31 março 2015

Programa Rádio Sim 479 – 31 Março 2015

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Palavras ilimitadas
Então tá.
Exercício é escrever com algumas limitações.
A escrita livre é fluidez do pensamento.
Inspiração é respiração.
Escrever é criar asas, alçar voos.
Flutuar no azul.
Azul piscina.
Escrever-sonhar.
Então tá.
Ilimitar o limitado.
No papel, enfeites, cores da alma...

Contar palavras,
Contar desejos,
Letras acalentar.
Então vamos escrever fatias, doses de poesia.
E fazer rimas dedicadas à alegria
Exercitando fantasias,
Que tal ser feliz todo dia?
Com 2, 3, 6 ou 7 palavras.
Pois que seja...

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Desafio nº 72 – frases de 2, 3 6 ou 7 palavras

Comandantes em liderança

Globalização tenta salvar Democracia realizando ponte entre Países.
Será democracia, armadilha ou variações do mal?
Arte de governar bem é prolongamento do rio da consciência política.
Competente, inovadora, criadora é política autônoma. Autônomo, num Estado internacionalizado?
Como fazer cada um à sua maneira, se o estado de sucesso é cabra cosmopolita?
Venha, o campo é bucólico. Só não pense que é fácil ganhar dinheiro.
Afinal, cabra não tem ambiente próprio, faz parte do mercado que pede mudanças.

Renata Diniz, 39 anos, Itaúna/Brasil
Desafio nº 87 – ponte, rio, cabra


Na velha ponte

Combinamos encontro na velha ponte. Mais uma vez acreditei em ti, porque me perco sempre nas tuas palavras... Cheguei cedo demais para quem espera por uma ausência. O único som era a voz da água e a chuva que inundava a minha alma.
Foi então que vi a cabra. Percebi logo que estava perdida, sem rumo nem norte e revi-me nela, amargurada. Mas eu era livre para escolher o meu destino e parti num caminho sem volta!

Isabel Lopo, 69 anos, Alentejo

Desafio nº 87 – ponte, rio, cabra

30 março 2015

Programa Rádio Sim 478 – 30 Março 2015

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Olhos
Hoje, apeteceu-me o carinho
dos teus olhos.
Apeteceu-me o toque
dos teus olhos no meu pescoço,
nos meus ombros.
Apeteceu-me ainda mais
a carícia dos teus olhos 
nos meus,
o veludo da tua íris
a passear assim,
um rasto 
aterrando suavemente
por mim acima,
perdido talvez 
nos sussurros das árvores,
recuando até aos deuses
que nos foram esquecendo,
na sua truculenta escapada.
Talvez hoje a brisa dos teus olhos,
o teu devoto cuidar
sejam memórias sentidas,
apenas.

Jaime A., 50 anos, Lisboa

Publicado aqui: http://soprodivino.blogspot.pt/2015/02/olhos.html#links

Cabra!

Olhou as instruções uma última vez, antes de escalar o pilar da ponte e dar execução ao plano. Depois, ocultou-se no arvoredo, aguardando o momento de agir.
Um arrepio percorreu-lhe o corpo, num misto de frio e excitação, quando a viu iniciar a travessia. Ansiava pelo momento de carregar no detonador e mandar tudo pelos ares. Nunca mais ali passaria. Mas ela parara a meio, impedindo-o de executar o plano.
«É mesmo uma cabra!», pensou.
Não esperou…

Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Desafio nº 87 – ponte, rio, cabra

A ponte

Uma ponte, dois extremos: Juca e a família.
Parece ter sido construída mostrando que poderiam transpor o rio, se aproximar.
Durante várias estações ela existiu, sendo apenas atravessada pela família, que o tentava chamar... Ele atravessava quando algo lhe faltava.
Certo dia, atravessou-a para dizer que, sem as menores condições, seria pai.
A família, como uma cabra, de cá pra lá, ajuda e víveres. Ele aproveitava-se do bom coração da família, que esperava a primavera com esperança!

Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Desafio nº 87 – ponte, rio, cabra

O ardina

Chico ardina, famoso, dá brados, grita:
– Notícias! Olh’ó notícias! Boas… notícias novas!
Na calçada da lota rivaliza com o brado da varina:
– Olh’á sardinha “biba”.
Rua acima larga os jornais na porta da tabacaria. Compra a raspadinha, fica rico, alcança a fama.
Audaz, apanha o comboio. Vai partir.
Viaja. Olha o mundo nos matutinos.
A sacola vazia acompanha-o nos sonhos, na vida.
Acorda do sonho, o jornal guarda ainda o grito do último ardina da Lisboa gaiata.

Alda Gonçalves, 47 anos, Porto
Desafio nº 86 – Chico ardina sem E


Desafio nº 87

Desafio nº 87 – dia 30 de Março

Dou-vos hoje uma situação:

Inverno, um rio de corrente forte e uma ponte romana a ligar as margens. 
A meio da ponte, uma cabra pára, hesitante.

Que história é esta?
Nota: a imagem pode ser considerada como metáfora, assim como cabra

A minha saiu assim:
A ponte, posta para ligar a tua margem à minha, existe mesmo, ou apenas apregoas que sim para esconder a culpa pelo inverno em que me deixaste? No momento em que soltaste esse rio de dúvidas, inundaste a minha serenidade de loucura. Quem sou, afinal? Talvez uma cabra tresmalhada, habituada a engolir tudo, apenas pensando depois, já sem hipótese de retorno, engasgada pela hesitação. Passo então para o meu lado onde, a sós, talvez recupere quem sou.


Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 87 – ponte, rio, cabra

27 março 2015

Programa Rádio Sim 477 – 27 Março 2015

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Churrasco no Acampamento
QUINTA – EQUIPA – VERMELHA – MERCEARIA – CHURRASCARIA

A equipa de futebol da minha escola vai acampar numa quinta perto de Lisboa. Quem me dera estar lá. Ouvi dizer que iam fazer churrasco… Mmm…  Iam ter um atelier de cozinha, para ensinar que “o churrasco está no ponto quando a carne fica vermelha”. Mas, esqueceram-se de comprar a carne! Eu queria ser super-heroína, fui a correr até à mercearia e comprei a carne.
Fui eleita capitã de equipa por unanimidade, e… quase que abri uma churrascaria

Maria Leonor Moura, 11 anos, Santa Maria da Feira
Desafio nº 84 – sílabas de QUINQUILHARIA

26 março 2015

Programa Rádio Sim 476 – 26 Março 2015

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Frágil
Não me aches frágil quando choro 
É o amor que transborda pelos meus olhos 
Não me aches frágil quando me isolo 
É nessas alturas que alguém está comigo em pensamento 
Não me aches frágil quando os meus olhos denunciam a mentira do meu sorriso 
É porque não sei mentir 
Não sou frágil, sou maior do que a simples existência pode comportar 
Um tudo ou nada maior do que deveria ser 
Um tudo ou nada além de mim… 

Regina Quarenta, 44 anos, Lisboa
Mais história aqui: http://srotulo.blogspot.pt/ 

25 março 2015

História da minha sacola

Noutro dia, o Chico ardina dos jornais visitava a salina com a sua sacola (a qual não largava).
Olhava a água pura, a flor do sal, os pássaros.
Um puxão brusco assustou o coração, surripiando-a.
Anos a trabalhar, nacos jornalísticos, palavras cronicistas “voaram” da sua visão.
Mas, um rasgo luzidio abrilhantou o sumiço: construir com o agora vazio um livro titulado “história da minha sacola”, canonizado da litania paradigmática do passado laboral lapidado num futuro não mortal.

Ana Mafalda, 45 anos, Lisboa

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

Ladrão!

– Ladrão!
O antigo ardina vai rua abaixo a gritar: – Ladrão!
Coitado do Chico, vai a arfar…
Mas o miúdo com a sacola a tiracolo corria mais. Logo fugiu para o largo no qual a multidão o ocultou dos olhos do Chico.
Cansado da corrida forçada, o antigo ardina apoiou o corpo agitado no banco do jardim ficando a cogitar na vida passada toda contida na puída sacola surripiada. Sumida.
Assim o miúdo traquinas logrou dar às gâmbias. 

Raquel Sousa, 51 anos, Lisboa 

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

Programa Rádio Sim 475 – 25 Março 2015

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Titon e o pássaro
Era uma vez um pássaro que, há muito tempo, vivia enjaulado. A sua gaiola era extraordinariamente pequena.
Um dia, Titon, um menino muito sensível, sentiu a infelicidade do pássaro. Entristeceu-se, pois acreditava que ele desejaria voar, rasgar os céus sem limites.
Então, sentiu-se comovido, também ele prisioneiro de algo invisível, e pensou que aquela gaiola impedia a ave de sentir a liberdade.
Subitamente, o seu coração bateu com muita força. Titon abriu a gaiola. O pássaro voou... 

Luís Príncipe, 12 anos, Escola Básica de Arrifana, prof. Ana Paula Oliveira

A História de Chico e Bolinha

Chico o ardina antiquado, andava cansado. 
TÃO sofrido, muito só, vivia amolado.
Tinha sua sacola como amiga.
Os amigos logo indagavam
o motivo por tanto
cuidado
Um dia, o horror..
Chico fica transtornado, abatido, tonto,
Sua famosa sacola fora subtraída.
Tudo agora mudara, finalizara, tudo acabara...
O cuidado nada nada tinha adiantado.
Chico sofria aniquilado, o coração amargurado.
A sacola sumida? Como faria? 
Abrigava Bolinha, formosa cachorrinha.
Por Chico paparicada, toda cuidada...
Qual o glorioso final, Afinal?

Verena Niederberger, 64 anos, Rio de Janeiro, Brasil
Publicado aqui: http://meusanjosadorados.blogspot.com.br/2015/03/anjos-historia-de-chico-e-bolinha.html

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

Porfia

Gingão, castiço, disfarçado nas calças apalhaçadas, Chico, Chicão para alguns camaradas, vivia numa cómoda posição...a do único ardina do Bairro das Margaridas.  Usava ou abusava do cargo, a outros não admitindo poiso. Na altura tardia da vida ainda fazia alguns ganchos.
A sacola dos jornais foi parar a mãos maldosas, não a tornando a vislumbrar. Foi muito mau.  Agastado, passou a dar às horas uma importância nostálgica, tornando o porvir num patamar a conquistar cada dia.

Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

24 março 2015

Programa Rádio Sim 474 – 24 Março 2015

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Outra Receita
Consegui facilmente escrever uma receita completa de um bolo em 77 palavras com ingredientes e procedimentos. Claro que escolhi uma receita fácil. Se o desafio era ser exacta e sintética tinha conseguido. Depois fiquei a pensar na falta de criatividade do texto, mas consolei-me com a ideia de que a criatividade das receitas está na sua criação e não na sua transcrição. Portanto a minha receita para cozinhar é improvisar e a receita para escrever é sintetizar.

Raquel Sousa, 50 anos, Lisboa
Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras

Um curto minuto

Tinha tudo guardado na sacola transportada a tiracolo.
No passado, dali saíram jornais. Distribuídos, um a um, todos os dias, sol ou chuva, dali saíram notícias (boas, más, assim-assim).
Mas, ali ocultava algo: páginas cortadas, muitas fotos, cartas nunca mandadas. A atriz, amada toda a vida, com todo o sigilo, vivia na sua sacola.
Bastou um curto minuto. Tantos anos guardados agora roubados. Chico, o antigo ardina já inativo, viu toda a sua vida arruinada, vandalizada, sumida.

Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

23 março 2015

Programa Rádio Sim 473 – 23 Março 2015

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Quinta-feira
Quinta-feira + alquinar + quadrilha + Portinari + cervicalgia

Quinta-feira é dia de alegria para quem cansou de ser sisudo, ainda que tenha vindo de uma família alemã.
Em nome de um sonho, se pode até alquinar, vislumbrar cenas misteriosas e se abraçar. 
No circo, o palhaço dança quadrilha, faz graça e até mesmo a pessoa mais ajuizada não fica de cara fechada. 
A plateia dá risada, fica relaxada e comenta a importância de Cândido Portinari
Eles se abraçam carinhosamente e com muito alívio da cervicalgia.

Renata Diniz, 38 anos, Itaúna/Brasil
Desafio nº 84 – sílabas de QUINQUILHARIA

Ardina

Para abarcar a angústia na alma do Chico, só ouvindo a sua história. Ardina, por uns bons longos anos, distribuíra notícias boas ou más, com a ajuda da já gasta sacola. Quando abandonara o trabalho, não por opção, mas por cansaço, a sacola acompanhou-o, lavrando a biografia.
Agora, caído na calçada, maldiz o ladrão. Roubara não um comum pano, mas um bocado da história da sua vida, do dia-a-dia andarilhando nas ruas, do amor por uma profissão.

Quita Miguel, 55 anos, Cascais
Mais histórias aqui: http://quitamiguel.blogspot.pt/

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

21 março 2015

Maria...

Chico passava horas cismando na sua antiga vida. Nas ruas do bairro, viajara mundo fora...Lá, tinha amigos, vizinhos, já não falando duma apaixonada platónica! Maria vivia por cima da sua casa, mas Chico ignorava-a.
Só uma coisa o amargurava: o roubo da sua sacola. Ali continha histórias fantásticas, agora só guardadas no coração, como sonhos do passado.
Chico não sabia, mas Maria lia todos os dias bocados da sua vida, tirados do fundo da sacola roubada...

Isabel Lopo, 69 anos, Lisboa

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

Saudade

Meu amor nasceu da nossa amizade e tinha a certeza que tu sentias o mesmo.
Fiz planos para o futuro e imaginava nosso casamento na igreja Matriz. 
Mas num dia de Dezembro partiste com teu amigo Queiroz, tu querias ser Juiz mas eu não sabia que queria fazer futuramente.
Não sei se alguma vez me amaste mas por uns meses fui feliz.
Não quero fazer juízos, indagar os porquês.
Simplesmente espero sozinha mergulhada numa tristeza sem fim

Carla Silva, 41 anos, Barbacena, Elvas

Desafio RS nº 22 – todas as frases com 2 Zs

Sacola roubada...

Chico havia sido um ardina trabalhador. Com a sacola ao ombro abarrotada com os jornais da manhã cruzava o Chiado, o Rossio, o Martim Moniz, a Baixa! A sua simpatia cativava todos. Muitos amigos havia adquirido.
Mas a sacola, havia lá coisa mais linda! A sua maior jóia. Tantos anos palmilhando juntos, ruas, praças. Não a largava!
Um dia jogando às cartas no banco do jardim com os amigos foi assaltado. A sacola voara. Com amargura chorou-a.

Emília Simões, 63 anos, Mem-Martins, Algueirão

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

20 março 2015

Programa Rádio Sim 472 – 20 Março 2015

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Música desafinada
A antevisão do encontro é música que anima os meus sonhos e os dias, mas o teu silêncio é um ruído que martela, martela no meu pensamento.
Cada hora transforma-se em semanas e estas alongam-se em meses, que transbordam em anos.
A caminhada de tão longa perde o encanto, pois as dores são demasiadas, ainda que breves e fugazes momentos anestesiem mágoas, saudades. Nem tudo o tempo cura. Prolongá-lo em ausência e silêncio agiganta dores. Música desafinada.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Ovar
Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio


Chico e o amor

Chico, ao lado da vala, soluçava baixinho.
Andarilhos por ali o viam, ouviam os soluços sofridos. Inconsolado!
– Qual a causa da tua dor?
– Uma profunda dor, falta o amor!
– Como assim?
– Minha antiga sacola foi roubada!
– AH! Choras assim por uma coisa tão banal?
– Ainda banal, tinha vida! Pouco da minha vida continha!
Ali  cartas da minha Maria,  paixão por trinta anos juntos, mais oito só namorando! São tantos!
O chorou voltou a atacar, coitado do Chico!

Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 
Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

Para não cair a tradição

Chico modificava a vida árdua com trabalho.
Oficiava nas madrugadas, ganhando alcunha famosa: o trabalhador.
O garoto Chico não imaginava as mudanças vindouras.
Passou numa rua vazia para não cair a tradição.
Coisa doida: caminhar, divagar, andar por magias oriundas da caixa acima dos ombros. 
Poucas cucas, muito poucas, intimidavam a procissão.
Não adiantou, a sacola foi surripiada, roubada; não com dó. 
Sacola crua para o gatuno, mas valiosa para a formação cultural do rapaz, maluquinho ardina.

Renata Diniz, 39 anos - Itaúna/Brasil

Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

Desafio nº 86

Vamos a um quebra-cabeças?

Que tal escrever a história de Chico, o ardina reformado (estamos na década de 70) a quem roubaram a sacola (sem préstimo, mas imprescindível para si, pois está recheada de recordações). 

ATENÇÃO – terá de ser escrita sem usar a letra E!

Eu sofri, e escrevi assim:
Chico gritava:
– Roubaram a minha sacola!
Surgiu um burburinho: «Sacola?! Para um ardina fora do prazo?!»
Mas Chico continuava, os olhos num sufoco. Marília, namoradinha antiga, ouviu-o: «Tonto, vou acalmá-lo.»
– Ai, Chico, fica tranquilo. A sacola já não faz falta! Tanto alarido por uma malita antiquada!
– Foi uma companhia toda a vida. Malita antiquada, como assim?!
– Vá, Chico, tira isso do crânio!
Chico sorriu. Mãos dadas, a antiga paixão a iluminá-los. Avançaram a dois para o futuro.


Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

19 março 2015

Programa Rádio Sim 471 – 19 Março 2015

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Pássaro-azul
Se eu fosse um pássaro-azul
voaria entre as nuvens
voaria sem destino.
Só seguia o meu coração
E, também o meu caminho.
Não pensava em problema nenhum
esse seria o meu lema.
Voaria para sul, para norte e para este
sempre com desafios,
minha vida seria um teste.
Só com a minha força contaria
Pois, com ela o maior problema enfrentaria.
Era eu contra a maioria
mas ninguém me ganharia
o jogo, não é para ganhar lotaria.

Helton Cardoso, 7ºD, EB2,3 Sophia de Mello Breyner Andresen Brandoa, Amadora, prof Margarida Matias
(usando uma das 7 palavras do projecto 7 Palavras, Quantos Caminhos, palavra AZUL)

Desencontros

A Visitação preparou-se para ir ver a prima Vera. Há meses que pensava visitá-la.
E hoje o dia estava perfeito, o sol brilhava, os pássaros cantavam... a Primavera no seu melhor.
Saiu cantarolando mas regressou apagada, sua prima não estava em casa. Possivelmente decidira aproveitar o dia e foi passear, para a próxima avisaria antes.
Mal pensava ela que a prima tinha decidido nesse mesmo dia fazer a visita à São, sua prima e amiga de infância.

Carla Silva, 41 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 85 – expressões homófonas

Uma torta misteriosa

Ela é assim, surpreendente, gostosa e misteriosa. Feita com 200 g de Farinha de Biscoito de Maisena triturado, misturada a 100g de manteiga sem sal. Forre coma massa à forma removível o fundo e lados e asse 15 minutos em 180 graus.
Massa pronta preencha com o doce de leite previamente cozido (1 lata).
Em cima, 5 bananas prata maduras cortadas em rodelas.
Agora cubra com chantilly e por fim polvilhe generosamente canela. Gelada é deliciosa! Banoffe! 

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras

18 março 2015

Falta tua...

Há em mim uma falta sem fim,
De ti,
De nós dois, do tempo que passou,
Eterno indagar,
Ao tempo que correu tão breve assim,
Perfeito partilhar
Há em mim doce aroma que restou,
Impresso, cravado,
E cada imagem, sabor, vivo e tatuado.
Há saudade,
Que no peito se agiganta, desagua, derrama
E doendo
Machuca, e a alma de vazio reclama.
De ti,
Da falta que tu fazes que corroendo
Fere coração,
E assim será, sempre, infinitamente. 

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio nº 75 – frases de 7 e 2 palavras.

Programa Rádio Sim 470 – 18 Março 2015

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Ouvir música
Era uma vez uma menina que ouvia música no recreio. Estava muito
ruído à volta dela.
Ela procurava um sítio de silêncio, de paz, para ouvir a música que
tanto gostava.
O pai não a tinha deixado ir ao cinema com os amigos. Estava triste.
Com os amigos era muita a conversa e a brincadeira – o silêncio fugia – mas ela também gostava muito. Tanto que nem davam pelo "ruído" que faziam para os crescidos à sua volta.

Madalena Maçãs e João Pedro Matias, 8 anos, Lisboa, (com o apoio da professora Margarida Belchior, Escola do Largo do Leão, Agrupamento de Escolas Luís de Camões)
Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

Gato por lebre

Restou tomar sol e poeira à beira da estrada. E rogar por uma carona. É o que dá ter olhos maiores que a barriga. Quando a esmola é grande o santo desconfia.
“Dias inesquecíveis à tua espera! Vem e traz a família! Desfruta desta aprazível fazenda!”
– E o preço?
Quase de graça!
– Ainda bem que vim só. Depois do carro e objetos roubados, foi o que restou!
– Carona!
– Carona até a delegacia mais próxima! 

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio RS nº 15 – anúncio de turismo rural

17 março 2015

Programa Rádio Sim 469 – 17 Março 2015

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Conversa de comadres
– Olhe para estes, comadre Anica.
– Mãe Santíssima! Onde pensam estar?
– Credo! À mulher sobeja-lhe ouro!
– Provavelmente ele compra-lho aos montes…
– Sortuda!
– Olhe para ele, casaquinho amarelo, meia sarapintada...
– O pobre é campónio.
– A mini-saia sobe, o pudor encolhe.
– Carteira aberta...
– Minha Santinha! O primo Engrácio, comadre! A mulher saiu ontem para Espanha com a mãe.
– Sinceramente! O parvo!
– Embaraça-a constantemente, ah, miserável!
– Sebento, os pais, esses coitados, há meses sozinhos…
– O primo está chegando, acho melhor silenciarmo-nos.

Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S (começando no P)

É fato, tu sabias!

Ah, mas tu sabias!
Sabias do meu querer por ti
De cada fazer pensado
De que onde fosses, eu iria!

Sabias do sentir calado
Do peito sempre apertado
Do que por ti eu faria.
Ah, mas tu sabias!
  
E sabias do tremor
Da falta de ar, do calor.
Do calafrio que sentia
Sim, mas tu sabias!
  
Mas tu sabias de tudo
Do quanto, como, de tanto.
Do avassalar, do meu pranto.
Sim, é claro, mas tu sabias!

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Desafio RS nº 18 – frases repetidas no texto


Mil razões

André não sabia como chamá-la. Era a primeira vez que serviria uma Pastora. Estava nervoso.  De repente a porta abriu. Parecia uma figura cativante, simples, elegante. Meio a um amplo sorriso falou:
–  Boa tarde André! Obrigada por ter aceitado meu convite!
– É uma honra trabalhar com. é... É... É... (  )
– Calma, André, me chame Pastorisa. Meus pais chamam-se Adamastor Isabela, o P, bem, foi uma ideia de papai, que sonhava ter uma filha pastora!

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Desafio nº 65 – chamavam-lhe Pastorisa