22 fevereiro 2016

Travessia

Os navios existem, e existe o teu rosto
Existe a Terra, e existe o Céu
Na boca da lua
Vejo o teu reflexo puro
Radioso 
Quase inacessível
É aqui que tudo muda
A minha alma errante
Parte sem medo
Sem medo da inadiável procura
E inventa mil caminhos
Ladeados de lilases
Desenhados pelo vento
Sinto o mar esgotar-se no corpo
E é neste momento que eu
Me abandono em ti
Para atravessar contigo o deserto do mundo

Eugénio de Andrade, Poesia e Prosa (1940) - Os navios existem, e existe o teu rosto
+ Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962) - Para atravessar contigo o deserto do mundo

Carla Augusto, Alenquer
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor


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