17 dezembro 2017

Carla Silva ― desafio 131

O acidente de Hermengarda
Hermengarda baixou a cabeça perante o enorme homem que a fitava com cara de quem não acha a mínima piada ao que acabara de acontecer.
Quiçá devido à farda autoritária ou ao bigode à Poirot, Hermengarda nem tentou ter razão ou fingir inocência no ocorrido!
A verdade é que, devido à chuva, não vira o carro parado e fizera o favor de arranjar uma nova porta ao proprietário.
Proprietário que a faria pagar a porta bem caro.
Carla Silva, 44 anos, Barbacena
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L


Maria Ribeiro ― desafio 80

Sou famosa no Halloween,
Os cantos das despensas gosto de enfeitar 
No chão não posso morar
Pois tu pisas-me sem reparar

No Natal sou esquecida,
Na Páscoa sou usada,
No Carnaval gozam comigo
Só no Halloween sou adorada

Fiz a minha casa no presépio
Na árvore
Até já tentei fazer perto dos doces
Mas não consegui

Gorda sou
Mas calorias hei de perder
Alta sou,
Centímetros perderei

Não recebo presentes
Não tenho lençóis quentes

Quem sou eu?
Maria Ribeiro, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, prof Cristina Félix
Desafio nº 80 – o Natal da aranha


Elsa Alves ― desafio 131

Hermengarda Piçarra tinha enorme vaidade no nome próprio, do agrado do papá, rico vinhateiro da região do Douro. Não a incomodava a troça que muita gente fazia achando-o antiquado. Venceu na vida; era uma conceituada advogada em Braga. Um dia, tentou a candidatura à câmara. Contando com forte apoio, ganhou por uma avantajada maioria. Contudo, a teia da corrupção apanhou-a. Foi condenada. A carreira acabou e o nome de Hermengarda, rapidamente, foi retirado da memória do povo. 
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L


Gonçalo Noronha ― desafio 80

Era uma vez uma vez uma aranha que fazia parte das renas mágicas e brilhantes que puxavam o trenó do Pai Natal.
Na noite de Natal, a aranha ajudou-o a distribuir os presentes, pois ela tinha muitas patas, o que facilitava o trabalho.
Assim, passaram a noite a distribuir os presentes de Natal para todas as crianças que se portavam muito bem.
As crianças adoravam o Pai Natal e a aranha Baganha, pois tinha muitas patas.
Gonçalo Noronha, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, prof Cristina Félix
Desafio nº 80 – o Natal da aranha


Helena Rosinha ― desafio 28

PAN-panpan-Pan! Perdido entre as trevas, o casebre estremeceu. A velha também. Só uma pessoa batia assim.
Não podia ser, agora, ao fim de… Quantos anos? Uma vida! Era ainda gaiato, regressava da escola esganado e devorava tudo que apanhasse pela frente, que nunca foi muito! Enrola-se mais no xaile e, arrastando os pés, vai abrir; um homenzarrão escancara a porta e avança cozinha adentro:
 Então, qu’é que temos prá janta?
 Deus do Céu, é Natal outra vez!
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira
Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano


Joana Beleza Nunes ― desafio 80

A aranhal
Era uma vez uma aranha que adorava o Natal, por isso, chamavam-lhe Aranhal, que era uma mistura de aranha mais Natal. No dia de Natal fez a sua árvore na teia. Não era fácil, pois tinha estado o ano todo a preparar a teia para aguentar com tamanha árvore. Nessa noite não dormiu, pois esteve a enfeitá-la com moscas e baratas para espantar a família com uma árvore lindíssima. A noite de Natal foi fantástica.
Joana Beleza Nunes, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, prof Cristina Félix
Desafio nº 80 – o Natal da aranha


14 dezembro 2017

Glória Vilbro ― desafio 116

Nunca alguém a quem roubaram mercadoria agira como o Zé Júlio. Idóneo merceeiro, com casa sediada ao fundo da Rua do Prior, o nosso Zé Júlio era um exemplo raro de sabedoria. A quem indagava sobre o paradeiro dos bens desaparecidos, respondia que o mundo não iria acabar por essa razão. E aos que o consideravam frouxo, pouco digno das calças que envergava e ridicularias parecidas, dizia apenas que o que não se pode remediar, remediado fica.
Glória Vilbro, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra
Desafio nº 116 – Zé Júlio sem T nem H


Susana Sofia Miranda Santos ― desafio 42

Tu queres vários ovos de Páscoa, mas nunca tens dinheiro.
A mãezinha cortou-te a semanada devido ao aproveitamento escolar catastrófico.
Na Páscoa, aquela pastelaria confecciona uns ovos gigantes maravilhosos... tu, que és guloso, até deliras com tanto chocolate! Além disso, sendo generoso, gostarias de oferecer aos amigos e família toneladas de amêndoas.
Agora, graças à mãe carrasca, nada acontecerá... que crueldade!
Contudo, apesar de não compreenderes, os castigos maternais tornar-te-ão um homem com H maiúsculo no futuro.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 42 – frase com 5A, 5E, 5O, 3I e 3U, que dá o mote


Glória Vilbro ― desafio 115

Algumas coisas precisam das sombras para se moverem confiantemente. É o caso de certas ideias e opiniões, e também de alguns sentimentos. Ao contrário do que possamos pensar, na noite não medram apenas conceitos obscuros. No caso da Mariana, por exemplo, a inspiração só a visitava quando ela dormia. Deitava-se absolutamente falha de ideias, e despertava radiosa e cheia de discursos, qual profetiza das madrugadas. Não percebia como acontecia, nem se preocupava em saber. Tecia sonhos inacabados.
Glória Vilbro, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra
Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe



Susana Sofia Miranda Santos ― desafio 63

Aquelas palavras vãs foram ignoradas, tal como uma folha amarrotada.
Uma folha amarrotada apenas pode ter como destino o balde do lixo.
O balde do lixo... já me fizeste sentir assim, um desperdício sem utilidade.
Um desperdício sem utilidade - aos teus olhos não tinha valor; até me disseste que apenas servia para passear cães.
Passear cães é prazeroso, adoro animais; já tu, amares algo, alguém... duvido plenamente!
Duvido plenamente que tenhas sentimentos, somente possuis aquelas palavras vãs.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 63 – fim de cada frase é igual ao início da próxima…


Helena Rosinha ― desafio 77

Ai, Margarida,
Se não fosse este blogue,
Que seria da minha vida?
― Passava dias sem desafios
Dormia e comia num desatino
Era um quem me acode.
Mas, Margarida,
Se não fosse este blogue,
Que diria a Elsa?
— (ela conhece-me há anos)
Que nem sempre repostamos,
Mas devemos agradecer.
E, Margarida,
Se eu escrevesse uma história
Daquelas que fazem sofrer?
— Eu teria que a ler
Mas achava que era inglório
Não cantar o amor à Vida.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 77 – texto sobre o blogue


Maria de Lurdes Trilho ― desafio 131

Que monotonia era o dia em que Hermengarda não fazia nenhuma avaria. Chamavam-na para contar uma graça, Garda ficava ofendida; diziam uma adivinha, Garda nunca acertava; gritavam, Garda ria a bom rir. Parecia uma tonta, não acham?
Quando experimentava cozinhar, queimava a comida; quando ajudava a mãe na cozinha, partia um prato, um copo,… Certo dia, decidiu ficar em pé, parada, muda, nada movia. A mãe ficou preocupada. Preferia ter a Hermengarda tonta. Que podia fazer? Aguardar…
Maria de Lurdes Trilho, 52 anos, Lisboa
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L

Amália da Mata e Silva ― desafio 131

Não faça pirraça, meu menino!
Como hei-de enviar o texto à Margarida?
Prometi que o enviava e, é o que vou fazer. Adoro honrar o que prometo...
Vá fazer birra para outro e não me aborreça, por favor.
Não cabe na cabeça de ninguém que um computador fique “mudo e quedo” quando o dono o mande executar uma tarefa!
Acaba com a caturrice que eu ― a tua doce Hermengarda ― até te ponho uma prenda na minha árvore.
Amália da Mata e Silva, 62 anos Vila Franca de Xira
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L



Glória Vilbro ― desafio RS 46

Tinha o coração perto da boca, e acabava invariavelmente preso numa qualquer polémica de grupo. Seria tão mais simples se não se metesse em tanta confusão!... Ansiava por uma mudança no seu comportamento, algo que o impedisse de se sentir pisado. Porém essa nesga de luz, alcançada pela maioria das pessoas, era-lhe a ele interdita. Saber que o temperamento o atraiçoava, fazia-o suspirar por um trevo da sorte, que juntando quatro folhas de ilusão lhe trouxesse paz.
Glória Vilbro, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra
Desafio Rádio Sim nº 46 – 12 palavras impostas


13 dezembro 2017

Elsa Alves ― desafio 28

Para falarmos do Natal não há segredos: basta olharmos para dentro de nós. Estamos propícios a amar mais, a sermos mais carinhosos, mais solidários. Mesmo aos que não somos crentes envolve-nos um certo, digamos, "espírito natalício". Pena ser só em Dezembro. Será tão difícil sermos assim durante todo o ano? O mundo não funciona só no Natal. Carinho é necessário sempre; não há frio e fome só nesta altura. Realmente bom era termos Natal todos os dias.
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Desafios nº 28 e 29 – Natal e Passagem de Ano


Isabel Lopo ― desafio 130

As ESPIGAS passavam a DOIRADAS numa pressa aflitiva. Há muito não via uma seara tão composta, mas se o SOL e o CALOR apertassem, espigaria antes de tempo. Nunca fora homem de rezas, mas foi até a Igreja. Sentou-se em silêncio olhando a Virgem. Ela entenderia a sua aflição! A SECA não tardaria.
Quando saiu, a CHUVA caía de mansinho... Voltou para junto da Senhora que agora lhe pareceu sorrir. E sentiu o coração cheio de ESPERANÇA.
Isabel Lopo, 71anos, Lisboa
Desafio nº 130 ― de espiga a esperança



3°/4° B, EB Galveias ― desafio 130

Na Quinta-feira da Ascensão é tradição apanhar a espiga.
mãe apanhou papoilas e malmequeres para haver sempre amor e alegria. O pai apanhou espigas de trigo para haver sempre pão, ou seja, para não faltar a comida e o filho apanhou um raminho de oliveira para existir paz e luz.
De seguida, o José foi participar num jogo de andebol e marcou dez pontos. À noite foi ver a dança da Maria que falava de esperança.
3°/4° B, EB Galveias, professora Carmo Silva
Desafio nº 130 ― de espiga a esperança


Elisabeth Oliveira Janeiro -desafio 130

Juliana, a Sucessora
espiga fazia parte do brasão e dos pergaminhos de família. O pior era a nova geração, que descurava apegos a outras eras em que a soberania fazia parte duma fidalguia há muito em declínio. A casa senhorial implantada nas cercanias da aldeia, impunha-se pelo belo. austero estilo. Lutavam os senhores feudais pela perpetuidade da importância familiar, mas os descendentes desvalorizavam. Residia a esperança na afilhada Juliana, menina de áulicos dotes, dada ao cerimonial e ao aparato.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa
Desafio nº 130 ― de espiga a esperança


Helena Rosinha ― desafio 131

O mundo de Hermengarda Pirraça não tinha tecto, nem ventã, tampouco fechadura. Para dormir tinha cama de faz de conta, para comer um menu de fingidora.
Foi Noé que a enxergou em noite de tormenta. Ofereceu carona, ainda cabia outro ente; porém, indiferente à intempérie, Hermengarda gracejou: “Toda a vida meti água, não há bátega que me impeça!”
Pode o mundo ficar ao contrário, o céu tornar mar, o mar virar firmamento – a bela Pirraça vai perdurar.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L


12 dezembro 2017

Elsa Alves ― desafio 77

Pobre Margarida! Mata-se a encontrar desafios verdadeiramente desafiantes (perdoe-se-me a redundância) e ninguém escreve sobre o blogue por ela criado e carinhosamente mantido? Que crueldade!  Mas eu não alinho nestes comportamentos, não... Quero dizer que o blogue é mesmo emocionante e alguns dos desafios são tão difíceis e extravagantes que me ponho a atribuir à sua autora uma boa dose de loucura. O que é ótimo! A quem ler este texto: 'bora participar e escrever coisas giras...
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira 
Desafio nº 77 – texto sobre o blogue


Theo De Bakkere ― desafio 131

O chefe
Hermengarda ia de mau grado para o convívio do chefe, um homem que aparentemente era tão chato e monótono como o apartamento onde vivia. Aqui não carecia de intimidade de uma mão feminina. Tudo parecia cinzento, exceto um pormenor bizarro. Porém, era já primavera, ficou de pé num canto do quarto a carcaça dum pinheiro inteiramente decorado. Hermengarda Pirraça hipoteticamente não terá de contar para o ano próximo um aumento do ordenado porque não acabou de rir.
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia, Bélgica
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L



Glória Vilbro ― desafio 131

Para a Hermengarda Pirraça, corada e forte mocetona, a verdadeira preocupação era o mau feitio. Era conhecida a vertente de bicho do mato, bem como a inquietação que a caracterizavam. O mundo brindava-a diariamente com uma reprimenda, ou outra punição por mau comportamento. No entanto não era má rapariga… Apreciaria um pouco de carinho, contudo percebia que a receavam por a verem dominante e provocadora. Enquanto dormia era um indivíduo diferente, e encontrava a paz na imaginação.
Glória Vilbro, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L


Susana Sofia Miranda Santos ― desafio RS 35

A Iva não sabe o que quer da vida.
Nunca conseguira vislumbrar qual caminho conduziria àquele futuro risonho ambicionado, gerando progresso, estabilidade.
Mas como será que a Iva terá paz?
Ninguém poderá decidir pela jovem... jamais alcançará independência, possuindo total incapacidade para processos deliberativos.
Mas hoje vi um caso raro: a Iva foi à loja de cães e saiu com uma bela Pug ao colo.
Sempre demonstrara incertezas, porém venceu-as finalmente, trazendo consigo alguém especial... chamou-lhe Amélia.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio RS nº 35 – até 4 letras, mais de 4



Rosário P. Ribeiro ― desafio RS 34

Era uma pessoa especial e conseguia sempre espantar os que não se espantavam com nada. Vivia na lua, dizia-se.
Cumprimentava, sorridente, todos por quem passava. Fazia conversa, dizia umas loas.
E seguia em frente.  Bebendo o horizonte como se fosse seu.
Ninguém sabia bem se era louco, pintor ou poeta.  Mas todos sabiam que absorvia as palavras e as cores, como se fossem néctar.
Alguns até o invejavam… porque vivia os sonhos acordado e parecia feliz.
Rosário P. Ribeiro, 60 anos, Lisboa
Desafio RS nº 34 – frase de Mia Couto


Susana Sofia Miranda Santos ― desafio RS 3

Este domingo, o Pedrinho acompanharia a avózinha à igreja... que aborrecido!
Então, enquanto esta dormia, aqueceu a chaleira no fogão para fazer o termómetro atingir os quarenta graus.
Posteriormente, sarapintou a face com um marcador encarnado... o sarampo atingira-o rapidamente!
Quando constatou a doença súbita do neto, a avózinha telefonou urgentemente para o hospital.
O menino preocupou-se; qualquer médico descobriria a origem das pintas.
Mas, felizmente, escapara da missa.
Em Julho abafadiço, fica a abelha no cortiço.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Rádio Sim nº 3 – um dos provérbios dados no fim


Quita Miguel ― desafio 131

Que verdade?
A magazine, diante de Hermengarda, noticiava pouca verdade, ignorando a veracidade que a rodeava. Não tinha grande conteúdo e não fazia nenhuma referência à morte do morador de rua que, a cada manhã, arrumava a trouxa frente à porta da igreja, para continuar o caminho que o empurrava para o incógnito e cujo medo fazia retroceder cada noite ao recanto da igreja.
Recordou o homem que já não a cumprimentaria de cabeça baixa, como quem tem vergonha.
Quita Miguel, 58 anos, Cascais
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L


Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» https://www.smashwords.com/books/view/595005

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio RS 14

A Rita amanhã terá teste de Português sobre o tema dos Descobrimentos e está infelicíssima!
Ela adora ler, mas Camões... tira alegria a qualquer comum mortal.
A professora incentiva que o Adamastor mate uma alma romântica e meta um coração apaixonado na lama! Não é justo!
Ela é estudiosa, mas... Lusíadas?! Ninguém merece esta tortura!
A escravatura pedagógica trai a liberdade literária.
Está cansada... fará a mala e viajará imediatamente. Nas praias brasileiras, só irá ler Bocage.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio RS nº 14 – três trios de palavras em anagrama


Lourença Oliveira ― desafio 130

O dourado de um campo em espiga invade-me a consciência quebrando os limites do corpo, ainda assim, sinto aquela aspereza delicada roçar-me a pele, enquanto saboreio o calor do ar aspirado. O restolhar aglutina o som da chuva que bate na janela, deixo-me pairar pelo mundo das sensações daquela paisagem, recuso e aniquilo qualquer pensamento simbólico, que ensombraria a perfeição. Só ao vento abro as fronteiras do sensorial e com lentidão um redemoinho fresco envolve-me de esperança.
Lourença Oliveira, 45 anos, S. João do Estoril
Desafio nº 130 ― de espiga a esperança


7 palavras para o Natal


Contem uma história de Natal em 7 palavras! 
É isso, um desafio natalício, aqui, no facebook. Não serão 77 palavras, serão APENAS 7 PALAVRAS (gira, pirosa, humorística, o que quiserem)!

Escrevam aqui.

11 dezembro 2017

Celina Silva Pereira ― desafio 130

Esperança
Na espiga, Pequeno Grão de Trigo esperava num campo onde as plantas se vestiam de ouro. A chuva caía muitas vezes e deixava pontinhos brilhantes.
Um dia, o fazendeiro esfregou as mãos, sorriu. Estava com outros homens.
Os sacerdotes voltaram em dois dias e colheram a espiga de Pequeno Grão e algumas outras, formando um molho. Um homem de barbas brancas disse no templo que esse molho simbolizava um Menino que nasceria naquele ano e traria esperança.
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil
Desafio nº 130 ― de espiga a esperança


Elsa Alves ― desafio 120

No passado, ele insistira num percurso sem regresso; considerara o mundo seu e para sempre. Era o seu desejo. Contudo, algo existia escondido nas entrelinhas, mostrando que a estrada que seguia também continha atalhos que poderiam conduzir ao desejado destino. Tomou então uma decisão: apanhar outro caminho de regresso, outro que não o de antes, um que indicasse um outro rumo. Aos seus lamentos deu contorno nítido. Descobrindo outra maneira de regressar, reencontrou igualmente a sua história.
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F


Natalina Marques ― desafio 131

Joãozinho, hoje chega a priminha do Canadá.
― Já ouvi dizer, é a Hermengarda, que raio de nome deram à priminha mimada.
― Tem o nome da madrinha que a baptizou.
― Agora percebo o porquê de não vir à terrinha... Eu também não vinha.
― Ora, menino, não diga nada que no futuro venha o arrependimento.
― Eu vou fazer tudo o que puder para que a priminha fique bem, e prometo não fazer, Pirraça também. Agora, Maria, vou ao café.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L


Programas Rádio Sim - semana 11 dezembro 2017

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).


Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias

10 dezembro 2017

Susana Sofia Miranda Santos - desafio 131

O dia de Hermengarda Pirraça decorria negativamente. Tivera de efectuar um exercício académico muito importante que, de acordo com a orientadora, receberia ajuizamento técnico contando para a nota do período.
Porém, quando copiava o texto para o computador, derramou o chá da chávena e a máquina entrou em curto circuito.
A página de anotação prévia ficara manchada. Como poderia entregar o projecto? Nem percebia o que redigira.
Hermengarda, apavorada, rezava... tinha que rogar a piedade da tutora.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L



Margarida Freire ― desafio 131

Gioconda permanecia grudada à cadeira.
Nunca imaginara viver como Figurante. O Circo fora primeira opção; o pior era o trapézio. Fugia, como o diabo da cruz.
Para que fora conhecer o Da Vinci – nome parvo, credo! Nunca deu “dez”, agora “da vintchi”. Tropeçara, tinha de pagar a conta. Até que o amava, ao Pintor. Fora primeiro Amor, único até hoje. Era tão tímida…
Ah, Um Dia!!!! Porque não agora?
MONA foi. E a voar, claro. Para o Mónaco!
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio nº 131 ― Hermengarda Pirraça sem S e L


Maria João Cortês ― desafio 26

Era um magnifico dia de verão, e perante a escolha entre uma manhã de compras ou ficar ao sol a ouvir música na piscina, não hesitei.
Instalei-me confortavelmente na espreguiçadeira para aproveitar ao máximo a minha decisão.
Estava eu assim recostada quando ouvi o chilrear de numerosos pássaros, cantando à vez, intercalando com o correr da água da fonte. Foi um momento de extrema felicidade, pois nunca tinha tido a sorte de ouvir um tão belo concerto.
Maria João Cortês, Lisboa
Desafio nº 26 – dedicatória para alguém


Susana Sofia Miranda Santos - escritiva 1

O Zequinha sempre adorou ser o centro das atenções, mas desde que a mãezinha adoptou a Rubi, uma cadela com pedigree, escova-a persistentemente... até lhe colocou totós nas orelhas.
Antes, a mãe brincava consigo... agora, parece que a Rubi é filha e ele é enteado!
Mas hoje vingou-se... usando a máquina de barbear do pai, rapou totalmente o pêlo da Rubi. Acabaram os totós!
Quando a mãe viu, quase morreu de susto!
A cadela transformou-se em frango!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Escritiva nº 1 – um momento de riso!



Quita Miguel ― desafio 130

Vejo o campo a ondular sob o vento, observando cada espiga seca, que o frio e a ausência da água matou.
Observo o céu azul, desejando que as nuvens o preencham, e fecho os olhos, procurando sentir os pingos de chuva na face, mas apenas o vento marca presença, gelando o ar e retirando-lhe a pouca humidade que ainda permanece.
Entro em casa com os olhos embaçados, percebendo que as minhas lágrimas assinalam o fim da esperança.
Quita Miguel, 58 anos, Cascais
Desafio nº 130 ― de espiga a esperança


Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» https://www.smashwords.com/books/view/595005

Susana Sofia Miranda Santos - escritiva 13

O maior record pessoal foi, indubitavelmente, deixar de fumar, sendo motivo de orgulho.
É extremamente complexo superar um vício, mas se existir força de vontade, não carecemos sequer de auxílio médico. Necessitamos somente de encontrar dentro de nós estratégias motivacionais eficazes.
Eu pensei que venceria quem duvidava de mim; o dinheiro gasto em tabaco poderia ser utilizado em fins construtivos. Além disso, desta forma pouparia a saúde, acompanhando com maior qualidade de vida as pessoas que amo!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Escritiva nº 13 – recordes pessoais



Margarida Freire ― desafio 104

Assumira Temporariamente Ensinar Matemática – “Palermice”, Observaste ‘Simpaticamente’. Alteraste Tendências, Esforçaste-te Muito Para Oferecer Simpatia. Atenta, Troquei Elementos, Movi Peças. Olhavas-me, Sorrindo!
Atabalhoadamente, Tentaste Envolver Místicas Profundamente Obsoletas, Sofisticadas. Atrevi-me, Torci Emoções, Mascarei Palavras, Ousando Silenciar-te. Abstive-me Temporariamente, Embora Mal Pudesse Ocultar Simpatia. A Tua Empatia Momentânea Possibilitou-me Outra Saída… Alteraste Tendências, Enfatizaste Modos, Posturas… Outros Sinais. Ao Teu Jeito, Modificaste Palavras, Ocultando Soluções. Antigamente, Teria Ensaiado Múltiplas Progressões, Obliterando Sinergias, Até Te Enlouquecer... Meu, Perdeste!! Ousei Sorrir!
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio nº 104 – letras obrigatórias: A T E M P O S