12 julho 2015

Apenas para mim

Sentei-me calada, secreta, para ver nascer a frase certa.
Pedra a pedra, letra a letra, assim era e se espelhava.
Sílaba a sílaba, palavra densa, inventada, chama dessa claridade.
Sibila, mítica feiticeira, hera das paredes, simples vegetal, perene manhã,
Escreve, descreve, prescreve, salta, grita e canta.
Alma etérea, imagem permanente na escrita criativa.
Risca, semeia, lança na terra, sem lágrimas nas faces da vida,
A brisa trará mais tarde a clara ideia da planície, apenas para mim.

Alda Gonçalves, 47 anos, Porto
Desafio nº 93 – escrever sem O nem U

Sem comentários:

Enviar um comentário