30 setembro 2015

Desafio nº 99

Gostava de vos desafiar a fazer isto:
encontrar 8 a 10 palavras que contenham este pedacinho:
ATRO

Pode estar em qualquer parte da palavra, há muitas.
Depois de escolher essas dez, incluam-nas no vosso texto.
Divirtam-se!!!


Eu escolhi umas e escrevi assim:
Eles eram quatro, dois rapazes, um cão e uma matrona, filha da patroa. A rapariga atropelava-os nas suas atrozes brincadeiras, patrocinada pela mãe. Quem os via, dizia que aquilo era o anfiteatro do sofrimento que teriam pela vida fora. Brincadeiras sem nexo, regras à matroca (que davam, sempre a vitória à matrona). Perante tal atrocidade, o cão revoltou-se, mordeu-lhe a canela e desafiou-a. A miúda, em fúria, atrofiou de vez. Dissolveu-se o grupo e salvaram-se os rapazes.
Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 99 – 8 a 10 palavras com ATRO

(Re) viver

Cabelos brancos, corpos curvados, seguiram o trilho, outrora debruado a miosótis e margaridas, agora com ervas daninhas. O portão descaído mas com brio de guarda à casa deixou-os entrar.
A escadaria onde as tardes de estio se faziam acompanhar de risos de crianças, agora estava silenciosa. Helena e Cristóvão olharam num esgar ternurento o sofá onde os serões se passavam de eterno amor, mãos entrelaçadas. A casa da aldeia voltará a  viver. A casa voltará a sorrir!

Arménia Madail, 56 anos, Celorico de Basto
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves


Programa Rádio Sim 608 – 30 Setembro 2015

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Ralações
Esta tarde, o Leonardo come o melão na sala de estar. Está calor! A mãe rala-se: "Não podes entornar nada!..." O cão morde o pé do Leonardo e ele, com medo, entorna a polpa do melão. A mãe entra na sala e ele salta para se esconder, mas não tem tempo. A mãe começa a correr atrás dele, tropeça e estatela-se no tapete. Não parte a perna, ao acertar no melão.
Perdoa ao Leonardo e permanecem contentes!

Alunos da turma 5 do 4º ano da EB de São Domingos, Agrupamento Alexandre Herculano de Santarém, prof M do Céu Ferro
Desafio nº 8 – crise de letras; usar só  E  O  T  R  S  P  L  M  N  D  C

EXEMPLOS - desafio nº 99

Discuti com a patroa e decidi vaguear sem companhia para aliviar a mente. Os quatro anos de união com aquela matrona já parecem mais de quatrocentos! Entrei no teatro sem perceber como e aplaudi uma peça patrocinada por um champô manhoso e representada por amadores que se atropelavam no texto… que atrofio! Livrei-me daquela atrocidade assim que pude e voltei à rua, enfiei-me no meu velho Patrol e, sem olhar para trás, procurei um futuro mais sorridente.
Catarina Azevedo Rodrigues, 42 anos, Venda do Pinheiro

Que espectáculo
O espectáculo prometia. Na confusão da fila, com alguns atropelos, isto às quatro horas da tarde, lembro a matrona à minha frente, com ar de patroa, vaidosa e atrevida e com despeito e atrocidade acabou por atrofiar a senhora da bilheteira, que deu por encerrada a venda de bilhetes cuja verba revertia a favor “Sim à indignação” e esta senhora era contra as organizações que a tinham patrocinado. O anfiteatro não comportava comportamento tão mesquinho e atroz.
Maria Silvéria dos Mártires, 69 anos Lisboa

Abatro o desafio pegando no matelo. Batoteiro, o “r” salta-me da ferramenta, devassando o verbo “abater”. Este ficou abatido, atordoado, sem poder ficar atroando, falar depressa com estrondo, quais relâmpagos fazendo faísca ardente, trovões atrovoando sem asas, atroz neologismo de trovoada chovendo, com asas brancas de albatroz ao vento atro, que traz a palavra “escuridão”. Sou patroa deste texto sonolento, perfumado com atropa belladonna, que, por ser coisa em mim tão natural, vai atropelando os quatro elementos.»
Vera de Vilhena, 46 anos, Mafra

O meu dia começou de forma ímpar, e mal cheguei ao trabalho o meu patrono pediu-me para fazer um quatro, depois de eu ter sofrido um atropelamento, perto da avenida central da cidade. Eu não queria atrofiar, mas os funcionários da câmara estavam a alcatroar a estrada, o trânsito estava atroz, e eu estava atrasada para as minhas aulas de teatro e teleteatro. Como se isto não bastasse lembrei-me das atrocidades cometidas, contra um albatroz, na Marina.
Elsa Silva, 34 anos - Arco da Calheta, Madeira

Que TEATRO ATROZ aquele! Fingir que se apaixonara pelas QUATRO só para se divertir... Brincava com os nossos sentimentos, ATROPELAVA-NOS a vida, ATROFIAVA-NOS  os corações. A  nossa amizade ia definhando a pouco e pouco. Infelizes com tamanha ATROCIDADE, fomos PATRONAS de uma brilhante ideia. Fingindo ser uma de nós, combinámos encontro com ele. Mas foi uma MATRONA horrível que apareceu. Tamanho foi o susto com aquele ATROPELO que quase precisou de apoio PSIQUIATRO. Agora, sim, estávamos vingadas!
Isabel Lopo, 69 anos, Lisboa

Vida de gado
Pão e circo. Assim vivia aquele povo. Fome atroz, infinita pobreza entre o material e o espiritual, atropelados pelas mazelas da vida. Pouco ou nenhum trato, como seu um trator passasse esmagando suas relés ilusões. Escravos de maus patrões, humilhados por suas patroas.
A vida parecia um erro, um atropelo.
Nada de representações, teatros,
Tudo era vida real. Seca, sem qualquer patrocínio.
Somente dores advindas das atrocidades.
Vida de gado. Povo marcado, pouco ou nada feliz...
Destino...
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Pedra, Macho, Erva
Fazendeiro, colonialista na terra que o viu crescer atronchado ao maratro.
Atroz na maldade, inerte na inteligência, exibia vergonhosa escravidão.
Às vezes, tudo parecia se resumir à patrocínios emprestados.
Desconhecida ou mutilada, a figura atropelava tudo dito.
Atroava, desde menino, sertões, campos e serrados.
Na capela, suas pernas atrofiavam.
No teatro, era um perfeito exemplo que recusava ajuda.
Esperou a morte e foi anunciada no radioteatro.
Acabou encarcerado, julgado, atropurpúreo, enterrado na capela que o viu crescer.
Renata Diniz, 39 anos - Itaúna/Brasil

Uma noite de teatro
A família Quatrofolio tinha o costume de ir ao teatro.
Entradas, lanchinho e condução tudo patrocinado pela patroa Valdete.
Os Quatrofolio eram muito divertidos.
No anfiteatro a conversa estava animada...
Valdete, a Matrona, atropelava a todos. Só a sua voz era ouvida...
O espetáculo, enfim, começou.
Os quatro integrantes da família estavam fascinados.
As bailarinas dançavam com maestria.
A música era envolvente.
Aplausos e mais aplausos eram ouvidos. 
De repente, Patroa Valdete saiu veloz...
Oh enxaqueca atroz!!!
Verena Niederberger, 64 anos, Rio de Janeiro - Brasil

Vocação atrofiada
Era uma vez um grupo de jovens que estudavam teatro.
Eram em número de quatro.
Andavam atrás de patrocínio, era uma luta atroz!
Viviam em reunião, um atropelamento de ideias lhes vinha até que o cerco foi-se fechando.
Conseguiram uma participação no teleteatro local e, embora de pequeno porte numa representante, foi deveras importante para a carreira iniciante de cada um.
Um dia, finalmente, embarcaram no anfiteatro!
Sonho realizado, ideias encaixadas...
Nada de atrofiar uma verdadeira vocação.
Roselia Bezerra, 61 anos, Rio de Janeiro, Brasil

O Gato das Botas
Tinha quatro anos e ia pela primeira vez ao teatro. Órfão, vivia no patronato Santa Isabel, uma instituição com quatrocentos anos. Os bilhetes para o espectáculo tinham sido patrocinados por um empresário, Dr. Catroga.
Excitado, fez tudo à pressa. Atravessou a estrada a correr e…foi atropelado. Chorou, principalmente porque devido ao atropelamento poderia perder “O Gato das Botas”. Que atrocidade! O médico prescreveu fisioterapia para evitar atrofia muscular e disse-lhe:
– Pronto para o espectáculo?
Sorriu alegremente.
Margarida Leite, 46 anos, Cucujães

Josefa, a matrona da aldeia, era possessiva. Há quatro anos conseguira licença para montar um teatro. Sem ajudas e à matroca, resolveu fazer tudo sozinha. Recusou o patrocínio do presidente da junta. Teatro Albatroz, que nome mais estranho! O anfiteatro era esquisito, ficava virado de costas para o palco. Era uma atrocidade desperdiçar aquela oportunidade. Sem querer, claro, José atropelou Josefa, que foi ensaiar para o céu. Uma solução atroz, mas resultou! É uma história. Não atrofiem!
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Depois de ter perdido o patrocínio, a sua vida deixou de ter sentido. Atroz, a dor da desilusão!
Sente-se a cair de quatro, como se tivesse sido atropelada por quatrocentos camiões, atrofiada das ideias. Como albatroz preso, sem saída, é este o seu estado. Ficou de asas caídas sem força para enfrentar vendavais.
Neste mundo comete-se tanta atrocidade!
Decidiu sair. É melhor espairecer para não enlouquecer porque o futuro vislumbra-se negro como estrada alcatroada. O teatro animá-la-á!
Ana Paula Oliveira, 55 anos, S. João da madeira

Quatro à matroca
Numa noite de atroada, quatro amigos andavam à matroca pelas ruas da cidade. Decidiram formar uma companhia de teatro. Como não tinham um tostão andaram a noite toda a cometer latrocínios. Já com dinheiro na mão, contrataram um patrocinador e agendaram a primeira função. Mas, chatice, o protagonista tinha umas dores enormes na catrofa. Como sofria de iatrofobia, consultaram na wikipédia e descobriram um remédio feito com natrólito e vinho do Porto. Resultou! Tiveram um grande sucesso. 
Jesús del Rey, 46 anos, Salamanca, Espanha

Chiu!
Ao ver os quatro rufias de faca em punho, o patrono despertou para a realidade – havia que manter a boca fechada sobre o atropelamento que testemunhara.
Situação atroz, aquela de ter de permanecer em silêncio, menosprezando o morto, logo ele, um defensor da lei.
Atroavam, ao longe, as sirenes, anunciando a chegada de uma catrozada de polícias, enquanto o advogado se perdia em considerações: Acidente? Latrocínio? Vingança?
Mas, depressa percebeu que só lhe restava cavar sem atrofio.
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Estávamos em vésperas de estrear a peça e ainda não tínhamos patrocínio. Era atroz o nosso sofrimento. Parecíamos atrofiados e era um vaivém no teatro que só visto. Todos nos atropelávamos como baratas tontas. Faltavam apenas quatro dias e nada. Só nos salvaríamos se tivéssemos casa cheia. Tanto que idolatro a minha profissão e tão difícil satisfazer compromissos inadiáveis. Praticamente impossível encontrar um patrono. Já quase a entrar em cena ouvi alguém atroar: temos o anfiteatro cheio!
Emília Simões, 64 anos, Mem-Martins - Algueirão

Um final "preto"!!
Que coisa, sempre o mesmo atrofio, nem tempo para comer e não saio 
antes das quatro.
No caso de me dar a fome, meto na mala o tal chocolate que idolatro. 
Prá "engorda", grita a tia Patrocínia preocupada. Parece que cometo 
alguma atrocidade, é só para enganar o estômago. A correr, atravesso 
a rua, ia sendo atropelada. Ando sempre a destempo, o que me deixa 
atrofiada.
Para cúmulo do azar, escorrego estatelando-me no chão... alcatroado 
de fresco!!
Maria Cabral - Azeitão 

Pãozinho já mastigado!
Um bondoso cavalheiro
Avistou uma multidão,
Onde iam quatro rapazes,
Segurando um caixão!

Iam matronas chorando,
Um pobre atrofiado
Que dentro desse caixão
Queria ser enterrado!

Se não havia teatro,
Era mesmo atrocidade!...
O cavalheiro pensou
Patrocinar com piedade!

Conhecendo o patrono,
O homem patrocinado
Indagou se recebia
Pãozinho já mastigado!

– Mastigado?
Com quatrocentos diabos!...
Vai mastigá-lo você,
Com seus dentes, já se vê!

– Então siga!...
– Enterrado estarei bem,
Não terei que mastigar,
Nem deverei a ninguém!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Das Capacidades
Zé Patrocínio era o conciliador natural numa fratria de quatro. A ele recorriam quando a diplomacia se impunha; não era matroco, nem fazia teatro. Nunca atropelava as ideias dos outros.
Certo dia, há sempre um dia, atroou um atroz incidente que comprometeu a glória de Patrocínio:  atribuíam-lhe culpas pelo choque entre dois ciclistas, causado pelo alcatroado em frente à sua casa, solicitado à Câmara, mas que ficara defeituoso.
Determinado, recompôs-se.  Honrou o patronímico e os amigos voltaram.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 71 anos, Lisboa

Notícia
Mais um dia para atrofiar. Há catastrofismos naturais e há os políticos. Em Portugal vive-se uma espécie de atropelo à dignidade humana e aos direitos estabelecidos. Com o alto patrocínio do chefe de Estado assiste-se à encenação de uma peça de teatro de má qualidade. É como a libertação de atropina pela beladona que intoxica os insetos numa violência atroz. Agora restam mais quatro anos de demagogia.
Alda Gonçalves, 48 anos, Porto

A sociedade dos psiquiatros e pediatros foi convidada para assistir à encenação "Inês de Castro". Depois dessa peça de teatro em quatros atos no anfiteatro em Conímbriga, seguir-se-ia um debate sobre a atrocidade do rei que mudou a felicidade do príncipe num báratro.
Pois, naquele atro tempo os arquiatros foram aptos para fazerem misturas de maratros, mas esse iatrofobia nunca  teria curado o príncipe mentalmente. 
Afinal a vingança dele era pior que o inocente espezinhar dalguns ópatros.
Theo De Bakkere, 63 anos, Antuérpia, Bélgica

O teatro da vida
O teatro era a sua vida. Filho de atores, desde os quatro anos que pisava os palcos. A vida longe dos dramas e das comédias era atroz e sem sentido.
Por isso, no dia em que a patroa perdeu o patrocínio e o despediu sentiu-se atropelado pela vida.
E agora? Com quatrocentos euros no bolso partiu à procura.
Depois de várias atrocidades e muita luta, singrou no meio artístico. Hoje é patrono de grande companhia teatral.
Aplausos! 
Palmira Martins, 59 anos, Vila Nova de Gaia

Um belo albatroz
Afinal era só uma peça de teatro, não valia a pena atrofiar os pensamentos porque a patroa não lhe dera folga.
No anfiteatro, ao ar livre, ia estar um frio de rachar; as pessoas atropelar-se-iam para arranjar um bom lugar para as horas de sofrimento atroz naquelas cadeiras desconfortáveis. Quatrocentas pessoas, amarfanhadas, naquele espaço aonde chegavam por uma estrada que nem alcatroada estava.
– Mas eu idolatro aquele ator…! E o papel de albatroz deve assentar-lhe lindamente! – choramingou.
Maria José Castro, 55 anos, Azeitão

A ida ao teatro
Gumersinda sentou-se numa das quatro cadeiras vazias do teatro quando a dor atroz da perna direita atacou ferozmente. Desde que fora atropelada que tinha dores constantes. Era penas uma sombra da matrona que fora outros tempos.
Os patrões também estavam ali e atrofiou quando meteram conversa com ela sobre o alcatroamento da rua e sobre os pedidos de patrocínios para as festas. Não esperava este atropelo psicológico... o seu patrono devia de estar ofendido com ela, só podia! 
Carla Silva, 41 anos, Barbacena, Elvas

Faltavam quatrocentos metros para chegar à casa de Patrocínia, ainda tinha que percorrer aquela estrada larga, toda alcatroada de novo... Olhava para o relógio, não queria chegar atrasada ao Albatroz. Mesmo já tendo os bilhetes do Teatro, é preciso chegar a tempo e horas! Não gostava de ser um atropeloAtrofiava quando alguém se atrasava. Parecia a patroa. Quase a chegar, assiste a um atropelamento. Fica estupefacta com o acontecimento. Suas pernas trémulas caminhavam lentamente… dia atroz. 
Prazeres Sousa, 52 anos, Lisboa

Um dia o meu tio foi atropelado e mais quatro amigos dele. Eu não vi porque estava no teatro, com um grupo de quatrocentas pessoas, sentadas no anfiteatro. Eles foram para o hospital. A polícia descobriu que o homem que os atropelou era muito atroz.
Um dos amigos do meu tio é dono do cineteatro de Portalegre.
patroa da minha mãe viu tudo e avisou a minha tia. Ela ficou atrofiada, nem conseguiu ir ao hospital.
Turma B, 2° e 3° anos, EB Galveias, professora Carmo Silva

História simples
O velho Albatroz costumava passear no jardim do Teatro. Dava milho à passarada. Vivia feliz.
Mas, subitamente, D.ª Maria das Dores atroviscou-lhe a vida. Passou a ter dores atrozes nos quatro cantos das pernas. Foi-se acadeirando, entristecendo, atrofiando…  
Sentia-se atropelado a toda a hora.
E o jardim, sem ele, já não era o mesmo.
Um dia, foi operado.
Tudo mudou!... foram-se os atropelos das dores.
Voltou ao jardim. Voltou à vida.
Voltou o Sol à sua alma!
Domingos Correia, 57 anos, Amarante

A estrada estava cortada, ouvia-se ao longe a sirene de uma ambulância.
Que se terá passado? QUATRO carros à frente, o condutor saiu, um pouco 
ATROADO, diz que alguém foi ATROPELADO.
Que ATROCIDADE. Do carro da frente, sai uma escanzelada,
com manias de MATRONA. E eu que estou atrasada para o TEATRO.
Que mulherzinha mais ATROZ, deve pertencer ao PATRONATO.
ATROFIADA pelo acontecimento, foi para casa.
Só ouviu dizer: foi o filho da PATROA, mas está bem.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

O encenador, atrofiava, num entra e sai atroado, perguntando pelo Fernando, o ator principal.  Já lhe telefonara quatro vezes…
Por fim a resposta chega pela sua patroa. Num acidente atroz foi atropelado!...
Quem lhe viu o rosto não esquecerá a cor atro purpúrea, a lembrar as cortinas fechadas da boca de cena.
Cândida, 53 anos, e Manuel, 57 anos, a quatro mãos de Ovar

O trovão
Entre as pretas nuvens atropeladas
atroz atroava com som retumbante,
e de atropurpúreo véu cobriam-se os céus.

Calavam diante daquele atrofiador bramido
os gorgolejos dos pássaros fugitivos,
e apagavam-se os risonhos cantos dos meninos.

Qual atrombetado clamor, anunciava solene
a chegada da copiosa chuva
e os campos emudeciam com aquele furioso atroo.

Ressoando, bravio, entre refulgentes relâmpagos,
deixava ouvir, matroca, o seu ronco estrondo.

E suspenso ficava o mundo todo
turvado com a atroadora força daquele fragor.
Mónica Marcos Celestino, 43 anos, Escuela Oficial de Idiomas, Salamanca (Espanha)

A Renata saiu hoje do hospital onde esteve internada quatro dias para ser operada ao seu problema de atrofia, que se agravou recentemente quando foi atropelada.
Ainda está com dores atrozes nas pernas, mas quer dedicar-se afincadamente à vida profissional, caso contrário a existência mergulha no marasmo.
A patroa prometeu que patrocinava a dinamização da peça " Grito atroador de um insecto atróptero " no teatro local. Que surpreendente! Costuma ser o dono da farmácia o patrono das artes...

Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Parceria com a USAL

A parceria do blog Histórias em 77 palavras com a Faculdade de Filologia da Universidade de Salamanca desenvolve-se no âmbito do núcleo de Filologia Galega e Portuguesa da instituição.
Pela mão de Paula Pessanha Isidoro, este projeto pretende potenciar o desenvolvimento das competências oral e escrita em Português língua estrangeira, assim como da competência digital. Para isso, a plataforma servirá de estímulo à produção escrita, por parte dos alunos da instituição, de microrrelatos em português e terá um papel fundamental no exercício de tradução para castelhano das histórias nela publicadas.

O contacto com a escritora portuguesa Margarida Fonseca Santos e com a sua obra é outro dos objectivos propostos. Estão previstas actividades de leitura, redacção de texto e de interpretação do trabalho da autora, dinamizando-se encontros e formações no domínio da escrita que permitam o contacto com a língua portuguesa e com uma autora contemporânea reconhecida.

A parceria prevê, também, que ao dia 20 de cada mês seja publicado um desafio por Paula Pessanha Isidoro, professora de Português na Universidade de Salamanca.

Um fio de vida

Lanço o último olhar para dentro da sombria habitação. O silêncio transtorna-me. O frio, entristece-me. Uma janela bate com o vento, trazendo o eco consigo. Não há lágrimas, apenas desgosto. Apenas vazio. Sinto-me perdido e tenho medo. Medo de acabar só, sentado numa habitação vazia olhando por uma janela baça, à espera que o tempo passe. As ervas crescem sem sentimentos, apagando o fio de vida que por ali passou um dia. Um fio de vida meu.

Tomás Borges de Castro, 42 anos, Cascais.

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

Um curto tempo

Sentia-se abençoada pelo destino e ao mesmo tempo tão desfraldada. Viveram quase dois intensos anos de um amor profundo. O pouco tempo que José viveu foi tapetado pela dor constante que lhe tolhia os movimentos. Só aquele sorriso permanente nos lábios, solto a cada chegada, fazia esquecer o curto tempo que lhes estava destinado. Viveram cada dia como se mais mundo não restasse. Partiu ficando para sempre nas suas lembranças. Foram quase felizes, num sempre muito pequeno.

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 79quase felizes, num sempre muito pequeno

29 setembro 2015

Programa Rádio Sim 607 – 29 Setembro 2015

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Procura marido!
Nascida na Pampilhosa,
Bonita como uma rosa,
Carolina é bem fogosa,
Formosa e orgulhosa!

Tem um corpinho jeitoso,
Aprecia homem carinhoso
E quer para matrimónio
Cavalheiro e bom esposo!

Que seja elegante, vaidoso,
Alto, bem feito, amoroso,
Atraente, terno, gostoso
E, se possível, famoso!

Terá que ser poderoso,
Educado, altivo, ideal,
Delicado e bondoso,
Quase um príncipe real!

Então, se souber cozinhar,
E limpar tudo com jeitinho,
Ela dirá desde logo:                        
“Anda cá MEU AMORZINHO!”

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio RS nº 20 – 14 palavras acabadas em -oso, -osa

Imagem

Partiste, deixando no teu quarto um vazio que até a luz se recusa a perturbar. Desde então, não vive ninguém no quarto, por baixo do teu, onde ainda moro. Apesar de gastas, insisto nas cortinas. Deposito, no seu patético balanço, a esperança com que me forço a respirar. Talvez voltes e possamos retomar os livros, entre o teu quarto e o meu, exatamente onde os deixámos. Chegas, resgatamos o sofá à floresta e, em triunfo, envelhecemos juntos. 

Nuno Longle, 41 anos, Odivelas

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

Memórias

De volta à casa onde cresci, onde fui menina e moça, filha e neta amada. Quantas memórias!

As janelas, cobertas de colchas em dias de procissão, num colorido que embelezava o cortejo.
O sofá, assento preferido do patriarca da família, jaz agora no quintal. A velha escadaria que subia e descia, ligeira, permanece, resiste ao abandono.
A rua, agora deserta, traz -me à lembrança o som rouco da velha carrinha da Gulbenkian, a grande janela de outrora.

Joana Marmelo, 50 anos, Cáceres, Espanha

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

28 setembro 2015

Programa Rádio Sim 606 – 28 Setembro 2015

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Decisão unilateral
Alberta saiu de casa com a alma pesada. Montou a bicicleta e voou estrada fora perseguida por mil borboletas escapadas dos seus sonhos, há tanto aprisionados. Chegara a hora de batalhar, de obliterar o casamento, qual bilhete caducado, de se libertar. Ganhou coragem e, quando regressou, despojou-se da culpa, como se tivesse esvaziado os armários de toda a inutilidade. Junto às bétulas do jardim, pousou as malas, olhou a casa e, mesmo não sendo decisão bilateral, partiu. 

Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira
Desafio nº 95 – o máximo de palavras com BTL


Para trás

Chegou aquele canto do que outrora fora um jardim, um espaço de lazer e de descanso!
Revia-se de bibe, subindo e descendo as escadas e a trepar à nespereira para comer o fruto, diretamente da árvore!

A janela do primeiro andar tinha umas cortinas em renda deixando entrar o sol para a sala. Sim, era a sala de costura, de conversas, de leituras e comentários!
Tudo ficou para trás, escondido no bolor das paredes, das nossas memórias!

Ana Maria Santos, 61 anos, Seixal

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

Perenidade

Três irmãs e uma casa, unidas pelo múnus, numa aldeia de costumes e primórdios.
A instrução das meninas sem escola, era na Casa das 'Senhoras Mirandas'; as 
irmãs professoras, solteiras e altruístas; na Casa, alva de cal e sol, ou no quintal,

pelas tardes de verão,  sob um confortável dossel de videiras.
Os anos germinaram nos alicerces e nos pertences, mas passadas muitas vidas,
a Casa continua...na neblina ou na claridade.
Sobretudo, na identidade da aldeia.~

Elisabeth Oliveira Janeiro, 71 anos, Lisboa

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

Blogue das histórias em 77 palavras cresce para bilingue!

Conheci a Paula Pessanha Isidoro quando fez comigo um curso de escrita criativa (e como ela escreve bem!!!). Depois disso, a Paula fez-me uma entrevista de que gostei imenso, que podem ler aqui. Falámos por Skype, a empatia já era enorme, e um dia encontrámo-nos mesmo (a Paula vive e trabalha em Salamanca). Foi um dia incrível!
Daí nasceu a vontade da Paula de pôr os seus alunos de português língua estrangeira a ler e a escrever mais na nossa língua, para lá das típicas tarefas de sala de aula. A ideia foi tomando forma, crescendo e acabou por se transformar num projeto de inovação docente da área de galego e português da Faculdade de Filologia da Universidade de Salamanca (USAL).

Ou seja – o blogue das histórias em 77 palavras será, a partir de outubro de 2015, bilingue! A Paula será a coordenadora da parte espanhola, e contará com a colaboração de vários colegas da área de português, em especial com Jésus del Rey.
Consequências: os desafios do blogue serão traduzidos para castelhano e teremos histórias nas duas línguas, mas também seremos desafiados (eu também!) uma vez por mês com um desafio USAL.
Passamos a ter este esquema:
  • Dia 10 – desafio Rádio Sim, lançado por mim, na nossa parceria com esta rádio e com a querida Helena Almeida;
  • Dia 20 – desafio USAL, lançado nas duas línguas, formulado pela Paula;
  • Dia 30 – um desafio normal das 77 palavras.

Que vos parece? É um novo mundo que se abre!


E, como não há coincidências, o mês de outubro vai ser muito redondinho: teremos o Desafio Rádio Sim nº 30, o Desafio USAL nº 1 e o Desafio das 77 palavras nº 100