31 outubro 2017

4ºA, Escola da Ermida ― desafio 61

"O Estranho Mundo de Jack" de Tim Burton. 
O terror e tortura
vão triturar o Tim,
na terapia da travessortura!
Em tantos contos tempestuosos
irão tratar felicidade,
tentando construir teias
de tristes memórias transparentes!
Num tsunami de tristeza,
ao tentar conseguir
ter natal tranquilo,
estragou tudo aquilo!
Transportou presentes tenebrosos,
pulando telha a telha agilmente,
tentou surpreender todos
com tentativas diferentes!
Do telhado pró terraço
caíram tigres com tentáculos,
viram-se tarântulas com tampas
e tartarugas com três patas!
Tudo acabou tristemente,
num tiroteio no tempo!
4ºA, Escola da Ermida, São Mamede, de Infesta-Matosinhos, prof Liliana Mendes
(depois da leitura de "O Estranho Mundo de Jack" de Tim Burton, a propósito do Halloween)
Desafio nº 61 – palavra sim, palavra não começada por T


Isabel Lopo ― desafio 128

O isolamento amargurava-o muito. ASFIXIAVA-O sentir-se preso naquela casa, FICANDO em frente da Tv, PASMADO durante horas, como um IDIOTA. Era como se estivesse ARQUIVADO, já em desuso, numa GAVETA qualquer, onde nunca via SOL. Sentia um aperto na GARGANTA, até que resolveu pôr FIM àquele martírio, àquele terrível AZEDUME, que era afinal a RÉSTIA duma vida inteira. O RIO brilhava quando lá chegou devolvendo-lhe a juventude. Atirou-se mesmo sem saber nadar. Finalmente era um homem Livre!
Isabel Lopo, 72 anos, Alentejo
Desafio nº 128 – 12 palavras com 4 no meio


Margarida Freire ― desafio 128

Esparramado na varanda, ao SOL, o gato Oreo mirava PASMADO a nesga misteriosa daquela GAVETA que alguém deixara semi-aberta:
― FICAR aqui, saboreando o quentinho? ARQUIVADO na fofura daqueles cobertores, ASFIXIO com tanto calor.
O RIO, ali pertinho escutava com AZEDUME todo aquele resmunganço.
― Que IDIOTICE, sonhar com gavetas…. Pela GARGANTA, um peixinho a deslizar…!!
FINALIZADA a reflexão, Oreo levantou-se. Arqueou o tronco, naquele seu jeito. Fez uma lavagem rápida, mas cuidadosa. Deitou-se, bocejou… Adormeceu e sonhou bonito.
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio nº 128 – 12 palavras com 4 no meio


Alda Gonçalves ― desafio 127

Acordou estremunhada. Mas a ideia da amostra de uma nova estratégia não a largava. O melhor seria fazer-se à estrada, mais logo, na hora em que os astros acordam, seria bom para sonhar com a sua estrela
A caminho da Estremadura, pensaria nas estrias que precisava retocar para na tela dar maior relevo ao estribilho. A ideia de pintar um astrolábio no chão, era gira.
E o castro realçava a antiguidade.
A inauguração desta exposição daria estrilho.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto
Desafio nº 127 – stra, stre, stri e stro x 3


Susana Sofia Miranda Santos ― desafio 128

Seria totalmente impossível não ficar deslumbrado, vislumbrando espelhada no rio a luminosidade daquele maravilhoso sol!
Esta beleza imensa deixou-me pasmado; até me concedeu uma réstia de esperança... ultrapassarei este azedume.
Sinto em mim esta asfixia, porque tudo foi, abruptamente, finalizado. Mas, manterei lamúrias na garganta. Continuar a sofrer seria idiotice!
A nossa história será arquivada como papel velho numa gaveta decrépita.
Amei-te tanto! Acreditei sempre no teu regresso, mas finalmente, percebi que tenho de acreditar em mim!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 128 – 12 palavras com 4 no meio


Ana Araújo ― desafio 34

O que é estar preso? É o contrário de liberdade, mas, juntando a espera, queria saber o que fiz... Já estou aqui há tempo suficiente para nem me lembrar. 
Não é tão simples! 
Às vezes, vejo pela nesga da porta amigos a serem libertados, é uma pancada no coração, saiu-lhes o trevo. Fiz uma mudança de casa para o inferno, não vejo luz há anos. Os corredores têm sangue pisado, é uma confusão que até gerou polémica.
Ana Araújo, 8º A, Colégio Bernardette Romeira, profs Joana Romano e Inês Martins

Desafio nº 34 – grelha de 16 palavras obrigatórias

Eurídice Rocha – desafio 32

Justiça justa
Pedro lenhador morava mais Maria doméstica.
Pedro acostumava dar pauladas à mulher.
Maria, fraca força, contudo astucia requintada...
Informou arauto que marido era médico.
Espinha no “gasganete”? Poderia socorrer princesa!
"Médico era, mas, com estranho capricho…
Só curava levando pauladas na cabeça."
“Isso não é problema”, replicou mensageiro.
Encontrou Pedro, pauladou-o até ao palácio.
Arauto pauladava, Pedro berrava, princesa gasganeteava.
Princesa tossia, ria, … vendo corrida doidivanas.
Espinha saltou-se do gasganete.
Pedro recebeu prémio.
Nunca mais violentou Maria.
Eurídice Rocha, 51, Coimbra

Desafio nº 32 – 11 frases se 6 palavras + o que resta

Elsa Alves ― sem desafio

O poeta perdera toda a sua inspiração. Há imenso tempo que não escrevia um poema que prestasse. Andava à procura da poesia quando encontrou um jardineiro que mudava uma roseira dum canteiro para outro. "Porquê?", perguntou-lhe." "Deixou de dar flores." "E acha que se a mudar de sítio ela vai voltar a florir?" "Sinceramente, não sei, mas se não tentar nunca vou saber." Nesse mesmo dia o poeta fez as malas e partiu à procura doutro canteiro.
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira


Ana Cristina M. dos Santos ― desafio 34

Passei pela esquina naquela tarde e pensei "Este sítio está demasiado simples!" e comecei a escrever frases para aconselhar as pessoas pouco pacientes e consolar as mais tristes. Sítios tantos sítios, coisas a acontecer, coisas para contar, e tudo isto atrapalha, por vezes são coisas que todos carregamos nos ombros para não nos esquecermos ou coisas que não esperamos que aconteçam connosco, como, por exemplo, evitar que a mãe ralhe, ou não ter ninguém com quem contar...
Ana Cristina M. dos Santos, Professora de Português e História e Geografia de Portugal | 2º Ciclo | 3º Ciclo e Secundário

Desafio nº 34 – grelha de 16 palavras obrigatórias

Susana Sofia Miranda Santos― desafio 72

Estou só! A casa está vazia, reinando o silêncio.
Os meus pais estão a trabalhar. Os amigos têm vidas preenchidas, atarefadas. O namorado prefere a companhia dos lençóis.
Mas... que importa? Antes só do que mal acompanhada!
Momentos de tédio nunca me irão derrubar.
Retomei imediatamente a leitura do " Prometo falhar ".
Um livro ajuda-nos a vencer a solidão. Aquece-nos a alma, dá asas à imaginação.
Posteriormente, peguei na caneta, no papel. Dediquei-me à verdadeira paixão... a escrita!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 72 – frases de 2, 3 6 ou 7 palavras



Lucia Boragine ― desafio 34

Num hospital na esquina da rua Dr. Pereira, havia uma menina que adorava contar histórias aos pacientes. Com frases simples, conseguia consolar e aconselhar os pacientes e fazer com que eles melhorassem, sem esquecer quem tinha deslocação do ombro. Mas um dia, acontece que ela começou a atrapalhar-se. Os pacientes começaram a passar por ela e a procurar outros sítios, alguns até paravam e ralhavam. Ela pediu desculpas e voltou a contar-lhes as histórias que os acalmavam.
Lucia Boragine, 7ºB, Colégio Bernardette Romeira, profs Joana Romano e Inês Martins
Desafio nº 34 – grelha de 16 palavras obrigatórias


Susana Sofia Miranda Santos ― desafio 46

Esta manhã, Patrícia saiu para o parque.
O sol resplandecente revelou-se uma surpresa magnífica... a meteorologia previra raios.
Assim, resolveu passear; precisava de meditar sobre problemas profissionais e o parque parecia realmente um retiro relaxante.
Surgira repentinamente a possibilidade de migrar para Marvão e, sendo professora de matemática, poderia reintegrar o sistema pedagógico.
Mas, renunciar ao sítio das raízes, Monchique... seria penoso!
Talvez realizando um piquenique à sombra dos plátanos surja a resposta para as perguntas pessoais.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 46 – substantivos, adjetivos e verbos começando sempre por P, M, S ou R


Margarida Botinas ― desafio 34

Uma história eu queria contar para depois a limpo passar. Acontece que com a minha mãe a ralhar, nem as ideias consigo organizar. A minha prima tenho de consolar e por isso a vários sítios vamos passear. Atrapalhada com este texto, ajuda tive de procurar, esquecendo frases simples e pedindo ajuda à minha tia para me aconselhar. Connosco o avô paciente veio ter, à esquina da rua, com uma mochila ao ombro e todo contente por nos ver.
Margarida Botinas, 7ºB, Colégio Bernardette Romeira, profs Joana Romano e Inês Martins
Desafio nº 34 – grelha de 16 palavras obrigatórias


Natalina Marques ― desafio 128

O retrato
Guardei o retrato na GAVETA, fiquei sem voz na GARGANTA mas o nascer do SOL, acalmou-me um pouco o AZEDUME, quando vi espelhado no RIO, um rosto triste. Senti ASFIXIA, e achando que era IDIOTICE, escolhi ver o caso ARQUIVADO.
Achava que tinha uma RÉSTIA de dignidade. Mas fiquei PASMADA, porque nada ainda tinha FINALIZADO.
Havia as recordações que FICARAM guardadas nesse retrato escondido.
Que me traz à memória, aquele momento, que foi breve, mas tão intenso.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela
Desafio nº 128 – 12 palavras com 4 no meio


Eurídice Rocha – desafio 31

Viver completo!
Seshat, desde criança, matemática voava-lhe pelos pensamentos como se jogo cuidasse. “Este número aqui, aquele ali”, escrevia…. Nunca decorou tabuada, nunca! Tinha dedos, usava-os em contas infindáveis ― traduzia-as em artes de multiplicação, divisão… adorava! Sempre olhou números com alma. Guiava-os pelo sonho duma vida melhor. Seshat, na beira Nilo, questionava inundações ― num vendaval mental reunia milhares grãos de areia ― volume e densidade, peso e força, … melhor vida!
Hoje, nas nossas escolas torturamos com abstracto o concreto. Porquê?
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra
Desafio nº 31 um conto com matemática…


Susana Sofia Miranda Santos ― desafio 73

A Joana odiava estudar, mesmo sabendo que era fundamental para garantir o sucesso escolar.
Nunca fazia deveres; depois obtinha resultados escolares catastróficos.
Preferia brincar com bonecas, sabendo que a diversão conduziria ao castigo.
É importante brincar, mas depois de trabalhar, sempre lhe disseram os pais. Contudo, a Joana nunca valorizara a sua opinião, mesmo sabendo que se esforçavam para custear os seus estudos.
Sempre foi teimosa e depois, em adulta, o futuro não foi pautado pelo sucesso.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 73 – frases com sabendo e depois


“Contos Mínimos, Terror ao Máximo”

“Contos Mínimos, Terror ao Máximo”


1º CONCURSO de ESCRITA CRIATIVA

das Bibliotecas Escolares do AECDX, em torno da temática do Terror, Horror e Suspense.



30 outubro 2017

Programas Rádio Sim - semana 30 Outubro 2017

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).


Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias

Desafio nº 128

Neste desafio têm de escrever obrigatoriamente 4 palavras entre as seguintes, começando com 4 livres. Há 13 que sobram, deverão estar no fim ☺

Podem ser usadas por qualquer ordem e alteradas em género e número.
GAVETA     SOL    ASFIXIA    PASMADO    
FICAR   AZEDUME   ARQUIVADO RÉSTIA
GARGANTA    RIO    IDIOTICE   FINALIZADO

Fiz assim:
Ali estava Joaquim Macário, pasmado e ruminando um velho azedume que se alojara na gaveta das vinganças por executar. Ficar sem agir seria uma idiotice, pensou, como se tivesse arquivado, junto desse azedume, uma réstia de coragem. Na sua garganta empastelavam-se argumentos bastante mal finalizados, que mais pareciam um rio de disparates. Calou-se. O sol adormecera-lhe as intenções, numa asfixia que invalidaria qualquer vingança. Foi encontrado, dias depois, com um revólver na mão, empanturrado de bolos. Coitado!
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Desafio nº 128 – 12 palavras com 4 no meio
OUVIR

29 outubro 2017

Rodrigo Afonso - desafio 23

Estávamos à espera do jantar que era de leitão. Para o molho especial da minha mãe, o meu pai fez saltar a rolha do vinho branco e verteu-o para o almofariz.
Entretanto, o meu despertador tocou, porque lhe acertei com a minha bola de ténis ao tentar matar uma vespa. O meu pai ficou furioso, enfim, que confusão!
De castigo depois do jantar, tive que escrever dez vezes num papel: “Não posso jogar à bola em casa”… 
Rodrigo Afonso, 6ºA, Escola Dr. Costa Matos, prof Cristina Félix

Desafio nº 23 – percurso de palavras obrigatório: leitão + rolha + almofariz + despertador + bola de ténis + vespa + papel
  

Carla Augusto ― desafio 100

És uma tonta! De tanto ouvires os outros ficaste surda para ti!
Aquelas palavras ecoavam na minha cabeça sem dar tréguas. Percebi que não podia continuar a ser a rapariga simpática, disponível para tudo e todos mas sem tempo para si, sem tempo para viver.
Olhei-me ao espelho, vi um rosto desmaiado, sugado por vidas alheias. E aquele silêncio obsceno que em mim vivia… soltou-se.
Aprendi a amar-me nesse instante. E foi por isso que me escrevi.
Carla Augusto, 49 anos, Alenquer

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

Afonso ― escritiva 25

O almoço com o pai
O riso do meu pai fazia-me rir quando íamos comer ao primeiro piso do restaurante da esquina. A comida era a peso. Um dia o casaco dele ficou preso no enorme cadeirão preto. Eu comi num grande prato, um belo arroz de pato. O meu pai comeu pito assado com batatas fritas. Depois comprou-me um chupa em forma de apito.
O meu pai não se cansava de falar no dinheiro que recebia, lá no seu novo trabalho.
Afonso, 4° B, EB de Galveias, professora Carmo Silva
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança


Carla Augusto - desafio RS 26

Agora já não me ralo nem quero saber de ti, estupor!
Contigo nem de metro, nem de avião, nem Paris nem Paquistão!
Diz-me lá, que raio de justiça existe nesse teu estúpido narcisismo?
Dizes que és uma peúga perdida, à procura do seu par
E que o meu inesperado afastamento é a tua terrível ruína!
O teu doce olhar já há muito deixou de dar frutos,
Desaparece, relojoeiro embriagado pelo tempo, dá corda a quem te aturar!
Carla Augusto, 49 anos, Alenquer
Desafio RS nº 26 – 7 palavras impostas em 7 frases de 11 palavras


Renato ― escritiva 25

Piiiiiiiiiiii!
Era uma vez um apito que vivia com um pito. Eles adoravam comer pato com laranja, num prato preto.
Um dia o pito foi comer ervilhas com chouriço, mas o prato não gostou daquela coisa verde e disse-lhe:
― Parece que alguém violou a lei. Vais ser preso!
― Eu vou ser “peso”... Isso é que “erra” bom! Vou é atirar-te do 5° piso ― respondeu o pito.  
― Tchau, pito, dá o teu último riso.
― Pííííí…
A conversa acabou aqui!
Renato, 4° B, EB de Galveias, professora Carmo Silva
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança


Carla Augusto ― desafio RS 25

Nesta noite de pesadas memórias, relembro o bater, delicado e brando, dos teus dedos no vidro sem brilho.
Consumida por sentimentos antagónicos, procuro entender o significado de cada silêncio, do gesto incompleto, do sorriso desvanecido.
Mas é tudo tão fugaz…  As palavras enrolam-se na minha garganta como ondas colossais. Basta! O tempo urge! Agora os teus dedos não são mais do que atos falhados que preciso esquecer. Vai, despe-te de mim. Eu despeço-me de ti. Para sempre.
Carla Augusto, 49 anos, Alenquer
Desafio RS nº 25 – dedos que batem no vidro (cena)


Maria e Leonor ― escritiva 25

D. Lara, a cozinheira
A Lara levou a Maria e a Leonor, para o restaurante.
Elas levavam um apito, que apitava muito.
A mãe ligou-lhes a televisão, deixou-as na salinha e foi fazer o pito e o pato.
Ela colocou a refeição num prato preto.
A Maria foi provar e ficou com um bocado de pito preso no dente e sentiu o peso da colher de pau.
A Leonor foi para o segundo piso, mas o seu riso ouvia-se na cozinha.
Maria e Leonor, 3°/4° B, EB de Galveias, professora Carmo Silva
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança


Carla Augusto ― desafio 93

Difícil? Escrever sem ti e sem ti? Talvez. Mas…
Nem pensar! Mania de serem estrelas, vejam bem! Desapareçam lá!
(Zangadas, apagam-se.)
E assim nascem as belas palavras.  Cantam, encantam-me, encantam-se. Fazem magia. Lindas e lidas, até sem as meninas...
Bailam na certeza da delicadeza. Mexem-se, maravilhadas, atrevidas. Desenham imagens irrepetíveis nas cabeças baralhadas. Inventam estradas jamais vistas.  Divertem-se. Riem-se. Caminham para a Margarida, desatinadas, desafiadas e desfiadas, na dança imparável da narrativa das setenta e sete palavras!
Carla Augusto, 49 anos, Alenquer
Desafio nº 93 – escrever sem O nem U


Alda Gonçalves ― escritiva 35

Hoje na escola fizemos uma história de animais, onde entravam um pato pateta e um sapo saltitão. Contei ao tio que escreveu no guardanapo e guardou no bolso, mas agora mais parecia um farrapo. Calçou o outro sapato e desenhou um traço meio torcido no chão, que nem parecia um desenho, tal era a confusão.
Depois da história sabida, desataram a contar a toda a turma, e eis que surgiu a ideia: que tal escrever um livro.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança


Carla Augusto ― desafio 91

Cada dia mais maléfico. E bêbedo. Cabisbaixa, Joana carregava nas costas o peso do mundo. A mãe morrera. Agora, ela tratava da casa. O pai exigia sempre mais. Ao olhar triste sucederam-se nódoas negras pintalgando os braços.  A tia falou com o pai mas só piorou.
Recebeu negativa a matemática. Vai-me matar… balbuciou. E saiu a chorar.
Nessa noite, foi parar ao hospital. Entrou em coma, para nunca mais acordar.
O pai foi preso. Dizem que enlouqueceu.
Carla Augusto, 49 anos, Alenquer
Desafio nº 91 – cena metafórica de gota de chuva que acaba numa poça


Lara ― escritiva 25

O Tiagolas
Era uma vez um rapaz chamado Tiagolas que andava sempre com um apito ao pescoço.
Um dia acordou cedinho e foi fazer um pito assado e comeu-o com arroz de pato, num prato preto.
Logo a seguir foi passear e viu um homem a ser preso por um assalto de peso, que ocorreu no primeiro piso.
Após o passeio, o Tiagolas foi para a aula de educação física e ouviu o riso da linda professora Maria Amélia.
Lara, 4° B, EB de Galveias, professora Carmo Silva
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança


28 outubro 2017

Susana Sofia Miranda Santos ― escritiva 1

O Zequinha sempre adorou ser o centro das atenções, mas desde que a mãe adoptou a Rubi, uma cadela com pedigree, escova-a persistentemente... até lhe colocou totós nas orelhas!
Antes, a mãe brincava consigo... agora, parece que a Rubi é filha e ele é enteado!
Mas hoje vingou-se... usando a máquina de barbear do pai, rapou totalmente o pêlo da Rubi. Acabaram-se os totós.
Quando a mãe viu, quase morreu de susto.
A cadela transformou-se em frango. 
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Escritiva nº 1 – um momento de riso!


Vítor Sequeira ― desafio 108

Olga rezava insistentemente. Cumpria todos os preceitos, com devoção!
Em tempos de escuridão, um casal bateu-lhe à porta, porque precisavam de casa. Contaram-lhes os seus problemas, tinham esperança que Olga os compreendesse. Pediram um desconto na renda.  
Olga, em fúria, não tardou em maldizer:
― Só gente desgraçada! ― disse, esbanjando irritação, perante a tristeza dos dois. 
Não apresentou qualquer perturbação, mandou-os embora. Nem sequer o quadro da sagrada família, mesmo ali na frente, lhe conseguiu despertar alguma piedade.
Vítor Sequeira, 52 anos, Barreiro  
Desafio nº 108 ― 6 palavras que originam outras 6

  

Susana Sofia Miranda Santos ― escritiva 13

O maior recorde pessoal foi, indubitavelmente, deixar de fumar, sendo motivo de orgulho.
É extremamente complexo superar um vício, mas se existir força de vontade não carecemos sequer de auxílio médico. Necessitamos somente de encontrar dentro de nós estratégias motivacionais eficazes.
Eu pensei que venceria quem duvidava de mim; o dinheiro gasto em tabaco poderia ser utilizado em fins construtivos. Além disso, desta forma, pouparia a saúde, acompanhando com maior qualidade de vida as pessoas que amo.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio Escritiva nº 13 – recordes pessoais

Laura Garcez ― desafio RS 48

― Arranjou-se, para que ele a visse! ― disseram em voz intrigante.
Nem sonham, porque ela se enfeitou. Por amor, quis desmentir, o que toda a gente murmurou.  
Ela disse, sem falar, o que o mundo quis ouvir.
― Perfumou-se para que ele a sentisse! ― dizem outros, escarnecendo.  
Nunca saberão, o que o perfume sublimou!
Ouvem, dizem, repetem, imaginam ― ninguém sabe que aconteceu?
Respondeu, em voz baixa, sobre quem muito amou:
― Tudo já passou, tenho um rosto diferente no espelho! 
Laura Garcez, 44 anos, Lisboa

Desafio RS nº 48 ― um rosto diferente no espelho

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio 41

Quando era criança, detestava ler... somente desejava jogar às escondidas.
Na escola, as professoras obrigavam-me a fazê-lo, mas nem sequer permitiam que escolhesse os livros, forçando-me a contactar com autores sem qualquer significado para mim.
Sentia-me presa na aula, totalmente castrada da minha liberdade.
Contudo, quando atingi a maioridade, compreendi a importância da leitura. Foi uma aliada fundamental da minha verdadeira paixão: a escrita!
Os livros ampliaram o vocabulário, fizeram voar a criatividade, permitindo-me conhecer novos mundos!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 41 – a propósito do Dia do Livro

27 outubro 2017

Susana Sofia Miranda Santos – escritiva 20

Robert Chesebrough, enquanto procurava petróleo na Pensilvânia, deparou-se com uma peculiar cera amarela, que encravava as máquinas escavadoras.
O químico levou essa substância para o seu laboratório, em Nova Iorque, isolando-a do petróleo.
Após inúmeros estudos, descobriu que a vaselina era extremamente eficaz para cicatrizar cortes e arranhões, entre outras utilizações.
Chesebrough acreditava tão piamente nos benefícios da vaselina que ingeriu diariamente uma colher até à sua morte!
Graças ao ouro negro, o "ouro amarelo" fora descoberto.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Escritiva nº20 – acidentes da ciência