10/10/12

EXEMPLOS - desafio nº 21

Berenice era uma pessoa triste, depressiva, só via as sombras e névoas pela sua frente.
Sentada, segurando a cabeça, desolada, amargurava sua dor.
Esquecera que a qualquer hora, apenas olhar ao Alto, sem qualquer interruptor, poderia ter a ajuda de que precisava, ou
julgava precisar.
Tão absorta em si mesma, não percebia que, mesmo sem nada pedir, a luz  Já estava bem ao seu lado e quem por ali passasse a podia perceber.
Apenas ela não acordara!
Chica, Brasil

Como é que vou lá chegar? Já sonhei, já rezei, já mendiguei… Sim. Até já chorei. Cruzar os braços não resultou. Como é que vou lá chegar? Já discuti, já fiz o drama de quem não aguenta mais… Sim. Até já gritei. Talvez fechar os olhos e parar um bocadinho me ajude a ver melhor. Como é que vou lá chegar? Já pensei, já imaginei… Sim, até já inventei. Mas chegar lá… com o mesmo brilho… Não.
Clara, Lisboa

Andava eu por demais de desanimada
Nada ao meu redor me satisfazia
Mesmo sendo por meus filhos amada
Me entregava dia após dia

Uma certa vez a cabeça muito doía
Abaixei-a, coloquei nela minhas mãos
Era um momento de total apatia
Nisso veio uma luz, me cobriu de bênçãos

Era feito brisa suave, cheia de magia
Despertando em mim a eterna criança
Ali fiquei por um tempo, sentindo a calmaria
Sabia que depois disso, voltaria minha esperança
Majoli Oliveira, Brasil

Teresa era uma apaixonada pela vida e tudo o que ela contém. Apesar da infância difícil, tinha viajado por ela sempre com optimismo e uma esperança que nem sabia de onde lhe vinha. Um casamento frustrante e uma dedicação ao filho demasiado preenchida, achando que ele seria o seu triunfo mais tarde.  
Muito amor e uma primorosa educação, todas a ferramentas para um futuro brilhante, também isso falhou; Teresa, dolorida, sente a tristeza de uma vida incompleta.
Maria Carmo Bruno, Portugal

O Francisco estava triste porque conheceu uma rapariga que desabafou com ele... 
Ela tinha medo da trovoada, e foi devido ao medo que ela conheceu o amigo colorido. 
Ela passava muito tempo com ele, o sorriso dela nesse tempo era muito grande. 
Mas um dia, o para sempre acabou, o sorriso foi trocado por lágrimas. Acabou por sofrer bastante. 
Ela não tinha vontade de sorrir, mas sim chorar. 
Com ela eu quis dizer EU e sim acabou.
Ana Ramos nº4 8ºC‏ ESEACD, Marinha Grande – Prof. Rosa Miranda 

Sinto-me perdida...
Desesperada!
Não devia sentir-me assim, esse devia ser o meu pensamento.
Mas nem sempre é possível controlar a nossa mente.
A vida dá-nos coisas boas e coisas más, resta-nos saber dar a volta às más e transformá-las em melhores opções.
A crise pela qual estamos a passar não é boa, mas podemos torná-la uma oportunidade de mudança, valorizar coisas que até aqui não fazíamos.
Vou transformar o desespero.
A angústia vai passar.
Vou lutar!!!
Marina Maia, Portugal

Segurando o rosto, reprimia as lágrimas e o soluço amargo que intrépida e atrevidamente se deixava esboçar. Este era mais um dos arremessados e incansáveis dias, que ultimamente me tiravam o sono e a vontade de viver,
De dia para dia, sentia cada vez mais ameaçada, aquela que era a minha prioridade. Com 5 anos, Tiago estendia-me a mão pedindo de comer e eu, de rosto tolhido pedia a Deus um milagre, uma luz que me iluminasse!
Graça Pinto, 54 anos, Portugal

Porque é que fico calado quando me ofendes, me agrides, me queres fazer sentir um ser sem valor? Porque não te mostro que, o que vês não sou eu, mas o reflexo de ti? Porque deixo que vistas a indumentária da vítima sem te mostrar que estás errada?
Não sei porque me calo, mas gostaria que um dia parasses, te ouvisses e te desses conta que sofrer é uma perda de tempo.
Quita Miguel, Cascais

Miguel Teixeira, em pleno exame, já não conseguia pensar! Aquele problema de matemática dava-lhe a volta à cabeça, arruinava a esperança - aquela resposta podia significar a entrada na universidade que há tanto desejava.
Fez uma pausa, baixou a cabeça, concentrou-se e… de repente algo se iluminou em seu redor. Foi como se uma onda de sabedoria tivesse misteriosamente surgido. O problema deixou de o ser, estava resolvido. Vitória!!! Tinha-se superado, era a recompensa por não desistir.
João Silva, Marinha Grande, 8º ano (prof Isabel Palmela)

Amargurado, desiludido, triste ou pensativo… assim o vemos de mãos na cabeça e rosto escondido. Uma solução para encontrar ou uma decisão para tomar? Um desejo de fugir e escapar à angústia, mas sem forças para o fazer ou sente-se acomodado sem energia para agir? Que bom seria se erguesse a cara e revelasse um sorriso estendido ao olhar e contagiasse quem o observa e não sabe se deve aproximar ou afastar-se dele. O tempo o revelará.
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Simão não queria acreditar. Luísa, a sua amiga de infância, estava a pensar mudar de país. Mais do que isso, já estava a fazer as malas e a não lhe dar tempo para se despedir. Detestava despedidas, dizia ela. E as saudades? Será que não pensava nelas? Pois ele, sim. Ela ainda não tinha partido, e ele já não sabia como iria viver sem a sua constante amizade. Por isso, não tinha coragem para a ver partir.
Vanda Pinheiro, Portugal

Tinha ouvido contar que o mundo era feito de pó de estrelas. Pessoas incluídas. E cães, árvores, montanhas, até o mar!
Aquilo intrigara-o. E deu por ele a estudar física, a ver se compreendia melhor.
Em vão: quanto mais estudava, menos entendia.
Mas era tarde para mudar. Os pais tinham-no avisado...
Agora agonizava, de mãos na cabeça, a preparar mais um exame.
Mas continuava a ver o raio do pó de estrelas ao seu redor, a serpentear.
Rita Bertrand, 40 anos Lisboa

O convite estava feito, o jantar era em sua casa. A ementa estava combinada há muito. Tudo perfeito - a toalha bordada, copos de cristal, os talhares das ocasiões especiais. Faltava ele, tinha agora tempo para se preparar. O aroma fresco do perfume misturou-se repentinamente com o fumo da cozinha. Reconheceu o cheiro dos ingredientes cuidadosamente escolhidos agora irremediavelmente queimados. Estava desgraçado, o jantar estava queimado e, com as mãos na cabeça, ouviu a campainha a tocar…
Mafalda Palmela(13 anos) e Nicolau Palmela(7 anos), Marinha Grande.

O Tobásio estava de mau humor, a vida a andar para trás e ele a guardar rancor. Tudo graças a um cão ao qual se afeiçoou, ficou com piolhos e a sua vida mudou. Com piolhos no cabelo, não pôde ir trabalhar, coçar o cabelo só vai piorar. Tobásio teve uma ideiazita enquanto estava na sanita, podia não funcionar, mas teve de experimentar. Comprou um gel e esfregou bem, até que os piolhos fugiram numa nuvem.
​​​​​​​André Ferreira, 8º ano, Marinha Grande, prof Isabel Palmela

Leu a receita com atenção. Misturou todos os ingredientes - não fora fácil encontrá-los. Esperou uns minutos, mas nada.
Onde teria falhado? Colhera todas as estrelas que estavam penduradas no céu nessa noite, como pedia o receituário.
Mas agora, dentro do caldeirão, pareciam mortas; a sopa de estrelas que queria oferecer - para acender os corações - cheirava a sombra.
Desesperado, de mãos na cabeça, nem reparou que um vapor cintilante se espalhava, iluminando a alma de quem o sentia.
Bau Pires

Não devia ter puxado o gatilho. Matei aquele senhor, que afinal só me queria ajudar. Pedi-lhe o carro rapidamente, dizendo que tinha uma urgência. Era um homem bondoso, homem de família. Só queria ir ao hospital ver o meu filho nascer, mas passado um pouco percebi que o pobre senhor, era deficiente motor e não conseguiu sair mais depressa. Com isto tudo, matei o senhor, mas cheguei ao hospital, com o meu filho morto. Descansem em paz.
Alexandre Neto, 8ºC, ESEACD, Marinha Grande, Prof. Rosa Miranda

“Nunca mais iria cair na mesma asneira”. Era o que eu pensava sempre que, realmente, caía na mesma asneira. A culpada era eu. Deixava-me ir na senda do “só mais esta vez” e depois amargava a minha decisão. Ele vinha, batia à porta, eu abria e pronto, estava o caldo entornado. É que as pernas fraquejavam só de o olhar. Fraca, fraca, como a carne é fraca. O melhor mesmo era nunca mais lhe abrir a porta!
Alexandra Rafael

Cuca-fresca
Pequenos pontinhos brilhantes começam a dançar em frente aos meus olhos. Parecem borboletinhas de luz e ofuscam minha visão. Poderiam me convidar a dançar com elas, mas em seguida uma dor pulsante e latejante nasce em algum ponto do cérebro e se estende, irradiando teimosamente como se as veias cerebrais fossem uma pista de balada. "Culpa da cervical, que está sobrecarregada" disse o acupunturista. Nada. Culpa minha. Preciso aprender a transformar tal pista de dança em cuca-fresca.
Bia Hain, Brasil

As pontas dos dedos de Serafim sempre reservaram palavras por inventar. Com pouco carvão esculpia no caderno uma personagem diferente, novos caminhos e um punhado de desafios nunca antes desejados. Um dia perdeu a sua última folha de papel. Não havia como voltar a tocar-lhe com a sede da escrita, para estreitar ruas de uma cidade que precisava de criar para que um pobre velho pudesse ser feliz. Nenhum canto do seu sorriso se voltou a conhecer.
Patrícia Paisana Martins

Mariana baixou a cabeça e entrelaçou os dedos no cabelo. Tinha de encontrar uma solução para ajudar o seu bairro!
De repente, como se de um arco-íris se tratasse, minúsculos duendes lançaram um sopro fresco e suave. Mariana sonhou e teve uma ideia:
Que tal organizar uma sessão de leitura, nas ruas, à janela, trazer gente de fora para divulgar o bairro?
Abriu o facebook e anunciou: “A Leitura saiu à Rua no Bairro do Arco-Íris” Participe!
Ana Maria Santos

Lembro-me das maravilhosas bolachinhas de manteiga! Que bem que cheiravam! Hum! E que bem sabiam!
Sabias como confortar, o meu coraçãozinho, quando triste chegava da escola por não me terem deixado jogar à bola!
Agora não estás cá! Partiste! Eu cresci! Não tenho as bolachinhas, mas quando me sinto triste, baixo a cabeço, penso em ti!
E, não sabendo explicar, de repente paira sobre mim, um manto invisível! É mágico porque traz o cheiro das bolachinhas.
Sandra Maria Filipe de Jesus Coelho, 41 anos

Tudo estava ao contrário na vida de Leonor, as constantes chatices com as amigas faziam baixar progressivamente as suas notas.
Não se sentia segura para fazer o que quer que fosse, a sua vida tinha ficado sem cor!
Leonor só pensava nos planos que tinha feito para o seu futuro, planos brilhantes, que agora pareciam tão inseguros como um fio de esparguete!
Mas Leonor sentiu um cheiro, cheiro inconfundível da sopa da mãe que aquece qualquer coração.
Maria Francisca Boaventura, 8º ano, Marinha Grande – profª Isabel Palmela

Era uma vez um menino, chamado Pedro que sonhava ter uma horta, mas os pais desse menino eram pobres e não podiam comprar nenhum terreno.
Anos mais tarde, o menino já era um homem e ele foi juntando dinheiro e conseguiu comprar um terreno, onde resolveu plantar muito arroz.
Chegaram as tempestades e ele só tinha arroz e a todas as refeições, pequeno-almoço, almoço e jantar, só comia arroz.
Ele disse:
- Outra vez arroz… já estou farto.
António – 4º ano – EB Veiros
Professora Carmo Silva
+
O amor é mais forte que tudo
Era uma vez um menino chamado Miguel que não tinha casa e estava muito triste.
Uma menina chamada Raquel ajudou-o. Um dia foram conversar e ele disse:
- Eu acho que és muito linda!
- Obrigado. És muito simpático!
- Queres namorar?
- Sim…
Porém, o pai da Raquel não os deixou namorar.
Abandonaram Lisboa e foram para Portalegre, prometendo amarem-se na alegria e na tristeza, na saúde e na doença!
Viveram sempre felizes! 
Teresa – 4º ano – EB Veiros Professora Carmo Silva
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Estava um dia muito bonito, mas o menino António, nem no dia mais bonito parava de estudar.
Quando foi para o quarto a mãe deixou-lhe a janela aberta e o António reparou que, de noite, estava a nevar.
A mãe disse ao filho:
- Podes ir brincar na neve com as outras crianças.
O menino foi e conheceu uma menina, chamada Maria.
A Maria ensinou-o que na vida há tempo para tudo. Para estudar, conviver e ser feliz.
João Miguel – 4º ano – EB Veiros Professora Carmo Silva
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Era uma vez um rapaz que só comia arroz.
De manhã, em vez de comer torradas e beber leite, comia arroz, ao almoço comia arroz e ao jantar comia arroz. Não fazia mal, mas a nossa alimentação deve ser variada.
- Outra vez arroz! – disse ele.
Baixou a cabeça e colocou as mãos por cima desta.
Entrou numa loja, onde viu verduras, legumes, frutos, carne, peixe… 
Provou, gostou, começou a comer de tudo e nunca mais se fartou!
João Filipe – 4º ano – EB Veiros Professora Carmo Silva

Esteve hospitalizada. Sofrimento insuportável, culpa insistente, desespero...
Tinha de continuar, pelos que amava, mas como? Aguentaria?! Para conseguir iniciou um percurso de anestesia medicamentosa. Assim, não pensava ou interrogava sobre as coisas. Consequência: resistência orgânica à substância; episódios psicóticos.  Aí, assustaram-se. Conduziram-na ao médico. Internamento. Outro médico: bipolaridade. Sabia que era depressão, grave, arrastada no tempo, com comportamentos para-suicidários. Mas... Depressão era, que sabia. Lutara, antes, através dos livros, para vencê-la. Vencera-a? Talvez! Ainda não. Não!
Isabel Pinto, Almada

Sim ou não... Uma Escolha de Morte
O sentimento de minha alma era diferente naquele momento...
Aquela chuva de estrelas me atormentava com suas propostas ameaçadoras...
Diria sim, diria não... O que fazer?
Deitando as mãos à cabeça, pensara que aquilo não iria acabar...
Mas não me rendi... Levantei-me, olhei para o céu, fechei os olhos e proclamei:
– O poder da minha família não arriscarei, prefiro lutar e morrer, sofrer as tristes consequências da realidade do meu desagrado.
E morri sobre as estrelas reluzentes...
Rickyoescritor, 11 anos, Pedroso, VNG

Mágoas 
O recanto afastado da confusão na pastelaria hoje estava ocupado. Decidida a não perder o "meu" lugar, escolhi uma mesa voltada para lá.  
Enquanto saboreava o chá, observei a ocupante: de mãos na cabeça, ligeiramente descaída, parecia ter o mundo sobre os ombros. Divaguei sobre o motivo de tanto desânimo: doença, desemprego, discussão amorosa, mil e uma coisas podiam levar a tal estado. Levantou a vista, como se soubesse ser observada e lágrimas caiam pela sua cara.
Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Pensando!
A mulher deve estar triste e mantém a cabeça entre as mãos, como se assim pudesse, concentrando-se, compreender melhor o que lhe aconteceu, sem aviso algum, de forma tão inesperada.
Pode também ter dores... Contudo, transmite mais a ideia de quem pensa numa fácil solução, para o problema a que necessita pôr fim.
Espero e desejo que o resolva, para que, na próxima imagem com que a Inês nos brinde, possamos vislumbrar um rosto de expressão feliz!
Arminda Montez, 75 anos, Queluz

Palco da vida 
Sentara rapidamente. A cortina estava a um segundo de abrir. Aqueles episódios de labirintite vinham não mais que de repente. Sentia-se como um planeta, girando na própria órbita. Justo naquela hora!
Havia tantas razões para ser feliz!
Ao alcance das mãos estavam mil possibilidades! Motivos para festejar! Estar viva era um deles.
Então reorganizaria os cabelos em desalinho respiraria fundo, compassadamente, reequilibrando emoções, e levantaria triplamente: A cabeça, da cadeira, e o astral!
O show precisava seguir! 
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Iolanda
Só quis experimentar. Que sensação! Não parei mais… desci até ao fundo, sem haver mais fundo. Fiquei agarrada. Deitei as mãos à cabeça e chorei… lágrimas que já nem tinha.
Subi a falésia. Lá em baixo o mar, onde tudo acabaria.
Subitamente, o cheiro da maresia trouxe-me recordações de infância. Sorri…
Uma sereia soprou e estrelas multicolores bailaram à volta da minha cabeça.
Lentamente, com muito custo, fui subindo o poço.
E tudo acabou colorido para mim.
Domingos Correia, 57 anos, Amarante

A imagem da Inês do Carmo não lhe saía da cabeça. Podia dar azo a tanta imaginação, aliás é o que os grandes artistas conseguem fazer. Cabeça pendente, parecendo mergulhar num mundo só dele…Cabelos desarrumados, os dedos entrelaçados, sim, era assim que se posicionava quando queria fugir para um mundo só seu… Deixava-se levar pelos pensamentos escolhidos por uma força de vontade férrea. Nunca se deixava vencer. Dentro de si sempre encontrou as razões para continuar…
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Estava perto o dia de sair da instituição,
onde cresceu por ser abandonado.
Pensa com desespero na alma:
– Que será de mim, sem família para recorrer,
pedir um conselho, amigos para me acompanhar
na vida que tenho para viver, os problemas
que vou ter que empreender.
A quantos terá acontecido o mesmo?
Mas eu tenho que ser forte, ter coragem para enfrentar
todos os desafios. Tenho que ter fé.
A fé no Deus que estará sempre comigo.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Ao ver aquele indivíduo sombrio à porta tremi sem qualquer razão como uma vara verde.
Olá, chamo-me Parkinson. Noto que estou no endereço correto. Sem convite entrou em casa. O intruso empurrou-me sem perda de tempo um folheto sobre quem era na minha mão e disse: Leia-o bem.
Então, foi informação útil com medidas práticas para aliviar a presença desse hóspede imprevisível. Um pormenor importante não estava mencionado na brochura. Por quanto tempo continuará alojado em mim.
Theo De Bakkere, 63 anos, Antuérpia, Bélgica

Há dias em que nada é certo. Dias em que a cabeça percorre o universo à velocidade da luz e não consegue encontrar nenhuma solução. Dias em que nos tornamos prisioneiros dos nossos próprios pensamentos. Em que a languidez nos invade o peito e o medo supera qualquer vontade de sorrir. Dias em que ficamos ali, parados. A tentar reconhecer a imagem refletida no espelho. À espera que uma estrela mais brilhante nos diga para onde ir.
Carolina Constância, 23 anos, S. Miguel, Açores

Protector ou agressor?
Entrelaço sofrimento nos cabelos… acaricio, com almofadas dos dedos, esta cefaleia que teima em mim pernoitar! É iminente impor-me para que respeitem os soldados rasos. Podem-me incendiar na fogueira, mas defendê-los-ei até ao fim ― nunca lhes roçarão num só cabelo. Há "coisas" que não são gentes. Há "deles" que se sentem centro do universo… cretinos. Só pisam quem condenado está nesta vida… arrastá-los-ei!
Este rasgo estrelar ilumina-nos sonhos… sustentarei a dignidade por todos que estão por vir.
Eurídice Rocha, 50 anos, Coimbra

Hoje, dia de teste de matemática, sinto-me totalmente exasperada... estudei imenso, mas mentalmente pareço absolutamente incapaz. A minha massa cinzenta não deve ser constituída por cérebro, mas sim por cimento!
Contudo, quando cheguei à escola, vi uma criança sentada na calçada da entrada, abandonada, com roupa rasgada, ao frio.
E eu, desespero com os números?
Eu cumpri o meu papel... estudei arduamente. Mas, mais urgente que o sucesso escolar, é que o amor alcance todo o mundo.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto


Vesti a camisola vermelha de que gostavas tanto, embora saiba que não a vais ver. Com as duas mãos, puxei o cabelo todo para a frente, para me tapar a cara: olhos, nariz, boca. Em silêncio, faço na cabeça, puzzles de ti ― junto uma peça a outra, de entre milhares de palavras, gestos, frases, sinais; e canso-me, na busca incessante daquela combinação de peças que me aquietaria a alma mas que eu, afinal, nem sei qual é...
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira

Mas que irritação! Empurram-se, inspecionam, comentam, tentam tocar-me! Muitas vezes, sou salvo in extremis pelos gritos do vigilante. Então recuam, mãos atrás das costas, assobiam para o lado… Não têm sensibilidade.
Ninguém imagina a tortura que é passar a vida estático numa moldura. Existe apenas uma compensação nesta história: as noites e as segundas-feiras tornam-se absolutamente fantásticas sempre que A rapariga com brinco de pérola ou Las Meniñas escapam ao controlo e vêm, até aqui, confraternizar comigo!
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira

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