11/11/12

EXEMPLOS - desafio nº 24

Tarde quente, beira mar!
Duas melgas, uma gorda e outra, escanzelada, faminta por sangue vivo...
Sabiam que bastaria o sol sumir, teriam bons cardápios. Gente com pouca roupa, presas fáceis.
Uma passa mal. Fora atingida por um jato, direcionado pela dona da barraca.
Antes de cair, diz à amiga:
– Foge! Chama nosso exército e volta lá pra atacá-la.
Assim foi... Chegam juntos ao ataque. Ela sai em disparada!
Riem as duas, antes de morrerem, felizes, vingadas!
Chica, Brasil

Vai-te embora melga!
 Eram duas as melgas que tinham por hábito ziguezaguear pelas salas, importunando e molestando quem nelas trabalhava. Gostavam de falar dos outros e mais futilidades. Uma, tal qual pneu Michelin, falava da sua dieta que não surtia o efeito desejado. A outra de tão escanzelada, nem os olhares conseguia que nela poisassem. Melgas maledicentes! Num canto aos cochichos, mal deram conta do perigo que as espreitava.
Ainda tentaram fugir…mas a rede caiu e zás! Vai-te embora melga!
Graça Pinto – 54 anos, Almada

- Bzzz… Ai ‘miga, o que é aquilo que ali vem?
- Foge, ‘miga! Ele quer dar cabo de nós.
A mais gorda das melgas, no entanto, não escapa ao grosso maço de papel. A outra, escanzelada, mas ágil, lamenta-se:
- Coitadinha… Bzzz… Eu bem lhe disse que sugar um vampiro era muito arriscado...
E foge dali, aproveitando a confusão de folhas pelo ar. Na última que chega ao chão, pode ler-se: «Orçamento de Estado para 2013».
Carlos Alberto Silva

Duas melgas estão a conversar, na parede de uma sala de estar uma ficou gordinha após o jantar, a outra, escanzelada, passa uma fome de amargar.
– Não terá uma presa pra mim?
– Se aquiete, menina, seu banquete há de chegar.
Chegou mesmo foi um cheiro esquisito no ar.
Inseticida, dos bons, para com mosquitos acabar.
– Ih, ferrou, vamos para a janela voar...
Seguiram, noite afora, uma com a barriga a roncar a outra ainda zonza a planar!
Bia Hain, Brasil

Duas melgas na janela qual comadres em tarde de estio. Uma gorda, bonacheirona, divertida, apanha qualquer um na sua doce armadilha, a outra escanzelada, antipática e cheia de esperteza, mas pouco convidativa. Aguardam a hora de avançar na procura de incautos com pele macia, quente e doce. São sete horas de uma tarde quente e abafada. Quando de repente um trovão ribomba nos céus plúmbeos e uma torrente de água e vento as inunda e deixa moribundas.
Alda Gonçalves, 45 anos, Porto 

A Melga gorda pousou, saciada de sangue de um turista americano. Olhou, viu a Melga escanzelada.
– Estás tão magrinha!
– Sabes… entrei numa casa pensando que teria um banquete, mas nada.
– Então?
– Tentaram matar-me, escondi-me. Ouvi bater a porta, e pensei… saíram. Fiquei presa. Hoje regressaram, fugi.
– Anda, com sorte o americano ainda lá está.
E estava! Tentam aterrar, ele, enxota-as. Do nada um ameaçador spray. Fogem!
A Melga gorda diz: Ainda não é hoje que vais comer!
Genoveva Pereira, Portugal

A melga escanzelada voou uns quilómetros ao encontro da melga anafada para lhe pedir ajuda.
– Não aguento a penúria, não tenho mais onde sugar!
– Isso pensas tu. Sê esperta, faz como eu!
Obedecendo-lhe cegamente, picou e sugou onde pensava já não ser possível. Mas continuava escanzelada e cada vez mais subserviente à medonha melga gorda.
Desanimada, questionou:
– Eu sugo, sugo, e tu é que engordas?
A resposta não veio.
Veio o vento. Zangado soprou, nenhuma escapou.
Ana Paula Oliveira, Santa Maria da Feira

Duas melgas numa luta constante pela sobrevivência:
– Este belo gordinho é meu!
– Sua gorda, badofa, devias deixar-me agora dar uma chupadinha de sangue… estou com fome!
– Sim pelo teu ar diria que estas prestes a cair para o lado, mas este belo gordinho é meu!
– Deus das melgas, olha ali… o gordinho traz um mata melgas… Foge Ambrosina.
– Não fujo, não consigo… pesam-me as asas…
– Gorda, eu ajudo-te, não devia, tu és má para mim!
– Obrigada Felizmina!
 Marina Maia - Portugal

Estão duas jovens melgas a trautear uma bela canção musicada pelas asas da mosca Teté, quando de repente a dona Ermelinda se lembra de vaporizar a casa com um perfume estranho que as deixou tontas e com falta de ar. Apenas a melga gorda, egoísta e matreira, tinha culpa naquela situação: picara a dona da casa e alimentara-se bem. A melga escanzelada não provou a refeição e, sem ter culpa de nada, tombou de fome e aflição.
Sandra Marques, Portugal

Lá na beira do mar
Clotilde estava tão à vontade
O sol seu corpo a bronzear
Oh que felicidade

De repente um zumbido escutou
E viu duas melgas inquietas
Seu ouvido tinindo ficou
Depois disso, tentou ficar esperta

Uma melga tão gorda era
Que mal conseguia voar
A outra escanzelada era
Que foi fácil com ela acabar

Clotilde de saco cheio
Melga gorda a lhe atacar
Saiu correndo em cambaleio
E
a melga atrás, querendo lhe pegar
Majoli Oliveira, Brasil

— Onde estiveste, Ziza?
— A jantar.
— Não me convidaste?!
— Desapareceste!
— Fui tentar encontrar comida, mas não tive sorte.
— Oh, Mizi. Estás a passar fome. Olha para mim.
— Estás bem gordita. Já eu… estou numa miséria.
— Queres vir comigo?
— Onde?
— A uma casa onde estão sempre em festa.
— Ah, então o sumo vermelho deve ser bem docinho.
— Aos litros!
Esgueiraram-se por uma frecha da janela e entraram.
— Oh, não! Vamos morrer, Ziza!
— Armadilharam-se contra nós! Foge Mizi!
— Maldito spray!
+
— Olha Mizi, quem vem lá.
— É o Quito. Que andas a fazer por aqui?
— À procura de um lugar tranquilo para dormir. E vocês?
— À espera que anoiteça.
— Vão ao ataque de novo?
— Claro! Há dias que não como nada! A Ziza tem sorte.
— Vamos! Está na hora!
— Cuidaaaaaaddddddoooooo! — gritou o Quito.
— O que foi?
Zás! Uma mão pesada caiu sobre a Ziza.
— Oh, não! Mataram a minha amiga!
— E a seguir matam-nos a nós!
— Voa Quito!
Vanda Pinheiro

Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques
Estavam duas melgas à conversa, uma delas era gordinha, a Taty, e a outra era mais magrinha, a Nany. De repente, o perigo espreita... As duas melguinhas estavam a ser atacadas por um bicho estranho e desconhecido, que lhes cuspia para cima.
– Taty, estamos a ser atacadas! – diz a Nany, muito aflita.
– Socorro, oh meu Deus, oh meu Deu... #PUFFF#
As melgas amigas ficaram com as asas coladas e foram refeição para o bicho.
 Miriam Esteves e Ana Sofia Cavaleiro, 8ºB Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques
+
Numa tarde de primavera, o sol brilhava radiante. Junto a um sobreiro, ergue-se uma sombra onde duas melgas, uma gorda e uma escanzelada, descansavam. Entretanto, a sombra aproximou-se e ouviu-se um grande ruído. Era um mata-melgas eléctrico que alguém segurava para as apanhar. Enquanto tentavam escapar, a melga gorda ficou presa nos buracos, não se conseguindo mexer. A melga escanzelada, ao tentar fugir, foi contra a melga gorda e puxou-a com força. Conseguiram fugir e ficaram felizes.
8º A Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques
+
Certa noite, estava eu entre quatro paredes entretida a falar com a minha querida amiga.
– Então, tens andado a alimentar-te bem! – disse a minha amiga escanzelada.
– O que queres dizer com isso? – respondi eu, ficando irritada.
– Nada, nada… Esta casa não tem quaisquer perigos – diz confiante, a escanzelada, rindo-se.
De repente aparece o “SPRAY ANTI-MELGAS “.
Nós conseguimos fugir, até que a minha amiga gorda bateu numa parede com força e teve um fim trágico!
Catarina Monteiro e Sofia Gomes, 8ºB Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques
+
Estão duas melgas, a gorda e a escanzelada, à conversa e de repente diz a magrinha:
– Foge! Vamos morrer! É o aspirador. É dia de limpeza!
A gorda tenta fugir, mas as asas não aguentam com o peso.
– Raios partam! As minhas asas são tão fracas…
Acaba por cair e a escanzelada tenta socorrê-la. Quando chega ao pé dela, ao tentar levantá-la, é esmagada pelo seu enorme peso. Caem as duas e são sugadas pelo poderoso aspirador.
Cláudio Barreiros e Rúben Lima, 8º B Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques
+
O perigo espreita
Era uma vez duas melgas: a Cátia, uma melga magra, e a Felicidade, uma melga obesa.
Estavam as duas cuscas a tomar o chá das cinco, quando começaram a ouvir uns barulhos assustadores…
“txitxii”
– Felicidade, mas que barulho assustador é este? – perguntou a Cátia.
– Oh, meu Deus! Olha!
De repente, aparece Sykes! A perigosa lata de Dundum!
– Inimigos! – gritou Sykes, muito assustada.
– É o nosso fim? – perguntou Felicidade.
“txitxii”
- Sim, amiga Felicidade, é o nosso fim.
Alexandra Santos e Débora Mondim, 8º B, Escola Hermenegildo Capelo, Professora Sandra Marques 
+
Era uma vez duas melguinhas chamadas Gordalina e Ossinhos. Um dia, estavam a passear pelas ruas… quando, distraídas, a passar pela passadeira, as melgas são atropeladas por um carro, ficando presas ao vidro onde já havia outros bichos. Elas, com medo que o condutor ligasse o pára-brisas, tentaram fugir, mas a Gordalina estava presa ao vidro, vomitando para cima da Ossinhos! O condutor viu uma coisa pequenina a mexer, ligou o pára-brisas e …morreram as duas esmagadas!
Francisco Fernandes, 8º B, Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques 
+
Era uma vez duas melgas, Salomé e Ricardo. A Salomé era uma melga magrinha e voava depressa, o Ricardo, por ser uma melga gorda, voava mais devagar. 
Enquanto voavam, as duas melgas discutiam a atualidade.
– Olha Salomé, isto está cada vez mais complicado. Só impostos e despedimentos.
– É verdade, Ricardo. Isto está, como dizem os humanos, pela hora da morte!
De repente, aparece o senhor Ministro das Finanças e multa descaradamente as melgas por estarem a conversar.
Rafael e Pedro, 8º C, Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques
+
A menina entrou na casa
pronta para atacar
com o mata-moscas na mão dizia:
– Desta não vão escapar!

Acordei a minha companheira,
dei-lhe com a asa na testa.
– Vamos voar para longe,
vamos fugir para a floresta!

A balofa da minha amiga
não se levantou
e com tanto sangue na barriga,
a menina a localizou.

As minhas pernas esguias,
estavam tremendo.
– Ai minha Mãe do Céu,
a morte chegou demasiado cedo!

Agarrei a minha companheira,
apressámo-nos a voar.
Atravessámos a janela,
conseguimos escapar!
Lívia Batalha e Alexandra Petran, 8º B, Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, professora Sandra Marques

A melga Joaquim amava a melga Matilde desde que eram larvas. Hoje planeava pedi-la em casamento. Quando ouviu o pedido, Matilde, muito aflita, disse: “ Ai, Joaquim que me matas, estou tão gorda que não caibo no vestido. Não sou assim escanzelada como tu!”. Joaquim riu-se e abraçou-a. “Isso não importa, Matilde!”. Naquele instante o limpa pára-brisas começou a funcionar. Só tiveram tempo de pular para a antena. Foram-se embora a rir porque o amor fê-los invencíveis!
Alexandra Rafael

Uma melga gorda,
Uma melga magra,
Falando em confusão,
E com estranha desilusão,
Fica a conversa estragada.

Uma melga gorducha,
Uma melga magricela,
Veem na televisão
Com muita atenção
A nova novela.

Uma melga esperta,
Uma melga preguiçosa,
Uma estuda para o exame
E a outra dorme
Debaixo da árvore frondosa.

Uma melga esperta e gorda,
Uma magra e preguiçosa.
Por mais que tenham defeitos
Para nada têm jeito,
Apenas para nos morder.

Pois fiquem a saber!
António Cortez Marques, 9 anos, Torres Vedras, Portugal

A gorda  parecia um moscardo: zumbia como este seu parente. No andar de cima havia uma, magrizela e muito ativa: não tinha nada de mosca-morta.
Quando vieram os desalojamentos, fecharam tudo e não ficou nada para comer…
A magrinha conseguiu passar por um orifício pouco maior que o fundo de uma agulha e desceu em socorro da vizinha que, desesperada, se picara a si mesma e estava quase em coma.
Abraçadas, sobreviveram, até as janelas serem abertas.
Graça Samora, Portugal 

– Olha, chegou um e aquele é bem gordinho.
– Não tanto como tu – respondeu a irmã alisando as asas e mirando-se no reflexo da janela. Aquele ano seria eleita Miss Melga. Disso não tinha dúvidas.
Ignorando o comentário, o insaciável insecto começou a esvoaçar acompanhada pelo inconfundível bzzzzzzzzz, importunando o homem que se estendera no alpendre a saborear a cerveja.
– Maldita melga – barafustou, arremessando o jornal que, catrapuz, acertou na elegante melga.
– Porquê eu? Até estou de dieta. 
Quita Miguel, Cascais

— Cala-te! Não vês que vem aí outra vez! Para de gritar e esconde-te!
— Isso parece canja, dito por alguém que consegue esconder-se atrás de uma migalhinha de pão. Sua ranhosa!
— Olha! Fizesses dieta!
Que melgas! Duas! Diferentes! Enrascadas! Esbaforidas!
Pânico?
Não…
Adrenalina. Pura adrenalina!
Por entre os ziguezagues atabalhoados da gorda e os voos fenomenais da trinca-espinhas, o mata melgas verde perde qualquer hipótese de safar a Joana de duas mordidelas fenomenais logo à noite.
— Zzzzzzzz – ouve-se!
Susana Silva, Lisboa

Sabia-se magríssima. Mas ouvir do melga do fisioterapeuta que se encontrava escanzelada, custou-lhe. Melgou também sobre o assunto, encetando um diálogo; acertando contas com as melguices diariamente sofridas. Transformada em melga verberou uma série de asneiras. “Encheu-lhe” a cabeça; embora educadamente; ainda, vive o lema “antes sofrer uma injustiça do que cometê-la”.
Encontravam-se num espaço fechado. A porta de saída encravou. “Escanzelada” escapou por uma janela minúscula, do perigo, de horas trancada. Os melgas, obesos, aguardaram horas…  
Isabel Pinto

Duas melgas à conversa, num sofá de alpendre, admirando o pôr-do-sol.
- Mas que lindas cores! Gostaria tanto de ir até aquele bracinho! Pena é que mal me mexo!
- Oh, amiga Florinda, veja como eu sou flausina! Eu tenho sempre cuidado, não vá encontrar um braço rolicinho, mas cheio de colesterol! Depois fico doente, como a amiga! Agora, vou voar e fazer uns exercícios! Ande, ou antes, venha voar, verá que lhe faz bem à saúde!
+
Uma melga
E outra melga e meia
Discutiam quem seria a mais bela!
- Tu és uma flausina, toda magrinha!
Dizia a Francelina.
- Tu és uma bolinha, toda redondinha!
Respondia a Laurinda.
- Tu nem sabes voar, é o vento que te leva!
Dizia a Francelina.
-Tu só sabes rebolar, nem consegues parar!
Respondia a Laurinda.
Uma melga
E outra melga e meia
Discutiam quem seria a mais bela!
Veio uma almofada… e escolheu as duas!
Ana Santos

Eram melgas gémeas mas ninguém diria. Gertrudes era gorda e bem-disposta, Manuela escanzelada e rabugenta. Conversavam muito, mas acabavam sempre zangadas. Hoje apostaram que quem voasse mais alto seria a melhor. Subiram, subiram até que Gertrudes começou a queixar-se, mas Manuela não parou “Vou ganhar e ser a rainha”, gritava. Como Gertrudes não podia perder agarrou na pata da irmã, que ia mesmo à frente, e desamparadas vieram em queda livre. Aterraram doloridas e sem vencedor.
Margarida Ramos, Torres Vedras

Começou por evitar coisas que engordavam: espelhos, fotografia e balanças. Depois, insatisfeita, entrou nas dietas malucas. Ao fim de algum tempo, a melga Arabela ficou esbelta, ao contrário da amiga Felisbela que engordava a olhos vistos.
O pior foi quando, já escanzelada, capaz de desfilar no Moda Lisboa, começou a perder forças.
Faz como eu - aconselhou Felisbela -, vai ao shopping, não falta gente com bom sangue.
Foi; engordou. Só não contou com o colesterol que ganhou. Morreu.
Bau Pires

Duas melgas, muito amigas, decidiram ir até ao Parque de Campismo.
Uma era gordinha, a outra, escanzelada.
Chegaram, acomodaram-se numa agulha dum pinheiro e dormiram.
Havia ainda muito sol!
Assim que começou a escurecer, diz a magra: 
– Acorda, temos que procurar alimento!
– Ontem, eu bebi muito sangue, estou bem.
– Mas eu nem tanto, ripostou a outra!
Foram! Viram uma família muito apetitosa e dirigiram para lá o seu voo
picado.
Surpresa! Não conseguiram picar, todos usavam repelente!
Arminda Montez, 75 anos, Queluz

Numa noite abafada, havia uma vez um mosquito gordinho, estudante de acupunctura que ia buscar alguma companhia para, juntos, se entregarem a fartas libações sanguíneas.
Quando passou pela porta do quarto, viu voar, em torno de um casal dormente, uma esbelta espécie de melga e deu meia-volta.
Infelizmente, já manifestamente vencido por tanta beleza, atou-se-lhe a voz na garganta e só pôde balbuciar: 
– Zzizza!
E a fêmea respondeu-lhe, com voz lasciva:
– Oui, Ziza! C´est moi.
– Ccaucaucautela!
Zás!
 Theo De Bakkere, 60 anos, Antuérpia, Bélgica

Que susto
No escuro do cinema, Lila e Lola, duas melgas, conversam quando um mata-moscas assassino vem na sua direção. Lila, escanzelada, grita para Lola que é rechonchuda
– Core que nos apanham!
– Vamos esconder-nos nestes holofotes!
Assim o fizeram, viagem transcorrida, surpresa: Lola não cabe no pequeno buraco. Assustada, tenta voar para longe, mas a gordura pesa-lhe e fica-se por uma cortina. O assassino desiste, saem não ganhando para o susto e lá foram com Lola prometendo fazer dieta. 
Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

Estavam duas melgas à conversa no corredor de um grande prédio. De repente, a terra começou a mexer. Era um terramoto! A escanzelada desatou a correr rapidamente para fora.
Porém, a gorda quase não conseguia correr. A escanzelada estava fora, logo percebeu que a amiga dela ainda estava dentro. Ela decidiu voltar para a ajudar. Embora a escanzelada tivesse de correr um grande risco, tomou a decisão correta. Finalmente, as duas sobreviveram ao desastre sãs e salvas.
Lília e Messi, 18/19 anos, 2º ano de Português, Pequim, prof Clara Oliveira

The end
Parecia que eram até irmãs. Não fosse a diferença de porte, faziam tudo juntas, do passeio ao trabalho que sempre iniciavam ao cair da tarde. Analu era mais esperta e menos exigente, sempre encontrava bom alimento, Anali era mais biqueira, escolhia muito que se alimentar, por isso era mais fininha. Pena que naquele dia algo dera errado. Perderam a hora e se perderam.
De repente uma fumaça branca e de cheiro forte as envolveu...
Tentaram inutilmente fugir...
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Melena achava-se mais sensual que a sua prima melga Delfina e não parava de a xingar.
– Pelo menos tenho curvas e sou vista ao longe! Sensual, topas?
– Obesa é o que tu és! Devias ir para o ginásio!
– Inveja, prima melga! O teu nome devia ser só Fina e não Delfina.
Neste esgrimir de insultos, Melena nem se apercebeu do camaleão. Aflita, Delfina fazia-lhe sinais, mas de nada valeu… Não queria ser vistosa? Teve um fim vistoso! 
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Um bom conselho
Duas melgas, uma gorda e outra escanzelada, encontraram-se na cabeça de uma zebra. A melga escanzelada queixou-se:
– Ajuda-me que estou faminta! Todos me enxotam!
A outra, condoída, disse-lhe:
– Experimenta primeiro dançar valsa, na pele das tuas vítimas. Tuas patinhas tornar-se-ão macias almofadas. Com as massagens elas adormecerão consoladas. Suga-as depois, devagar, para não acordarem.
A melga escanzelada agradeceu muito e foi inscrever-se na academia “pele de valsa”. Tornou-se uma perita. A partir daí, nunca mais passou fome.
Isabel Sousa, 64 anos, Lisboa

Coisas de melgas!
Duas melgas, sendo melgas,
Gritantemente irritantes,
Provocam-se enfadonhas,
Barulhentas, estafantes!

E travam-se de razões:

– És safada, invejosa,
Não deixas comer ninguém!...
– Palerma de magricela,
Desenrasca-te também!...  

– Nem te consegues mexer,
És um pote de gordura…
Tu, burra, escanzelada,
És mais seca que a  secura!...

Atento, o cão Figurão,
Estando a lamber um osso,
De um salto abocanhou
A “gorda” para o almoço!

A “magra”, rapidamente,
Pulou para cima do cão
E beijou-o, levemente,
Com ternura e gratidão!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Inveja desnecessária 
– Que inveja tenho de ti. Sempre tão elegante! E eu anafadinha. Qual a tua receita de emagrecimento? – dizia uma melga para a colega, que andava escanzelada.
– Inveja? Se fosse a ti não tinha. Mas queres mesmo emagrecer seguindo a minha receita?
– Claro, estás mesmo magra. Quem me dera estar como tu.
– Como pouco a cada refeição, com intervalos de três horas. Opto por alimentos saudáveis, frutas, legumes; massa, arroz, batata em quantidades moderadas. Ah!, e muitas caminhadas.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

O perigo anda no ar
Duas melgas, uma magra que nem fuso, outra gorda que nem cabaça, conversavam sobre as suas melguices. Dizia a escanzelada:
Eu cá só gosto de sugar pessoas magras. Por isso sou toda elegante!
– Elegante?! Homessa!... isso chama-se mas é magreza… pareces um pau de virar tripas… eu cá sou bem cheiinha… meu Manel regala-se comigo…
– Cheiinha!? Deixem-me rir, gorda que nem baleia, isso sim!
Nisto, houve-se um estalo no ar.
– Palminhas mamã… matei duas melgas!
– Lindo menino!…
Domingos Correia, 58 anos, Amarante

– Sabes, gostava de ser magra como tu.
Estou farta de fazer dietas e não consigo perder peso.
– Mas não é por ser magra que sou mais feliz
não arranjo namorado, ninguém olha para mim.
Deixa-te estar como estás, cada um deve ser feliz e contentar-se
com o que tem.
– E que temos nós?
– Inveja uma da outra.
Estavam nesta cavaqueira, tão distraídas,
que não deram pela presença do sapo,
que as olhava e pensava qual comeria primeiro.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Vida de melga não é fácil! – dizia Melgorda após sacudir as asas do pingo de azeite que lhe caíra.
– Ah, ah! Nem te consegues mexer com essa pança, não tens vergonha? – disse Melmagra.
– Quem tem vergonha anda magra, parece que é o teu caso!
Estavam as duas na cavaqueira quando surge a dona da casa com o inseticida na mão e dispara.
Melgorda bem que tentou voar…
Melmagra em desespero gritou para o Melbatalhão a vir socorrer… 
Andrea Ramos, 40 anos, Torres Vedras

Ai amiga
Estavam duas melgas brincando
Quando um jacto ali passou
Melga escanzelada travou
melga gorda embateu e tropeçando
esmagou a outra até chiar
fraco zumbido... pobre escanzelada
― Acho que estou achatada
Será que te podes desviar?

― Não sei como te vais safar
na entrevista do primeiro emprego…
mas eu tenho-te tanto apego
Conta comigo que te vou ajudar!
A melga gorda sempre a ponderar
Falou com tal confiança
Pôs-lhe ar adentro com perseverança
lá recomeçou escanzelada a voar.
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Bulliying entre melgas
― Olá, gorda! Pareces mesmo um hipopótamo!!!
Eu não. Sou uma linda melga modelo!!! Gosto de esvoaçar por aí a espalhar a minha beleza...
― Blah!!! Se eu sou gorda tu és uma escanzelada... Snif... snif...
Vou-te provar que também sou linda e fabulosa. Vamos voar até aquela lâmpada!
Mas quando chegam perto uma desgraça, queimam as asas!!!
Quando caem a escanzelada cai em cima da gorda e esta pergunta:
― E agora sou o quê?
― A minha melhor amiga!!!
Helena Pereira, 44 anos, Seixal


Homenagem a Pedro Sodré
Ao fim de uma tarde qualquer, duas melgas, parceiras da chatice, uma gorda e outra escanzelada, começam a sua rotina diária de se infernizarem uma à outra.
A gorda provoca “Tenho fome, vamos ao McDonalds?!”. Por sua vez, a magra dissuade “Já sabes que não suporto Fast Food! Por que insistes? Vamos encomendar vegan food”. A gorda continua “Não precisas de comer lá! Depois encomendas o que quiseres!”
Todos os dias entravam em discordância…
Que melgas chatas!
Pedro Sodré, 20 anos, 12ºF,  Escola Secundária Inês de Castro, Vila Nova de Gaia, prof Carla Rosário

A caminho do treino o guarda-redes foi surpreendido pelo guarda-florestal que ia em excesso de velocidade. Ele ainda tentou desviar-se, mas o pior aconteceu: chocaram! O guarda-lamas do guarda-florestal ficou todo destruído. Felizmente o guarda-noturno estava a sair do Oceanário e deu-lhes boleia. 
O guarda-redes lembrou-se que tinha o guarda-joias da esposa na mala do carro e voltou para trás a pé. De repente começou a chover e ele sem guarda-chuva! Ele chegou ao treino todo molhado! 

Simão M., 8 anos, Paços de Ferreira, prof Joana Pinto

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