27 março 2016

Queria dormir

Hoje queria dormir,
queria enroscar-me no meu sono,
a boca fechada,
os olhos semi-cerrados na minha própria loucura.
Queria fechar os braços,
enclavinhar as mãos.

Amanhã queria acordar,
a boca ainda fechada,
o meu silêncio
o meu porta-voz,
o meu pisa-passados.
Ver.
Apenas.
O ruído do silêncio afoitando-se por mim acima.
Nada mais.
Só então terei descoberto
que a palavra é rica na sua parcimónia,
e que a brisa da morte não é susto,
não é gelo.

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