11 junho 2016

Contas de subtrair

O olhar perdia-se em linha reta. Pensava na multiplicação dos desencontros. O céu enegrecido parecia equacionar a divisão dos sonhos. Sim, sempre se sentiu somada às desgraças que, paulatinamente, lhe diminuíam a capacidade de sonhar. A derivada do destino apontava para uma tangente à desgraça. O seu desalento duplicava a dificuldade em ver algo positivo. A sua vida parecia um conjunto vazio. No somatório de tudo, sentiu-se um número imaginário. O sentimento de não pertença vingou. Suicidou-se.
Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

Desafio RS nº 38 – a matemática dos dias

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