30 setembro 2017

Carlos Alberto Silva - desafio nº 126

Ai doutor, que terei eu,
Que me sinto intermitente:
Ora acordo com vigor
Ora me ponho dormente;
Ora me assola a febre
Ora gelo de repente;
Ora me dá o fastio
Ora como avidamente;
Ora me invade a tristeza
Ora pulo de contente;
Ora perco a paciência
Ora fico benevolente;
Ora me interesso por tudo
Ora tudo me é indiferente.
Diga-me lá, por favor,
Sendo médico experiente,
Isto é moléstia incurável
Ou acontece a toda a gente?
Carlos Alberto Silva, 59 anos, Leiria
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente
Mais textos aqui: ficcoesbreves.blogspot.pt


Quita Miguel - desafio nº 126

Intermitente
– Eu sinto-o intermitente.
– Hã?
– Às vezes, concorda com o que lhe proponho, para, logo a seguir, se contradizer e negar ter concordado com o que quer que seja.
– Qual é a novidade? Ele sempre foi estranho.
– Não como agora. Pressinto que desta vez seja uma situação terrivelmente ameaçadora – respondeu Fátima Conceição, com uma convicção que a amiga estranhou, ao mesmo tempo, que olhando o pai na cadeira de baloiço, acrescentou: – Acho que ele pode estar com Alzheimer.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» 


Francisca Morais - escritiva nº 11

Estava a passear na praia e encontrei uma garrafa de vidro no mar, onde se encontrava um papel que dizia:
«No fundo do mar encontrarás um tesouro cheio de prata e ouro, mas cuidado com os tubarões, que nunca largam aquele tesouro, até parecem ladrões, e se queres encontrar mais pistas tens de as procurar. Tem cuidado porque te podes magoar e começar a sangrar, mas poderás ser a pessoa mais rica se o encontrares, BOA SORTE!!!»
Francisca Morais, 11 anos, Torres Vedras
Desafio Escritiva nº 11 – mensagem na garrafa

Helena Pereira - desafio nº 121

Talvez não saibas, mas ontem fui lá! Sim aquele sítio. Ganhei coragem e fui…
Tive medo, sim tive, apeteceu-me regressar, gritar, sei lá, fugir dali…
Contudo, tu não estavas lá! Devias proteger-me e falhas-te mais uma vez…
Era a mim que contavas os teus medos mais profundos.
Caíste e não te quiseste levantar…
Porquê? Porque o fizeste? Fugiste e não pediste ajuda! E eu fiquei tão só…
Tenho saudades das nossas brincadeiras!
Sim compreendo, mas não aceito!
Helena Pereira, 44 anos, Seixal

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

Margarida Fonseca Santos - escritiva nº 24

Era uma vez uma menina muito pobre, esperta, honrada e saudável. Carregava um feixe de lenha. De repente…
Aparecem os três anõezinhos da floresta, Bi, Rebi e Ciribi (não tenho espaço para escrever como eram, azar). Dão-lhe a escolher ser como é ou rica e nobre. Zás, ela aceita, casa com um príncipe, e fica burra e doente.
No meio da aflição, chama pelos anõezinhos, que a deixam esperta, honrada e saudável. Estado novo no seu melhor!
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Fernanda Costa - desafio nº 118

Aquieta-se a noite! Os vivos também!
Há uma coruja a piar ― sabe o que diz, mas ninguém a entende.
Na vizinhança, uma torre milenar ― alva, intocável na terra, apreciada do céu. Abençoa o conforto, com temperatura misteriosa.  
Há luzes amarelas, outras laranja, algumas escondidas na bruma. Luz rosada, em abóbada infinita, doa transparência à noite, parecendo um pedaço de dia!
Nesta oposição ― brisa da noite, nuvens do dia ―, há a escuridão doce, morna, tal como um longo abraço. 
Fernanda Costa, 56 anos, Alcobaça
Desafio nº 118 – associação de palavras

Chica - desafio nº 126

Que situação
Outubro, época das festas de choop.
E em uma boa OKTOBER FEST, o que não pode faltar para combinar com a bebida? Claro, o salsichão.
Aquela dupla cantava animada, comia, se divertia muito, até que a barriga de Fritz começou a dar sinais: Roncos, roncos e depois não só eles...
Para finalizar sua tarefa de casal anfitrião na festa, só sentando-se num “trono”: Sentia-se intermitente verdadeiramente... Ora roncos, ora “troncos”.
Não conseguiu chegar ao fim da festa!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

Desafio nº 126

Vamos brincar com frases estranhas, pode ser?

A ideia é esta: algures, terá de aparecer «sentia-se intermitente».
Podem adaptar o tempo do verbo, o sujeito e passar a plural.
Mas a frase estará lá.

Eu desenvencilhei-me assim:
Se pudesse, teria ido a um médico, mas não sabia algum que o compreenderia. Nada fácil, chegar ao gabinete e dizer:
― Senhor doutor, sinto-me intermitente.
― Intermitente?!
Pois, era previsível que não funcionasse. Ainda se fosse um candeeiro de rua, têm tantas vezes esse problema… Mas assim, pessoa de carne e osso, complicava-se tudo.
Ao cair da noite, apareceu-lhe um ser alado.
― Intermitente?
― Sim, muito. O que tenho?
― Espera um pouco, estás quase a vir para este lado.
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente
OUVIR

29 setembro 2017

Paula Castanheira - escritiva nº 24

Ela saltitava entre os dias, com leveza, ele arrastava-se pesadamente, carregando o desejo de ser pai!
Patrícia tinha um espírito rebelde, por diversas vezes chegava a casa, aninhava-se-lhe no colo segredando – vais ser papá – e Joaquim acreditava e abraçava-a feliz, depois ela desmontava sem misericórdia, a sua mentirinha e ria, ria…
Um dia, porém, a mentira foi verdade, o teste dera positivo. Correu para casa e quando lhe deu a notícia, ele saiu e nunca mais voltou!
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Elisabeth Oliveira Janeiro - escritiva nº 24

Na Tristeza e na Alegria
Andava o burro Malhado, triste, macambúzio...o dono achou-o de nenhuma serventia e pô-lo fora. Estrada além, encontrou o cão Ladino, o gato Façanhudo, o galo Falsete, o papagaio Tartamudo. Em concílio, uniram os destinos. Colhidos pela noite, vislumbraram uma cabana alumiada. Aproximaram-se. À mesa, larápios dividiam o ouro roubado.
Então, no escuro, papagaio papagueou, cão ladrou, gato miou, galo cantarolou, burro zurrou e os ladrões, assustados, deram à soleta.
Heróis! Novos donos, mas amigos para sempre.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 47

O místico urso, sem hesitação, terminaria com aquele impossível destino!
O director do Jardim Zoológico, completamente falido, ambicionava notas. Sem atrapalhação, espicaçava zangas entre os animais. 
Com dedo calculista, condenara-o à solidão da jaula quatro... mas ele seria eternamente o primeiro!
Que crime bárbaro dar destaque ao jaguar!
Colocou uma grande lamparina na sua jaula para o admirarem melhor, aconchegando-o de noite com um xaile.
Decidira, de modo oculto, atacar o rival com varejeiras... que bela vingança!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio RS nº 47 – 23 palavras obrigatórias!

João - desafio nº 59

Não gosto nada de pulgas!
Nãonão é por não serem um animal interessante, mas odeio catá-las aos meus gatos.
Não gosto de andar atrás delas no pelo deles, não param quietas! Não param mesmo!
Sempre a saltar de um lado para o outro. É uma coisa que não agrada aos meus gatos. Não suportam a comichão e eu igualmente.
Não suporto ter de lhas tirar! Nãonão gosto nada! Quando vou catá-las digo sempre nãonão!
João Martins, 11 anos, Torres Vedras
Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Theo De Bakkere - escritiva nº 24

O lobo e Capuchinho Vermelho
O lobo malvado, que acabou a devorar de uma vez a avozinha da Capuchinho Vermelho, esperava deitado na cama pela menina, sua sobremesa. Quando a rapariga ingénua chegou, não apercebia que estava na cama um lobo mascarado. No entanto, os grandes olhos famintos e a boca babosa assustaram-na e no momento que perguntou porque tinha ela dentes tão grande, o lobo atacou-a para devorar. Felizmente o guarda-florestal andava nas paragens e pôde salvá-la das garras do antropófago.
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia Bélgica

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Domingos Correia - escritiva 24

O pobre corcunda
Um pobre corcunda fez uma viagem. De noite, subiu a um carvalho. Por baixo, vieram pernoitar uns ladrões, cantarolando: segunda, terça, quarta, quinta, sexta!
O corcunda repetiu a cantilena… os ladrões mandaram-no descer, deram-lhe muito dinheiro, tiraram-lhe a corcunda.
Depois, contou tudo ao seu irmão rico que, ganancioso, o quis imitar.
Vieram os ladrões cantando a mesma lengalenga…
Julgando-se esperto, acrescentou à cantarolice… sábado e domingo também…
Os ladrões olharam-no, esmurraram-no e puseram-lhe a corcunda do irmão.
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 96

Habito nas várzeas alentejanas desde criança, mas sou venezuelano.
Esta noite não dormi... o jerico do vizinho zurrava insistentemente.
Tenho o cérebro vazio, em processo de veloz vaporização, em vulcanização total!
Quem não se zangava, sem descanso, ouvindo vozes no interior da cabeça?!
Já visualizo verbalizações cruéis! Vou vigarizar aquele campeão de avareza, vendendo-lhe palha envenenada! Estou a brincar... eu adoro animais.
Mas... um jumento?! O meu cão, Vizir, peca pelo seu apetite voraz, mas é adorável!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Helena Pereira - desafio nº 24

Bulliying entre melgas
― Olá, gorda! Pareces mesmo um hipopótamo!!!
Eu não. Sou uma linda melga modelo!!! Gosto de esvoaçar por aí a espalhar a minha beleza...
― Blah!!! Se eu sou gorda tu és uma escanzelada... Snif... snif...
Vou-te provar que também sou linda e fabulosa. Vamos voar até aquela lâmpada!
Mas quando chegam perto uma desgraça, queimam as asas!!!
Quando caem a escanzelada cai em cima da gorda e esta pergunta:
― E agora sou o quê?
― A minha melhor amiga!!!
Helena Pereira, 44 anos, Seixal

Desafio nº 24duas melgas à conversa, uma gorda e outra escanzelada

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 101

Esta noite, pressinto que o jantar resultará em tisno.
Sinto a bata molhada... é preferível não utilizá-la.
Quando comecei a cozinhar, caiu uma batata ao chão e Rei comeu-a vorazmente. Talvez isso abata aquela má rês canina... ficará doente.
A minha filha, revoltada pela inscrição na pré-primária, sub-repticiamente, ata, sem tino, os cordões das minhas sapatilhas conjuntamente. Depois, toca o sino para me chamar.
Ao mover-me, caio imediatamente.
Como me ressinto de dores musculares, sento-me para repousar.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 101 ― partindo das palavras BATATA e PRESSINTO

27 setembro 2017

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 109

Esta era uma tarde outonal, vulgar e singela, como tantas outras.
Após o término da aula de Ciências, o Ricardo estava sentado num banco do recreio, observando os colegas a jogar futebol.
Ele era um aluno brilhante, mas a sua obesidade impedia-o de correr como os colegas, sendo ainda vítima de bullying por parte destes.
Enquanto uma lágrima lhe escorria pela face, olhando para os outros, estava cercado por um mar de folhas amarelas... elas far-lhe-iam companhia!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

Eurídice Rocha - desafio nº 30

Raiva?
Bom Joaquim vagueava pelas ruas até
saber que acorrentava a fera a sete chaves.
É tão veloz aquela energia que inesperadamente
assalta, o trai… faz sincero esforço para se
calar, mortificando-lhe pelo corpo gotas ácidas da cabeça
até aos pés. Há um impedimento inato na luta da razão contra emoção.

Joaquim, deixa o coração bater…

ser velho! Já é
tempo de deixares morrer essa fera
de culpa pois sonhas a liberdade passar pelo
falar… não, Joaquim… 
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 30 – provérbio à esquerda na folha imposto

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 45

A Camila preparava-se para outro dia de aulas na Faculdade de Medicina.
Hoje realizariam uma visita de estudo ao Instituto de Medicina Legal. Não recebera com agrado ou alegria este evento, bem pelo contrário.
Os cadáveres provocam-lhe estranheza, horror, medo até.
Mas, desejou dedicar a vida aos outros... teria que aprender a enfrentar fobias.
Quando chegou à porta da faculdade, passou por si um rato gigantesco, desmaiando imediatamente.
Que nojo, que terror! Ela detesta estes animais dantescos.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 45 – emoções por ordem alfabética

David Prudêncio Espírito Santo - escritiva nº 19

A t-shirt
Eu era uma t-shirt bem tratada, lavada sempre que usada, era como se fosse a número um das t-shirts que havia no roupeiro, levava-me sempre vestida, no inverno levava-me debaixo da swet, da camisola de gorro e do casaco, na primavera em cima da swet e no outono debaixo da camisola de gorro.
Houve um dia em que eu deixei de servir e atiraram-me pela janela. Passei dias a voar até que parei à porta de um mecânico, e agora usam-me como pano.
David Prudêncio Espírito Santo, 11 anos, Torres Vedras

Desafio Escritiva nº 19 ― vidas passadas de objetos

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 45

No meu aniversário, ofereceste-me "A Cabana".
Fiquei feliz por um colega ser simpático para mim; senti-me surpreendida quando constatei que esse acto emanou do ser anti-social da turma.
Quando li a sinopse, duvidei conseguir ler uma obra filosófica de teor religioso.
Mas, chegaram as férias... tive tantas saudades tuas!
Li o livro a voar, pois foste tu quem mo ofereceu; foi uma forma de sentir-me próxima de ti.
Eu sabia que era capaz! Quando amamos, conseguimos tudo!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio RS nº 45 – «Eu sabia que era capaz!»

4º A, Escola da Ermida - desafio nº 20

Abre o baú com diamantes e faz uma guitarra histórica. Inventa uma música jazz, com letra e melodia nova, e ouve-a pensando que recuas, sozinho, no tempo. Usa a tua voz e propõe ao Xavier algo zumbástico! Ou algo zen? O xilofone e o violoncelo serão usados para transmitir essa serenidade e responsáveis pelo que possa acontecer! Olhando Xavier, notámo-lo maravilhado e lisonjeado. Jamais iria recusar honrar uma guitarra feita exclusivamente de diamantes consistentes do baú aberto.
4º A, Escola da Ermida, São Mamede, de Infesta-Matosinhos, prof Liliana Mendes

Desafio nº 20 – usar o alfabeto duas vezes no início das palavras e por ordem! Uma vez certo, outra ao contrário

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 25

Acabei de sentir um ténue ruído no jardim. Fui espreitar e constatei que tu batias tímida e repetidamente no vidro da janela da sala.
Ignorei completamente este facto e voltei a ver televisão.
Eu sou solidária, quis dedicar a minha vida a apoiar as pessoas mais fragilizadas, por isso, tirei o curso de Serviço Social.
Mas, altruísmo não é sinónimo de ausência de amor-próprio.
Já me maltrataste muito... agora solicita amizade, apoio moral e auxílio a outrem.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio RS nº 25 – dedos que batem no vidro (cena)

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 43

Remediar sempre lhe parecera fácil!
Era simples deixar a vida fluir livremente, concedendo o êxtase da surpresa, o espírito da aventura.
Assim, nunca cultivou o sentido de responsabilidade... não estudava, nunca quis trabalhar, fez-se acompanhar por pessoas com hábitos de vida pouco recomendáveis, adoptando-os igualmente.
A mãe, pessoa que esteve sempre ao seu lado, faleceu com o desgosto dele não possuir uma vida saudável e estável. Este facto fê-lo sentir-se eternamente culpado.
Remediar sempre lhe parecera fácil!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio RS nº 43 ― remediar parecia fácil

26 setembro 2017

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 15

"Visite a Herdade Natural, onde poderá desfrutar de pleno contacto com a natureza e relaxar, aos melhores preços", anunciaram na rádio.
O trabalho é tão exaustivo, decidi aproveitar para descansar.
Quando cheguei, descobri que o meu quarto seria o estábulo... iria dormir por cima da palha!
Se quisesse pagar menos, tinha que ordenhar as vacas, recolher os ovos das galinhas e escovar os cavalos.
Como poderia ambicionar maior contacto com a natureza?
Mas, quanto a descanso... impossível!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio RS nº 15 – anúncio de turismo rural

Lourença Oliveira - escritiva nº 24

João vivia nas nuvens a sonhar e trocou a vaca pela magia do feijão.
Sua mãe praguejou, mas o feijão semeou. O pé de feijão cresceu sem
parar. O rapaz a árvore quis trepar e um castelo no topo apareceu.
Escondido, o João viu: um gigante a roncar, uma galinha de ouro e a
harpa a tocar. João, com a harpa e a galinha, fugiu. Assim, o sonho
encheu de fartura a vida da família do João.
Lourença Oliveira, 45 anos, S. João do Estoril

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 111

― Boa noite, está a contactar "Ideias Criativas", linha de apoio destinada a solucionar todos os problemas. De que forma podemos auxiliá-lo?
― Boa noite, chamo-me Vicente. Dário, o meu neto tem sido criado por mim, temos uma estreita relação afectiva. Porém, agora irá frequentar a pré-primaria. Decerto não aceitará bem esta nova realidade.
― A solução mais eficaz será acompanhar o menino, integrando a instituição como voluntário. Certamente poderá ajudar, arbitrando os jogos das crianças.
― Obrigado, seguirei esse conselho.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 111 – linha de atendimento 111

25 setembro 2017

Catarina Azevedo Rodrigues - escritiva nº 24

Cinderela do séc. XXI
A miúda vivia com uma madrasta bera e duas irmãs invejosas. Era tão maltratada que nem tinha um iPhone. Alguém criou um evento no Face, ela procurou as calças mais rasgadas e foi. Conheceu um tipo e trocou SMS com ele a noite toda, mas quando ficou sem bateria pôs-se na alheta. Esqueceu-se dos fones e foi o pretexto ideal para se encontrarem novamente. Namoraram, casaram e postaram uma selfie. Todos fizeram like... todos, menos as irmãs.
Catarina Azevedo Rodrigues, 44 anos, Venda do Pinheiro

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância