20/01/13

EXEMPLOS - desafio nº 32

Maria, ao dormir, preparava o despertador.
Porém, sempre acordava sozinha, bem antes.
 O barulhinho do tic, tac, incomodava.
 Parecia estar dentro de sua cabeça.
E aquilo parecia crescer, Crescer, CRESCER...
Ela pega o raio do despertador.
O aperta, abafa, sob o travesseiro!
Estava tranquila, poderia descansar e dormir.
Dorme, acorda com o telefone tocando...
 – Não vens trabalhar hoje, Dona Maria?
O susto deixa com pernas   tremendo.
– Arre! Diachos!
Ela falhara.
Não acordara como sempre, antes do relógio.
+
Uma casa fechada, trancada, sem luz
Tudo nela escuro, sem vida, energia.
Assim, Maria escolhera viver, até morrer.
Até quando dormia, sua vida vegetava.
Uma noite, para sua surpresa sonhou...
Uma vozinha muito querida lhe soprou:
– Vai ser feliz, acorda Maria, acorda!
 Maria acordou, levantou, sentiu algo estranho.
Foi até a janela, a abriu!
Uma brisa, alegre e ligeira aparece.
 Parecia ter pressa em lá entrar!

Maria olha, sente o frescor.
Vê a luz!
Para vida acordou!
Chica, Brasil

Era um homem sempre muito bem-falante;
Falava de encantar, todos o admiravam.
Ele chegava e as palavras voavam.
No ar, a sua oratória pairava.
Como chuva, o palavreado descia devagar.
As pessoas bebiam e sentiam-se instruídas.
Aquilo era homem de muito saber.
Devia ser um doutor estrangeiro, certamente;
Por cá, não havia gente assim.
Estranhamente, ninguém reparava que não falavam.
Olhavam uns para os outros, simplesmente.
Habituaram-se a calar;
Eram sábias as palavras.
Ignaros, mudos queriam ficar.
Bau Pires, Porto

O Francisco e o gato
O Francisco estava na sua rua.
Viu um gato saltar num muro.
O gato tinha os olhos azuis.
O focinho pequenino e bigodes macios.
Ficou em cima de uma árvore.
Miava sem parar, parecia estar magoado.
Alguma coisa se passava com ele.
O Francisco foi socorrê-lo muito rapidamente,
Saltou para o colo do Francisco.
E este apanhou-o com as mãos.
O gato lambeu logo o Francisco.
O Francisco ficou feliz.
E pareceu-lhe, que…
O gato também ficou.
 João Fernandes, 10 anos, Maristas de Lisboa 5º D

Para aquele rapaz televisão era verdade.
O picapau realmente tinha aquela risada.
A novela retratava a vida real.
Os comerciais não iludiam as pessoas.
Ele não vivia, só assistia televisão!
Sua atriz preferida era uma deusa.
Sempre maquiada e vestida perfeitamente bela!
Sua voz macia o inebriava sempre.
Os amigos o convenceram a viajar.
Um dia viajou para bem longe.
Conheceu outras pessoas, outros lugares, enfim!
Viu sua deusa.
Bêbada, nas ruas...
Assim, se desiludiu!
Anne Lieri, Brasil

O gato dorme enroscado no sofá
Lá fora a chuva cai, fria
Um dia triste, cinzento de inverno
No conforto da casa lemos histórias
- Qual livro podemos escolher agora, mãe?
Pergunta o irrequieto e curioso bambino.
Refugio-me na cozinha elaborando o lanche
Enquanto penso na história para ler
Que se adeque a este dia
Eis que aparece o pequeno leitor
Exibindo eufórico O Segredo da Floresta!
E agora exaustos de histórias e brincadeiras
Estamos deitadinhos a sonhar!
Alda, Porto

Tenho pele enrugada, curtida pelo sol.
São muitos os anos, as primaveras.
Por vezes me enfeito e embelezo.
Acontece sempre que a primavera chega.
Continuo vaidosa e gosto de brilhar.
A Oriana amarinha pelos meus ramos.
Instala-se na bela casa de madeira,
produção do tio Patrocínio com amor.
E ela sonha com o dia,
em que também abrirá os braços
para receber alguém no seu colo.
É o milagre da vida,
que se renova
a cada amanhecer.
Quita Miguel, Cascais

Ai que saudades tenho do mar!
Alice deixava-me ali, sentada à janela.
Nunca me aborrecia vendo as ondas.
Ora chegava uma, pequena e tímida.
De mansinho, contava segredos à areia.
(Que raiva, não os poder ouvir!)
Ora chegava outra, gigante, altiva, furiosa.
Explodia a sua fúria nas rochas.
Coitadas, vítimas do seu mau génio!
Gaivotas roucas competiam com o vento.
Tentavam apurar quem voava mais depressa.
Crianças corriam na praia.
Assim passava os dias.
Agora… adeus, mar!...
Ana Paula Oliveira, S. João da Madeira

Acendeu um fósforo após o outro,
Na tentativa de se manter quente.
Naquela noite gélida... estava tão sozinha!
Última noite de mais um ano
Não tinha mãe, não tinha carinho,
Não tinha sapatos, não tinha comida.
Mas a sua mente era poderosa
E seu coração cheio de luz.
Quando assim é, o destino cumpre-se...
Na estrela cadente sua avó reconheceu
Aquele clarão de novo as juntou.
Passagem de Ano,
Passagem de Vida,
Foram fogos distintos mas simultâneos!
Vera Viegas, 29 anos, Lisboa

Branca de Neve ou Bela Adormecida, quem és tu?
São só sete anões que te estão a guardar na floresta encantada?
É tempo de sonhar, imaginar e acordar
O teu belo príncipe encantado, D. Filipe de Aragão
Caminha e cavalga pela floresta no seu cavalo branco
Ansioso e muito preocupado até te reencontrar
Sofre em silêncio na sua solidão
Transmite força, admiração e confiança
Derruba todos os obstáculos para te procurar
Finalmente vai-te encontrar, beijar e acordar
Cristina Lameiras, 47 anos, Portugal

Hoje tudo me parece estar vazio
Limitado, nada preenche o meu espaço
a chuva, o vento, o frio.
As palavras silenciaram no meu regaço
Transformadas apenas e só no pensamento
Sem sentido, abstrato, disperso e incolor.
Ponho cavacas na fogueira e sigo
A dança das chamas emanando calor,
Remexo as cinzas que se amontoam
E ficam inertes ocupando o nada
Que imperfeito me fica nas mãos.
Lá fora, o vento
Faz lacrimejar os olhos
Dum rafeiro solitário!
Rosélia Palminha

Ontem fui ao Parque da Cidade.
A tarde estava competente para deambulações.
O Sol tintava tudo à volta.
E que dizer da colorida avifauna?
Que afirmar das mamãs e bebés?
Quais as palavras devidas aos anciãos? 
No coreto dançavam 7 graciosas figuras.
Ciclistas aparelhados à maneira consagravam pedaladas.
Satisfeitos estavam os vendedores de bijuteria.
Parzinhos de namorados faziam-se promessas infindas. 
Estava ali todo o universo conhecido.
Não é o jardim da Celeste.
Qual  então?
Jardim da Estrela.
Elisabeth Oliveira Janeiro

Eis a história de um homem
que nada tinha de própria opinião.
Ao fazer a passagem do túnel
percebeu qual era sua triste posição:
estava em cima de um muro
sem saber, para ir, qual direção.
"Venha cá, amigo" - ouviu de Deus,
e do demônio, um sorriso bonachão.
Deus continuou insistindo para que descesse
mas o homem, como sempre, indecisão.
O demônio só sorria, nada dizia...
...até soltar seu bordão:
"O muro me pertence,
esgotou sua opção."
Bia Hain, Brasil

São teus olhos gemas de oiro
E teu nariz é de marfim
As tuas mãos são de luar
A tua pele é de cristal
E a tua boca um rubi
Da tua cabeça pendem, maravilhosos corais
Desconhecia existir, um rubi tão precioso
Que diriamente esbanjasse, esses sorrisos cristais.
Os teus gestos são como pérolas
Que se unem todos, num colar
Safiras são, todas as tuas lágrimas
Que do teu corpo se soltam
Pr’a no meu ir desaguar
Graça Pinto – Almada

De noite, João sonhava ser estrela.
Tudo ver, ser visto por todos.
Acordava sempre muito cansado e descontente.
Não dormia bem nem acordava estrela.
Mantinha-se igual a ontem e anteontem.
O João que só sabia sonhar!
A sua mãe bem que repetia:
“Assim não vais a lado nenhum.
Deves sonhar, mas dentro do real.
Tu sabes que nunca serás estrela!”
Nessa noite teve um sonho diferente.
Chamava-se João.
Era um menino muito feliz.
E acordou a sorrir.
Ana Bruno

Sobreviver
Para que serve a minha vida?
Salários em atraso, Desemprego no horizonte
Passo os dias a tentar sobreviver

Que decisão vou ter de tomar?
Baixa da Caixa, Suspensão ou Rescisão?
Tantos anos a trabalhar para nada
Só me apetece, ralhar e gritar

Merece a pena continuar a lutar?
Tenho direito á revolta e indignação...
Pelos meus filhos vou tentar reagir
Pensar,Ousar, Tentar e Realizar

Apesar das dificuldades
Ainda temos comida na mesa 
E vamos sobreviver
Cristina Lameiras, 47 anos

Era uma vez um belo país.
Um país de sol e maresia.
Nele havia esperança, coragem e alegria.
Mas um dia, infelizmente, tudo mudou.
Alguém chegou e roubou a esperança.
Levou-a consigo e acinzentou o céu.
O povo triste adormeceu e desistiu.
Então, bem alto, o poeta gritou:
Heróis do mar, nobre povo, imortal!
O povo acordou, uniu-se e lutou
Na lição da História encontrou coragem.
Procurou a esperança.
Recuperou o sol e a alegria.
Reconquistou Portugal!
Palmira Martins, 57 anos, Portugal

Era uma vez uma menina traquinas
Que decidiu que queria ser melhor
Então pensou… pensou… pensou e encontrou!
A solução é deixar de traquinices
E ficar sossegadinha, sentadinha no sofá…
– Começo já amanhã esta minha decisão!
E assim foi: sentou-se e sossegou…
Mas o tempo nunca mais passou…
E a menina desesperou! Arreliada, zangou-se!
Então concluiu que algo estava mal…
Uma menina não se quer sentada
São importantes as brincadeiras…
As traquinices e malandrices!
Viver e aprender!
Elsa Susana Gameiro

Eu olhei para o céu infinito.
Vi milhares de estrelas a brilhar.
Pareciam vários pontinhos e pirilampos luminosos.
E aqueles todos estavam a sorrir.
Voltei para casa e decidi dormir…
Acordei já mais tarde muito sobressaltado
Porque a jarra estava toda partida.
O gato fugiu logo pela janela.
Saiu para a rua muito assustado.
Mas tudo voltou logo ao normal.
Eu fui imediatamente para a cama.
Apaguei a luz do candeeiro.
E logo adormeci.
E também sonhei.
António Cortez Marques, 10 anos, Torres Vedras

Ela abriu o cofre dos acasos.
Estava trancado há anos, sem préstimo.
Desenterrou-o da memória e, ansiosa, procurou-o.
Lá estava, intacto, no soalho envernizado.
Olhou em redor, temendo ser apanhada.
Mas não havia ninguém em casa.
De lágrimas nos olhos, ajoelhou-se prontamente.
Deu uma pancada seca no chão.
Tal como dantes, a tábua moveu-se.
Empurrou-a ligeiramente para o lado, devagar.
E que belos, reluzentes acasos encontrou!
As jóias do coração onde, adolescente, tropeçara.
Tirou uma.
E sorriu.
Rita Bertrand, 40 anos, Lisboa

A dor no amor
Novamente na cidade maldita.
Fazendo pelos outros, esquecendo-se de si.
Como optar? Por si?! Pelo amor?!
E este trouxera-a por caminhos incompreensíveis.
Luta por perceber; ajudá-lo, estando presente.
A dor, por ele, consome-a.
Sofre! Transforma-se, naquele espaço, por ele.
Encontra-se perdido, num local hostil.
Decidiu vir; não imaginou a diferença.
Abissal! Entre ele e este espaço.
Seguir em frente?! Ou voltar atrás?!
Dilema que não soluciona, Encontra-se aprisionado.
Pensa uma saída. Encontrará? Não sabe!
Amá-lo-á sempre, incondicionalmente.
Isabel Pinto, Almada

Uma menina muito adorada pelo pai…
Vivia triste por ele viajar bastante.
Um dia chegou com uma novidade.
Tinha casado e trazia-lhe uma mãe.
Que viria com duas belas irmãs.
A menina ficou feliz e encantada.
Mas infelizmente aquela felicidade iria desaparecer.
A madrasta e as filhas eram…
Muito más para a doce menina.
Obrigavam-na constantemente a limpar a casa.
E vestia-se com velhos vestidos rotos.
Numa noite virou princesa.
Perdeu o sapato, casou com o príncipe.
Vanda Pinheiro

Capuchinho vermelho
Era uma vez, uma jovem menina
recebeu uma vistosa capa com capuz
logo se apressou a ir pavonear
Levar um lanche à avó velhinha
foi a melhor desculpa que encontrou.
Cuidado com o lobo da floresta,
Com as horas e o regresso
A mãe da menina, aflita, implorou
Não há problema! Eu levo telemóvel!!
Tou xim? Avózinha? Tás doente? Hã?
Topei!!!  Pera lá Keu te digo!!
Antecipou-se, ligou ao caçador....
Avó! agora estás melhor?
Sim! meu amor!
Luís Marrana, 52, Oliveira do Douro Portugal

Bom é andar de mota, mas é preciso ter um terreno e
Saber técnicas. E é preciso treinar muito.
É muito divertido, mas é preciso ter cuidado.
O terreno tem que ser liso e ter cuidado porque, o motor pode
Calar, logo pode-se estragar,
Até ficares a pé ou teres que ir à oficina.
Ser esperto para conseguir fazer um bom
Tempo, para conseguir ganhar um troféu
De primeiro lugar. É preciso saber
Falar bem para convencer.
Tiago Faustino, 12 anos Caldas da Rainha (professora Ana Silva)

Num mundo distante, no céu escuro.
Onde as estrelas brilhavam sem parar!
Em que a Lua conseguia iluminar...
Tudo o que estava à volta.
Habitantes muito pequenos corriam sem parar.
Como se quisessem chegar a algo.
Com um nome bastante, imensamente vulgar.
Felicidade: Para eles impossível de alcançar!
Pois com a sua vida desvairada.
Raramente (ou até nunca!) podiam parar!
Até que lá chegou um menino!
Que, falou com o governador.
E, unidos...
Tudo conseguiram, finalmente mudar!
Ridkyoescritor, 11 anos, Pedroso, Vila Nova de Gaia

Fim de semana, fizemos um piquenique.
Almoço, com sardinhas, entrecosto e febras.
O pessoal gosta mesmo de carne!
Grelhámos tudo, para ser mais saudável.
O pão, alentejano e mal cozido.
Muito cozido, pode partir os dentes.
Azeitonas, pimentos, tomates, alface e pepinos.
Havia sangria, deliciosa, com muita fruta.
E o vinho, não estava ausente!
Árvores frondosas, emprestavam-nos uma excelente sombra.
Tudo tradicional, como se pode ver!
As crianças brincavam.
Muito divertidas!
Jogavam, gargalhavam, corriam, cheias de vitalidade!
Arminda Canteiro Jorge Montez, 75 anos, Queluz

A galeria
Prados verdejantes, salpicados de flores amarelas
Assim era a pintura que contemplava
Fechando os olhos, sentia-se o aroma
Estava fascinada, nunca visitara uma galeria
Nunca se interessara, não sabia porquê
Nem nos tempos de escola gostava
Lembra-se que ficava sentada no autocarro
A professora bem tentava mas nada
Nem a insistência de sua mãe
Nada mudava a sua triste opinião
Agora via o muito que perdera
Mas não aconteceria mais
Visitaria museus, galerias
Recuperaria o tempo perdido.
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Quebra-cabeças
Quem não se recorda dele? Irritante!...
As vezes que eu tentei resolvê-lo.
Só conseguia fazer um dos lados.
Ficava nervosa, qualquer miúdo fazia aquilo.
Quase enlouqueci de raiva e desespero.
Para a direita, agora para cima.
Um lado já está, faltam cinco.
Vá, Isabel, não desistas, tu consegues.
O meu rosto transformava-se, ficava DOIDA.
Respira, conta até três, tu consegues.
Quanto mais o movia, mais baralhava.
Irra o que me irritei.
Por causa daquele estúpido,
CUBO MÁGICO.
Isabel Branco, 53 anos, Charneca de Caparica

Doce esquecimento 
Sentiu-se tonta, talvez culpa do sol. Cabeça rodando, vista escura, ar rarefeito. Tombou bem a beira da estrada.
Foram-se os sentidos, corria perigo assim. Paulo, impulsionado tomou-a nos braços rapidamente. Parecia uma frágil boneca de louça. Tão lívida, era encantadora, delicada, bela. Depois daquele dia a vida mudara. E tudo graças à amnésia contínua. Juntos descobriram que podia dar certo. Unidos inevitavelmente, dois se tornara um.
Destino? Talvez...
Quem vai saber...
Alguns encontros inexplicáveis duram para sempre...
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

João Ratão estava farto da história.
Porque tinha de acabar tão trágica?
Depois de uma história de amor…
Um fim trágico daqueles… para quê?
Exigiu, bateu o pé, não desistiu.
Procurou a famosa sociedade de autores.
Fez um contrato com todos eles.
Foi então retirado aquilo da panela.
Até porque nunca gostou de feijoada.
Ainda se fosse arroz de marisco…
Mas, pronto, tirava-se então a panela.
Não se esquecia das luvas.
Casavam.
E seriam felizes para sempre…
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Pedro e o lobo
Era uma vez um rapaz mentiroso,
Guardava ovelhas e mais outro gado,
Brincava, muitas vezes, gozando as pessoas,
Gritando que o lobo havia atacado!

Os vizinhos deixavam as suas tarefas,
Subiam o monte para lhe acudir,
Chegavam ao cimo, não havia nada
E Pedro brincando, começava a rir!

Um dia, o lobo apareceu mesmo;
Desta vez, o pastor gritava apavorado,
Nem um vizinho se sentiu incomodado!

Riram também!...
O lobo roubou como ladrão…
Pedro aprendeu a lição!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

O grilo saiu debaixo da folha.
Estás triste grilinho, e porque choras?
O que fazes no meu jardim?
Tu é que estás a molhar-me.
Desculpa, meu amigo, e desabafa comigo.
Cantei ao relento mais a cigarra.
E então, qual é o problema?
Minha amada é ciumenta, correu comigo.
Deixa lá, nesta vida tudo passa.
Que vai ser de mim agora?
Há mais grilas neste mundo fora.
Mas eu não quero outra.
Quero a minha.
Então, espera cantando.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Justiça justa
Pedro lenhador morava mais Maria doméstica.
Pedro acostumava dar pauladas à mulher.
Maria, fraca força, contudo astucia requintada...
Informou arauto que marido era médico.
Espinha no “gasganete”? Poderia socorrer princesa!
"Médico era, mas, com estranho capricho…
Só curava levando pauladas na cabeça."
“Isso não é problema”, replicou mensageiro.
Encontrou Pedro, pauladou-o até ao palácio.
Arauto pauladava, Pedro berrava, princesa gasganeteava.
Princesa tossia, ria, … vendo corrida doidivanas.
Espinha saltou-se do gasganete.
Pedro recebeu prémio.
Nunca mais violentou Maria.
Eurídice Rocha, 51, Coimbra


Dizia não,
mas era com convicção!
Não havia nele arte ou expressão;
só mau feitio e muita falta de educação.
Num belo dia de sol, passou-lhe à frente um cão
e tal foi o desagrado que não hesitou em dar-lhe um empurrão.
Se tivesse coração,
e não fosse um resmungão,
não estaria disponível para usar em vão
essa expressão tão negativa que é quase um palavrão.
Vá-se lá explicar ao rapaz que aquilo é vício; não tradição.
Patrícia Marques, 45 anos, Entroncamento

Alice, ainda menina teve uma surpresa. Conheceu, inesperadamente, um lugar mágico, especial! Aquela terra chamava-se "País das Maravilhas".
Mas, nunca conseguira rever aquele local. Somente recordava-o nos seus sonhos fantasiosos.
Tinha saudades das emoções que vivenciara. Contudo, apenas restavam as memórias nocturnas.
Na juventude, dançava na festa real.
Avistou um coelho branco, seguindo-o imediatamente. Todavia, na perseguição, caiu num buraco.
Voltou a reencontrar o país encantado.
Alice recupera emoções. A magia regressa. As personagens sonhadas eram reais!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

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