31 dezembro 2015

Programa Rádio Sim 671 – 31 Dezembro 2015

o programa em podcast na Rádio Sim


Bem melhor!
– Que história é esta? – inclinava-se a Dona Gervásia sobre o dono do animal. – Não é a primeira vez que traz um elefante que me espezinha as plantas todas, vizinho!... Tenho ali um lírio de estimação. – E a gritar, continuou:  – Não me faça perder a cabeça! Ouviu?!
Então o mágico puxou da sua cartola, levou-a à boca, soltou uma tosse seca e proferiu:
– Já não há elefante… um agrafador será bem melhor!... Já não preciso de um pisa-papéis.

Graça Pereira, 57 anos, Setúbal
Desafio nº 89 – hist c tosse+lírio+elefante+agrafador

Preciso de ti

– Preciso de ti! – escrevo-te… mas tu não respondes. Não percebes que o meu desabafo não é um protesto, mas um pedido de atenção. És o único protagonista dos meus sonhos adormecidos e dos acordados, e não há proteína que me alimente do mesmo modo como a proteção que encontro no teu abraço. Com protocolo ou sem ele, só sei que não quero protelar mais o momento em que te adormeço nos meus braços e acordo nos teus.

Catarina Azevedo Rodrigues, 42 anos, Venda do Pinheiro

Desafio nº 102 – muitas palavras com PROT

O protetor

Não era o protótipo de beleza. Tinha um jeito proteiforme de ser. A protuberância do nariz dava-lhe um ar protervo. O olhar parecia protrair a angústia que lhe habitava a alma. A prótese da mão nunca dificultara os gestos. Aparentava viver em constante protestoProtelava todas as decisões relativas à sua vida. A sua falta de beleza mascarava o protagonismo que tinha no seu percurso. Era genuinamente um protetor. A sua grandeza de alma: a sua protofonia.

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 102 – muitas palavras com PROT

Quiçá

Quiçá saia de protocolos e quase promíscuas festivas?
Quiçá atente para promessas divinas feitas para mim?
Prometendo e cumprindo, Ele me protege...
Rumo ao novo ano que promete bênçãos espetaculares, se creio!
Prossigo rumo ao alvo, como devo estar...
Serei protagonista em 2016. 
Não deixarei ser protagonizada por ninguém, se Deus quiser!
O que Ele me prometeu, Ele cumprirá, tenho a sua proteção.
O Protetor faz e fará maravilhas em mim e nos que amo.
Obrigada, Senhor!

Rosélia Bezerra, 61 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Desafio nº 102 – muitas palavras com PROT

30 dezembro 2015

Ai, o protesto...

Sentia-se prostrada depois de ler toda aquela panóplia de resultados sobre o protector solar na Proteste.
Adormeceu… No sonho era uma proteína, protagonista num anúncio contra a gordura hidrogenada. A sua aversão era de tal forma, que conseguiu um protocolo com uma agência de publicidade; se houvesse a presença de tal ingrediente iria afirmar-se contra tamanha avantesma alimentar. Chegada ao local encantou-se pelo protótipo da manteiga. Com frenesim aprontou-se para o encontro, protelando o protesto combinado."


Graça Pereira, 57 anos, Setúbal
Desafio nº 102 – muitas palavras com PROT

Bem feito

Gostava. Gostava muito do Natal. Luzes, cores, vozes, tudo era lindo! Até a nostalgia das ausências.
O pior era o Ano Novo… Doze badaladas pseudo-mágicas, que tudo resolviam, em nome das quais todos estavam alegres e sonhadores.
Mas esta noite haveria boicote.
Ia adiantar o relógio grande, o que mandava nos festejos. Quando todos erguessem as taças, o palerma do Ano Novo já teria passado, sem saudações especiais.
Bem feito! Que mal lhe tinha feito o Ano Velho?

Fernanda Elisabete Silva Gomes - Vila Franca de Xira
Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano


Na saudade

Logo de imediato, um fumo branco, foi sugado pela chaminé assim que a chama inundou a carqueja ainda húmida pelo tempo.
Reconfortante naquela noite fria, o calor, foi animando as conversas que davam lugar a risos, iluminando as almas em seu redor enquanto as mais pequenas pulsavam pela casa, numa alegria contagiante. Lá fora o fumo, juntava-se a outros na escuridão serena da noite. A outros de outras tantas almas de outros tantos tamanhos, lembrados na saudade.

Paulo Roma, 52 anos, Lisboa
Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano


Feliz Ano Novo

Duas datas muito bonitas para mim: Natal e Ano Novo.
Entretanto, neste ano, elas passaram a me dar tristeza pois a saúde familiar se abalou e as cores ficaram cinzentas, de repente.
É preciso ressurgir e assim será porque em Deus confio plenamente!
É necessário ser otimista em qualquer circunstância mesmo com o coração de mãe abalado e tristonho.
Urge ser esperançosa sempre!
A união faz a força e, em qualquer tempo e lugar, podemos renovar forças. 

Rosélia Bezerra, 61anos, Rio de Janeiro, Brasil
Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano

Por dentro

Como um caleidoscópio as imagens vão mudando. Há pessoas que se movem
e gesticulam, falam mas eu não as oiço. No centro da sala estou eu. A
minha avó tem a mão calejada e cheia de veias azuis sobre os meus
ombros.
Sei que é Natal.
Hoje, cega-me a luz branca de uma felicidade distante. O pinheiro
brilha estático e mudo. Na casa resta apenas o silêncio e a menina que
ficou por dentro dos meus olhos.

Maria Jorgete Teixeira, 66 anos, Barreiro

Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano

Outros tantos!

Ele vem ele vai, com ele os cantos, os contos… e também com ele, a vida envolta de vidas e pedaços de tudo e de nada. Falava do Natal, das cartas que meninos escrevem, que meninos não sabem que se escreve e de meninos que nem papéis têm para escrever. Agora falo dele mesmo; do Pai Natal que também ele não sabe que existe de tanto existir em tantos e… de não existir em muitos outros tantos!

Lucrécia, 55 anos, Lisboa

Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano

Saber Aceitar, Saber Usufruir

O lugar, ermo, bravio, onde a chuva caía em cascata, onde o vento bramava na direcção dos quatro pontos cardeais, onde o amor parecia não saber atenuar os espinhos das rosas, onde o azul cerúleo escasseava, onde o vermelho dos pores-do-sol se escondia perpetuamente, onde em qualquer rua, de raríssimas casas, o caminho era de escolhos, vivia um casal com filhos, animais, plantas. Havia calor dentro da casa, harmonia, compensações...
A explicação da beleza nos lugares inóspitos!

Elisabeth Oliveira Janeiro, 71 anos, Lisboa

Desafio Escritiva nº 3 – texto com: chuva, vento, amor, azul, vermelho e rua

Ultrapasse todo o seu receio

Ai, bela cabeleira a dela.
Ena, uma felizarda.
Garanto-te, hoje inteirei-me junto da linda mulher. Nada de ondulação artificial.
Perfeita, quem me dera!, responde com suspiro.
Toda uniforme.
Vou esconder a minha com o xaile. Que vergonha tenho Zané,

Zuca, o xarope não é venenoso. Ultrapasse todo o seu receio dos medicamentos.
Que paciência! Ontem nem molhou a língua. Jamais, irritante homem, guardarei o frasco. É para lhe dar à colher para ficar bom. Arre! Que teimosia.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra
Desafio nº 20 – usar o alfabeto duas vezes no início das palavras e por ordem! Uma vez certo, outra ao contrário


Programa Rádio Sim 670 – 30 Dezembro 2015

 OIÇA aqui
o programa em podcast na Rádio Sim



Num passado recente, a atrofia patológica tornara-se visível, chegando ao ponto dos olhares alheios revelarem pena. As colegas abandonaram o assédio. Sentira-se num teatro: observada. Atroada, retirou-se.
Quando regressou (aparência saudável) o ambiente atroz instalou-se. As atroadoras reiniciaram o ataque à sua pessoa, forjando comportamentos levianos. Novamente a atrocidade insuportável. Sentiu-se à matroca. Impunha-se solução não solitária. Pediu ajuda. Com quatro matronas desmontou a perseguição de anos. Pôde voltar a trabalhar em paz. Porque não falara antes?!

Isabel Pinto, Setúbal
Desafio nº 99 – 8 a 10 palavras com ATRO

Desejando Bom Ano a todos!

Estava numa aflição. Acabar-se assim o seu reinado parecia-lhe prematuro. Ficara tanto por fazer.
Mas precisava de entrouxar os tarecos. Depressa se apercebeu de que não cabiam na maleta com que chegara. Decidiu-se por levar apenas as coisas boas que haviam acontecido. Foi preciso apertá-las, afinal eram mesmo muitas! Pôs-se a caminho.
Cruzou-se com o Ano Novo que chegava. Já fora assim, pensou. Cumprimentaram-se e, num impulso, deu-lhe a mala. Pareceu-lhe a solução certa. Partiu, então, descansado.

Margarida Fonseca Santos, 55 anos, Lisboa

Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano
Ilustração de Carla Nazareth

Faltam as palavras

Só fé.
Nesta hora tão triste
Eu só queria mesmo era sumir
Fugir para bem longe daqui, um lugar deserto,
Para inundar com minhas lágrimas, extirpar da alma minha dor.
Hoje entendo bem sobre a solidão das palavras diante da perda familiar.
E dói muito.
Mas não sei anunciar morte
Se ainda há esperança após uma tragédia
Doeu dizer que não havia sobreviventes para a família
Olhei para o Céu falando: Ele está com Deus. Não resistiu.

Toninho, 59 anos, Salvador, Brasil

Desafio RS nº 32 – a arte de dizer não

Desafio nº 102

Arranjem o máximo de palavras que contenham estas letras nesta sequência:
PROT

Encontraram muitas? Agora usem-nas num texto.
Vá, é divertidíssimo!

Eu escrevi assim:
A Proteste foi protagonista de um protesto e denúncia do protocolo, supostamente protetor, para a comercialização de uma proteína vegetal. Esta fora encontrada nas protuberâncias das árvores africanas que, tentando protelar a morte durante a seca, se enchiam de líquido e se transformavam em próteses salvadoras. Assim, cheias de água protegida, salvavam muitos animais. Ora, os humanos, tentando fazer o mesmo, estragaram tudo. A Proteste, sem atenta, não hesitou e denunciou isto. E fez ela muito bem!

Margarida Fonseca Santos, 55 anos, Lisboa
Desafio nº 102 – muitas palavras com PROT

29 dezembro 2015

Mudem-se vocês!

Sou um bule rachado, sou. Essa é boa, não posso estar aqui por isso? O quê, estrago a imagem da gala? Era mesmo o que faltava ir-me embora. Se estão incomodados com a minha imagem mudem-se vocês. Sinto-me mesmo muito bem como sou. Além disso,  continuo competentíssimo a servir chá a tanto fingimento nestas situações festivas de gente com presunção a elite. Sem falar do preconceito de alguns de vós meus pares. Aviso, vou embora quando eu decidir.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Vila Nova de ancos
Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Programa Rádio Sim 669 – 29 Dezembro 2015

o programa em podcast na Rádio Sim

A peúga sonhadora
A justiça divina não falha; a humana é cega. Tanta injustiça.
relojoeiro conserta horas numa minucia de cirurgião; tantos relógios diferentes!
Testemunhou a vida de várias famílias; hoje vive a sua ruína.
À hora de ponta, magotes eram devolvidos à rua pelo metro.
O cabelo ralo afligia-o; medo de parecer demasiado velho ou feio.
Noite de Natal. A peúga sonhadora da pequena pendurada na lareira.
A sua voz meiga soava-lhe doce e terna ao confidenciar-lhe amor.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra
Desafio RS nº 26 – 7 palavras impostas em 7 frases de 11 palavras

Rápido?

'Rápido, muito rápido anda, pois a linha final aguarda por ti, tartaruga, mas após a minha glória.' Atira com sarcasmo a lagomorpha. Ah! Ah! Ri já a gozar a vitória gloriosa. 'Vou chonar na palha macia. Tu, vai adiantar caminho. Chispa daqui!' A manhosa passado uma hora acorda. 'Tartaruga?' -grita intrigada. Nada. Foi dormir,  magicou.  Ala para a vitória, com corrida alucinada. Vivas. Hurras! Aplausos. Sorri. Atónita fita a vitoriosa tartaruga a rir orgulhosa, içada por todos.


Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Vila Nova de Ancos
Desafio nº 9 – sem usar uma letra (U, R, S ou E) – história conhecida

Vinha para ficar

Já passaram 7 noites desde que viera em visita apressada pois tinha que apanhar o 7 das 7 horas. Antes de sair repetira 7 vezes que voltaria com mais calma. E telefonaria todos os dias.  No entanto, tanto o telefone como o telemóvel mantiveram-se mudos.  Nem um toque quanto mais 7. Claro, foram apenas intenções.
Hoje é o dia 7 do mês também 7. Toque estridente da campainha da porta. Voltou. Vinha com as malas para ficar.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Vila Nova de ancos
Desafio nº 7 – história onde entre 7 vezes o número 7 

O Gato Guimas

O gato Guimas vivia feliz. Em dias de chuva, no palheiro da quinta, bem quentinho, ouvia soar o vento e sentia o conforto de ter um lar. Mas aquela gatinha, escorraçada por ser fêmea, não lhe saía da cabeça. Como esquecer aquele olhar azul, aquele pelo quase vermelho?
Um dia, abandonou tudo, e foi em busca do seu grande amor.
Enquanto caminhava pela rua, pensava: “Um lar para quê, se não posso ter a minha querida gatinha…”

Domingos Correia, 57 anos, Amarante
Desafio Escritiva nº 3 – mau tempo com: chuva, vento, amor, azul, vermelho e rua

28 dezembro 2015

Concorrentes

Respira fundo e conta até 10 na tentativa de refrear a ansiedade.  Faltam 3 horas até à audição, marcada para as 5.  Olha para o endereço 4 vezes. Sem engano, porta com o número 6. Apanhou o autocarro 9 com paragem mesmo em frente, mas podia ter vindo, 2 horas mais tarde. Entra. 'Quer 1 água enquanto aguarda?', pergunta-lhe o secretário que lhe entrega a garrafa sem esperar pela resposta. E adianta “hoje são 7, 8 concorrentes.”

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Vila Nova de ancos
Desafio nº 3 – números de 1 a 10

O primeiro olhar

A história deles já vinha de longa data. Desde uma altura em que por mera coincidência se encontraram quando andavam às compras. O encontro poderia ser complicado e constrangedor para os dois, visto só se conhecerem por fotografia e apenas contactarem através do correio electrónico. Quis a felicidade e a alegria de se verem mais do que o receio. Fitaram-se por um momento, depois cumprimentaram-se. Acabaram por se casar e sempre recordam com ternura esse primeiro olhar.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Vila Nova de ancos
Desafio nº 2 – “Sempre quis ser uma história”, palavras obrigatórias por ordem inversa

Programa Rádio Sim 668 – 28 Dezembro 2015

o programa em podcast na Rádio Sim


Quem Sabe, Sabe
É a pior tosse que tive. E este remédio 'não ata nem desata'.  Oh, torpe sorte!
Chove, chove e continua, na aldeia toca o sino, o pintor pinta, o pinto pia, as gentes porfiam, o mundo rola e rebola, e eu, nesta maleita que não há quem a abata.
Afoita, acedi ao teor de antiga receita:
–  chá de casca de cebola, ovinhos de codorniz, pomada das velhas, vapor de eucalipto...
E não é que o preito resultou?!!

Elisabeth Oliveira Janeiro, 71 anos, Lisboa
Desafio nº 101 - partindo das palavras BATATA e PRESSINTO


Desamor

Ingredientes:
Silêncio 5kg
Solidão 5kg
Isolamento 10kg
Desafectos 15kg
Indiferença q.b.

Preparação:
Misturar o isolamento com o silêncio. Mexer até ficarem homogéneos. Juntar uma a uma colher de sopa bem cheia de desafectos. Bater fortemente entre cada colherada para ligar com a mistura anterior. Adicionar a solidão. Envolver completamente. Deixar repousar num canto gelado durante 24 horas. Colocar em forma rectangular. Polvilhar com a indiferença. Levar a forno pré aquecido a alta temperatura. Retirar. Servir. Degustar.

Rosa Maria pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Vila Nova de Ancos
Desafio RS nº 10 – uma receita em 77 palavras


Tempo do fim

No manicômio comemorava-se o fim do ano que terminava com marcas de muitachuva de loucos e loucuras.
Ventos sopravam fortes sob nova direção que estarrecia os convidados.
Mas, a comunidade da saúde mental estava vermelha de medo da casa ser chamada de casa dos horrores.
Da rua, a comunidade avistava retrocesso.
Permanecia significativo o céu menos azul e o número de internações mais prolongadas.
Muitos ainda se lembram dos horrores denunciados sobre a falta de amor.

Renata Diniz, 39 anos - Itaúna/Brasil

Desafio Escritiva nº 3 – mau tempo com: chuva, vento, amor, azul, vermelho e rua

E eu?

Como é possível obter o seu endereço de correio electrónico ou pelo menos o número de telemóvel? Desejo imenso poder responder de modo célere pois, pelos ctt, recebi os seus votos de feliz evento, contudo veio sem endereço.  Sim, percebi quem foi o remetente. Fiquei feliz. Imenso.  Porém é difícil o silêncio e o desconhecer onde o descortinar.  Pediu-me muito tempo.  Pois bem, dei-lho. E eu? É impossível um tempo lento. Imperioso é revê-lo, meu muito querido.

Rosa Maria pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Vila Nova de Ancos
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A

Amizade em Deus

Era uma vez duas amigas bem medrosas que o Senhor Deus chamou para levar a cabo uma missão importante. Sem saberem de nada, elas se submeteram ao trabalho pastoral. E não é que crescia como o arroz depois de cozido ou a pipoca depois de estourada?
Foi um número grande de adeptos ao movimento mariano a que elas se empenharam e fermentava como nunca poderiam imaginar.
Elas tinham apenas a fé, trocavam suas experiências e confiavam plenamente...

Rosélia Bezerra, 61 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Ups!

O ocaso estava deslumbrante com uma miríade de cores entre o amarelo quase branco, o laranja avermelhado o cinzento claro, umas quantas nuvens acinzentadas escuras. O mar pouco agitado oscilava entre o azul e o verde. O casal de namorados embevecidos, sentados no carro, olhava a soberba, tranquila imagem da natureza. Tanta paz, beleza. Súbito,  tiros, gritos. Alguém fala em ataque. Com aflição baixam as cabeças e...  Ouviam as notícias da rádio, que ligaram sem darem conta.


Rosa Maria pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Vila Nova de ancos
Desafio Rádio Sim nº 1 – história tem de falar de rádio

27 dezembro 2015

Recomeçar

Sentada à lareira naquela tarde de chuva, ouvia lá fora o vento desorientado pela rua.
Os seus olhos estavam vermelhos das lágrimas perdidas. Ninguém se apercebera dos sonhos destroçados, do coração partido. Melhor assim, teria que esquecer aquele amor, já ausente, que lhe incendiara os sentidos na adolescência.
Agora os dias eram cinzentos e feitos de silêncio, mas o amanhã seria azul e iluminaria um novo caminho. E soube que iria recomeçar uma autêntica viagem no tempo!

Isabel Lopo, 69 anos, Lisboa
Desafio Escritiva nº 3 – mau tempo com: chuva, vento, amor, azul, vermelho e rua


Domingo de visita

Acordaram cedo, não conheciam o trajeto. Mas a estrada estava tão bonita!
Vazia, no domingo pela manhã. Em alguns lugares, prédios, casas bonitas,
a linha exclusiva do ônibus, estações modernas. Ou muitas árvores, verde.
Chegaram à porta, Maria e Luíza.
– Mamãe, é aqui?
– Acho que sim, é este o endereço.
– Toco a campainha?
– E se dá em apartamento diferente? Que vergonha!
– Se esta rua, se esta rua fosse minha...
A melodia atrai Celeste.
– Chegaram, lindinhas!
– Vovó, achamos!

Celina Silva Pereira, 65 anos, Brasília, Brasil

Desafio RS nº 23 – história de mulheres