05 novembro 2016

Vestida de cravo

Claro que ninguém te esperava. O país era escuro e não se vislumbravam dias mais espertos.
Claro que todos te queríamos! E o tempo escuro que não se ia e nos sufocava!
Claro que alguns lutavam no escuro contra os estúpidos que se achavam espertos. Tão espertos que alimentavam a estúpida ignorância.
Mexe-te, liberdade! – disseram esses alguns. E tu chegaste, sorridente, vestida de cravo vermelho.
E nós agradecemos:
– És tão estúpida, ditadura. Mexe-te! Mexe-te daqui para fora!
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira
Desafio nº 112 – 3x5 palavras no texto

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