30 junho 2017

EXEMPLOS - desafio nº 120

Até quando
Uma pessoa que aos outros parecia sempre estar na maior alegria e cordialidade.
Porém os de casa sabiam como era realmente.
Era trapalhão, presa boa para se deixar enrolar por amigos e "amigos", que nem sempre o seu bem pretendiam.
O patriarca e seus conselhos eram por ele ignorados. A cada aprontada, outras promessas.
Todos ali sabiam que a trégua pouco resistia.
Logo, o chamado dos amigos soaria como uma isca.
Até quando resistiria?
Tomara se regenerasse!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

― Que é isto?
― É meu jeito de pedir-te desculpa.
― Para quê! Amanhã repetes as mesmas coisas.
Estou cansada, a pensar seriamente na separação.
É a última gota que suporto.
― Não, dá-me outra oportunidade, mais uma, prometo mudar.
― As tuas promessas, são ilusões que alimentam o amor que ainda te tenho.
― Eu sei, só queria que sorrisses.
― Que amanhã posso almejar, se em ti acreditar?
― Não sei, mas, amanhã é outro amanhã
e eu continuarei a pedir-te perdão.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Haja Alegria
Ainda bem, que depois de alguns dissabores e mal-entendidos, Laura, avançou.
Conseguiu ultrapassar o mau tempo. Dias sombrios são agora matizados de bonitas cores, que alegram o coração e o olhar. É um grande contentamento. E Laura caminha com uma maior certeza de conseguir suportar as tempestades que possam surgir quer interiores ou exteriores a si ou inseridas no ambiente e natureza. Haja alegria com poesia tudo resplandece, é belo o céu azul e o sol doirado.
Maria Silvéria dos Mártires, 70 anos, Lisboa

Tinha sido extramente penoso conseguir aquele emprego. Batera a todas as portas e nenhuma se abrira, até que naquele dia, por anúncio no jornal, conseguiu o que tanto ambicionara: o lugar de secretária numa empresa multinacional. Sentia-se exuberante. Só que não sabia que as pessoas eram tão ignóbeis. O ambiente era péssimo e uma das colegas que desejara o lugar persegui-a constantemente. Não se deixou aniquilar e passado algum tempo era nomeada para coordenadora de departamento. Ganhara!
Emília Lopes de Matos Vieira Simões, 65 anos, Mem-Martins (Algueirão)

 João valentão
João é recolhido numa casa de detenção por homicídios. Lila a assistente social o gerenciou na ala dos mecânicos. Sem dados dos pais era um sem teto. Agora sai na condicional para trabalhar. Abre a porta, sorri para Lila, acena com a mão direita.  À noite Lila ansiosa olha para o caminho, para o relógio, eis que João surge na esquina sorrindo com um bonito arranjo de rosas brancas nas mãos. Seria mais uma arte do João?
Antonio Tomaz, 61 anos, Salvador.Ba, Brasil 

Era uma noite quente de Outono. As horas a passar e eu sem sono. Tic Tac Tic Tac... Pela janela entram os primeiros raios de Sol. É dia. Não durmo há mais de trinta horas. O cansaço é enorme... as saudades, ai... as saudades tuas apertam no meu coração pequenino. Entro em contagem decrescente. Preparo com carinho a tua chegada. As rosas de que mais gostas estão na jarra. No teu quarto coloquei a tua manta azul!
Vera Campos, 38 anos, Sta. Maria da Feira

Custou encontrar o caminho depois de andar tantos anos perdida.
A sua existência, assolada por tempestades, trouxera-lhe dissabores. Nunca sabia se, nem quando, surgiria a próxima.
Agora, chegada a calmaria, o importante é erguer-se. Está sozinha, é certo, mas, como diz o ditado, “antes só do que mal acompanhada”. Sozinha, mas independente. Sozinha, mas com liberdade. Sozinha, mas de sorriso recuperado. Dona de si. Orgulhosamente.
Não se habituara, ainda, a este luxo, conclui. Resta-lhe, então, aprender. Resistindo!
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira

Por agora, basta
Reencontro-me à medida que as gotas iam caindo naquela manhã de Setembro. A mágoa que me consumia até ali, pouco a pouco abandonou-me. Naquele momento, percebi que apesar de todas as lágrimas que chorei, ia conseguir seguir sem ti. Toda a dor pertence agora ao passado. A um passado que quero, e sei, conseguir esquecer.  Tenho plena consciência que não será tão simples assim, mas por agora é quanto basta. Basta-me ter a certeza que irei conseguir.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Era uma janela como qualquer outra, nela escorriam pequenas gotas, testemunhas últimas deste outono sombrio; naquela manhã, Laura encostou-lhe a testa, cerrou os olhos e desejou retomar todos os sonhos esquecidos, as leituras adiadas, os amigos, a paz!
Acreditou ter encontrado o caminho da libertação, decidiu assumir as rédeas do destino. Iria começar por comprar uns ténis, dar um corte ao cabelo, correr na marginal... mas a janela só lhe trouxe a imagem de Mary!
Que fazer?
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá

O ser humano nasce com o poder da escolha. Eu nasci com esse dom, mas com algumas anomalias no sistema.
Duas estradas, cinquenta por cento de erro, e eu escolho qual? A errada!
Sina, destino? Não sei, só sei que hoje continuo a tentar encontrar ou reencontrar esse caminho.
Dizem, não olhes para o passado, e eu, olho!
Para quê? Para tentar o outro lado.
Mas, como todos os loucos, sou alegre.
Perdida? Não! Tentando sempre reencontrar-me.
Manuela Branco, 60 anos, Alverca

Céptica, sempre lera que o trabalho é um escape aos problemas. E agora que dizer...
A sair da adolescência, más notas, companhias pouco sãs, pouco apoio.
Trabalhar na loja de roupas não é solução, nem opção. Um dia após outro, o tempo corre. 
Uma SMS de longe, bem longe, diz: queres aparecer por cá uns dias? Descansas e conheces a cidade. Linda! Se te agradar, arranjas cá trabalho. E agora um caminho surge. Há que segui-lo. Emigra.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto

Melancolia
Depois de ter suportado muitos anos de melancolia, Joana não podia mais tolerar este caminho de dor. Embora não possuísse pecúlio nem casaco sólido, decidiu-se a regressar no mundo real. Ora, por um instante sentiu-se incerta. No entanto, com a algazarra social e a gentileza das pessoas, o mundo parecia-lhe de repente lindo e Joana nunca mais queria largar essa sensação de tranquilidade dentro de si própria.
Após anos escondidos numa solitária ordem monástica, encontrará seu equilíbrio?
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia, Bélgica

Pelo Mundo
Há lugares tórridos, onde a brisa é comprimida pelo suão. Lá, não existem desconhecidos, comunicam em íntimos circuitos, estranhando aqueles que, em sua simplicidade, optam pela entrada.   
Apesar do círculo estar completo, existem rosas ― desabrochando com suas cores e aromas. Crescem contentes, em busca de Luz. São elas que aspiram as lágrimas, destilando-as.
O reencontro com o caminho é incerto, mas pleno. Partimos, experimentando os beijos dos bons, os abraços dos luminosos e a sensatez dos tolerantes. 
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Quando os rapazes partiram, sentaram-se em silêncio na sala, que agora lhes parecia sobrar em tamanho...
Ele continuou a trabalhar, sem pressa de regressar a casa. Ela, na sua solidão, perdia-se em recordações...
Uma noite ele não regressou.
Então, ela retomou o mestrado que há muito abandonara.
Tempos depois, à saída das aulas, reconheceu-o. Num gesto impensado, juntou-se a ele. E retomaram o caminho de casa, como sempre o tinham traçado.
Apenas sabiam que esta tempestade serenara.
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa

Vivia num desnorte contínuo. Sonhar faz parte da vida jovem. O apego à escola era a maior desconfiança dos amigos que vivem no desapego constante das relações. Nas férias iria ficar no norte. Uma forma de ganhar a confiança do grupo.
Que chatice quando tudo é medido pelos pais. Ser jovem é ser desmedido, mas os adultos insistem em não aceitar.
Tem graça apenas quando são os pais que sofrem na pele a desgraça de novas adaptações.
Alda, 49 anos, Porto

Gumercina e Tibéria
Gumercina olhou-me de lado. Mas eu, Tibéria, não engulo sapos!
― Sua pindérica! Achas-te melhor!?
― Bem melhor que os da tua laia!
― Acaso pensas que te sou algo!?
― Isso querias tu!
― Segurem-me que me dá uma coisa!
E deu! Agarrei-lhe aquele pescoço de galinha, sacudi-a tanto que caiu estatelada no chão.
Ah, mas a Judas arrastou-me junto!
De traseiro no chão começámos a rir como crianças, reencontrando assim a amizade perdida.
Bem, pelo menos, até Gumercina me espicaçar!
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Há muito que perdera a razão de existir. Abandonara a alegria de gozar cada dia que surgia no seu destino. O céu enegrecido, prometendo choro, parecia emoldurar o seu estado de alma. Deixou-se ir sem perceber a direção. Calcorreou o trilho que a transportou para o mar e, sem disso dar conta, deixou-se carregar pelo ondular da água. Naquele instante tudo se alterou. No hospital percebeu que o destino lhe dera outra oportunidade. Saberia lograr com isso?
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

A sala de aula
Licenciara-se no início da segunda dezena de anos na sua cidade. Na pressa de conseguir uma colocação, terminara obtendo um dos primeiros lugares de um concurso e trabalhara mais dois decênios numa área estranha, com processos e documentos.
Terminara essa jornada, já há cinco meses em casa. Lendo as notícias, encontrou outra oportunidade, agora para mestra. Decidiu participar e retornar para a carreira sequer iniciada. Lendo algumas apostilas, recordou lições passadas. Assim reencontrou a sala de aula.
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil

A tempestade passada ocorreu por causas passionais. Reencontrei o meu caminho junto de ti; tornaste-te o meu herói.
Eu pensei que nunca mais acreditaria no amor, mas, graças a ti, não perdi a esperança de conseguir combater os tumultos da existência.
Sei que nos momentos doces estarás comigo e que nas tempestades agrestes também poderei sentir a tua mão enlaçada na minha para me encorajares a encarar os perigos e tormentas.
Obrigado, amor, por seres quem és!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Coragem para mudar
– Muito bem – concluiu Florêncio, olhando-se ao espelho e jurando mudar de vida.
A doença que lhe fora diagnosticada, mostrava como havia desperdiçado a vida. Há mais de 30 anos que fazia o que odiava, convivia com quem não lhe interessava e calava muitas das verdades que queria gritar.
Colocou o boné e enfrentou o sol quente do Alentejo, em busca do barro que a sua criatividade iria moldar.
Quanto tempo iria viver? Não sabia, mas seria feliz.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais

Destino
Relâmpagos e estalidos,
Clarões na rua deserta,
Céu negro, alguns gemidos,
Mas nenhuma porta aberta…

Perdera rumo e Norte,
O carro na enxurrada,
Já não tinha passaporte,
Parecia uma emboscada!...

Até que algo o tocou
No meio da escuridão,
Um raio que aclarou,
Alguém que estendeu a mão…

Era o seu petiz querido,
Arrastado pelo chão…
E aquele baque e gemido
Tocaram-lhe o coração…

Ia entregar o menino,
Raptado com ousadia,
Tempestade no destino
Aplacou-lhe a rebeldia…
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante

Reencontrou o seu caminho. De tempestade em tempestade, o trilho aparecia e desaparecia diante dos seus olhos incrédulos e da alma alucinada pela pressa dos dias.
Corria, serpenteando o tempo demasiado curto, demasiado misterioso. Demasiado, demasiado… tempo
Perdera-se sem jamais se ter encontrado, seguia um caminho sinuoso entre neblinas e incertezas.
Agora, sentia estranhos murmúrios, ecos, sons no seu peito, na sua pele… algo lhe dizia que o caminho era aquele, saberia segui-lo até à próxima tempestade?
Fernanda Botelho, 58 anos, Sintra 

Encarcerada neste pequeno mundo onde tudo era rotina, já nada era emoção, nem mesmo tu, parti… Percorri estradas, desertos onde o som era silêncio, respirei o cheiro do capim, perdi-me por entre as cores exóticas de terras longínquas....
Um dia acordei com o coração dorido. Bastou o sábio curandeiro olhar-me nos olhos para descobrir que o meu mal eram saudades...
Chegada a hora do regresso, caminhei entre o deslumbre de um reencontro e o medo do abandono!
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa

Numa estação de comboios, deserta, encontrei uma rapariga só, que ia puxando uma pequena mala pela mão até ao local onde era suposto parar o seu transporte para um mundo que perseguia incessantemente.
Lá longe, na cidade das luzes, sentia que ia encontrar o amor e deixar para trás um tempo que não queria recordar. Tudo tinha sido tão mau!
Começou a estar escuro. Era perto do Natal.
Partiu, com tanta luz a iluminá-la por este caminho.
Carlos Rodrigues, 59 anos, Lisboa

Numa noite de tempestade, o Simão ia para casa, quando se deparou com um leão perdido, do seu rochedo grande e rijo.
O leão tinha medo, que a sua mãe lhe ralhasse por estar perdido na perigosa serra, então o menino como tinha bom coração ajudou-o e percorreram juntos a serra até chegarem à parte mais montanhosa onde o leão morava.
Depois o menino retomou o caminho para casa.
Quando chegou, entrou em casa e deitou-se cansado.
Simão Narciso, 4º anos, 9 anos, Porto de Mós

Quando aceitara aquele Trabalho, achara que tudo iria correr bem. Contudo, isso não acontecera. A Equipa não permanecera coesa, abalada na sua estrutura. Tinha agora de assumir todas as responsabilidades. Percebeu que tomara decisões erradas
Porque acreditara tanto naquele sujeito… Porquê? Grande traste lhe saíra!
Tudo iria mudar a partir de amanhã. À sua espera, um outro desafio. Recomeçaria com o novo projecto, tentando não repetir erros, claro!
No céu, o arco-íris sorria-lhe. Tudo ia correr bem!
Margarida Freire, 75 anos, Moita

No passado, ele insistira num percurso sem regresso; considerara o mundo seu e para sempre. Era o seu desejo. Contudo, algo existia escondido nas entrelinhas, mostrando que a estrada que seguia também continha atalhos que poderiam conduzir ao desejado destino. Tomou então uma decisão: apanhar outro caminho de regresso, outro que não o de antes, um que indicasse um outro rumo. Aos seus lamentos deu contorno nítido. Descobrindo outra maneira de regressar, reencontrou igualmente a sua história.
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira

Antonio Tomaz ― desafio nº 120

 João valentão
João é recolhido numa casa de detenção por homicídios. Lila a assistente social o gerenciou na ala dos mecânicos. Sem dados dos pais era um sem teto. Agora sai na condicional para trabalhar. Abre a porta, sorri para Lila, acena com a mão direita.  À noite Lila ansiosa olha para o caminho, para o relógio, eis que João surge na esquina sorrindo com um bonito arranjo de rosas brancas nas mãos. Seria mais uma arte do João?
Antonio Tomaz, 61 anos, Salvador.Ba, Brasil 

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

Emília Lopes de Matos Vieira Simões ― desafio nº 120

Tinha sido extramente penoso conseguir aquele emprego. Batera a todas as portas e nenhuma se abrira, até que naquele dia, por anúncio no jornal, conseguiu o que tanto ambicionara: o lugar de secretária numa empresa multinacional. Sentia-se exuberante. Só que não sabia que as pessoas eram tão ignóbeis. O ambiente era péssimo e uma das colegas que desejara o lugar persegui-a constantemente. Não se deixou aniquilar e passado algum tempo era nomeada para coordenadora de departamento. Ganhara!
Emília Lopes de Matos Vieira Simões, 65 anos, Mem-Martins (Algueirão)
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

Sérgio Felício ― desafio nº 3

Miséria
1 mãe todos 7 dias lutava pela sua filha… tinha dificuldades! Carregava-a sobre suas vértebras lombares. Eram muito pobres e a filha tinha uma deficiência – não andava sobre as 2 pernas. Nem 10 dinheiros tinham para cadeira de rodas. Sentava a menina numa bacia sobre 4 pedras. Tinha que lhe dar banho despejando 9 jarras de água. 6 e 3 bem juntinhos é a idade da mãe, que já merecia estar sentada num 8 de justiça.
Sérgio Felício, 36 anos, Coimbra

Desafio nº 3 – números de 1 a 10

Maria Silvéria dos Mártires ― desafio nº 120

Haja Alegria
Ainda bem, que depois de alguns dissabores e mal-entendidos, Laura, avançou.
Conseguiu ultrapassar o mau tempo. Dias sombrios são agora matizados de bonitas cores, que alegram o coração e o olhar. É um grande contentamento. E Laura caminha com uma maior certeza de conseguir suportar as tempestades que possam surgir quer interiores ou exteriores a si ou inseridas no ambiente e natureza. Haja alegria com poesia tudo resplandece, é belo o céu azul e o sol doirado.
Maria Silvéria dos Mártires, 70 anos, Lisboa

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

António Matos ― desafio nº 113

O Pedro sonha com carreira artística.
Ser actor será fuga e orgulho.
Agradece a rota de saída dali.
De si, rato de carácter frágil.
Sempre sem encarar-se, podre na emoção.
Agradece o seu poder de interpretar.
Se puder deixar obra, fica contente.
Contudo, cada broa nocturna lhe chega.
Optar por essa fuga é característica.
A única porta que quer ver.
Mexer o rabo em direcção diferente?
«Parto tarde demais para outro olhar.»
É o hábito de sofrer.
António Matos, 31 anos, Lisboa

Desafio nº 113 – anagramas em frases de 6 palavras

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio RS nº 19

Nada mais fácil que começar o dia bem cedo com o sol a entrar pela nossa janela, ao lado de quem amamos. Este é o momento e ambiente propícios para quem gosta de descrever e dedicar-se a esta actividade.
Pelo contrário, as horas tardias, o cansaço, a poluição sonora, em nada facilitam a mente criativa de quem deseja entrar no mundo da escrita.
Contudo, para mim, estar afastada da minha principal fonte de inspiração... nada mais difícil!
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

Desafio RS nº 19 – começando em Nada mais fácil e terminando em Nada mais difícil

Natalina Marques ― desafio nº 120

― Que é isto?
― É meu jeito de pedir-te desculpa.
― Para quê! Amanhã repetes as mesmas coisas.
Estou cansada, a pensar seriamente na separação.
É a última gota que suporto.
― Não, dá-me outra oportunidade, mais uma, prometo mudar.
― As tuas promessas, são ilusões que alimentam o amor que ainda te tenho.
― Eu sei, só queria que sorrisses.
― Que amanhã posso almejar, se em ti acreditar?
― Não sei, mas, amanhã é outro amanhã
e eu continuarei a pedir-te perdão.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F


Susana Sofia Miranda Santos ― desafio RS nº 5

Esta tarde está calor, até estou a transpirar. Vou apanhar o transporte e passear junto do lago.
A água está translúcida e as margens estão repletas de patos. 
A minha amiga chegou... parece que tivemos uma transmissão de pensamentos, porque não combinamos nada. Ela está muito bonita, com um vestido azul, algo transparente.
Hoje acordei um pouco transtornada e triste, mas quando o dia está bonito transforma o nosso estado de espírito. Já me sinto mais alegre!
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

Desafio Rádio Sim nº 5 – 7 palavras com TRANS–– (no início, não necessariamente prefixo)

António Matos ― desafio nº 110

– O martelo foi a arma do crime? – indagou o juiz, depois da confissão.
– Foi a solução – esclareceu Maria – para o meu problema, Meritíssimo. O refúgio para o qual me atirei, já com a alma desmembrada.
– Essa resposta dá um tratado – permitiu-se o juiz, num elogio disfarçado.
O julgamento seguiu, e cada espinho cravado naquela existência foi vingado sem pudor. A dignidade daquele testemunho detectava-se na serenidade e frieza daquela expressão elegante que o gancho rosa assinalava discretamente
António Matos, 31 anos, Lisboa

Desafio nº 110 – 8 palavras obrigatórias

Chica - desafio nº 120

Até quando
Uma pessoa que aos outros parecia sempre estar na maior alegria e cordialidade.
Porém os de casa sabiam como era realmente.
Era trapalhão, presa boa para se deixar enrolar por amigos e "amigos", que nem sempre o seu bem pretendiam.
O patriarca e seus conselhos eram por ele ignorados. A cada aprontada, outras promessas.
Todos ali sabiam que a trégua pouco resistia.
Logo, o chamado dos amigos soaria como uma isca.
Até quando resistiria?
Tomara se regenerasse!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 7

Hoje acordei com um lindo arco-íris: as suas sete cores brilhavam no céu.
Cheguei à Rua 7, em Espinho, para visitar a minha amiga Catarina, que mora sensivelmente a sete quilómetros de minha casa.
Ao passar junto da casa número sete, vi uma caixa de cartão com sete cãezinhos abandonados. Tão fofinhos e tão frágeis!
Imediatamente, alimentei e dei água aos sete cachorros. Depois, contactei vizinhos, amigos e, felizmente, consegui encontrar sete famílias para acolher os cãezinhos.
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

Desafio nº 7 – história onde entre 7 vezes o número 7

António Matos ― desafio nº 115

Terminavam cada dia das férias de Verão ansiosos pelo amanhecer. Dormir impunha-se apenas quando o sono chegava e o corpo cedia à excitação das combinações infantis próprias de irmãos. O quarto em que dormiam naquelas semanas de calor algarvio, no apartamento construído durante a vaga de betão, separava-se da sala por uma cortina esvoaçante que deixava a brisa nocturna, vinda da janela aberta, arrefecer-lhes a noite. Quando o sono partia e acordavam, mudavam de capítulo sem cerimónia.
António Matos, 31 anos, Lisboa

Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe

Desafio nº 120

Hoje é dia de grande maldade.
Vou dar-vos uma ideia (não precisa de aparecer, é só o empurrão de início):
Reencontrou o seu caminho. Saberia segui-lo até à próxima tempestade?

Pegando neste tema, contem-me uma história em 77 palavras sem usar duas letras…
As letras proibidas são F e V ― que tal?

Perdera-se, isso era claro. Uma existência deitada à rua, e tudo por causa daquela mania de jogar na net. Perdera a mulher, o dinheiro, a saúde e o emprego. Agora, a sós com as suas angústias, ia cheirando o ar em busca de um sentido que se parecesse com algo importante. Foi então que descobriu um saco de dinheiro. Tudo lhe sorria! Era só recomeçar, até a ex-mulher gostaria de si naquele momento.
Seria assim tão simples…?
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F
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EXEMPLOS

28 junho 2017

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 93

De manhã, decidi ir passear a minha cadela para a praia. Ela ama saltar atrás das aves, escavar a areia e brincar a desfazer algas esverdeadas.
A beleza marítima encanta-me... é agradável ver a magnificência deste ambiente!
É indescritível ver a felicidade das crianças a brincar, sentir a areia fresca, ver vagas encarpadas, sentir a ventania agreste e aspirar a maresia salgada: devem ser dádivas da existência!
Realmente, a praia é a casa principal da minha vida!
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

Desafio nº 93 – escrever sem O nem U

Amélia Meireles ― desafio RS nº 50

A sua vida fora sempre um desacerto. O seu nascimento, uma desventura para os pais que viveram em desencontro com o seu destino. Chegou para desfazer sonhos. Cedo aprendeu o que era o desamparo. A avó, com mais tino, ofereceu-lhe o amparo que a faria sobreviver a tão cruel desígnio. Aprendeu a carregar o fardo. A vida ofereceu-lhe ventura. Fez o acerto e, no encontro com o acaso, soube fazer do seu destino a mais nobre caminhada.
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

Desafio RS nº 50 ― palavras com prefixo des

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 59

Não queria amar... não acreditava no amor.
Não queria chorar, não desejava sofrer, não pensava que me fizesses sorrir!
Não gostava de homens com cabelos compridos, não apreciava tatuagens, não gostava de barbas, não acreditava na sensibilidade masculina... até te conhecer!
Não gosto de contabilidade, porque não consigo contar as estrelas.
Não aprecio chuva, mas por ti enfrento uma inundação!
Não gosto do campo, mas contigo vou para qualquer lugar!
Não há obstáculos para o verdadeiro amor!
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Vera Viegas ― desafio RS nº 50

Desemburrecer
Depois de dez anos Ana sentia-se emburrecer diariamente naquele emprego. Vivia num constante descrédito sobre si. Acreditar que tinha capacidade para mais era-lhe porém difícil.
Sem contar a ninguém, um dia ligou o botão da confiança, candidatando-se para uma vaga, que, caso conseguisse, nunca mais se podia desacreditar. Desligou os pessimismos, deu um crédito a si mesma e começou a descontar as inferioridades.
Independentemente do resultado, amanhã será o dia em que Ana vai desemburrecer para sempre.
Vera Viegas, 33 anos, Penela da Beira

Desafio RS nº 50 ― palavras com prefixo des

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 67

Hoje acordei com o sol a entrar pela janela do quarto. Saí do leito, tomei banho, bebi leite quentinho, arranjei-me e, após ter feito a cama, fui ao supermercado comprar azeite. Em seguida, caminhei até à praia.
Enchi o peito de ar e senti o aroma da maresia.
O vasto areal estava repleto de crianças... pareciam uma tribo de índios, brincando com trejeitos próprios da idade. A praia era estreita para tantos...
Assim, o dia é perfeito!
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

Desafio nº 67 – 8 palavras com EIT

Amélia Meireles ― desafio RS nº 49

Aquilo foi uma operação complicada, desabafava Eduardo. Mas ele estava muito doente? Não, não teve nada a ver com saúde. Foi o Barnabé que desatinou com a situação. Que raio de operação fez o Barnabé?­ ― perguntou Isidoro. ― Foi apanhado em alguma operação STOP? Espera aí, já percebi. Não falo do meu cunhado, mas do cão do meu vizinho. Caiu num poço. O salvamento teve cálculo matemático até finalizar a operação com sucesso. Difícil o nosso Português, não?
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada
Desafio Rádio Sim nº 49 ― operação


Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 50

O amor raiou quando o Verão despontou. Depois, a contragosto, o mês de Agosto atingiu o calendário. Ironicamente, a vida ficou nebulosa no mês mais soalheiro.
O areal da praia era tão extenso como as saudades que eu tinha de ti; o perfume salgado da maresia confundia-se com o sabor das minhas lágrimas... as férias eram sinónimo de desgosto.
Mas, a gosto, Setembro voltou a trazer-te para mim, bem como a felicidade que representas na minha vida.
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

Desafio nº 50 – Com as palavras AGOSTO; A GOSTO; A CONTRAGOSTO; DESGOSTO