03 dezembro 2016

Doença malvada

O inverno dos sentidos tinha chegado repentinamente, impetuoso. Na cama do hospital, José cogitava o seu passado. Sonhava com aquela que fora a paixão da sua vida e abraçava-a no pensamento. Gemia de saudade. A velha ponte já não ligava os dois corações, caíra devido à forte corrente do rio que escorria do rosto de José. 
Restavam-lhe alguns dias de vida. A solidão toldava-lhe a memória mas nem assim esquecia que apelidara a doença de cabra malvada.
Andrea Ramos, 40 anos, Torres Vedras
Desafio nº 87 – ponte, rio, cabra

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