20 julho 2015

A clarão da democracia

As manchetes sucediam-se num charivari irreflectido. O alarme grave do bom senso disparava, mas sempre uma frágil ortodoxia se sobrepunha. Passava o tempo sem que aquela parte do mundo afirmasse sem enviesamentos o seu indisfarçável temor. O europeu mais lúcido percepcionava o fim da ilusão que em poucas décadas inebriou a sua geografia exemplar. O clarão da democracia e da paz permitiu-lhe os mais arriscados cinismos, os mais desvelados descuidos. Até que a porta bateu. Com força.

António Correia de Matos, 29 anos, Lisboa
Desafio nº 94com clarão, porta a bater e ilusão


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