20 julho 2018

Elsa Alves ― desafio 145


O dia começou quando Cláudia acabou de contemplar a aurora, com a sua dança de flores perfumadas. Logo os clarões do sol lhe trouxeram recordações da felicidade vivida anteriormente. Crisálida em fuga de indícios de seda, quase cedeu à tentação obsessiva de avivar o ódio calado. Mas, esquecendo o amor traído, apercebeu-se de que, no reflexo do vítreo azul, ainda cintilava algum passado, vaga miragem de desafio para uma nova coragem. Foi quando decidiu seguir em frente...
Elsa Alves, 70 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Paula Tomé ― desafio 145


No Hoje, entre o Ontem e o Amanhã
O Dia começou quando ela acabou por adormecer, embalada na conversa da alma com o Ontem e o Amanhã.
Despertou. Apercebeu-se duma lágrima, mas sentiu-se serena...
Bebendo chá, apreciou aquela serenidade.
Pressentiu a tristeza, lá dentro, a ficar-lhe à flor da pele.
Pegou em papel e lápis. Saiu.
Debaixo duma árvore, sentou-se.
Desenhou.
Pensou nele.
Sentiu-o nela.
Sentiu-se Ali.
Ao reencontrá-lo, estaria bem Lá, mas regressaria Ali.
Contemplou-se, no Hoje, em Tudo aquilo.
Depois seguiu, ainda serena. 
Paula Tomé, 46 anos, Sintra
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Amália da Mata e Silva ― desafio 145


O dia começou quando, o telemóvel começou a vibrar e a tocar freneticamente. Num sobressalto atende e ouço: “ Ó meu Deus”!
Interrogo com o olhar e responde: “Já partiu”...
Parece que começa a noite a partir daí. Já esperada mas, nunca querida, esta notícia. O tempo e o mundo param. Qualquer som vindo do exterior deixa de existir; qualquer luz deixa de brilhar; só a dor bate bem fundo nos nossos corações. É a consciência da perda.
Amália da Mata e Silva, 63 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Eva Oliveira ― desafio 3


Este ano, a Laura faz 8 anos. Ela convidou 9 amigos, a sua mãe enviou um convite a 10 familiares. O ano passado, quando ela fez 7, ofereceram-lhe 2 estojos (a Laura anda no 1° ciclo), mas este ano deram-lhe 4 presentes: um caderno brilhante, 6 canetas, um globo de neve e uma camisola cor-de-rosa. A sua avó fez 5 bolos e a mãe da Inês trouxe uma gelatina e 3 taças de aperitivos.
Eva Oliveira, 11 anos, Lisboa
Desafio nº 3 – números de 1 a 10

Escritiva nº 34

Eu sou pouco dada a histórias de terror, mas já um bom policial não me escapa. Aliás, no verão tenho de ter sempre algum para me fazer companhia nas viagens.
E esse é o desafio: imaginem um crime cuja arma foi algo, aparentemente, bastante inofensivo. Pode ser um rebuçado, um envelope, uma escova dos dentes, pode ser o que vocês quiserem desde que pareça um "anjinho".

Eu escolhi esta arma para o meu crime, salvo seja!
O cenário estava preparado. A vítima completamente imobilizada e arma do crime empunhada. O procedimento era simples: acariciar as plantas dos pés até a vítima sucumbir de tanto rir, operação que não durou mais de 5 minutos.
Foi com alívio que o assassino confessou o seu crime, mas a sua sinceridade provocou sonoras gargalhadas:
― Quer-me convencer que matou um fantasma fazendo-lhe cócegas? 
― Sim, senhor guarda, o fantasma não me largava e decidi matá-lo outra vez. 
― Qu'é dele?! 
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 37 anos, Salamanca
Escritiva nº 34 - policial

16 julho 2018

Programas Rádio Sim - semana 16 julho 2018

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).

Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Fernanda Gomes ― desafio 145


O Dia começou quando a Noite acabou. Era sempre assim. Quando o Sol sorria, aprumava-se e lá ia, radioso e lesto, em busca da luz da sua existência.
A Noite entrou mal-humorada. Já não suportava a luz do Dia e andava desconfiada.
Ninguém entendia porque viviam juntos. Antigamente ainda aproveitavam o lusco-fusco, mas agora raramente falavam! Saía o Dia entrava a Noite... saía a Noite entrava o Dia...
Facto é que não viviam um sem o outro. 
Fernanda Gomes, 49 anos, Lisboa
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Maria João Barradas ― desafio 4


Sou um bule rachado, um entre muitos, na coleção da dama da casa; tem-nos de todas as cores e feitios: brancos, rosas, azuis, com pintas, com flores, grandes, pequenos, bojudos ou esguios, oferecidos, ou comprados.
Ela corre os mercadinhos de velharias e traz sempre mais um, por vezes falta-nos uma asa, ou até a tampa, mas não importa, porque vamos para restauro, na oficina do Sr. Beltrão. Aqui estou, à espera que ele me ponha como novo.
Maria João Barradas, Faro
Desafio nº 4começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Domingos Correia ― desafio 141


Caso raro
Joaquim e a filha do Zarolho, dono da esplanada onde trabalhava, apaixonaram-se. Porém, tudo acabou por impedimento do Zarolho.
Joaquim vagueou… agarrou até numa adaga querendo matar-se... em vez disso, acabou por zarpar dali, tentandoaromatizar a vida.
A moça refugiou-se no roupeiro, chorando sem parar...
Mas, passado o pranteio, cada um refez a vida, casando, tendo filhos…
Gostando de ironizar, o destino acabou juntando-os no mesmo lar. Caso raro!
Reapaixonaram-se, casaram e viveram felizes para sempre!
Domingos Correia, 60 anos, Amarante
Desafio nº 141 ― 3 letras do fim no início da palavra seguinte

Eva Oliveira ― desafio 38


Um dia, um bichinho verde foi passear. Usava um macacão desleixado. Dizia baixinho «AU!» enquanto pisava os afiados galhos na terra. Tinha um buraco no sítio do umbigo. Era um símbolo icónico que significava «ser trabalhador». Foi avançando e pelo caminho encontrou uma borboleta hipocondríaca e um gafanhoto a ovacioná-la. Uma fogueira a arder fê-lo, eficazmente, afastar-se. Foi para uma clareira onde passeou até encontrar uma casinha onde amealhou os seus pertenses e passou a viver.
Eva Oliveira, 11 anos, Lisboa
Desafio nº 38 – partindo de uma frase, utilizar os pares de letras desta para o texto

Paula Castanheira ― desafio 145


A noite começou quando ele bateu com a porta!
Não era noite daquelas com lua e dia seguinte, era verdadeiramente a noite da vida de Aldina.
O estremecimento da porta não lhe abandonara ainda o corpo e repercutia-se por todos os nervos.
Cansou-se do caos em que ele, descontraidamente, lhe transformara a casa. Pô-lo fora.
Tudo estava agora arrumado, mas sem vida, sem Ele!
Iria esperá-lo ao escritório. Ele era demasiado importante, não o perderia por ninharias!
Paula Castanheira, 54 anos, Massamá
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Eva Oliveira ― desafio 76


Naquele dia, a Ariana dirigiu-se à piscina. Esperava um dia inesquecível em família e essa ânsia realizara-se. Fizeram muitas brincadeiras: saltaram, riram... fizeram muita palermice! HA HA HA! HE HE HE! Mais uma vez, reinava a liberdade de rir e divertir! Sim, um dia inesquecível! Ariana mal queria acreditar que se divertira de tantas maneiras! Mais à tarde, Ariana e a família visitaram a casa da prima Júlia e de seus pais. Seguidamente, encaminharam-se a casa, felizes.
Eva Oliveira, 11 anos, Lisboa
Desafio nº 76 – escrever sem a letra O

Celina Silva Pereira ― desafio 145

O dia começou quando um ciclo findou. No azul do céu claro havia uma sensação de felicidade.
Esperei que meu marido acordasse lembrando da data. Refletimos em alguns textos, agradecemos e nos vestimos para o café da manhã.
A água estava maravilhosamente quentinha e o almoço no restaurante, de onde se via o bosque e a piscina de pedra, foi delicioso.
À tarde, mais banhos e calor e um lanche no apart. Agora, esperar o próximo aniversário.
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Susana Isabel ― desafio 3


De 1 a 10
1 mãe é forte como madeira
2 corações namoram na rua
3 armários fecham-se guardando dinheiro da mãe
4 guarda-chuvas pingam vinho na língua… ahahahahahahah
5 filhos à volta da mãe passam tempo brincando
6 violas dão som dentro do armário
7 porcarias esmurram-se lá fora
8 bolas de futebol, em cima da madeira, jogam com o pé
9 cadeiras penduradas na porta falam umas com as outras
10 malas bem feitas de língua passeiam na carrinha.
Susana Isabel, Coimbra
Desafio nº 3 – números de 1 a 10

Helena Rosinha ― desafio 145


O dia começou quando, despedidos os últimos clientes, extintas as últimas luzes, o show acabou. As fantasias que adornaram Ângela, dando-lhe forma, espraiavam-se pelo chão, pelas cadeiras. Glamour, brilho, ilusões diluíam-se na crueza da madrugada. O carro da recolha do lixo fez vibrar as paredes do velho cabaret. A vozearia dos carregadores, levando mercadorias para o mercado adjacente, arrancou Ângela à modorra do momento. Dia afora, voltaria ao papel de Ti Constança, vendedora de frangos do campo.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira.
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Susana Isabel ― desafio 2

Desabafo
Quero contar uma história que, pois, atentei. Ouvi auxiliares a falar mal de auxiliares.
Uma falou mal de outra que é minha amiga: isto é ser chata, chatice!
Nada disse, mas senti-me irritada. Quis gritar com a auxiliar. Não gritei por sentir medo. Tenho medo que me batam. Nunca alguém me bateu na quinta, mas sempre sinto medo. Gosto de falar com meu colega porque me entende.
Gostei de contar esta história. Estou com cabeça mais leve.
Susana Isabel, Coimbra
Desafio nº 2 – “Sempre quis ser uma história”, palavras obrigatórias por ordem inversa

12 julho 2018

Manuela Branco ― desafio 145


A noite começou quando o Diogo acabou de pisar na sala escura e o meu mundo alinhado desabou.
A probabilidade dele estar naquele lugar era ínfima. Desejei que fosse a saudade e a dúvida sobre o meu enlace na semana seguinte a atormentar-me.  
Cena de filme, pensei. Mas, era ele, e mais uma vez me foi colocada a hipótese de fuga e de viver uma paixão.
A noite acabou, um aperto no peito e a dúvida até hoje!
Manuela Branco, 61 anos, Alverca
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Amélia Meireles ― desafio 145

A noite começou quando Matilde acabou o jantar. Aquela noite tinha tudo para dar certo. Esperava o noivo para ultimar a viagem de sonho. Há muito que desejava sair e percorrer países, sem projeto definido, apenas com a vontade de conhecer o mundo. Iriam começar por África, terra onde Maria crescera. Naquela noite, o dia fez-se de ausência. Maria carregou as lembranças da sua África, fez as malas e resolveu partir em missão. Uma viagem sem regresso…
Amélia Meireles, 65 anos, Ponta Delgada
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Theo De Bakkere ― desafio 145


Reynardo, a raposa
O dia começou quando Reynardo acabou a sua incursão de ladrões nos arrabaldes à beira da mata. Tinha descoberto que ali uns paisanos criam galinhas para servirem como transformadores dos restos de cozinha. Embora essas não sejam tão gostosas como os galináceos no pátio, Reynardo aproveitar-se-á da negligência daqueles habitantes para roubar suas galinhas. Consternação geral, porque de noite uma besta sanguinária provocara um massacre. Reynardo, a raposa não percebeu nada disso. Também sua prole deve comer!
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia, Bélgica
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Amélia Meireles ― desafio 144


Estava pronta a tomar o destino nas mãos. Há muito que andava a remoer a situação. A tristeza povoava a sua vida. Deprimir era o verbo mais conjugado ao longo da sua existência. Sentia necessidade de privar com a alegria há tanto arredada de si. Para isso tinha de somar sorrisos no tempo. Precisava roer o laço que a prendia ao desalento. Perdoar a vida era um começo. Deixou de depreciar cada dia. Privilegiava, agora, cada momento.
Amélia Meireles, 65 anos, Ponta Delgada
Desafio nº 144 ― 10 verbos com certas características

Isabel Lopo ― desafio 145


O dia começou quando os Heróis acabaram a missão. Resgatar aquelas treze pessoas foi um pouco como resgatar os nossos corações. Saber que, algures por esse mundo fora, há homens muitas vezes anónimos com um enorme coração, dispostos a arriscar a vida por nós, pelos nossos filhos, pelos nossos netos, é uma coisa maravilhosa. A única homenagem que lhes podemos prestar é a de os ter para sempre presentes no nosso pensamento como grande exemplo de vida!
Isabel Lopo, Lisboa
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Amélia Meireles ― desafio 137


Não suportava aquela camisa rosa. Como lhe havia de dizer? Tinha que engendrar alguma coisa para que a famigerada camisa desse à sola. Não podia falhar, pois ele não era burro e podia perceber a trapaça. Naquele abençoado jantar, a vela do candelabro apagou. Pediu-lhe o isqueiro e fingindo tropeçar tombou a cera na sua estimada camisa. As desculpas saíram em catapulta. Ele, suavemente apaziguou o seu falso arrependimento. Odiava a camisa que a mãe lhe dera.
Amélia Meireles, 65 anos, Ponta Delgada
Desafio nº 137 ― rosa, isqueiro, burro

Sérgio Felício ― desafio 15


Alma
“Decerto querem também saber de que é feito o pássaro da alma.”
Pássaro nem sempre apetece voar. Outros pássaros dão-lhe confiança! Oportunidade para propagar-se.
Pássaro tem sonho. … gaveta do amor… acredita ser possível… nem sempre tem o que deseja.
Não abre? Abre-se gaveta da tristeza. Perde vontade de voar.
Vai lutar! não desiste do amor, nem dos sonhos… nem do outro pássaro.
Apela bravura à gaveta de guerreiro… volta a acreditar que vai dar altos voos.
Sérgio Felício, 37 anos, Coimbra
Desafio nº 15 – com frase retirada de um livro
Frase do livro “O pássaro da Alma” de Michal Snunit
“Decerto querem também saber de que é feito o pássaro da alma.”

Amélia Meireles ― desafio 139


Talvez eu fosse capaz de ser melhor. Tu acreditavas cegamente nessa premissa e repetias. Talvez faltasse o mais importante, eu acreditar. Tu insistias pensando que me conseguias mudar. Talvez eu fosse capaz de o fazer. Tu querias mostrar formas diferentes de viver. Talvez eu tivesse muito medo do diferente. Tu conhecias muito para além do sofrimento. Talvez me tivesse deixado refém do egoísmo. Tu ficaste cansado do meu constante desistir. Talvez por isso acabamos em caminhos diferentes.
Amélia Meireles, 65 anos, Ponta Delgada
Desafio nº 139 ― todas as frases com 7 palavras ― Talvez… + Tu…

11 julho 2018

Natalina Marques ― desafio 145


QUANDO saíste sem me dar satisfação,
fiquei só, no silêncio medonho e triste,
que a pouco e pouco
tomava conta do meu pobre coração.
Pensando que estava louco,
não me saías do pensamento,
nem dos meus sonhos também
porque não sei se dormia
ou se acordado te esperava.
Mas dei tempo ao tempo,
sabia que não me enganava
e na profunda solidão,
sem saber o que pensar,
dizia-me o coração
que haverias de voltar.
Natalina Marques, 59 anos, Palmela
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

10 julho 2018

Helena Rosinha ― desafio 36

coração balançava, saltava dentre o cavado sulco dos seios. O próprio andar fazia-o oscilar para cá, para lá, para cá… Ondulando no seu irresistível jeito de diva, saiu do aeroporto. No fluxo de turistas, no trânsito intenso, sentia-se o pulsar da cidade. O taxista, sem senão, levou-a à morada em Gondomar. Aí, enquanto ouvia explicações não solicitadas, ela, que não falava português, mas sabia o que queria, pegou no coração e, encostando-o à orelha, disse: Arrrrecadas!
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 36 – uma frase de um conto de autor, usando as palavras por ordem inversa
Mas ela não ouvia senão o pulsar intenso do seu próprio coração.
Ernest Hemingway, As Neves de Kilimanjaro

Chica - desafio 145


A noite começou quando Rosa acabou de deixar os filhos no colégio, de onde sairiam, para um hotel fazenda com a turma.
Ela chega em casa, toma um banho, coloca a mais bonita roupa de dormir e sonhava com a chegada do marido. Enfim teriam uma noite à sós!
Tudo certo, os dois jantados e já aconchegados, clima romântico, quando a campainha toca insistentemente: a sogra, com malas e bolsas decidira fazer uma “bela” surpresinha!
Conseguiu surpreender!!!
Chica, 69 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Filomena Galvão ― desafio 145


O dia começou quando o Doutor Mário acabou o serviço de banco e pôde finalmente ir descansar. A idade já não lhe permitia grandes folias, nem o trabalho árduo de turnos em dose inumana. No entanto, a catástrofe tinha-o obrigado a socorrer uma série de vítimas de derrocada. Teria agora direito ao merecido repouso. Aquele a que todos os guerreiros têm direito. Chegou a casa exausto, entorpecido atirou-se vestido para cima da cama e num ápice adormeceu.
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Domingos Correia ― desafio 143


“Se a Justiça falhar, alguém a há de encarnar
O larápio Zé Lampas escapava sempre à Justiça. De dia, esquivava-se como cobra. De noite, dormia dentro das medas de palha ou no meio de um cedro plantado no cemitério.
Acontece, porém, que alguém descobriu o seu segredo. Assim, uma noite, quando subia o cedro, caiu tolhido de medo, quando esse alguém lhe agarrou firmemente uma perna.
A partir daí, nunca mais foi visto. É caso para dizer: “Se a Justiça falhar, alguém a há de encarnar!
Domingos Correia, 60 anos, Amarante
Desafio nº 143 ― novo ditado popular

Elsa Alves ― desafio 100


Preciso de escrever-te ou escrever-me... Isto num tempo em que escrevo para a frente, apenas porque me faz acreditar que, um dia atrás do outro, é ir para a frente, mas sabe-se lá... o mergulho é para trás, para um tempo de descoberta, onde te espero reencontrar e te possa resgatar. Porque a ideia do amanhã contigo, essa foi-se-me no dia em que abriste os braços para já não me abraçares. E foi assim que me escrevi...
Elsa Alves, 70 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

Helder Bernardo ― desafio 35


Repartiram entre si as suas vestes, copiaram o seu poder, marginalizaram-na. Inventaram atos perversos, adulteraram o seu trabalho, culparam-na de todas as anomalias - odiaram-na. Anularam pormenores de beleza, ampliaram defeitos - murmuravam, abanando a cabeça. 
Como se sentia Eunice?
Os bancos de vento lembravam-lhe a presença divina, os passarinhos chilreavam, a brisa aveludava a sua pele, os desconhecidos sorriam-lhe.
Registou a Luz da sua alma, adornou a bondade do seu caráter - encontrou a bela e pura palavra Poesia.
Helder Bernardo, 57 anos, Sines 
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor
Novo testamentoRepartiram entre si as suas vestes João 19: 23, 24
Sophia de Mello Breyner Andresen - Encontrou a bela e pura Palavra poesia - in "Mar novo"- 1958

Desafio nº 145

Hoje, trago um desafio com muita liberdade! Vamos lá ver o que sai assim…

Que texto terá de começar por:

«O dia/A noite começou quando ele/ela/nome acabou…»

Eu escrevi assim:
O dia começou quando Zeferino acabou o turno. Não havia meio de se habituar a trabalhar assim, semanas de dia, outras de noite, na fábrica, ou no armazém. O problema era não conseguir de surpreender a mulher com um presente especial. Gostava tanto dela, tanto…
Naquela manhã, encontrou-a ainda em casa. Afligiu-se, mas afinal era uma surpresa muito maior do que a que imaginara: iam ser pais!
― Foi o melhor presente que me deste!
E Zeferino ficou em transe.
Margarida Fonseca Santos, 57 anos, Lisboa
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

09 julho 2018

Programas Rádio Sim - semana 9 julho 2018

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).

Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta