10/12/13

EXEMPLOS - desafio Rádio Sim nº 8

Dezembro.
Na cozinha, fogão a lenha aceso. Calorão!
Assara latas de bolachinhas de Natal. Todos adoravam

.
Mas, até a data, escondera a lata, até dela mesma...
No Natal, a surpresa ao girar a chave do cacifo...
Lá, pela humidade do vapor, pois colocara as bolachas ainda quentes na lata, tudo embolorado...
No lugar do êxtase, de todos imaginado, veio a tristeza. Todos agora corriam atrás dela e ficou a sua promessa de, para o ano, novas fazer!
Chica, 64 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Por sorte, a mãe ainda não descobrira nada de concreto, contudo Aloysio sabia que, mais dia, menos dia, o cheiro a humidade o iria denunciar.
E não foi «mais dia», foi menos naquele dia, que a mãe irrompeu pelo quarto, enquanto ele permanecia pregado, olhando a chave de cacifo que esquecera na mesa.
– Já esperava por isto – disse a mãe, em êxtase, ao descobrir a plantação que ele ocultara no cubículo.
– Se eu não vou ao jardim...
Quita Miguel, 54 anos, Cascais

êxtase em mim passa tão rápido, basta eu perceber quem sou. Afinal é tão fácil o sol desaparecer e trazer de volta o cheiro a humidade. Porque insisto em beijar quem nunca beijarei? A doar a chave do cacifo que é o meu coração? Coração que não pode aspirar a nada mais do que cacifo. De qualquer forma não aparecem interessados em que o cacifo deixe de ser cacifo, em que eu deixe de ser eu.
Salvador Fachada, 25 anos, Lisboa

Inspiro. Há um cheiro a humidade doce no ar. Entro em êxtase. Consegui finalmente realizar o meu sonho mais secreto. Estou sozinho, numa ilha tropical, onde nada me falta de essencial à vida, com todos os livros que quero ler ou reler. Depois de arrumar dentro da cabana os objectos provenientes do barco, giro a chave do cacifo e pego no primeiro volume que me vem à mão. Nem de propósito! São «As aventuras de Robinson Crusoé».
Carlos Alberto Silva, 55 anos, Leiria

cheiro a humidade era intenso. Há muito que ganhava coragem para entrar ali e hoje era o dia. Com a chave do cacifo bem apertada nas mãos trémulas, gastas pelo tempo, percorreu os labirínticos corredores. A memória já lhe falhava, mas ia jurar que naquela parede, no meio de tantos iguais, o seu cacifo era aquele. Aproximou-se em êxtase, o coração a bater mais forte… e parou. Que tinha ido ali fazer? Não se conseguiu lembrar…
Joana Nogueira, 30 anos, Bombarral

Uma partida!
A chave do cacifo estava no sítio, ufa, que sorte! Ainda bem que havia gente esquecida, a surpresa seria maior, magicava o Pedro, já em euforia. Desde o primeiro dia que entrara para o ginásio que naquele vestiário o cheiro a humidade se ia intensificando dia a dia. A Rute achava que era um ambiente propício a ratos, de quem tinha um pavor desmesurado. Quando for retirar os pertences e sentir o pêlo macio, será um êxtase!
Alda Gonçalves, 46 anos, Porto

Em êxtase, deixou-me alistar de livre vontade na Fragata Dom Fernando. Neste museu veleiro nunca esteve um tal Jack Sparrow ao leme. Aqui a bordo ainda cheiro a humidade salina e obediência de antes. Percebi rapidamente, a vida de marujos que passava entre porão e ponte não andava sobre rosas. O baú de recompensa abriu apenas para aqueles que obedeceram e somente o capitão tinha a chave de cacifo ao colo. Coitado, aquele apanhou com o chicote.
Theo De Bakkere, 60 anos, Antuérpia Bélgica

Somos... secretos!
Contigo tive um sonho secreto. Íamos pela rua e encontrámo-nos, de repente, sem que nada o fizesse prever! Peguei-te pela mão, convenci-te e fugimos para um canto longe de tudo. O cheiro a humidade não demoveu as minhas intenções de pegar na chave do (teu) cacifo e abrir-te por dentro. Comecei por fora, e o êxtase tomou conta do momento. Assim, desabrida, a vida era muito mais especial contigo por dentro. Fecha-te, agora, e finge. Somos… secretos!
Dulce Silva, 33 anos, Leiria

Não era só um simples cacifo. Era O cacifo.
Os meus passos, pequenos, nervosos e apressados, percorreram todo aquele corredor cheio de humidade.
O cheiro nauseabundo que vinha lá de cima invadia todo o corredor, tornando o meu andar demorado e aquela espera insuportável.
Lembrava-me perfeitamente de todo o êxtase que senti quando finalmente meti a chave na ranhura do cacifo, rodei, e abri aquele que viria a ser o meu companheiro durante todo o ano letivo.
Laura,11 anos, Oeiras. Externato Marista de Lisboa

Estava ansioso, neste jogo era importante que o clube ganhasse. Nos balneários, procurava chave do cacifo com nervosismo... mas depressa a encontrou e começou a equipar-se. Reinava o sentido de humor, convencidos – a Costa da Caparica não podia ganhar!
Entraram em campo, o relvado, com o cheiro a humidade e reluzente, deslizava entre pés. Em êxtase ficou, quando viu a bola a entrar directamente na baliza do adversário!
Momento de grande emoção… Festejam assim a grande vitória!
Prazeres Sousa, 50 anos, Lisboa

Abri a porta com cuidado, entrei devagar no passado sombrio e com cheiro a humidade das recordações que não queria mais.
Avancei até ao fim e ali estava ele a desfazer-se em ferrugem, peguei na chave do cacifo e abri-o. Já não restava muita coisa, trouxe as memórias guardadas e encaminhei-me para a saída.
Cá fora, libertei-as ao vento da esperança e vi-as voar sem rumo. Em êxtase, vi, ao meu lado, a liberdade que me sorria!
Maria de Fátima, 44 anos, Coimbra

Menina emigrante
Pelas manhãs de inverno, quando o sol furava por entre a geada e o frio, o cheiro a humidade, que saía do muro coberto de musgo do jardim, punha-me em êxtase. Finalmente estava em Portugal, depois de tanto tempo ausente no outro hemisfério, depois de meia infância perdida... Mas, com a chave de cacifo, guardei todas as memórias, muito bem guardadinhas, dentro de mim. Do muro e da minha respiração saía o mesmo fumo: o da saudade.
Regina Graça, 49 anos, Coimbra

Persistência premiada
Naquela casa grande, os segredos faziam parte da itinerância: iam e vinham, tomando posse, ganhando espaço.
Havia nela um grande armário, guardião de passados. Dada a sua vetustez, exalava um cheiro a humidadeque se dispersava sempre que a chave de cacifo fazia o seu trabalho, quando algum dos cofres ali instalados era aberto.
Mariana, porfiou à cata do Diário de Infância. Resolveu enfim visitar o seu cubículo. Estacou em êxtase... Ao fundo, tímido, ali estava ele.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 69 anos, Lisboa

Procuro-te por todo o lado e não te encontro. Talvez sejas apenas um sonho, uma visão do meu coração inquieto... Vivo num  êxtase  permanente, nada tem sentido sem ti.
Volto derrotado à velha casa onde nasci e tropeço nas recordações.
Atordoado, apenas sinto o cheiro a humidade. A chave do cacifo continua pendurada e vejo a tua imagem amarelecida pela saudade. Sorris para mim como só uma Mãe sabe sorrir... Afinal reencontro-te no fundo do meu coração!
Isabel Lopo, 67 anos, Lisboa

Como se fosses tu
O meu coração tem segredos e histórias. Está fechado dentro do peito e ouve apenas o eco do seu bater, como se vivesse numa casa isolada, com cheiro a humidade. Às vezes ouço-o chamar por mim. Outras, grita em êxtase por alguém que queira saber dos seus mistérios, que o abra, como se fosse a chave mágica de um cacifo que precisa urgentemente de respirar e de sentir a luz. Como se fosses tu, quando me beijavas.
Sandra Évora, 40 anos, Sto. António dos Cavaleiros

A humidade frisava-lhe o cabelo. Mofava-lhe o tecto da casa. Gosta de alturas. Instala-se em cabelos e tectos com o mesmo êxtase e desalinho, frisando uns, pontuando anarquicamente os outros de negro.
Empresta ao ar um cheiro a musgo. Cheiram a musgo os cabelos frisados?... Se ao menos encontrasse a chave do cacifo onde guardava lixívia com que exterminaria fungos no tecto e aquele amaciador fantástico que amansaria a rebeldia dos cabelos como lhe prometiam na televisão.
Rosário Caeiro, 39 anos, Lisboa

Àquela hora, o cheiro a humidade era intenso e a espera tornava-se angustiante. Junto à marina, a esta hora, todas as sombras se levantam e revelam os nossos medos com frieza cortante.
Ouvi um ruído. Era ela que se aproximava. O andar confiante contrastava com o tímido sorriso com que me olhava.
Ao chegar abriu a mão e mostrou-me a chave de um cacifo. “Vou partir”, disse-me envergonhada. “Vens comigo?”.
Em êxtase, não fui capaz de responder.
Tiago Viana, 36 anos, Parede

Desnorteio
Perdi o raio da chave do cacifo no meio daquela confusão. Que parvo que sou. Como me pude distrair a ponto de, agora, não saber o que fazer. Qualquer sensação de êxtase que possa ter sentido esfumou-se no instante em que levei a mão ao bolso direito. Que nervos. Como se não bastasse escapuli-me para um recanto cujo cheiro a humidade me desnorteia ainda mais. Que faço? Não posso rebentar a porta. Denuncio-me se o fizer. Triste.
Carina Leal, 30 anos, Coimbra

Seguir em frente
Vários sentimentos explodiram dentro dela: êxtase, melancolia, revolta, indiferença, rancor...
Uma pontada percorreu-lhe o braço, olhou a chave do cacifo que apertava na mão até ali ficar marcada.
Abriu a porta da casa que tanta dor lhe trouxera, sentiu o cheiro a humidade, pensou em arejá-la.
As constantes discussões voltaram à memoria, seu coração encolheu.
Decididamente a casa precisava de arejar, alguém o faria, não ela. Sem ver o conteúdo do cacifo fechou a porta e partiu. 
Carla Silva, 39 anos, Barbacena, Elvas

A Máscara
Cristiana cumpriu o ritual.
Decidida agarrou na chave do cacifo e abriu o armário.
Por lá proliferavam ou procriavam bichinhos verdes com um cheiro a humidade terrível.
Respirou fundo, apertou os lábios e retirou a máscara. Ao colocá-la no rosto, viajou no tempo num silêncio cúmplice e privado.
A máscara era o seu refúgio, com ela enfrentava qualquer cenário e escondia-se do escândalo.
Em êxtase olhou para o relógio e resolveu enfrentar a realidade…
Sem subterfúgios… Simplesmente!
Cristina Lameiras, 48 anos, Casal Cambra

Foi naquele dia!  
Foi naquele dia. No dia em que transparecia um impercetível cheiro a humidade que no êxtase contínuo das minhas lágrimas apareceste na minha vida.  
Foi naquele dia!  
No dia em que os nossos olhos se cruzaram que, com uma simples chave de cacifo, acabaste com o sofrimento.  
Foi naquele dia!  
No dia em que tudo parecia correr mal que ficaste comigo, e roubaste, sem pedir licença, aquilo que era meu... foi naquele dia que fiquei sem coração!
Ana Sofia Cruz, 16 anos, Valongo


Mini Reflexão
Mais um ano vai. O tempo parece que se esvaiu. Voou. Evaporou. Piscamos e já acordamos: Natal!
A enorme humidade daqui junto com as chuvas que chegam, deixam no ar aromas de doces saudades. Em      Dezembro meus sentimentos transitam entre alegrias e tristezas. Emoções, sentimentalidades, e um naco de êxtase.
Quem sabe 2015 não deixe o cacifo do coração destrancado, ou forneça cópia das chaves para outro alguém?
Apostar sempre faz tudo ter mais sentido! Belo 2015!
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

A Maria estava em êxtase. Excelente a matemática! Ligou à mãe a dar-lhe a notícia e aproveitou para lhe pedir que a levasse a lanchar. Não queria ir para casa da avó. O cheiro a humidade chegava-lhe ao estômago antes de passar pelo nariz. Dava-lhe vómitos. Naquele dia não! Aquele dia era especial! Não era todos os dias que se saía bem a matemática! Merecia uma tarde diferente! Guardou a chave do cacifo e despediu-se de todos.
Fátima Fradique, 40 anos, Fundão

Num tempo instável, cheiro a humidade em abundância, nevoeiro, tempestade no seu paroxismo…
Estávamos a sair do portão da escola quando olhámos uns para os outros e dissemos: “a chave do cacifo!”.
Era preciso que a bênção do êxtase de Santa Teresa funcionasse para quebrar tal intempérie… e ter de volta aquela insignificante chave.
Então lá fomos, aguerridos, em busca do nosso alvo… estava no meio de dois simples bancos… A chave agarrámos e a tempestade amainou!
André Saraiva, de 18 anos, e Rodrigo Martins, de 17 anos, 12º LH2, Escola Secundária José Saramago, Mafra, prof. Maria Teresa Simões

Sentado na proa do barco, segurava o diário. O cheiro a humidade denunciava o tempo a que tinha sido votado ao abandono. A avó entregou-o no leito da morte com a responsabilidade de manter o segredo. Sentia-se em êxtase. Queria descobrir o segredo de família há tanto escondido. Eram dolorosas as lembranças despertadas pela leitura. Na última página, a chave do cacifo onde estava o segredo final. Ficou eufórica. Desajeitada, desequilibrou e a chave caiu no mar…
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Não era a casa dos seus sonhos.
Mas devido ao orçamento,
foi o que se pôde arranjar.
Ele quis fazer-lhe surpresa.
Foi com ele.
Logo que entrou, viu um CACIFO
a cair de velho, que abriu, e o 
CHEIRO A HUMIDADE foi
Tal, que a deixou em ÊXTASE.
Foi isso que deitou por terra o sonho
do casamento. Tinha mais uma vez
que ser adiado, apesar dos rogos
da sogra, para viverem juntos.
Ela preferia ficar sozinha.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Cheirava-lhe a humidade. Humidade e cheiro nauseabundo. Já percorrera toda a casa
e nada. Esfregonas e detergentes tinham-lhe roubado os últimos tostões. As janelas
abertas também não resolveram o assunto. O que fazer?
Dormiu de mola no nariz, já não aguentava mais.
Ao sorrir o sol, teve uma ideia. Ficou em êxtase da idiotice.
Abriu as gavetas, saíram ratos, pais e filhos. O cheiro finalmente decifrado: mijo.
Abriu o cacifo da memória: a malvada criada era preguiçosa.
Andrea Ramos, 39 anos, Torres Vedras

Gostaria de saber o que guardava Heitor no cacifo. Ensimesmado, triste, só, fomos deixando de o ver. De perguntar por ele também, sem perceber. Lá no fundo, no gabinete mais escuro e com mais cheiro a humidade do escritório, foi-se desvanecendo. Depois nunca mais o vimos. Vieram entregar-nos a chave do seu cacifo para que o limpássemos e ficámos a olhá-la, em êxtase, como se ela fosse a lembrança dum abraço que ficara esquecido dentro de nós.
Paula Coelho Pais, 54 anos, Lisboa

Esta noite choveu e sente-se o ar impregnado pelo cheiro a humidade e terra molhada. Mas, felizmente, neste momento não está a chover.
Acabei de chegar à escola e verifiquei que perdi a chave do cacifo.
Como sou extremamente positiva por natureza, não fiquei nada aborrecida com este facto, bem pelo contrário. Fiquei em êxtase absoluto... é uma ordem divina para faltar imediatamente à aula de matemática.
Como sou uma menina obediente, resta-me respeitar as exigências superiores!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

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