20 julho 2015

Viagem

Olhava o céu todas as noites àquela mesma hora e sentia-se invadida por uma súbita paz. Era certamente um cliché, mas nem queria saber. Batia a porta e ficava ali, no escuro, junto à janela. Desperta para os sons do vento e das folhas volteando pelo ar. De vez em quando um clarão de luz na estrada, entrecortado pelos arbustos dava-lhe a ilusão de partir num grande barco, numa longa viagem. E era bom. E deixava-se ficar.

Paula Coelho Pais, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 94com clarão, porta a bater e ilusão


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