16 janeiro 2017

Sem falar

Passavam poucos dias do Natal, quando apareceu por ali e foi visto a dormir na entrada do prédio. Rapaz de cerca de 30 anos, alto, moreno, educado, de gestos elegantes. Tímido, discreto.
Transportava uma mochila e desenhava num caderno. Nunca pedia nada. 
Ela começou por lhe deixar peças de fruta, iogurte, fatia de bolo. Não falavam.
Trocavam olhares, o dele agradecido, o dela preocupado. Passado algum tempo desapareceu dali. Ela passou a apoiar sem-abrigo.
O voluntariado enobrece.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto
Publicada no blog - www.macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt

Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

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