08 novembro 2016

Críticas

Era sempre o mesmo. Aproximava-se do pai e mostrava-lhe o desenho terminado havia pouco. Que bonito estava, dizia-lhe. Mas o céu não perderia em ser mais azul e as flores mais salpicadas pelos montes. Luísa olhava-o com um misto de incredulidade e tristeza. Levava o desenho e rasgava-o. Voltava aos azuis, um dia haveria de acertar. Mostrava-o novamente. Sim, melhor. Mas que visse o equilíbrio da composição. Um dia o pai estranhou. A filha deixara de desenhar.
Paula Coelho Pais, Lisboa, 55 anos

Desafio nº 91 – cena metafórica de gota de chuva que acaba numa poça

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