26 abril 2016

Mesmo que não me vejas

Sentada na cadeira, baloiçava.
Olhava para a porta.
Ouve ruídos de passos.
É ele, com certeza.
Pensa com ansiedade maternal.
Ergue-se a custo, chama.
És tu, já chegaste?
Sim, avó, sou eu.
Abraçou-a com dedicada efusão.
Faz tanto tempo, Rui.
É verdade, querida avó.
Julgava ver-te nunca mais.
Achas que me esqueço?
És a minha avó.
Foste mãe, foste pai.
Se tu me faltas.
Que será de mim?
Eu sempre ficarei contigo.
Mesmo que não me vejas.

Natalina Marques, 57 anos, Palmela
Desafio RS nº 12 – texto em prosa com frases de 4 palavras


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