12/07/12

EXEMPLOS - desafio nº 12

Medo, eu? Será?
Dizem todos que tenho medo!
Medo? Respondo:
Não tenho medo não!
Se tremer nas bases ao ver uma cobra é medo, medo eu sinto de montão!
Se medo faz borrar as calças? Medo então não tenho não!
Se esconder debaixo da cama pelos raios, isso é medo? Assumo o medo e não escondo, não!
Mas se de relance ao olhar no espelho, me dá medo? Digo logo:
Tenho medo do maridão sair correndo, então!
Chica, Brasil

I
Se tenho que escolher uma palavra, que seja uma palavra que conte! Uma palavra assim... importante! Se a vou repetir tantas vezes, tem de ser também uma palavra bonita. Sim, ninguém quer ler várias vezes a mesma palavra feia! Meia dúzia de vezes, não é? Ou mais... num texto tão curto... são muitas vezes! Tem de ser bem escolhida. Tão bem escolhida que todos pensem "Que escolha tão inteligente. Quem a terá feito? Palavra que me agrada!"
II
- Olha! Ali! É aquele senhor...
- Qual senhor? Onde?
- Aquele... O senhor de chapéu azul, que passa todos os dias à porta da loja!
- Ah! O senhor do chapéu! Que senhor tão distinto...
- Pois é. Sempre muito bem vestido, de fatinho e gravata. E nunca o vi sem o chapéu azul!
- É... parece aquele senhor que canta... que nunca tira os óculos escuros... Só que este senhor nunca tira o chapéu!
- Será que não...? É mesmo um senhor!
Tuxa

Quando cheguei ao consultório, as palavras já lá estavam, sentadas e organizadas alfabeticamente!
Pelo canto do olho vi que comunicavam apenas com palavras começadas com a sua letra! Fiz de conta que estava distraída e fui observando! A diabrura em palavra falava com a doçura! Mantinham uma conversa palavrosamente equilibrada de muitas ideias e poucas palavras! Pobres das palavras sem sal, perdidas em silêncios por desconhecerem a palavra-chave. Subitamente entraram as palavras saídas da casca… Que palavreado!
Manuela Ferrer

Ajoelhado a seus pés, jurou que estava arrependido de se ter arrependido de namorar com ela. Lembrou que, quando a conhecera, achara que nunca ficaria arrependido de assumir esse compromisso. Afinal, não sabia porquê, tinha-se arrependido, e quanto a isso, não havia nada a fazer. Agora que estava arrependido de se ter arrependido, queria voltar para ela. Isto, se ela o perdoasse por se ter arrependido.
Confusa e perturbada com tais artifícios argumentativos, ela mandou-o à mãe.
Carlos Alberto Silva, Leiria

No mesmo jardim
Pessoas são como flores
Há flores com beleza rara e outras que só se mostram em raras ocasiões.
Há flores fartas em cheiro, cor, florescência...
Há flores que parecem sorrir, e há flores traiçoeiras, que dissimulam na viscosidade o espinho que fere e sangra. 
Pessoas são como flores. Nascem da morte da semente, brotam em solo fértil, com água e alimento na medida certa e um adubo chamado amor.
No final, fazemos todos parte do mesmo jardim.
Bia Hain

Mais um dia a emagrecer. A emagrecer de otimismo. A emagrecer de determinação. A observar a carteira a emagrecer sem vontade. O corpo, esse, continua reboliço. Teimoso e redondo. O que não pode mesmo emagrecer é o espírito. O que não pode mesmo emagrecer é a firmeza. Mas continua tudo a emagrecer ao contrário. Se deixar de pensar nisso, nisso do emagrecer, pode ser que mude. É isso. Vou é engordar bem gordinha a vontade de viver.
Clara Costa Lopes

Azul!
Carolina gostava muito do seu vestido azul. Achava que condizia com o céu azul de Verão, com o azul do mar, onde ela tanto apreciava mergulhar!
Azul era também a cor dos seus olhos que ficavam deslumbrados com o dourado do Sol, naqueles fins de tarde quentes.
Para Carolina, a Terra devia ser o planeta azul porque era doce, suave e fresco como aquela água límpida de tom azul que ela tinha bebido na fonte da aldeia.
Ana Santos

Mentira. Foi tudo mentira.
Foi mentira as promessas que fizeste.
Foi mentira o projeto que criaste.
Foi mentira as palavras açucaradas, os olhares faiscantes. Foi mentira os beijos roubados, os passeios inventados. Foi mentira o sorriso que me roubou o coração.
Ah! Mas o pior não é isso. Dei tanto de mim e agora sinto-me usado, gasto como um trapo velho sem valor nem serventia.
Em fumo se desfez a minha ilusão! Quão amarga é a mentira!
Ana Paula Oliveira

Demónios! Pequenos DemóniosDemónios na chávena de café a tomarem banho! Demónios na almofada, ressonando bem alto! Demónios nos bolsos das calças, fazendo-me cócegas e rir desalmadamente em público! Demónios em cada ombro! Demónios em cima do meu gato, qual cavalo domado e desesperado! Demónios no frigorífico com as barrigas dilatadas de tanto comer. Demónios no congelador, em poses provocantes e gestos obscenos. Demónios em todo lado! Demónios no ecrã do multibanco a rirem do meu saldo…
Marco Carreira

- O chapéu! O chapéu da senhora marquesa chegou! - gritava-se pelo palácio.
Clara não entendia tamanho corrupio e alarido à volta de um chapéu. "O chapéu da mamã é assim tão importante e especial?" pensava intrigada.
Resolveu ir espreitar o tal chapéu, que tanta algazarra motivava.
Chegou à sala e lá estava: o chapéu da mamã!
Soltou uma imensa gargalhada ao vê-lo, ali no sofá! De repente, fazia sentido. E gritou também:
- O chapéu da mamã já chegou!
 +
Era uma vez uma história... Mas não era uma história qualquer! Era uma história de dragões e cavaleiros. Mas diferente... Nesta história, os dragões eram amigos dos cavaleiros e as princesas ainda não tinha nascido. E nesta história, os dragões assustavam-se com o fumo que deitavam as chaminés. Sim, esta história já tinha palácios com chaminés, de reis e rainhas, onde um dia iam morar as princesas que nascessem noutras histórias que um dia vos vou contar...
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Conta-se por aí um certo conto de encantar... Também há quem o cante em vez de o contar! Mas o conto encanta, quer se conte, quer se cante. Quem canta o conto, canta-o com alma e assim o conto encanta quem o quer dançar. Quem conta o conto, conta-o com amor e assim o conto encanta quem o quer sonhar. Também a mim mo contaram e também mo cantaram. E assim me encantaram! Queres que to conte?
Ana Gomes

Estou pensando em falar de saudade
Esse estranho sentimento
Mas não sei de qual saudade
Versaria nesse momento
Só sei que existe uma saudade
Que ficou cá dentro do meu peito
Eu estou falando da saudade
De um determinado sujeito 
Que se foi e deixou saudade
De toda nossa cumplicidade
Nunca mais veio na minha cidade
Achei isso de uma tremenda maldade
Agora vivo eu só de saudade
E na minha vulnerabilidade
Penso ter sido tudo falsidade
Majoli Oliveira, Brasil

Gosto de mar, do sussurro furtivo das águas, do murmurejo das ondas e do ondular das vagas.
Gosto do cheiro a maresia, dos peixes a saltar na rede, de saborear os frutos do mar.
Gosto do resplandecer do sol no azul do oceano e do entardecer tranquilo, que se alonga no manto colorido do leito salgado.
Gosto dos pés molhados a acariciar a areia marcando o caminho.
Gosto da suavidade da restinguinha.
Gosto de gostar do mar.
Quita Miguel

Meia dúzia de falcões cresceram na minha floreira!
Acham estranho, falcões numa floreira?
Mas foi assim que aconteceu, a terra que lá tínhamos era mesmo fértil, não foi para flores, mas foi para os falcões!
Começa tudo com f: Fértil, Flores, Falcões... e a minha Felicidade ao vê-los voar, depois de serem apenas um pequeno ovo, aquecido pelo amor dos pais falcões.
Hoje os falcões vieram despedir-se no meu (a)braço, hoje disse-lhes - até sempre, queridos amigos!
Célia Fernandes, ilustradora

O JOGO DE DAMAS
A Ana estava fascinada com um antigo jogo de damas. Perguntou-se por que o avô nunca lho mostrou. Se calhar não gostava de jogar às damas ou talvez fosse uma relíquia do tempo em que os senhores e as damas da alta sociedade se reuniam para uma partida de damas, xadrez ou cartas que coincidência, também tem damas. Mais precisamente, quatro damas, uma por cada naipe - espadas, paus, copas e ouros. Mas tesouro era aquele jogo.
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A HORTA
O Francisco adora escavar na terra. Basicamente, ele gosta de tudo o que tem que ver com terra. Por isso os pais montaram uma pequena horta no quintal e os tempos livres são passados a remexer na terra, cavando batatas, cebolas, cenouras, alfaces, tomates. Do jardim, todos os domingos, colhia da terra lindas flores para oferecer à mãe. O único senão era a roupa sempre suja de terra e as pegadas de terra que espalhava pela casa.
Vanda Pinheiro

Maternidade será talvez a palavra mais difícil de explicar a quem não a conhece. Maternidade não pode, com certeza, ser reduzida ao edifício onde se dá à luz. Maternidade é exclusiva das mulheres. Se quisermos elucidar quem não tem filhos, apenas conseguimos expressar meias frases como: “Maternidade é amor incondicional”, “Maternidade é viver em função de outra pessoa”. Mas, na verdade, mães, digam lá: será a maternidade somente isso? Não será algo maior, superior, ilustre, magnífico, excelente?
Sofia Cunha

MANHÃ
Amanhã vou abrir a janela e o sol vai inundar o meu quarto.
Amanhã vou correr na areia molhada da praia e apagar as pegadas para ninguém me seguir.
Amanhã vou dançar à chuva descalça e pisar em todas as poças que encontrar pelo caminho.
Amanhã vou percorrer o meu caminho sem olhar para trás! Vou chorar e sorrir ao mesmo tempo!
Amanhã ninguém vai ofuscar o meu brilho!
Amanhã vou sorrir para mim!
Amanhã... talvez amanhã!
Júlia Castilho

O rato Rui ri tanto quanto um rato pode rir em tempos como os que vivemos.
É um rato vivaço, curioso e mordaz.
É diferente por ser um rato com sentido de humor que não é habitual
nos ratos cinzentos.
Não é por se ser um rato de sacristia que se tem de ser cinzentão!
"Oh, Rui, os ratos não riem! Tolo! Vaidoso!"
O rato Rui ri-se dessas observações, que cómicas que elas são!
Ah! Ah! Ah!
Leopoldina Simões

Mas que grande bebedeira!
Um bêbado que está mesmo bêbado, não pode dizer que está bêbado porque um bêbado que está realmente bêbado, não tem (nem pode ter) a mínima noção que está bêbado, pois um bêbado (daqueles mesmo bêbados!) que consomem litros e litros de álcool, cada vez ficam com mais vontade de se embebedarem provocando problemáticos efeitos de alucinação, de amnésia, por vezes e deixa-os também "com vontade de se amalucarem"! Resumindo e concluindo, eles ficam fora de si!
Rickyoescritor, 11 anos Pedroso, VNG

Um Brinquedo
A Rita, gostava muito da sua boneca. Tinha um vestido fora do vulgar, olhos azuis e, falava, vejam só!
boneca a falar... Onde a Rita fosse, a boneca ia com ela.
As amigas pediam-lhe sempre para pegar na boneca. Como é bonita!
Ontem, foram à feira. No circo, divertiram-se bastante com os palhaços e os animais que faziam as suas habilidades.
Até a boneca sorriu... A Rita aconchegou-a no seu colo e pensou: que boneca feliz!
Arminda Montez, 75 anos, Queluz

TEMPO SEM TEMPO
Podia por começar por dizer: O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem o tempo que o tempo tem. 
E despachava logo o assunto. Mas assim não tinha graça alguma! Não tinha graça, e eu não tenho tempo para brincadeiras. Pois no meu tempo não se brincava com coisas sérias! Mas como não estou naquele tempo e não tenho mais tempo... desculpem, palavras, ficamos por aqui!
Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Ela não era nada boa a fazer histórias! Nada!... E portanto, não havia mais nada que ela mais gostasse de fazer, escrever histórias... escrever, escrever, deixar-se estar e contar tudo o que lhe ia na alma... tudo e nada. Escrever era mais cómodo, pelo menos, ela assim achava. Mas, para escrever precisa-se de tempo, de tempo para refletir, tempo para ter ideias. Quando falava as ideias vinham do nada e ela ficava baralhada, confusa, desanimada, mais nada!
Helena Franco, 48 anos, Suíça

Já não falavam há semanas. Então, como estás? Publiquei fotos no facebook, viste? Não, não tenho… Muito giras, vai ver! E o artigo que publiquei sobre uso excessivo das redes? Crítico! Já “gostaste”? Não disseste nada sobre o que te publiquei no mural! Ainda não… Tens de te atualizar! Publicar, publicar, mais do que alguém consegue ler, todos querem aparecer. Oh, vã tirania do publicar!, pensei. Com tempo e moderação, arrisquei. Mas já estava a publicar outra.
Inês Cardoso, 32 anos, Toronto

Um chapéu para cada ocasião
Lá anda ela outra vez à procura do chapéu. Sim, para onde quer que vá leva um chapéu, tem um para cada ocasião. Diz que se sente protegida com um chapéu na cabeça. O chapéu de aba larga é o seu preferido, usa-o em ocasiões especiais, o chapéu de aba curta usa-o quando quer passar despercebida. Mas será que alguém passa despercebido com um chapéu na cabeça, questionam os amigos e os conhecidos. Ela pensa que sim! 
Mafalda Raquel Rodrigues, 42 anos, Setúbal

O que é a beleza?
Beleza associada à realeza,
pois a beleza é riqueza, será?
Beleza é o esbelto,
o sufisticado, o inteligente...
Beleza é arte que se esbate em cada pintura,
traduzida em mil e uma cores. Talvez?!
Beleza será a natureza
com uma melodia e luz
que ninguém iguala?
Será antes quando alguém
nos faz sorrir...

beleza é tudo
o que queremos que ela seja...
pois cada sujeito que a contempla,
em busca de felicidade e prazer
é único!!!
Virgínia Martins, 30 anos, Luxemburgo

Filosofia, a arte de pensar, pensando que pensamos sem sequer pensar o que realmente é pensar! E será a humanidade realmente capaz de pensar?! Ou apenas atira pensamentos para o ar à espera que alguém pense em pensar? De tanto pensar, já nem sei no que estava a pensar! Já nem a pobre da palavra "pensar" sabe o que pensar! Pois penso que por aqui fico visto que o pensamento é algo que não se pode explicar!
Liliana Macedo, 15 anos, Ovar

O Natal aproxima-se; todas as pessoas andam muito ansiosas para que chegue esse dia. Especialmente as crianças. O Miguel gostava muito que lhe oferecessem um livro sobre os dinossauros. Então resolveu portar-se muito bem para assim ter possibilidade de receber o presente que muito ambicionava.
Já o seu irmão Ricardo, o que muito gostava de receber era um carro telecomandado.
Os dias iam passando e eles andavam muito ansiosos, desejando que o dia de Natal chegasse depressa. 
São Sebastião, 68 anos, Glória Estremoz

O que tenho eu? Já não me conheço! Sinto uma dor irreconhecível! Sinto tudo e nada. Êxtase de sentimentos incompreensíveis. Não sei se sinto. Se penso que sinto. Virando o pensamento dor. Mas a dor existe. Pensada, sentida… está cá. Terei que a suportar. Porque sentirei eu dor? Que sentimento a traz? Não há sentimentos bons! A tristeza profunda é dor! A felicidade extasiante enlouquece! Como evitar a dor? Haverá como escapar? Não é possível! Só, morrendo!
Fátima Fradique, 40 anos, Fundão

Já era nos tempos afonsinos que dei tempo ao tempo para apreender a meu tempo o português. Somente para matar o tempo.
Na aula, o tempo é mestre. A professora, viciada em chá, espreitou o tempo no relógio para conhecer o tempo universal. Avisou-nos “meninos, dez minutinhos”. Mas o intervalo de café tem asas como o tempo, e o tempo voa sem perdão. A professora começou a aula sem perder tempo. Pois, tempo que vai não volta.
Theo De Bakkere, 61 anos, Antuérpia, Bélgica

Avidez
Mesmo depois de tudo, ainda era ávido. Aquele encontro desconstruíra toda a muralha que preparou. Estava tão ávido pelo sabor de seus beijos que não ofertou resistência. Nunca se sentira tão ávido, qual tuareg no deserto. Amou como se fora a última vez.
Incompreensivelmente permanecia ávido por mais, ficar absorto, entregue, pleno. Parecia que se esquecera de tudo, que o tempo não passara. Era ávido por amor, fome infinda de amor. Ávido, cobiçoso de apenas ser feliz.
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Naquele dia tudo parecia acontecer do avesso! Vejam se não é verdade. Levantou-se da cama e escorregou quase batendo com a cabeça no chão, irra! Ao levantar-se o relógio tombou, estilhaçou-se, irra! No banho, faltou o gaz, irra! Depois resolveu comer os seus deliciosos cereais. Irra, o leite acabou e as mulas das formigas invadiram os cereais, irra! Não foi trabalhar. O patrão telefonou e não esteve com meias medidas. Despediu-a. Irra! O que mais poderia acontecer?

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

A minha mãe está no céu? 
Sim querida, a tua mãe está no céu
E porque está no céu? Porque Jesus a levou.
Sabes que um dia, todos vamos para o céu, não sabes?
E quando for para o céu, vou ver a minha mãe?
Vais encontrar-te com ela, no céu.
Mas ainda falta muito tempo, para ires para o céu.
Mas ela vai ter muitas saudades minhas.
Pois sim, mas, ela tem paciência para te esperar.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Estou cansada de tanto impostoImposto da casa, imposto do carro, imposto atrás de imposto. Qualquer dia, até para irmos ao W.C. temos que pagar imposto. É preocupante e ninguém se importa. Ontem, ao ver o correio, encontrei lá uma carta a reclamar o pagamento do imposto de circulação, mas eu só conduzo os carrinhos do supermercado.
Já pensei em fazer greve aos pagamentos, mas outras pessoas podem gostar da ideia. Vou pensar melhor. 
Sara Catarina Almeida Simões, 28 anos, Coimbra             

Uma cana comprada duas vezes
A minha primeira cana de pesca é a eleita entres todas. Sinto essa cana como extensão dos meus braços. No mar, com essa cana, sinto-me imortal, levitando…
Aconteceu, porém, terem-ma roubado do carro.
Um dia abordaram-me: “quer comprar esta cana?”
Não queria acreditar, era a minha cana de pesca!!!
Fiquei mudo, espantado, olhando o homem, hesitante… comprá-la?... Chamar a polícia?... Não quis correr riscos. Paguei a cana, afaguei-a e, os dois juntinhos, fomos viver sonhos de pescador.
Domingos Correia, 58 anos, Amarante

Reciclar lixo interior
Para que existe um egoísta? Um egoísta cuida para se colocar numa frigideira e misturar-se bem com amor próprio excessivo. Deixa-se o egoísta estaladiço já que o egoísta se aquilata como centro do Universo. Depois de ceder o egoísta salteado no seu orgulho e presunção, rega-se bem com ego e deixa-se repousar. Serve-se com vício moral de egoísta empacotado num mecanismo genético hereditário. Acompanha-se o egoísta com água benta salgada. Só os grandes altruístas o devem engolir... 
Eurídice Rocha, 50 anos, Coimbra

O meu pai acabou de comer a última laranja. Vou comprar um quilo à mercearia.
Depois de fazer o recado fui à esplanada beber um sumo de laranja natural e vi umas crianças com uniformes laranja, a jogar futebol na praia.
A minha tia apareceu com um embrulho laranja... era uma prenda para a minha prima. Ela vai oferecer-lhe uma camisola laranja, de cetim.
Saí da esplanada e o céu estava laranja... efeitos do pôr-do-sol! É maravilhoso!
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto


Máquina
Fui tocar com ligados às máquinas à universidade de Aveiro. Devia pôr máquina ligada à eletricidade, mas… esqueci-me de pôr máquina a carregar ― parelho que uso para o auxílio respiratório. A máquina começou a dar sinal, a apitar PI-PI, era sinal que a bateria da máquina estava prestes a acabar. Estávamos para nos vir embora, mas tivemos que estar todos à espera da máquina, quatro horas, apanhando grande seca para que carregasse a bateria da máquina. Puxa!
Sérgio Felício, 37 anos, Coimbra

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