14 outubro 2016

Últimas águas

Cheguei.
Os meus mastros gemem
na proporção
do enfunar das velas.
A quilha escorregadia,
habitação de infinitas cracas,
anseia pelas mãos dos homens.
Conheci tantas águas,
adormeci sob tantas estrelas,
mas todo o meu caminho
foi apenas um regresso.
Sei que os mares
são mais do que 7,
que os oceanos
mais do que 5,
mas vi tudo.
Há muito
que gerações de marinheiros
aprenderam comigo as artes.
Lutei o bom combate,
guardei a fé,
eis -me aqui.
Jaime A., 52 anos, Lisboa

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