30 novembro 2016

Agarradas ao coração

Há pessoas e pessoas. Há pessoas que passam na nossa vida sem deixar qualquer rasto. Outras, levam anos até conseguirem conquistar um pedaço de nós. E, depois, há aquelas que, mesmo sem dizer uma única palavra, mesmo sem um único gesto, nos marcam a alma, desde o primeiro segundo. Pessoas que nos inspiram. Pessoas que nos cativam. Pessoas simples, mas complexas. Pessoas altamente gostáveis. Pessoas incríveis. Pessoas inesquecíveis. Pessoas que ficam, para sempre, agarradas ao nosso coração.
Carolina Constância, 23 anos, S. Miguel – Açores 

Desafio nº 26 – dedicatória para alguém

Nós, as crianças

Nós, as crianças, temos direito a brincar, divertir, estudar e aprender. Estamos cansados de aturar os pais e a nossa professora. Queremos ser livres e brincar sempre que nos apetecer. As meninas querem brilhantes e os rapazes bolas.
Vamos fugir desta realidade. Vamos para um lugar mais feliz e divertido. Vamos comprar roupa nova, brinquedos e doces. Vamos tentar arranjar novos amigos. Faremos uma família só de amigos.
Todos os dias serão Natal! Seremos felizes e amigos!
Adriana Barbosa, Ana Rita Cintrão, Beatriz Pontes, Daniel Borralho e Renato Martins, 3º A – EB Santa Marta de Corroios, prof Rita Reis

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

Desafio nº 113

Hoje temos de procurar grupos de 3 palavras que tenham as mesmas letras (anagramas)
Procurem bem, vamos precisar de 4 grupos.
(o ideal é encontrarem uns cinco ou seis, para poder escolher depois)
Exemplo: CACO, COÇA, CAÇO; + TOLA, TALO, LOTA + …

Agora, sempre em frases de exactamente 6 palavras
vamos usando estas palavras para contar uma história...
em 77 palavras.
São 12 frases mais uma no fim de 5 palavras, ok?

Sim, podem refilar, é mesmo complicado!!!

Leva, leva tudo, não me importo.
Só precisaste de me ver cair.
Enoja-me esse traço, de gola alta.
Mais vale deixares de fingir, poupa-me.
Sempre achaste que era rica, enganaste-te.
Querias içar comigo a tua vidinha?
Não há lixívia que te lave!
Algo me diz que vais arrepender-te.
Troca de ambições e desaparece depressa.
Corta a ligação que julgaste ter.
Para mim, será um grande alívio.
Quando te atirares ao lago, verás.
És o único a afogar-se.
Margarida Fonseca Santos, 55 anos, Lisboa
Desafio nº 113 – anagramas em frases de 6 palavras

29 novembro 2016

O Direito de Falar...

Olá, sou o Josué, tenho sete anos e nasci numa terra linda, com árvores que se chamam embondeiros.
A minha irmã, Mingas, chama-me Jujué, o que acho engraçado.
O meu cão, o Lobito, é o meu grande companheiro.
Agora moro noutra terra, também linda, que é Portugal.
Como acho que tenho o direito de falar, digo que quando for grande quero ser marinheiro e voltar para a minha terra.
Beijinhos e obrigado a todos que me escutaram.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 72 anos, Lisboa

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

77x77 - José Fanha

Em pequeno vivi com a minha avó Bertha Emília. O nome era mesmo assim, com tê-agá, como se escrevia dantes.  
Li num livro que, na 1ª Guerra Mundial, os alemães construíram um canhão enorme que dava para matar muitas pessoas. Chamaram-lhe Bertha. Fiquei furioso. Onde é que se viu pôr o nome de uma avó a um canhão?! 
Mesmo assim os alemães acabaram por perder a Guerra. 
Bem feito para não se meterem com a minha avó!

28 novembro 2016

4 palavras diferentes

Depois de uma formação em «escrita de emoções», que dei na Associação Educativa para o Desenvolvimento da Criatividade, nasceu este blogue:

4 palavras diferentes

Siga o link e, em ainda menos palavras, escreva e surpreenda-se com o que as palavras lhe dizem!

27 novembro 2016

Era feliz

Maria era uma admiradora do mundo. Sim, admiradora e observadora. Para ela tudo tinha um significado profundo. Encontrava nos mais ínfimos pormenores e nas mais ignóbeis atitudes, o valor mais elevado das coisas. Era uma utopista! Noite e dia, a sua mente viajava pelo universo contemplando a beleza dos pássaros, das árvores, das flores, do céu, do arco-íris… Por onde passava, transformava a guerra em paz, o ódio em amor, a violência em carinho. Maria era feliz!
Fátima Sousa, 41 anos, Santa Maria da Feira

Desafio RS nº 34 – frase de Mia Couto

Samuel

Samuel protestara uma vez mais contra a falta de protecção dos mais pobres. Gostava de assumir o papel de protagonista das revoluções. Era membro ativo do proletariado e tentava, a todo o custo, proteger os mais desfavorecidos, ser o seu protetor, organizar protestos. De coração bom, humilde e lutador, um dia conseguiu o inesperado. Assinou um protocolo com o sindicato dos trabalhadores e tornou-se um dos seus protegidos. A partir desse dia, os mais desfavorecidos foram acarinhados.
Fátima Sousa, 41 anos, Santa Maria da Feira

Desafio nº 102 – muitas palavras com PROT

Professora chata

Nesta escola tinha uma professora chata.
A criança deixou cair o lanche no chão, e a mãe esqueceu-se de dar outro lanche.

A menina ficou muito triste e com fome.
Depois, a professora chata apareceu e, quando a viu, perguntou como ela estava.
– Eu estou mal, deixei cair o meu lanche no chão e a minha mãe esqueceu-se de dar outro lanche.
– Ah ah ah – respondeu a professora.
E a menina chorou porque a professora riu-se dela.

Mélanie, Alexandre, Ana, Cátia, Simão, Samuel - 3° e 4° anos, Curso de Língua e cultura portuguesas da Suíça, Curso de Bussigny, prof Paula Santos

77x77 - Miguel Real

SEGUNDO JOSÉ SARAMAGO – RICARDO REIS, REGRESSADO DO BRASIL, ADMIRANDO O JAZIGO DA AVÓ DIONÍSIA E DE FERNANDO PESSOA
Sinto medo ao pensar na avó Dionísia, lá dentro, no aflito neto Fernando, ela de olhos arregalados
vigiando, ele desviando os seus, à procura duma frincha, dum sopro de vento, duma pequenina luz. (Leva a mão ao estômago) Ah, um mal-estar transformado em náusea, eu que não enjoei em 14 dias de viagem. Deve ser da fome, vou almoçar.

25 novembro 2016

Arthur e o pássaro

Um passarinho queria voar mais alto que as nuvens mas estava preso numa gaiola na casa do pequeno Arthur. O rapaz não queria que o passarinho estivesse triste, então, num dia de nevoeiro, saiu com a gaiola e abriu a porta. Sabia que o pássaro não tinha força para voar longe.
Nos dias seguintes, o pássaro estava livre, mas ficou sempre ao pé do Arthur porque, mais importante que a liberdade, sabia que tinha um verdadeiro amigo.

Nathalie Dias Hacques, 48 anos, Frossay, Bibliotecária em França entre Nantes e o Atlântico

Uma mochila

Hoje, só tive tempo de atirar alguns objetos para dentro da mochila!
Hoje, dia do meu aniversário!
Os bombardeamentos não param. A cidade tornou-se cinzenta e nem o sol vem espreitar, com medo das bombas.
Hoje, cheguei a casa… Casa? Apenas destroços, pouco sobrou, uma bomba destruiu-a. E os meus pais… Onde estão?
Os aviões continuam a espiar, querem destruir o que ainda resta.
Recuperei alguns objetos dos escombros. Poucos. A minha vida resume-se a uma mochila…
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira
Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança


Brincar

A Inês olhava para a mãe.
O pai olhava para as duas.
A mãe, num papel, assinalava, com cores, as aulas e tarefas da Inês.
A Inês pensou que havia ali demasiado azul, mesmo sendo a sua cor preferida...
– Não gostas, Inês?
– Não sei o que é este azul, mas é muito tempo nisso...
– Inês, esse azul é um direito teu.
– Que direito?...
– O teu direito de brincar!
Então, a Inês abraçou-os e disse-lhes:
– Adoro este azul!
Paula Tomé, 44 anos, Sintra

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

The rosebush

Somehow the rosebush survived the ruthless bombings. Naomi survived too. The problem is in the hands of talking heads of state and soulless drones.  Dismembered bodies were as common as the ashy clouds in the sky. Naomi spotted a red rose growing from the rubble, reaching for light. The thorn entered her finger like a hammer, drawing blood. She licked her finger and took refuge in healing herself. She found the solution amid the wreckages of Aleppo.  
Megan Hilton Saraiva, Lisboa
Challenge nº 110 – 8 imposed words

Direitos

– Gigi, vamos dormir?
– Está cedo, tenho direito de ficar com você também. Não é só a mamãe.
– Como assim?
– Você sai antes de eu ir para a escola, volta agora e já quer se trancar no quarto? Vou dormir com vocês dois.
– Mas você tem o seu quarto. É mais bonito que o meu.
– Também tenho um pai. Prefiro dormir com meu pai.
– Já conversamos sobre isso...
– Vocês querem parar de discutir?
– Certo, estou levando meu travesseiro.
Celina Silva Pereira, 66 anos, Brasília

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

23 novembro 2016

Utopia

– O que eu quero?
Quero rua sem desassossego,
Poder andar a esmo, sem medo,
Eu quero, eu desejo.
Tranquilidade, estudar, ter liberdade.
– Um sonho?
Eu sonho sim, dormir sem acordar ouvindo barulhos de tiros, balas sem fim... E saber que a escola não vai fechar por medo, insegurança, ou por mais um irmãozinho que se foi de bala perdida, ou coisas assim...
– Um presente de Natal?
Poder viver, ter tempo de crescer, ter paz, simples assim. Paz. 
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

Direito de brincar

Brincar, brincar, passatempo de criança.
Brinca de boneca e de bambolê.
Gosta de todos os brinquedos.
Mas, prefere a bicicleta.
Com ela, está sempre, para lá, para cá.
Se divertia bastante com a bicicleta.
Mas, um dia aconteceu algo muito ruim.
A bicicleta quebrou-se ao meio.
E fez a menina chorar tanto.
Mas, aprendeu uma lição: guarde-a você também para a vida toda.
Agradeça por todo o conforto que tem, enquanto muitos não têm o que fazer.
Laura Diniz, 7 anos - Itaúna/Brasil

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

O Charlatão

Remediar sempre lhe parecera fácil
E tudo isso não passava de mentira;
Remediar não é fazer nada de novo,
E quem remedeia acrescenta ou tira!

Remediava, tecendo seus remendos,
Forjando, com efeito, sua nova versão,
Modificando tudo o que era original,
Enganando outros, com grande paixão!

Remediar era o que ele mais gostava,
Mentindo, desculpando-se com jeito…
Porque ele, charlatão, pessoa hábil,
Fazia do certo torto e do torto direito!...
E assim, «remediar sempre lhe parecera fácil!»
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

Desafio RS nº 43 - remediar parecia fácil

22 novembro 2016

Sou diferente

– O teu raciocínio está errado! – dizes-me do alto da tua certeza, como se tudo fosse uma verdade matemática.
Olho-te com a raiva que me consome, cerrando os punhos, lamentando a pouca idade. Então, explodo:
– Tenho o direito de pensar por mim e decidir que caminho seguir. Vou errar? É bem possível, mas pelo menos procuro um modo diferente de ser, em vez de repetir e aceitar verdades instituídas.
Vejo como te assusta o meu poder. Que bom!
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Faça aqui o download do livro infantil «O Chapéu-de-chuva às Bolinhas» http://ow.ly/ZtAG0

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

Remediar deixara de ser uma opção

Remediar sempre lhe parecera fácil, mas desta vez não o iria fazer. Levava os seus sonhos e anseios desta forma… remediados, retalhados e conformados com o que lhe apresentavam ser o certo.
Qual seria o plano a partir de agora?
Não fazia a mais pequena ideia, mas tinha a certeza que já não se satisfazia com este haver sensabor que tornava os dias inalteráveis. Iria percorrer um caminho desconhecido, continuar a remediar deixara de ser uma opção.
Mara Domingues, 36 anos
Mais textos aqui: http://amoraconversa.blogs.sapo.pt
Desafio RS nº 43 - remediar parecia fácil

Enxofre

Se as autoridades eclesiásticas não tivessem deixado, por falta de sinceridade, as vítimas de abuso entre a cruz e a espada, haveria ocorrido no passado menos fatalidades. Infelizmente os clérigos preferiram lavar as mãos em inocência e enviaram as vítimas jovens aos quintos dos infernos.
Cegos, gritaram em coro: "foi culpa do diabo". Na realidade, os abusadores não tiveram cheiro de enxofre.
Respeitando os direitos da criança, eles devem reconhecer humildemente, sem rodeios, essa injúria do passado.
Theo De Bakkere, 64 anos, Antuérpia, Bélgica 

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

Novo sol

Posso dizer tudo o que me quiser que hei-de ver-me, sempre, defronte do muro incompreensível do teu esquecimento. 
Quer o sítio nocturno do teu refúgio, quer o diurno como sempre foi nesse tempo feliz: luminoso, doce, cheio de luz interior, pleno de eternos interditos e difíceis impedimentos 
Quem quer que fosses, o modo como foste recebido foi único, completo, sem ses ou porquês.
Como um presente, um imprevisto e novo sol que tornou completo o meu mundo.
Teresa Varatojo, 67 anos, Lisboa

Desafio RS nº 39 – história de amor sem A!

revenir e Remediar

PRemediar sempre lhe pareceu fácil.  Feita de fibra, mulher rude, acostumada às intempéries da vida, não se rendia ao infortúnio mais por revolta que por valentia, lograva encontrar resposta às situações que, constantemente, reparava.
Filharada, marido néscio, trabalho mal pago, mazelas e lástimas.
Certo dia, houve uma visita: a madrinha, meio rica, dum dos filhos. Ofereceu jantar, pensando que não seria aceite. A madrinha ficou. Então, acrescentou água ao guisado, confirmando que, remediar sempre lhe pareceu fácil.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 72 anos, Lisboa

Desafio RS nº 43 - remediar parecia fácil

Picasso caseiro

Quando há silêncio numa casa com crianças, não é coisa boa. Pé ante pé fui ver o que o Mateus fazia e apercebi-me que estava a fazer pinturas abstractas nas paredes do seu quarto. Eu fiquei com os cabelos em pé ao ver aquela obra. 
– O que estás a fazer?
– Estou a brincar! 
– Achas que tens o direito de pintar a parede? - perguntei-lhe, divertida.
– Todas as crianças têm o direito de brincar, seja como for, mãe.
Isabel Pinela Fortunato, 43 Anos, Amadora

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

77x77 - Dora Batalim

Ela tinha 3 anos e queria ir à cozinha. Foi. Mas voltou para trás, havia um lobo mau no corredor. "Tens de encontrar uma maneira para lá chegares", disse-lhe a mãe. Durante quatro segundos foi só uma menina, com o norte da bússola virado a colo. Depois, deu meia-volta e, já fora da porta, pôs-se a dizer, alto: "lobo, vem comigo à cozinha, é que há lá bolachas". Ela tinha 3 anos e era, afinal, uma "príncipa".

21 novembro 2016

Programas Rádio Miúdos da semana de 21 Novembro 2016

Estas vão ser as histórias lidas na Rádio Miúdos durante a próxima semana.

Para ouvir, abram o link da rádio, carreguem em «Desafios» e procurem o vosso dia!

Programas Rádio Sim - semana 21 Novembro 2016

Aqui estão as histórias que serão lidas esta semana na Rádio Sim.

Esta rubrica está agora no programa Giras e Discos e passa às 17h45. 
Rádio Sim tem os podcasts sempre actualizados, por isso podem ouvir 
aqui as histórias:
Histórias em 77 palavras na Rádio - basta procurar o dia na barra 
do lado direito.


OIÇA aqui o programa em podcast na Rádio Sim

20 novembro 2016

Tempo de ser criança

Foi no ano em que nasci, foram aprovados os direitos da criança.
Tenho as minhas dúvidas, se algum dia foram respeitados.
Pela parte que me toca, aos dez anos, deixei de ser criança, foi-me roubado esse direito, porque já carregava nos ombros pesadas responsabilidades, o tempo de brincar com bonecas (que nem sequer existiam) ficou para trás, mas não esquecido, porque hoje vivo esse tempo, tempo que conquistei porque me dei esse direito, DIREITO DE SER CRIANÇA.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela
Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança


Direito a ter um nome

Sou um desastre com nomes pessoais. Faço uma associação do nome à pessoa e, se não interiorizar logo ao primeiro encontro, as dificuldades futuras são muitas. Tive um chefe de nome Osório, que desde a primeira vez chamei Queirós. Continuo atrapalhada em acertar, passados mais de vinte anos. Numa turma com meninas Rita e Sofia, andam sempre trocadas. As Maria, Mariana e Mafalda são o recorde. Não acerto nunca. O pior é falar com as mães...
Alda Goncalves, 48 anos, Porto

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

Perceberam, ou não?

Olá, hoje o dia está escuro, mas esse estúpido, só me diz «Mexe-te! Mexe-te! Mexe-te!», mas eu que sou esperto e não vou fazer isso. Eu digo sempre «Não vou fazer! Fui claro?», ele cada vez que me pergunta, fica mais estúpido que o céu fica muito escuro mesmo muito escuro, que tira claridade ao sol, mas enfim para fazer o céu ficar claro, tenho que ser esperto para enganar o estúpido para o tornar esperto, perceberam???
Sérgio Quitério, 11 anos, EB 23 Prof. Paula Nogueira, Olhão, prof. Cândida Vieira

Desafio nº 112 – 3x5 palavras no texto

Mesquinha

Remediar sempre lhe pareceu fácil. Aliás, adotou um provérbio que se lhe colou à pele como lapa: o que não tem remédio, remediado está.
Remediou a frustração quando a dieta não resultou.
Remediou o desgosto quando não conseguiu o emprego desejado.
Remediou o ciúme quando foi trocada por outra.
Remediou a tristeza quando lhe roubaram os sonhos.
Tudo tinha remédio! Até o irremediável!
Mísera e mesquinha, assim viveu toda a vida, pois remediar sempre lhe pareceu fácil.
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira
Desafio RS nº 43 - remediar parecia fácil

Onde falta o conselho

Remediar sempre lhe pareceu fácil. Aliás, adotou vários provérbios que se lhe colaram à pele como lapa e lhe serviram de guia.
A dieta não resultou: “O que não tem remédio, remediado está.”
O namorado trocou-a: “A paixão nunca remediou nada.”
Perdeu o emprego: “A mal desesperado, remédio heroico”; acrescentando: “Para grandes males, grandes remédios.”
Ignorava como dar voltas à vida: “O tempo dá remédio onde falta o conselho.”
Assim viveu sempre! Remediar sempre lhe pareceu fácil.
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira
Desafio RS nº 43 - remediar parecia fácil

Não dá...

Remediar sempre lhe pareceu fácil, mas sempre que ele tenta arranjar soluções dá barraca, ele não sabe que está a fazer errado, eu ofereço-me para o ajudar, só que ele rejeita. Há uma semana quando ele estava a escrever sobre a mesa fez um furo e para remediar colocou pastilha elástica. Disse-lhe que isso não dava. Foi-se embora e quando a mãe viu, a culpa caiu em mim. Por isso para ele remediar sempre lhe pareceu fácil.
Sérgio Quitério, 11 anos, EB 23 Prof. Paula Nogueira, Olhão, prof. Cândida Vieira

Desafio RS nº 43 - remediar parecia fácil

77x77 - Filipe Valentim

Per...quê!?
Tinha uma professora que, aula a aula, nos pedia ‘flores lexicais’... eu que sempre fui dado às leituras, às palavras, eu que tinha no dicionário o meu Hucleberry Finn, adorava.
Mas hoje, passado um mar de embarcações, quando me pedem, já não dou o coração...deixo aqui ou acolá uma definição.
Pernicioso?
Pernicioso igual Pedro Ocioso... ou... humm... odioso... Mas, confesso, isso já seria outra canção, mais passional... uma canção napolitana... ou uma canção de Verdi numa ópera italiana...
Porca miséria!!!

Desafio Escritiva nº 14

Hoje é dia de celebrações: em 1959, no dia 20 de Novembro, a Assembleia das Nações Unidas aprovou a Declaração dos Direitos da Criança.

Por isso, proponho-vos que revejam os vossos direitos (todos nós temos uma criança dentro de nós) e escolham um, o que quiserem. Depois, escrevam sobre ele, defendendo-o, reclamando-o, ou simplesmente disfrutando-o.

Eu escolhi este:
Conhecia perfeitamente os seus direitos e apesar da idade ninguém a conseguia convencer de que não se podia defender. Por isso, quando mudaram de casa e percebeu que estava rodeada de jovens estudantes universitários que adoravam praxes, noitadas e música aos berros, não hesitou um momento: pegou na lista telefónica e marcou o número exacto para poder reclamar os seus direitos: Sim, é da polícia? Senhor agente, chamo-me Inês, tenho 8 anos e tenho direito a dormir.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 35 anos, Salamanca
Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança