25 dezembro 2016

Biblos

Quando for grande
quero ser repositor
numa biblioteca infinita,
e assim privado dos outros,

a espiar e a ler,
     
arrumarei livros lidos

esquecidos

e o meu alimento serão
as palavras mais nutritivas
de Eça ou Garrett ou Namora,
Hemingway, Tolstoi ou Sophia,
Borges e o caos (...)
palavras alimentícias, decerto.
Estarei pois sentado num chão de páginas

as pernas cruzadas,
a curiosidade infinita,
como infinita é a biblioteca,
em que, lembrem-se,
sou o repositor,
esquecido pelo bibliotecário.
Jaime A., 52 anos, Lisboa

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