19/08/12

EXEMPLOS - desafio nº 16

Olhou-me espantado. “Como é que fazes isso?”
“Fácil”, respondi, “primeiro puxas o canto esquerdo da boca para cima. Depois o canto direito. Ou ao contrário, não interessa como começas. Mas se quiseres mesmo impressionar abre ligeiramente os lábios e põe os olhos a sorrir também. Nunca
falha.” Sorri novamente.
Olhou-me com olhos brilhantes e disse-me que no planeta dele ninguém sabia sorrir. Beijei-lhe a bochecha. “Leva-me contigo, eu ensino.” Deu-me a mão e levou-me. Ia a sorrir.
Alexandra Rafael

Havia cortado todas as ligações com o passado e começara literalmente do zero, numa nova cidade. Caminhava calmamente, com suavidade e delicadeza, parecendo uma pena a deslizar entre os dedos de uma mão, de forma quase imperceptível. Mesmo assim, destacava-se entre os milhares de pessoas que passavam. A vida começara nesse segundo, no momento em que desistira de tudo por amor e se aventurara em direcção ao desconhecido. Madrid era a cidade. Ana era o seu nome.
Sandra Pilar Paulino

No Castelo das Palavras, havia salas onde se guardavam todos os tipos de palavras. A Sala das Palavras Macias tinha palavras como «peluche», «espuma» e «almofada», mas também «carícia», «beijo», «mãe» e outras do género. A Sala das Palavras Ancestrais tinha palavras como «mundo», «fonte» e «nascimento». A Sala das Palavras Magoadas tinha palavras como «ausência», «lágrima», «fome» ou «solidão». Mas havia também a Sala das Palavras Terríveis, onde se guardava a mais terrível de todas: «morte».
Carlos Alberto Silva

Não teve como evitar um estremecimento, quando o trovão se fez ouvir, bem por cima da sua cabeça. A tempestade estava perto. Sentindo o tremor das pernas, aproximou-se da janela no exacto momento em que um raio iluminava o mar à sua frente, seguido de mais um ribombar ensurdecedor. 
Queria enfiar-se na cama, tapar a cabeça e deixar de ouvir, mas aquele espectáculo que a atemorizava, atraía-a de tal modo, que se tornava impossível o seu afastamento. 
Quita Miguel

A fuga é um desejo constante. Entre pensamentos, despejo a mente. Choro. Fixo a porta na esperança que entres. Não ganhas forma, senão em pensamento. Saudade insana. Ladainha em mim, num jogo de revelações intrigantes. Volto a fixar o olhar naquela porta. E tu, de novo, sem entrares. Guardo a tua imagem num livro de recordações. Sem testemunhas, volto a fechá-lo numa das múltiplas gavetas da memória. Não sem antes te beijar e te aconchegar em mim.
Maria Cristina Araújo

Atrás do sorriso sempre aberto para todos, ela escondia um segredo que ninguém desvendou. Espalhava alegria e entusiasmo por onde passava ria e brincava como uma criança. Fazia surgir de uma tempestade o mais belo arco-íris e sarava todas as dores. Invejada pelo optimismo, talvez criticada pelo aparente desprendimento das próprias e muitas mágoas, partiu com um pálido sorriso sem que alguém desconfiasse ser a rainha da tristeza, porque triunfou sobre ela, a vida toda, semeando alegria.
Maria C. Bruno

Menino tranquilo sentado
patinhos estão ali a nadar
olha o lago concentrado
em que estará a pensar?

Pensa na vida, na sua escola?
lembra de lindas brincadeiras?
dos brinquedos que deixou na sacola
ou do lanche que está na merendeira?

Pensa, pensa meu menino
coisas lindas da infância
ainda és bem pequenino
não conheces a arrogância!

Que possas sempre assim estar
alegre e sempre a sorrir
assim hás de desfrutar
tudo de bom que está por vir...
Chica, Brasil

Da ponta dos dedos das mãos de um lado ao outro, pouco mais de um metro para o amor estreitar.
Não aprendi seu poder em casa, mas a vida me deu de presente amigos que puderam me mostrar.
De falsidade não espero nada, então só o desejo de quem está disposto o seu carinho entregar.
À família, aos amigos, ao bem amado e a quem chegar
De braços abertos sempre estou, pronta...
para com terno calor, abraçar.
Bia Hain, Brasil

Escolhi uma palavra que me diz muito: fronha.
E nenhuma relação há com sonhar ou repousar a cabeça. Fronha virou sinônimo de amizade.
No mundo virtual encontrei uma pessoa que diz não haver palavra mais feia que esta na nossa língua. E de tamanha implicância, surgiram gargalhadas, brincadeiras.
Encontrar a fronha na escrita ou no varal tem agora um significado especial, o da amizade.
Uma palavra feia para ela, uma conexão que me faz sorrir. Conexão fronha!
Ana Paula Amaral do Carmo, Brasil

Há pessoas assim. Toda ela refletia serenidade. Gestos suaves, voz pausada, olhar calmo, como calma a vida que levava. Os livros que lia com sofreguidão, a música dos grandes compositores escutada do velho gira discos. Os passeios por entre as tílias e os plátanos, do belíssimo jardim deixavam-na em êxtase. Dormia melhor depois do passeio, dizia! Nunca uma palavra de azedume se lhe ouviu, nunca um lamento pronunciou. E sofria!
Quando amanheceu elevou-se em paz e serenidade.
Alda Gonçalves

Amava-a mais do que tudo. Por ela lutei, gritei, zanguei-me e até maltratei. Ela ouviu-me; veio tímida, de mansinho, e instalou-se. Aqueceu-me o sangue. Senti-me feliz por viver com ela.
De a ter sempre ao meu lado, quase me esqueci como era importante e única para mim. Triste, não chegou a partir, apenas me começou a ignorar e a tornar-se vulgar na mão dos outros. Desesperado, voltei a chamar o seu nome: Liberdade, porque te escreves assim?
Bau Pires

Gostava de sentir nostalgia. Via no tempo um poderoso aliado e na memória uma fiel amiga a preservar. Rejeitava definições menos brandas de “saudade” e cantava o passado com toques de futuro. Era feliz. E isso bastava. Que terno lhe parecia aquele fim de tarde, e que surpresa era para si (sempre) a chegada do Verão! Havia brisa, o sol dourava as paredes e ouvia-se a música da erva e das pedras. Encontrava o que perdera: alento!
Leonor Tenreiro

– Olá por onde tens andado?
– Por aqui, por ali, mas sempre a olhar para ti.  A ver-te crescer, amadurecer as ideias, concretizar os teus sonhos e à tua espera!  Sim, à tua espera, para voltarmos a brincar, como o fazíamos quando não tinhas horários, quando não te esquecias de mim.
– Mas, não me esqueci de ti!
– Agora não!!!  Por isso estou aqui. E agora, agora está na hora de Brincar!!!  Porque está na hora de eu voltar!!!
Teresa Silvestre

Tento escrever sobre ti:
é este o desafio e o que aparentava ser simples tornou-se difícil. Não consigo falar de ti, não agora.
Dás cabo de mim, de diversas formas e isso... Bem, isso perturba-me! Quero que me deixes! Que vás para bem longe!
Porque o longe, nunca me pareceu tão perto como agora. "Longe" não é o suficiente para ti. Nem para mim! Por isso corre sem olhares para trás! E deixa-me...
Deixa-me agora, terrível saudade!
Ravena Ariane Carvalho

Na esplanada a beber café. Aborrecido. Neste mundo urbano sem vida, penso na minha palavra favorita e tudo muda. Dentro da chávena de café vejo uma Galáxia em espiral num Universo desconhecido. No céu, um gigantesco Zeppelin com gigantes rotores deslocando-se como um Titã. Ao meu lado passa um Velociraptor, soltando um leve grunhido. A linha urbana muda drasticamente para torres de jardins suspensos, tudo dentro de uma colossal cúpula. Sim, IMAGINAÇÃO é a minha palavra preferida.
Marco Carreira

O SORRISO DE MARCO ANTONIO

Será que existe algo mais colorido
Que um lindo sorriso a brilhar
No rosto de um filho tão querido
Que distante de nós está?

Mesmo que seja em fotografia
Emociona, faz chorar
Pois sentimos, através dela, a alegria
Do momento a vivenciar

Esse sorriso tão natural
É o cartão de visita do meu filho
Pois vive sempre em alto astral
Diante de qualquer empecilho

Em breve ele aqui estará
E em mim, um sorriso há de brilhar
Majoli Oliveira

Hoje o dia na escola ia ser diferente.
No pátio as crianças sentaram-se em filinhas e brincavam, empurravam-se, riam...
Não percebiam bem como é que aqueles sete colegas iam apresentar um teatro.
Aqueles colegas simpáticos que lhes devolviam sorrisos no recreio, não tinham voz!!!
Começou.
Com gestos, as mãos mostraram a lua, o sol, o coração, o mundo... todos perceberam a estória da amizade.
As palmas juntaram-se às outras mãos erguidas no ar e acenavam. Riam todos.
+
Acordei com a luz do sol que nascia. Espreguicei-me e olhei.
Não havia carros, pessoas, fumo, sirenes nem vozes.
Apenas vi as flores que apareciam como salpicos pequeninos de cor, por entre as minhas amigas, as árvores, enormes, pequenas, e tantas que forravam o meu lar de verde. Um riacho convidava a beber, Corria ao longe entre as rochas.
Ergui-me, comecei a andar. Primeiro devagar, depois acelerei e corri feliz pela floresta.
Sou um tigre. Sou livre.
Gisela Franco

Conhecem aquele tipo de pessoas que entra numa sala o mais discretamente possível e sem qualquer artifício cativa toda a gente?
Conhecem aquelas flores que crescem silenciosamente no campo, e que quando encontradas são mais apreciadas do que qualquer bouquet ornamentado e perfumado?
Conhecem aquelas músicas compostas por um belo poema e um simples piano por trás que nos arrepiam ao escutar?
Se responderam que sim, Parabéns! Significa que conhecem o poder e a beleza da SIMPLICIDADE!
Vera Viegas

De manhã acordar e sair de casa sem destino. Viajar ao encontro de outras terras. Conhecer natureza e património. Recheada de rios, serras e cascatas, a riqueza natural junta-se aos monumentos de arquitetura dourada com anos de história e lendas escondidas. Um simples olhar e voltam a ter vida como se as suas personagens nos sussurrassem ao ouvido o que há muito esperam contar. O regresso a casa é tão compensador quanto o desejo de nova viagem.
Vanda Pinheiro

11 anos de idade. Tanto tempo passado. A tentativa de suicídio, o Hospital. O Coma.
Renasceu" ao ver o sofrimento no rosto de sua mãe e a ajuda do seu pediatra.
Agarrou-se à culpa e à possibilidade de uma libertação futura, através do conhecimento. Este trouxe-lhe autonomia, mas não lhe eliminou o sofrimento, o tédio, o vazio...
Ainda hoje, quando revê o seu passado, termina nesse tempo longínquo, onde deveria ter ficado. Não existir neste presente.
Isabel Pinto

Ainda faltavam quatro semanas para o nascimento mas ela impôs-se. Nasceu no mar. O marulhar das ondas foi a primeira música que ouviu e que a embalou. Por isso lhe chamaram Maria Mar. Por isso o sol foi o padrinho e a lua a madrinha. Por isso, foi abençoada pelas estrelas. Também por isso, herdou a personalidade inconstante do mar. Ora calma e sossegada, ora irascível e tempestuosa, tal como o mar, viveu livremente, cheia de mistério.
Ana Paula Oliveira

O ADEUS
Aquele sorriso contagiante enchia-me a alma, ninguém ficava indiferente àquela boa disposição, de mim roubava-me sempre uma gargalhada. Com muita pena nossa, fomos obrigados a separar-nos, mas o brilho, o fogo que seus olhos me transmitiam, guardei-os comigo, para me aquecerem nas noites de inverno em que o frio e a falta de uma companhia se faz sentir mais, e também para atenuarem um pouco as saudades do meu amor que teve de dizer adeus, a Portugal.
Maria Silvéria dos Mártires, 67 anos, Lisboa

Reflexo
Mirava-te nas águas límpidas.
Cúmplices de amor escondido e revelado simultaneamente!
Mas um dia...
– Acabou tudo...
– Porquê?
– O meu maior inimigo, quer desfazer-me, junto de meus companheiros.
– Companheiros?
– Sim, pequenos e sinceros...
– E... Qual o teu inimigo?
– Queres que eu te diga?
– Sim!
– Com toda a sinceridade?
– Sim!
– O meu inimigo, é a consequência dos desastres dos outros...
– Mas... Que outros?
Mas ele já se fora engolido pela poluição do mar...
E eu só implorava: Reflexo, volta!
Rickyoescritor, 11 anos, Pedroso, VNG

Amo-te
Adorava aquela palavra, contudo às vezes pensava, se um dia a poderia ouvir com tanta paixão? Sem perder a esperança esse sonho manteve-se dentro dela. Teve alguns relacionamentos, mas faltava sempre aquele ingrediente que faz incendiar os corações, e dá cor à vida, uma pitada seria o suficiente para dar outro sabor aos dias, demorava a acontecer. Um dia conheceram-se, os seus olhos fixaram-se algum tempo a palavra mágica há tanto tempo sonhada surgiu de imediato – Amo-te.
Maria Silvéria dos Mártires, 67 anos, Lisboa

UM DIA MAIS
Finalmente em casa! Olho em redor. Meu Deus, como estou cansada! Cansada da loiça por lavar, da roupa por arrumar, dos sapatos e livros espalhados! Suspiro fundo, meto mãos á obra. Duas horas, depois tudo arrumado. 
Agarro um livro. Enfim um pouco de sossego! Mas oiço a chave na porta. E penso: Já?! 
Entra o marido, seguido dos filhos. Largo o livro por abrir; há banhos a preparar, tpc para fazer, tudo recomeça, e eu? Eu? CANSADA.
Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

A primeira vez que ouvi aquela palavra foi num daqueles ditos que poupam o esforço de recriar… dura só um bocadito! Foi a minha mãe, sobre o meu tio. Parecia significar agitação, movimento frenético. Uma palavra nova. Queria apropriar-me dela, integrá-la. O meu tio prestava-se a comentários. Não se ralava. Um dia ofereceu-me o mote para a usar. O tio Zé está com uma tesão! Quase levei na boca, como se tivesse blasfemado seriamente. Tinha 7 anos.
Inês Cardoso, 32 anos, Toronto

Perdi-te e agora percebo a importância que tens. Sinto tanto a tua falta e parece que os dias são infinitos e nunca sais do meu pensamento. Fico facilmente desconcentrada porque me lembro do que aconteceu e não arranjo forma alguma de consertar o mal que possivelmente possa ter feito. Simplesmente perco-me nas minhas próprias memórias, criadas não só por mim, mas por nós, memórias essas que trazem a saudade de tudo o que vivemos num passado recente.
Maria Luísa Barros, 15 anos, Porto

Os olhos arrasaram-se-lhe de lágrimas. Olhava em redor. Ninguém se tinha dado conta dele.
Evidentemente que não, nesta sala monótona foi somente secundada pelas flores brancas. Teria de chamar mais a atenção que ele não tinha os olhos chorosos.
Na participação de óbito foi escrito em letras góticas: "Não está triste pelo meu morto, mas alegra-se com a minha vida". Em vão, soluços retidos retumbaram pelo espaço. Não obstante, foi sua intenção comportar-se como forte na despedida.
Theo De Bakkere, 61 anos, Antuérpia, Bélgica

Na troca contínua de palavras de afeto senti-me enlouquecer. 
E, agora com o teu beijo de despedida, apenas restou um coração que suspira por ti. 
Tu, só tu, roubaste-me, esculpiste-me dando uma nova forma. 
Serei maluca? Ou estarei a sonhar? 
Que futuro é este? Se ao meu lado já não estás, afinal quem sou eu? Uma busca incessante de respostas para perguntas às quais só tu consegues responder. 
És o meu destino! És o meu grande amor
Ana Sofia Cruz, 16 anos, Porto

O muro – em homenagem às gentes, ainda, muradas na Palestina
Alto, feio, cinzento, quilómetros e quilómetros sem fim… O muro estava ali. A barrar a paisagem, a travar o sonho, a coarctar a liberdade. A ânsia de ver e ir além dele crescia a cada dia, cada momento. A vida em plenitude, em alegria, tem que ser vivida sem barreiras.
Então, as gentes juntaram-se e começaram a destruir os alicerces daquela barreira medonha e aparentemente eterna. Um bocadinho aqui, um pouquito mais à frente. Revezando-se, nunca desistindo.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra

Saudades do que já lá vai,
pois não mais voltará.
Mas maior ainda é a saudade
do que está para vir,
pois sei que decerto não perdurará!
Assim me sinto constantemente,
devido à tão cristalina
e doce amargura da saudade               
que teima, constantemente, em
dar o seu toque.
Toque esse de fada,
delicado e carinhoso.
Toque que acaricia e sussurra baixinho.
Sai depois de mansinho, sem que te dês conta,
deixando apenas recordações da sua efémera presença.
Liliana Macedo, 16 anos, Ovar

Palavra que diz tudo
Lembrar é trazer a tona do abissal, o teu jeitinho de rir fazendo uma indisfarçável covinha no canto da boca. É debulhar contas de cartas escritas, desarrumar livros e CDs para ler dedicatórias.
É desarquivar cenas de reencontros, beijos dados em público, de intermináveis abraços...
E não conseguir contabilizar tantas flores recebidas...
É memorável, arranca risos interiores, lágrimas disfarçadas,
São meus achados de ti. Canções cantadas em silêncio, murmuradas, fazendo o fundo musical dos dias sem ti.
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Mariana não conhecia o impossível. Da sua vida madrasta aprendera uma única lição: a vontade determina o caminho. A cada tombo, reerguia-se com mais vontade de conseguir os seus intentos. Percebeu sempre que a sua palavra mágica a movia no sentido certo. Naquele dia, olhando para cada criança que conseguira retirar da rua, tomou consciência do tamanho da palavra que adotara como lema de vida: conseguir! Conseguira reinventar o cruel mundo daqueles pequenos seres. Conseguir! Sempre conseguira! 
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Asas sem liberdade 
Era um passarinho lindo,
De asas de prata a brilhar,
Tinha um biquito amarelo,
Mas, não podia voar!

Vivia numa gaiola,
Da cor do ouro a brilhar,
Era tratado com zelo,
Mas, não podia voar!

Estava num lindo jardim,
Ensolarado a brilhar,
Tudo era belo ao redor,
Mas, não podia voar!

E, um dia, entristecido,
Com as asas a brilhar,
Começou a matutar:
Para quê tão lindas asas
Se não tenho liberdade,
E não posso ir voar?
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Somos ideais para os preguiçosos. Perfeitas para os duvidosos. Temos muitos fãs, causamos muitas emoções. Uns ficam desiludidos quando nos veem, outros ficam satisfeitos. Ninguém duvida de nós, a menos que nos imprimam mal. Somos magia nas mãos de um mágico. Truque ou batota?
No entanto, somos muito maltratadas! Somos sempre as últimas da lista! E, como se não bastasse, “entalam-nos” bem apertadinhas, como sardinha em lata!
Quem somos nós? Que seres tão misteriosos!…
Somos… As soluções!
Luís Príncipe, 13 anos, Arrifana, Santa Maria da Feira

É um bem precioso, que todos nós temos.
Deus nos deu esse direito, de poder desfrutá-la,
pela vida fora, nos momentos bons e menos bons
que ela dá e proporciona.
É palavra sagrada, também por Deus consagrada,
é um conjunto de sentimentos, que vêm do coração,
e que um deles é chamado união.
Para mim a FAMÍLIA é assim onde a união faz a força,
e venha a tempestade que vier, não há vento que a torça.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Para resolver problemas
Era das mais pronunciadas em casa. Repetiam-na a todo momento. Recordava quando, outrora, também a usara muito, para achar algum brinquedo, pedindo um prato especial ou para resolver qualquer problema.
Depois, mudou-se e a palavra surgiu novamente. Nas mesmas ocasiões, ou semelhantes. Passou a ouvi-la na hora em que as crianças estavam saindo para a escola ou chegando ou avisando que iriam sair, mais tarde. Agora, a palavra aparece certas vezes ao vivo, geralmente pelo telefone: – Mãe!
Celina Silva Pereira, 65 anos, Brasília, Brasil.

Amor              
Somos todos companheiros
Nesta nossa caminhada,
Viemos como herdeiros,
Trilhando a mesma jornada!

Estendemos uma mão,
Caminhamos lado a lado,
Encontramos compreensão,
Bondade, meiguice, agrado!

Basta só uma palavra,
Um carinho disfarçado,
Para transformar o «nada»
Num abraço apertado!

Somos fruto da união
Dos que nos deram a vida
E ficamos sem o chão
Quando da sua partida!

Mas sobra sempre a semente,
Entre alegrias e dor,
Que a morte nunca vence
E tem como nome AMOR!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Damascos
Deliciosos eram os damascos, que pareciam querer dançar com as dálias, que enfeitavam a 
mesa metalizada, oval, não oculta, onde nela reluziam como rosas viçosas parecendo que nos saudavam e assim nos seduziam, eram sedosos, um sonho sonhado.
Timidamente toquei-lhes e ternamente, comi alguns, pude verificar que eram muito tenros.
Tempos houve em que trepava ao damasqueiro para colher estes esplêndidos frutos que nos faziam crescer água na boca, tão bons, que me tentaram, e comi tantos.
Maria Silvéria dos Mártires, 69 anos, Lisboa

Florido
Em meio a tanta seca e à paisagem do cerrado, eles colorem a vida das pessoas que o veem. São amarelos, roxos, rosas e brancos, todos muito bonitos e ótimos para fotos.
Podem ser grandes, pequenos, cheios ou não, mesmo assim, têm a capacidade de fazerem seu dia mais feliz. O seu desabrochar é o mais esperado por todos! Quando está na época, deixam a cidade cada dia mais bela. Oipê é a árvore mais bonita.
Daniele Veloso Garnier, 13 anos, 8º ano B, CEF 04 de Brasília, profª Celina Silva Pereira

Botânica
Elas encantam e compõem o dia a dia das pessoas. São inspiradas pelo ambiente. Possuem características diferentes – estreladas, arredondadas, e de muitos outros tipos.
A grande característica delas é a cor. Seu uso é ligado à coloração, que pode indicar um momento romântico, de despedida ou de acolhida.
A cor é o que diferencia a maioria delas e também causa preferência nos seres humanos. Elas são belas, possuem um aroma muito bom. As flores são realmente encantadoras.
Daniel Ferreira da Conceição, 13 anos, 8º ano C, CEF 04 de Brasília, profa. Celina Silva Pereira

O motivo
Ele corria, fazia de tudo um pouco para encontrá-la, coisas boas, coisas ruins para as pessoas, ninguém conseguia compreendê-lo. Por quê?  Perguntavam mas ninguém podia responder.
Ele bebia às vezes e também fumava, matava aula, estudava, rezava e até amava. Alguns se afastavam, achavam aquilo uma loucura, mas para ele tudo tinha motivo, mesmo que oculto para todos.
Às vezes chorava, por raiva de todos que o julgavam sem saber que tudo que ele procurava era FELICIDADE.
Marcos Vinicius de Oliveira, 15 anos, 8º ano C, CEF 04 de Brasília, profa. Celina Silva Pereira

Adoro
Ela é linda na primavera, fica despida no inverno e no outono. Começa a florir e dá belos frutos, muito gostosos. Sempre faz uma bela e agradável sombra! Que dizer ainda? Ocupa uma área especial de um lindo parque e várias crianças travessas adoram se pendurar nela.
Muitos casais tiraram foto embaixo dela. He! He! He! Às vezes até namoram embaixo dela e até gravam seus nomes nela. ´
É a cerejeira, a mais bela árvore do parque!
Iago Lima Veloso, 13 anos, 8º ano C, CEF 04 de Brasília, profª Celina Silva Pereira

Amarelinho
Existem alguns que são grandes, há outros que são pequenos; ele é pequenino e gosta de divertir-se.
Tem uma família que o ama de verdade; é um amor que nada nem ninguém pode explicar.
Ele é muito bonitinho, leve e gracioso, é companheiro, adora agradar a sua família.
É um passarinho amarelinho que ama sua família verdadeiramente e tem uma linda e harmoniosa voz.
Às vezes ele canta muito, sonoramente, para alegrar sua família, mas acaba irritando.         
Júlia Verbênia Oliveira Neres, 13 anos, 8º ano A, CEF 04 de Brasília, profª Celina Silva Pereira

O nome do assassino
Um dia três amigas foram presas em uma casa por uma pessoa desconhecida e lá não havia porta e nem janelas.
Lá na casa havia várias armadilhas, cada vez mais que elas procuravam saídas, encontravam armadilhas.
Duas das três amigas não prestaram atenção e morreram cortadas por linhas finas e afiadas. A última das amigas foi mais esperta e achou o assassino. Localizou um celular e ligou para a polícia, eles o prenderam. Seu nome era Vítor.
Sâmilla Lúcia Marques, 14 anos, 8º ano B, CEF 04 de Brasília, profª Celina Silva Pereira

A seca
Ela chegou, fogo por toda a parte, muitas queimadas. A chuva já se tornou rara. Por onde eu passo ouço uma sirene, os bombeiros se aproximam mais uma vez. As árvores estão secas, o mato já se tornou preto.
Todos procuram uma piscina, um suco gelado para se refrescar. Os ventiladores e o ar condicionado estão sempre ligados, as pessoas caminham pela rua procurando ar fresco.
A cidade já perdeu a vida, pois chegou a SECA.
Amanda Amarante, 13 anos, CEF 04 de Brasília, Brasil, profª Celina Silva Pereira

Sublime e levantada
Sabia que se mantivera sã por se intuir obstinada. Todos à sua volta insistiam para que parasse, para que se deixasse ir na maré, para que não desse nas vistas,...  ela sobrevivia com crença que o segredo a protegeria, que o vivificava da maneira mais eficaz. 
Quantas vezes o desespero e dor esfaquearam a alma?
Mas sabem quando temos a certeza que o caminho é por ali? O sonho, nunca se permitiu abandonar, do corpo e alma!
Eurídice Rocha, 50 anos, Coimbra

Um líquido encarnado, símbolo de vida, percorre o corpo por vasos azuis; representa simultaneamente a dor dilacerante de catástrofes, originadas por factores humanos ou naturais, bem como a felicidade da dádiva, entregue aos outros.
É fabuloso partilharmos algo que nos pertence, sabendo que com a generosidade podemos salvar vidas.
Através de valores contribuímos, sem o vil metal, para edificar uma sociedade digna.
O sangue nem sempre traduz a dor; muitas vezes, é sinónimo de amor pelos outros.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto


Imaginação

A imaginação é quando o cérebro ganha asas

Deixa de pensar em coisas sérias.
É tudo bonito como montes, árvores e casas.
E a atravessar de perto as casas, lindos rios.

A imaginação é uma coisa bonita.
Bonita como o canto dos pássaros
Ou como a menina Anita
Talvez até tenha um pouco de magia.

A imaginação é como um pássaro
Que pousa na mais bonita árvore.
É pássaro raro.
Para mim, é isto a imaginação.
Beatriz, 9 anos

Aquecimento
Alguém tem de ajudar o nosso planeta a manter-se, porque a poluição, essencialmente, das fábricas, origina aquecimento global. Indústrias usam combustíveis fósseis e libertam CO2 artificial para o ar, aumentando a temperatura na terra (1,5 grau centigrado). No ano 2015, a concentração de CO2 foi 3,5 partes por milhão (ppm), em 2016 foi 402,9 ppm. Isso provoca gelo a derreter, subida do mar, o desaparecimento das ilhas, a não circulação das aves migratórias por falta de alimento,…
Sérgio Felício, 37 anos, Coimbra 

As Palavras
As palavras são muitas, mas muitas não significam nada sozinhas. Quando as conjugamos, formamos histórias, narrativas com asas para voar alto, tal como as andorinhas.
As palavras são como as fotografias, pois mostram o mundo da forma como o autor o avista.
As palavras são organizadas, postas com configuração controlada, para dar forma a algo, mostrando, assim, alguma vida.
As palavras são bocados do quiz, fatias da pizza, gotas do mar, notas d’uma pauta musical.
Bernardo Santos e Inês Mira, 18 anos, Catarina Carreira, 17 anos, 12º CT4 da Escola Secundária José Saramago-Mafra

Às vezes deixo os outros entrarem no meu mundo, devagarinho, e aquela dor da tua ausência abranda; outras vezes recuso-o, como se esse gesto pudesse suspender o sonho. Prefiro dizer sonho a ilusão: esta significaria aceitação, constatação última de que partiste. O sonho, esse, ainda me agarra à esperança ― a um futuro que talvez possa espreitar-me. E eu preciso dessa esperança, como uma mão que impede a dor, para que ela não pese tanto que me esmague.
Elsa Alves, 69 anos, V. F. Xira

São Tomé e Príncipe é um país insular, seguro tolerante e pacífico, graças ao seu povo acolhedor.
As suas tradições populares são raízes da terra: socopé, Tchiloli, puíta e dexa, as manifestações mais apreciadas pelos turistas.
Sêlêlê, tluqui-sun-deçu, papagaio e falcão são aves típicas, representadas na moeda local - a dobra.
Salambá, tamarindo e pêssego são deliciosas frutas, muito apreciadas também em sumo natural.
A floresta (obô) sagrou-se território protegido, ao ser considerada reserva mundial da biosfera.
Madniel Monteiro Dias, Abcinia D’Assunção e Angelita Ramos, Licenciatura em Língua Portuguesa, 3.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira

São Tomé e Príncipe é um país maravilhoso com as suas tendências prazerosas que atrai os turistas.
Somos todos primos, com afecto uns pelos outros.
Sentimo-nos tocados pelo nosso padroeiro, São Tomé, que comemoramos sempre em Dezembro.
Consideramo-nos solidários, também, perante outros povos irmãos, que sofrem terríveis perturbações devido à ganância dos homens.
Amamos os nossos deliciosos frutos, como o safu ou a pitanga, e sonhamos ter paz na nossa terra e construir juntos uma nação melhor.
Maximiana Bandeira, Nelson Diogo e Marilde Gué, Licenciatura em Língua Portuguesa, 3.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira

São Tomé e Príncipe é um país insular, com ilhas maravilhosas e belas paisagens, sempre tropical, pois chove torrencialmente, em especial, no sul.
Significando o turismo potencial económico e de desenvolvimento, terá de ser estimulado.
O país socialmente tem pouco capital humano, mas a sociedade é trabalhadora, produtiva, acolhedora e humilde.
O salário total não permite condições de vida razoáveis, mas a sociedade, tatuada pelo paludismo nos primeiros anos da independência, já quase conseguiu vencer o flagelo.
Acleide Ramos e Jusineida Carvalho, Licenciatura em Língua Portuguesa, 3.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira

São Tomé e Príncipe é um pequeno país, situado na costa ocidental do continente africano, no golfo da Guiné, banhado pelo Oceano Atlântico.
Por ser tão pequeno, “somos tomos primos” é uma designação comummente utilizada pelos são-tomenses deste território promissor.
O senhor Tomé, português, contribuiu para o desenvolvimento desta terra e o seu homónimo, o santo Tomé, é padroeiro celebrado pelos católicos. 
Durante esta celebração, o povo canta e dança, vendo e ouvindo Sangazuza, Tchiloli e Puíta.
Octávia Carvalho, Cintya Melissa Pinto e Abílio Santos, Licenciatura em Língua Portuguesa, 3.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira

São Tomé e Príncipe é um pequeno país insular situado no golfo da Guiné.
As suas tradições possibilitam a compreensão do seu povo, o qual afirma orgulhosamente “somos todos parentes”.
As condições climatéricas das ilhas originam a sua tonalidade pujante: safu, tamarindo e pêssego vestem-se de cores garridas. Sêlêlê, tluqui-sun-deçu ou papagaio, com as suas plumagens vistosas, entoam lindas melodias 
A simplicidade, ternura e passividade dos são-tomenses modelaram um povo acolhedor, sempre pronto a fazer novas amizades.
Alcides Pereira, Kirilenho Sousa e Wilson Fontes, Licenciatura em Língua Portuguesa, 3.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira

São Tomé e Príncipe é um arquipélago com nome santo, tendo por isso uma festa que se realiza sempre todos os princípios do mês de Dezembro.
Para se tornar potencialmente atraente para os turistas, é necessário que todo o povo colabore, mostrando as suas tradições prolixas e a sua arte de receber os visitantes.
Sabemos que temos de procurar formas para que o nosso país cresça.
E seguir todos os países que estão em vias de desenvolvimento.
Inercia Monteiro e Felício Leal, Licenciatura em Língua Portuguesa, 3.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira

São Tomé e Príncipe são duas ilhas de origem vulcânica de um verde exuberante.
Este país de sonho tem um potencial turístico a desenvolver.
As pessoas, acolhedoras e alegres, são todavia pobres, alimentando-se essencialmente de arroz importado.
Se a terra fosse pobre, seriámos todos pró-activos, porque teríamos de lutar pela subsistência.
Apesar da terra fértil, vivemos num país onde se trabalha para sobreviver, sem tempo para passear.
E assim continua o país adiado, esperando sair do buraco.
Admar Viegas e Ermelinda Silveira, Licenciatura em Língua Portuguesa, 4.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira

São Tomé e Príncipe, duas ilhas maravilhosas, localizadas no Golfo da Guiné, tem uma população simpática, temerária e privilegiada pela mãe natureza.
O arquipélago oferece segurança, tranquilidade, paz e convida os visitantes à prática do turismo, desvendando praias secretas, de tonalidades preciosas, onde impera o sossego. Sendo terra de Príncipes, é o paraíso do Equador.
Sem temer, venha provar os prazeres que só estas ilhas oferecem. Como dizemos aqui, somos todos primos. Faça parte desta família santomense.
Arseline Rodrigues e Hilária das Neves, Licenciatura em Língua Portuguesa, 4.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira

Se todos os professores santomenses tivessem perspectivas de futuro, seguramente teríamos progresso no processo ensino/aprendizagem.
O governo de São Tomé e Príncipe tem de estar atento às necessidades da classe docente e definir, sem temor, prioridades: salários e recursos físicos e humanos.
Se o desenvolvimento do país passa por uma educação de qualidade, são também prementes a afectação de meios, planos e estratégias para a consecução dos objectivos. Se tal projecto se concretizar, a educação estará ganha!
Edilaster Neto, Liberlícia Carvalho e Ludmila Freitas, Licenciatura em Língua Portuguesa, 4.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira

São Tomé e Príncipe, terra maravilhosa e abençoada, é um País insular de beleza única e incomparável. As gentes, humildes e trabalhadoras, revêem-se no epíteto “somos todos primos”.
Somos tranquilos e ponderados, daí, sermos totalmente pacíficos nas nossas acções e detentores de uma hospitalidade inigualável.
A solidariedade de todo o povo e o seu espírito lutador somam triunfos, presentemente, no bem-estar da comunidade. Quanto aos políticos, seguramente transfigurarão promessas em acções, no sentido do desenvolvimento da nação.
Maria de Lurdes, Ester Madre Deus e Inailer Manuel, Licenciatura em Língua Portuguesa, 4.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira

São Tomé e Príncipe é um país situado no Golfo da Guiné, terra de cacau e de café, onde o verde da vegetação impera, a fauna é rica e o povo acolhedor.
Somos trabalhadores persistentes, incansáveis na luta pelo desenvolvimento do país e preservação da cultura. Somos também perseverantes na esperança, pedindo ao Senhor todo-poderoso protecção e que abençoe e dê sustento a todo o povo do país. Somos todos primos, somos todos patriotas, bamu zunta móm.
(vamos dar as mãos).

Fidel Ferreira, Damil Costa e Edvaldo Cabral, Licenciatura em Língua Portuguesa, 4.º ano, Instituto Superior Politécnico (ISP) – Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), prof Lurdes Ferreira
Confesso que não tenho qualquer pretensão a ilusões ― nem mundanas, nem oníricas. Nasci cética e sóbria demais para crer ou esperar iludir-me. As ilusões e os sonhos são demasiado fluídos e eu saí da fábrica com arestas de sobra. Que querem? Sou incómoda, áspera, afiada, um peso duro, colada ao chão, com os dois pés bem enraizados.Não vejo estrelas, nem voo com balões de hélio. Sonhar não sonho. Recuso sonhar. Brindo à realidade nua e crua.

Elsa Alves, 70 anos, Vila Franca de Xira

A morte
A morte leva todos, avós, pais, crianças. Todo dia a morte leva alguém, a qualquer hora, a qualquer minuto, a qualquer segundo. A morte leva em qualquer idade, seja novo, adulto, ou velho e também em qualquer lugar, seja, em lugares públicos, em casa, até mesmo no banheiro. Foi no banheiro onde a morte o pegou, indefeso, doente, sozinho, nunca esquecerei ele. A morte é uma doença que te pega a qualquer hora, é uma doença horrível.
Dherick Andrew Lima Campos, 12 anos, Itapoã DF, Brasil

Sem comentários:

Enviar um comentário