe fez dançar as emoções.
Sonhei ou delirei quando flutuámos, ambos, nas nuvens de seda?
Atravessámos fronteiras, entre o céu e a terra, e acordei definitivamente.

Tão amarga se tornou a fantasia, em fumo se desfez minha ilusão!

Ana Paula Oliveira, 53 anos, S. João da Madeira 
Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras


As saudades

As saudades
São só tuas!
E perdida me enfeitiço
Na loucura desse adeus silencioso
Que em mim insiste em viver.
Já nada consigo escrever, porque sem ti
Nada sou, e quando contigo estou desconheço-me, reconstruo-me.
É fácil, talvez demasiado simples: ficas comigo ou morro!
Palavras incertas, precárias de um coração sem esperança e convicto.
E perdida continuo nas saudades desta loucura desmedida de quem vive
No amor e com ele, com amor e sem ti, reflito dolorosamente!

Ana Sofia Cruz, 16 anos, Porto
Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras

Tenho pressa

Tenho pressa.
Pressa de viver.
Sinto o tempo fugir.
Mal começa, o dia acaba.
Mais um dia sem ser eu.
Fazendo o que não amo e sonhando.
Sonhando com o que amo e não faço.
E mais um dia percorro, sentindo-o vazio, sem graça.
Falta-me coragem de rodar a baiana, dizer o que penso.
Apaixono-me pela vida, mas sou cobarde demais para viver esse amor.
Assim, o tempo vai fugindo, eu correndo, e a vida me esquecendo.

Quita Miguel, 54 anos, Cascais

Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras

Sem te dizer tudo, digo-te muito

Sem o primeiro do conjunto que tem fim em «Z», um texto sugeriu sensível mulher, que se escrevesse. Ui! Difícil. Terrível mesmo. Novelinhos e novos novelinhos no entendimento e tudo fugidio. Por fim:
Tu sempre longínquo de mim. Eu invoco-te com um grito silencioso e inocente, profundo, sem fim, pois o eco devolve-me o teu silêncio e o meu tormento… (persiste).
Entendi tudo. Como resistir e sorrir? Sinto-me infeliz, como seguir? Sem te dizer tudo, digo-te muito.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A

Acorda

Acorda agora.
Abre os olhos
Ergue os braços devagar,
Como quem eleva uma prece.
Este sol, que preenche o olhar,
Inunda o teu ser de luz, cor,
Aquece a alma, derramando o azul neste mar.
Baixa os braços e  pousa  teu olhar no horizonte
Estou aqui!, vem de mansinho, vem por entre os dedos,
Vem tecer os meus sonhos, no verde debruado dos meus olhos.
Acorda… olha em frente, segue teus passos, a vida segue lá fora.

Noémi Reis   

Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras

30 julho 2014

Programa Rádio Sim 311 – 30 Julho 2014

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Faminto...
Biscoitos de aveia com leite, 
Cafezinho, algum chá,
Torradas quentes com manteiga,
Mmm, quero é lanchar já! 
 
Está toda a gente convidada,
Para se quiser aparecer,
No maior lanche da parada,
E onde é tudo para comer!  
 
Vai ser muito divertido,
Tudo parece uma delícia,
Só não sei se haverá médicos  
Para curar as dores de barriga! 
 
Acho que é melhor não virem, 
Estou a ficar esfomeado
E faminto como eu estou, 
Como amargo, doce e salgado!

Joana Peres, 12 anos, Castro Verde 

Um convidado

Resolvi convidar o ator Aleluia para passar o dia comigo. Pela manhã fiz um sumo de romã com muito amor, ficou delicioso.
Para almoço preparei um apetitoso guisado de pota fazia crescer água na boca, eu tapo sempre o tacho
A seguir servi um pato recheado com castanhas e diversas carnes picadas uma delícia.
Na rota ao Alentejo trouxe queijo de Serpa já roído pelo rato e, um ramo de flores
Para o meu convidado, peço-lhe desculpa.

Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa
Desafio RS nº 14 – três trios de palavras em anagrama


O amor encontrou-me

O amor
Será ele complicado?
Quando será ele suficiente?
Como saber quando isso acontece?
Todas essas dúvidas surgem em catadupa.
Quantas mais dúvidas surgem, mais parecem surgir
Não sei o que é o amor verdadeiro.
Será aquilo que sinto em mim amor de verdade?
Desisti de o entender, desisti de o encontrar. Desisti, chega.
E de repente tudo mudou, agora sei que não precisava procurar.
O amor encontrou-me a mim, sempre esteve comigo, e trouxe-te como presente.

Paulo Renato, 39anos, Maia
Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras


Por aqui?

– Olá, sou o Filipe. Como te chamas? Nunca te vi por aqui.
– Olá, sou Carlota. Estou cá pela primeira vez.
– Se quiseres mostro-te a vila...
– Já dei a volta aos locais mais importantes, mas obrigada.
– Anda, vou mostrar-te as piscinas naturais na praia.
– Agora não posso. Tenho de ir com o meu pai às compras, mas logo passeio contigo.
– Combinado! Às cinco estou neste mesmo local à tua espera.
– Até logo, Filipe.
Partiram, então, em direcções opostas.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 12 – uma palavra que aparece meia-dúzia de vezes, pelo menos

Um encanto

Que ideia!
Há pessoas fabulosas
Tanta criatividade e sabedoria
Exalam o perfume das rosas
E transmitem paz, luz e alegria
Com elas o mundo sorri, é diferente
Tenho por elas respeito, admiração, e amizade ardente
Venham conhecer a nossa brilhante escritora, Margarida Fonseca Santos
As 77palavras, os desafios, os seus exemplos, os seus contos
Aqui aprende-se muito e minha boca fica aberta de tanto espanto
Eu por mim estou rendida, são um contentamento, são mesmo um encanto

Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos Lisboa

Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras

Uma brisa

Uma brisa
Fresca no horizonte
Uma aragem e vento
Que nos toca e verga
Começo agora a senti-la mais forte
É robusta, revolta, sonora, fria e atlética.
O cheiro a maresia intensifica-se e o Sol
Esse, deixa-nos por momentos dando lugar a nuvens baixas.
Ao fundo, um barco à vela veleja sem notar alteração.
Por fim, contemplamos este quadro diferente, pintado de fresco: cenário real!
Vale, pois, a pena o cortejo do alegre passeio mágico, místico, matinal.

Ana Mafalda, 44 anos, Lisboa

Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras

Momentos de tensão

Na praia
Fazia lindo sol.
Vontade de  passeio diferente.
Saem, pegam ônibus. Ponto final!
Lá, para até praia chegar, moto-táxi!
Pegar ou largar, única opção para chegar!
Sessenta cinco anos na "garupa", sobe na moto.
Era sua primeira vez naquela situação – velha de moto?
Pobre motoqueiro, por uma semana no mínimo, certamente, lembrará dela!
De medo, ela tentava dirigir, frear, girando o pescoço do infeliz!
Ela venceu medo, chegou à praia, curtiu dia, mas precisava ainda  voltar!

Chica, 65 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil  
Desafio nº 71 – frases de 2 a 12 palavras


Um convidado

Resolvi convidar o ator Aleluia para passar o dia comigo. Pela manhã fiz um sumo de romã com muito amor, ficou delicioso.
Para almoço preparei um apetitoso guisado de pota fazia crescer água na boca, eu tapo sempre o tacho
A seguir servi um pato recheado com castanhas e diversas carnes picadas uma delícia.
Na rota ao Alentejo trouxe queijo de Serpa já roído pelo rato e, um ramo de flores
Para o meu convidado, peço-lhe desculpa.

Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa

Desafio RS nº 14 – três trios de palavras em anagrama

Desafio nº 71

Vamos escrever um texto com a seguinte estrutura: 
cada frase terá mais uma palavra que a anterior, sendo a primeira de apenas duas palavras. 
O texto termina na frase com a frase que tem 12 palavras (J). 

Ou seja, fica com este aspecto:
A a.
A a a.
A a a a.
A a a a a.
A a a a a a.
A a a a a a a.
A a a a a a a a.
A a a a a a a a a.
A a a a a a a a a a.
A a a a a a a a a a a.
A a a a a a a a a a a a.


O meu ficou assim:
“É simples.”
Disse-te isto assim.
Tu ganiste sem razão.
Virei-te as costas, tu detestas.
Avancei corredor fora, quase sem hesitar.
Só nesse momento acordaste, correste como louco.
Imitei-te, divertida com a cena, e tu desesperaste!
Uma correria danada, tu a ladrar, eu a rir.
Quando chegámos ao jardim, deixei-me cair na relva, e tu…
Bem, tu achaste que era o teu momento, estavas tão feliz.
A cauda no ar, num frenesim disparatado, eu a rir, toda lambuzada.

Margarida Fonseca Santos, 53 anos, Lisboa

29 julho 2014

Programa Rádio Sim 310 – 29 Julho 2014

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Ah, era um ouriço, fiquei mais descansada!
Ah, que susto, nem imaginam!!! Aquele som, que se ouvia,
era assustador, e eu não percebia quem o podia fazer.
Um leão, não era de certeza… Seria então uma cobra? Um
Ouriço?! Estava a delirar, já se vê, era tudo mentira…
Fiquei quieta, a pensar que aquele fruto da minha imaginação
mais uma vez me distraíra. Voltei ao trabalho, queria ficar
descansada, acabá-lo. E não é que o som voltou?! Bolas!!!
Margarida Fonseca Santos

Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras

1992

66 – dois algarismos combinados
em adição açucarados
transformam os turnos em diurnos ou nocturnos (12 horas);
66 – de pernas para o ar
todas as estações do ano
conseguem metamorfosear (12 meses)
99 – de pés assentes na Terra
são nascituros gémeos da Vida Humana
após 9 meses e mais 9 de gestação
surge a criança do embrião
8 + 1 é a inversão
da maioridade em acção!
E eis o resultado final
Ano 1992:
A Nova Desordem Mundial


Ana Mafalda, 44 anos, Lisboa

Esquecer o passado

Afogara-se. Primeiro no êxito de uma carreira de sucesso; depois, no álcool. Ela não suportou a descida aos infernos, nem tentou compreender os seus motivos. Foi mais fácil fugir.
Lembrava-se da luta travada no tribunal: palavras azedas trocadas, roupa suja esfregada, vidas negociadas não mais reconstruídas.
Agora, ali, no atalho da sua vida, experimentando saudades, tentou apagar o passado mas as memórias não o largavam. Voltou a beber, para se distrair.
Então, esquecido, deambulou sozinho, vereda fora.

Ana Paula Oliveira, 53 anos, S. João da Madeira 

Desafio nº 70 – frase de palavras obrigatórias 

És pássaro no bosque

Início de tarde, tu não vens
Meu amor, esqueceste o prometido
O céu está coberto de nuvens
Sei que de mim te deves ter esquecido
Vou atear o fogo à lareira
Vou ficar a bordar o pano de linho
Ficar ao lume vai ser a minha desforra
Digo-te para que tenhas conhecimento
Deixo a porta aberta, e adivinho
O ligeiro e leve voar do passarinho
E sem hesitação fiquei estanque
Tinha pensado, que vinhas dar-me teu carinho

Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa

Desafio nº 69 – lista de palavras, onde se inclui desforra

28 julho 2014

Programa Rádio Sim 309 – 28 Julho 2014

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Arroz doce
Numa panela, em lume brando, verto o leite com o arroz carolino, e sem esquecer o açúcar, nunca paro de mexer até ferver. Vou adicionar, ainda, um pauzinho de canela e umas raspas de limão.
Já alcançou o seu ponto. «Cheira bem!», diz a vizinha, que está subindo a escada.
Cozinhar para a família é uma prova de amor. Quando sai bem: pedem mais! Se sair mal: comem à mesma! Um toquezinho de canela ajuda a dissimular.

Faísca Maria, 57 anos, Faro
Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras

27 julho 2014

Lugar do coração

Experimentando sozinho, o que já tinha pensado fazer acompanhado, lá fui por um caminho incerto e esquecido.
Na verdade não era um caminho.
Era uma vereda escura e estreita.
A incerteza apareceu, o medo apoderou-se, o coração bateu tão forte que parecia querer salta para fora.
O meu corpo hesitante deambulou por breves momentos.
As saudades trouxeram-me de volta.
As ideias foram reconstruídas e as certezas enraizadas.
Este era o lugar do meu coração!
O meu Portugal!

Isabel Franco Cabral, 39 anos, Lisboa

Desafio nº 70 – frase de palavras obrigatórias 

Não há direito

Não é aceitável o que o governo está a fazer ao reiterar não vacilar em relação aos descontos aos funcionários do estado. Partindo deste princípio, amanhã não vai haver dinheiro para um copo de leite, e o pior é que não vai tudo a eito, segundo este conceito são os pobres que pagam a maior fasquia. Ontem debrucei-me no parapeito e senti-me mal, fui de imediato para o leito, sonhei que o ministro não será mais eleito.

Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa
Desafio nº 67 – 8 palavras com EIT

Regresso

As saudades há muito que se deixavam esboçar. Apesar da distância, não houvera um dia que se tivesse esquecido do cheiro e da luz da sua terra.
Sozinho, deambulou pelos enormes corredores daquele aeroporto, relembrando imagens reconstruídas, experimentando as emoções dos dias que o aguardavam. Mal chegasse, haveria de correr vereda fora, galgando distâncias, deixando para trás as pedras do caminho que tão bem conhecia e que há muito o haviam deixado de conduzir às suas gentes…

Graça Pinto, 56 anos, Almada
Desafio nº 70 – frase de palavras obrigatórias

26 julho 2014

Até o sol nascer

Angustiado e triste
Esquecido do seu Mar
Deambulou sozinho vereda fora
Trilhou caminhos errantes
Encantou-se com paisagens inóspitas
Contemplou a mente
E, com uma energia fulcral positiva,
Inverteu o percurso
Experimentando saudades reconstruídas
da Água, do Sal, do Mar...
Sonhou com a harmonia musical marítima
Fechou os olhos, sentiu:
arrepios gritantes,
carícias estonteantes,
Abriu o olhar re-inaugurando um quadro paisagístico
Pleno de quietude
Repleto de essência mística
E a solidão desapareceu
A humanização floresceu

O Sol nasceu...

Ana Mafalda, 44 anos, Lisboa
Desafio nº 70 – frase de palavras obrigatórias 

Não se pode explicar

Filosofia, a arte de pensar, pensando que pensamos sem sequer pensar o que realmente é pensar! E será a humanidade realmente capaz de pensar?! Ou apenas atira pensamentos para o ar à espera que alguém pense em pensar? De tanto pensar, já nem sei no que estava a pensar! Já nem a pobre da palavra "pensar" sabe o que pensar! Pois penso que por aqui fico visto que o pensamento é algo que não se pode explicar!

Liliana Macedo, 15 anos, Ovar

Desafio nº 12 – uma palavra que aparece meia-dúzia de vezes, pelo menos

Experimentar a alegria

A aorta e a mitral foram reconstruídas com êxito, numa primeira fase. Depois vieram os transplantes compatíveis e as próteses de titânio. Não se reconhece, deita o espelho fora e fica sozinho, roendo saudades duras. Um futuro esquecido veio ter com ele através de uma estreita e longa vereda que o mato teimava em invadir. Sorriu à sua chegada, reergueu os olhos e deambulou como um ébrio, até se meter ao caminho. Agora vai, experimentando a alegria.

Graça Samora, 67 anos, Massamá, Queluz

Desafio nº 70 – frase de palavras obrigatórias 

A escalada

Mesmo experimentando a solidão, ainda não tinha esquecido quem o magoou e a quem ele magoou. Já passou muito tempo desde que partiu pelo mundo foraDeambulou pelas montanhas, sozinho, em busca de remissão. Mas as saudades dela são mais fortes. As memórias dos bons momentos são todos os dias reconstruídas. Um dia, quando menos espera, vê-a chegar, do alto da escarpa. Vem suja e cansada, mas sorridente, luminosa, pela mesma vereda íngreme que momentos antes escalara.


Carlos Alberto Silva, 56 anos, Leiria
Desafio nº 70 – frase de palavras obrigatórias

25 julho 2014

Programa 308 – 25 Julho 2014 – sem desafio

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Não adiar
Não lhe era possível não ceder. A tentação não se lhe oferecia como uma escolha, pelo menos desde que não voltara a ser complacente consigo próprio. Não conseguia resistir a tamanha atração, não se sentia com forças suficientes. Atrever-se-ia? «Não», seria a resposta óbvia. No entanto, não havia motivos para continuar, não encontrava justificações. Se não o fizesse, tudo se tornaria insustentável. Não bastava levantar-se diariamente e não pensar. Não adiaria mais. Não acordaria no dia seguinte.

Tiago Marques, 31 anos, Lisboa
Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

O adeus

No universo de margaridas e madressilvas
Cenário possível para uma conversa triste
As árvores, os arbustos e a relva alegorizavam uma alcatifa verdejante;
O Sol, esse, denotava têmpera, vigor, força idílica.
Não entendia a explicação da sua dura realidade
O casório desfez-se antes da sua consumação.
O noivo mantinha a ideia de o concretizar numa praia nudista.
O poder misterioso da sedução desfez-se no silêncio.
Sentiu-se traída pela realidade percebida.
Daí o epílogo impopular no último adeus

Ana Mafalda, 44 anos, Lisboa

Desafio Rádio Sim nº 6 – palavras tiradas à sorte do dicionário

O sol

O SOL LOGO PELA MANHÃ SEDUZ, É BALSÃMICO, OS OLhos LOgram com a suavidade dos seus raios e é GOstoso enfrentar o sol da manhã. PÉ ante pé numa LAboriosa MArcha que parece uma NHaninha do fandango paulista AS EDificantes construções de UZita de cor EBóreo brilham e parecem dançar ao som do ALaúde.
SÃ, salutar MIsterioso e opulento o sol, entra em todo o lado, resplandece, faz-nos brilhar e faz sorrir mesmo o mais COlérico indivíduo.

Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa

Desafio nº 38 – partindo de uma frase, utilizar os pares de letras desta para o texto

Chegaria?

Fiel o amigo de uma vida!
Perdido, sozinho, esquecido, de olhos fixos na vereda que se alongava, cismava.
Onde estariam os donos, os seus melhores amigos?
Agarrado à esperança, com a cabeça em rebuliço, ainda pensava, foi sem querer.
Ficou, esperou, deambulou, o tempo passou e ninguém voltou.
Libertou-se do medo que o tolhia e comeu os restos da merenda espalhados.
Com as imagens reconstruídas, experimentando a força movida pelas saudades, partiu mundo fora.
Chegaria a casa.


Goretti Pina, 52 anos, Odivelas
Desafio nº 70 – frase de palavras obrigatórias 

24 julho 2014

Programa 307 – 24 Julho 2014 – Desafio RS nº 6

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O casório
Após outra volta à alcatifa sentou-se.
Timóteo, homem de têmpera difícil, não percebia como fora possível cair numa coisa destas!
Aquela mulher dera-lhe a volta à cabeça, só podia! Olha que concordar num casório numa praia nudista!!! Só podia ser falta de miolo!
Agora andaria na boca do povo, logo ele que gostava de ser impopular!
Nunca iriam esquecer tal coisa, nem no último adeus!
Até via a lápide: Aqui jaz Timóteo, o homem que casou nu.

Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas
Desafio Rádio Sim nº 6 – palavras tiradas à sorte do dicionário