02 agosto 2016

Azáfama na solidão

Levava o ano numa azáfama a organizar a casa que não lhe pertencia. Fazia-o com uma dedicação sem limites pela família e por aquelas paredes que a tinham acolhido um dia. O Natal estava a porta e ela não tinha mãos a medir, mas conseguia milagres impossíveis para tornar essa noite especial. E, quando todos saíam num rebuliço para a missa, ela sentava-se em silencio, sozinha na sua transparência, deixando que as lágrimas lhe cobrissem a solidão. 
Isabel Lopo, 70 anos, Algarve

Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

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