03 fevereiro 2016

A Janela

Todas as manhãs chegava aqui. Esta janela verde da minha infância. Por vezes azul, quando o tempo, pintado de verão se espraiava pelo meu olhar. Outras, alaranjava-se de ouro em cada folha de outubro, lá fora, no jardim. Dos cinzas prateados do inverno transmutava-se de novo em promessas de turquesa e água, anilando-se na íris-flor dos nossos olhos.
A janela desapareceu. Porém o seu espaço cresceu dentro de mim e permaneceu verde. Sempre. Eternamente aberto ao sol. 

Paula Coelho Pais, 54 anos, Lisboa

Desafio nº 18 – palavras proibidas: não que mas pois como verbos: estar + ser

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