25 fevereiro 2016

Grito sem retorno

O comboio apitava, ele sonhava com outra vida. Juntou as suas parcas economias e partiu. A cidade espantou-o com a desordem de um mundo desconhecido. Para trás, a criança que fora e os amores e desamores da sua adolescência. Trabalhou até conseguir trocar as moedas da velha sacola por notas. Um dia voltou à terra, mas não a reconheceu. Os velhos tinham morrido, os novos emigrado. Só o comboio continuava a apitar, agora num grito de solidão!

Isabel Lopo,70 anos, Lisboa

Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

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