01 novembro 2016

77 palavras?

Caligráfica não parava. A morte abeirava-se: líquida, brilhante, negra... Acordou histérica mesmo antes de morrer afogada. Rebolando contra o tinteiro, a preciosa caneta partiu uma das extremidades do seu aparo.
O tinteiro, caído, derramou-se para cima do papel de algodão. Caligráfica atirou-se ao papel e, com a ponta ainda inteira, escreveu uma mensagem coxa: 
Chamem o 111! Na hora da nossa morte tresanda a tinta negra.

Não há mais como escrever histórias. Perder-se-á para sempre o pensamento...
Rita Caré, 40, Carcavelos
Desafio nº 111 – linha de atendimento 111

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