20 abril 2016

Que cheiro

Cheirava-lhe a humidade. Humidade e cheiro nauseabundo. Já percorrera toda a casa
e nada. Esfregonas e detergentes tinham-lhe roubado os últimos tostões. As janelas
abertas também não resolveram o assunto. O que fazer?
Dormiu de mola no nariz, já não aguentava mais.
Ao sorrir o sol, teve uma ideia. Ficou em êxtase da idiotice.
Abriu as gavetas, saíram ratos, pais e filhos. O cheiro finalmente decifrado: mijo.
Abriu o cacifo da memória: a malvada criada era preguiçosa.

Andrea Ramos, 39 anos, Torres Vedras
Desafio RS nº 8 – juntar cacifo, cheiro a humidade e êxtase


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