20/04/14

EXEMPLOS - desafio nº 64

Depois do fim do feriadão de Páscoa, ela que sentia seu coração apertado, pensava...
– Não havíamos combinado que seria uma Páscoa dos pijamas?
As crianças em lugar de ovos ganhariam pijamas, sempre necessários quando o tempo lá fora começa a mudar e esfriar.
Todas ganharam! Ficaram felizes.
Porém, ao olhar sua mesa de Páscoa, o que via? Chocolates, ovos de montão!
Agora? Sabia que ao fim dos festejos, não apenas o coração apertava: as roupas igualmente, rs...
Chica, 65 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Sentido das Coisas
Depois do fim, recomecei ali. A vida não dá duas oportunidades iguais diz-se…, mas naquele dia, tudo volatizou. Renasci…
Até ali, o mundo era-me pequeno, os objectivos imensos, inatingíveis. Vivia ambicionando chegar-lhes, ultrapassá-los, porém, inesperadamente, algo nos faz mudar de rumo, suavizando esperas, atenuando danos. Despertei a cegueira que habitou meus olhos, irrompendo mundos ignorados. Hoje, o mundo é-me maior, meus olhos vagueiam na sua beleza, compreendem-lhe o sentido, porque depois desse dia nada mais foi igual. 
Graça Pinto, 55 anos, Almada

E depois do fim?
Depois do fim é tempo de eterno recomeço. O dele, chegou depois do adeus.
Memórias surgem-lhe como cenas num filme.
Na rádio, falava-se em golpe de estado. Na televisão, os personagens vestiam farda. Em casa, a vida ficou suspensa… O ministro rendeu-se, o regime morreu. Uma espingarda floriu vermelho.
Segurava a mão da mãe com força. Os portões abriram-se. A prisão gritava liberdade. O pai corria para eles. Não o abraçava ia p’ra três anos.
Era Abril.
Fernanda Elisabete Gomes, 58 anos, Lisboa  

Depois do fim
Depois do fim ela suspirou!
Não pode deixar de chorar...E chorou muito!
Entretanto, sabia que havia sido o melhor que o destino poderia fazer.
Há momentos que o futuro nos reserva mais dores se permanecermos do mesmo jeito.
Ele se foi e iria sofrer se vivesse. Ela sabia.
Agora estava sozinha na grande casa...Que engraçado! Antes não parecia tão grande assim...
Ele ocupava todos os espaços, mas o coração dela reclamava de dor: nunca estivera tão vazio!
Anne Lieri, 53 anos, São Paulo, Brasil

Depois do fim do nosso tempo nesta lindíssima planeta azul. Onde ninguém possui a eternidade e o relógio de tempo faz tiquetaque sem parar. O ponteiro aponta para cada hora e tempo, mas não indica a hora que devemos à morte! Com cada tiquetaque decorrido, menos sobeja do nosso tempo neste prodigioso globo. Ora! Aproveite, carpe diem. A última badalada pode vir mais cedo que alguém pense. Uma viagem mágica entre as estrelas está à espera, talvez.
Theo De Bakkere, 60 anos, Antuérpia, Bélgica

Depois do fim, era a incerteza.
Irma olhou em volta, a perplexidade estampada no rosto.
Para dizer a verdade, guardara uma réstia de esperança de que alguém a aguardasse. Contudo, viu-se sozinha, parada num amplo vazio, diante do portão que se fechara, devolvendo-lhe a liberdade. Ali o ruído era bem diferente do constante zumbido da prisão.
«Fantástico», quis gritar ao sentir-se dona da sua vida, mas não conseguiu. Olhou à direita, à esquerda e seguiu em frente.
Quita Miguel, 54 anos, Cascais

Depois do fim, nem o céu existe
Depois do fim, nada mais restou. Foi uma história de amor, como tantas outras. Para uma história de amor terminar, basta um desistir, e a história termina logo ali. E nesta, já não havia olhares cruzados, nem se cruzavam os sentidos. Já nada se cruzava naquelas vidas. Todo o fim tem um começo, com os mesmos corações, os mesmos olhares cruzados, as mesmas vidas, os mesmos corpos. Apenas uma coisa despareceu, o céu que existia nesse sentir.
Alda Gonçalves, 46 anos, Porto

Luzes da Ribalta
Depois do fim, os aplausos, cai o pano, o público aplaude, ela agradece.
Apagam-se as luzes. A peça acabou, tira a maquilhagem, liberta-se das vestes, aos poucos vai despindo a personagem. Sente-se nua, desamparada, só. O palco é a sua casa, a personagem que interpreta é ela própria, aquela peça é toda a sua vida.
Ela sabe que um dia aquelas luzes se apagarão para sempre, depois da derradeira e maior ovação de toda a sua vida.
Isabel Branco, 53 anos, Charneca de Caparica

Depois do fim o que há, Avó?
Depois do fim, há um lugar mágico onde voltamos a encontrar os nossos amigos. Não há frio, não há fome e as estrelas são a nossa luz.
Lá, os pais têm tempo para os filhos e os Avós contam histórias de encantar...
Não há guerras, não há dor e não há medo, pois só existe amizade. Mas há sonhos luminosos que nos preenchem o coração. E esse lugar chama-se AMOR!
Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa

Depois do fim
Surgiu a encruzilhada
Que me lembrava tudo
E não me dizia nada.
E neste silêncio nu, eu
fui em busca do destino
mas o destino eras tu.
Insisti em prosseguir, eu
e o meu sonho preso ao chão
mas outra encruzilhada 
haveria de surgir
pintada pela solidão.
Perdi-me no cansaço
e deixei-me adormecer.
Quando acordei, olhei o Céu,
fez-se Luz dentro de mim e 
foi aí que descobri que no
Amor não há fim.
Júlia Braga, 57 anos, Oeiras

Fim e Recomeço
Depois do fim é o recomeço. Depois que algo acaba, acaba porque a sua missão foi cumprida. O espaço antes ocupado, passa a ser preenchido de outras formas que vão moldando os contornos do mundo.
Esgotado o tempo na finitude aparente, são outras as dimensões: um material que é adaptado a outros fins, um ser que cristaliza e enriquece a natureza.
Utilidade e diversidade permanecem, só que sob diferentes conceitos e formas.
Depois do fim, tudo continua.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 69 anos, Lisboa

Aula sentida
Depois do fim já não podia começar de novo. Levantei-me, explodi no meio da sala da aula tudo o que me andava a preocupar. Via a professora a sorrir, feliz por “soltar” um texto tão bom de repente. Quando acabei aquele discurso, vi o seu sorriso desligar-se lentamente, um pouco sentida. Eu, envergonhada, sentei-me lentamente e deitei os braços na mesa para chorar. E chorei, chorei tudo o que nunca havia chorado. Estava a passar uma tortura…
Francisca, Vila Fonche, Viana do Castelo

Depois do fim, recordei-te todos os dias, por momentos breves de arrependimento. Depois do fim, alegrias vieram e inquietações permaneceram. Depois do fim, nada foi igual. Lembrei-me mais de mim, afastei-me mais de ti, ficaram as ilusões ansiosas do que poderia ter sido. Depois do fim, o tempo avançou num começo sem conclusões, sem metas definidas ou destinos traçados. Depois do fim, amanheceu-me esta nova esperança de sonhos por viver, num querer conhecer-me para além de ti.
Clara Lopes, 37 anos, Agualva, Sintra 

Depois do fim
Depois do fim… afinal não acabou, o fim não existe, tal como pensava que ele seria.
Continuo sendo quem sou, apenas me libertei dos limites que julgava serem os meus.
Acreditava que a nossa relação me definia, que a minha vida girava em torno de ti, que eras o meu mundo. Eras o ar que alimentava o meu existir e quando me deixaste, o fim que tanto temia na verdade não me consumiu.
Descobri que sou livre.
Paulo Renato, 38 anos, Maia

Depois do fim de muitos anos de escuridão apareceu a luz. Foi uma claridade muito intensa: deixou ver novas cores, ler novos poemas – bolorentos dos muitos anos expostos à humidade das gavetas –, cantar cantigas escondidas e engasgadas nas gargantas, abraçar antigos amigos encarcerados por palavras e pensamentos, falar! Hoje cantamos – mesmo que a angústia de alguma luz perdida nos deixe um nó no estômago – e gritamos e falamos. Não deixemos, nunca mais, que nos privem da luz.
25 de Abril de 2014
Maria José Castro, 54 anos, Azeitão

Depois do fim da implementação do novo acordo ortográfico, gramática simplificada, uma língua unificada.
Tarefa ingrata para professores! Somos atores e espetadores, expetantes entre comummente e comumente, hífenes e hífens, cor-de-rosa e cor de laranja. A hifenização transformou-se em infernização!
Escreve o aluno: – Que admiração tenho pelo pelo dos coelhinhos!
Pela manhã, a mãe do João pela a maçã que ele come com satisfação.
Quem para esta confusão para uma verdadeira unificação? O Antônio ou o António?
Joana Marmelo, 50 anos, Cáceres, Espanha

Depois do fim desta passagem haverá um caminho?
Preso no tempo e no espaço, estranhamente protegido, é desconcertante não poder fazer nada. Descobri entretanto, que, se me mover muito lentamente, ninguém dá por isso.
É um processo doloroso mas poderá ser a minha fuga.
Sinto que perco o controlo do corpo e uma onda de dor toma conta de mim.
Que luz fortíssima é esta que me fere os olhos?
Grito e ouço gritar: é um menino!
Concha Cassiano Neves, 67 anos, Lisboa

Há sempre um amanhecer 
Depois do fim tudo pode surgir. Há sempre um novo princípio que nos levará a outro fim.
 A vida é uma roda viva sustentada por cordéis multicores. Um ciclo que nos envolve nas teias do desespero, das lágrimas mas também da esperança sustentada pela própria esperança dum novo amanhecer.
Felizmente as coisas menos boas também têm um fim, tal como se afirma que, depois da tempestade vem a bonança.
Esperemos que cada fim, tenha um final feliz.
Rosélia Palminha, 66 anos, Pinhal Novo


O Paraíso
Depois do fim! O que haveria depois do fim da estrada? Perguntava-se Lina que partira á aventura de mochila às costas. 
Não vislumbrava nada. Dava a ideia que o mundo decidira terminar ali, sem mais.
O som de água a cair fê-la acelerar o passo.
A vista era deslumbrante, a queda de água regava um vale paradisíaco sem vestígio de mão humana. Transmitindo serenidade, paz. Ela pensou que o mundo não poderia escolher melhor lugar para acabar.
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

O recomeço
Depois do fim! Sim, chegara ao fim!
Sinceramente tinha sido apanhada desprevenida. Há muito esperava o desfecho da união forçada e agora que tudo terminara sentia-se meio perdida. Mas não baixaria os braços. Nunca o fizera, certamente não começaria agora.
Recomeçaria uma vida nova num novo lugar. Tudo novo. Até ela renasceria, qual Fénix renascendo das cinzas, mais forte, mais determinada, com nova imagem mas fiel a ela própria. Porque, depois do fim, há sempre um recomeço.
Carla Silva, 40 anos,  Barbacena, Elvas

Depois do fim reivindico o início
Depois do fim reconheço o erro cometido
Depois do fim aplaudo o êxito exibido
Depois do fim revejo os pontos aprendidos
Depois do fim danço o baile dos inibidos
Depois do fim ouço o zumbido coibido de um mosquito adormecido
Depois do fim corro pontes sem sentido
Depois do fim venço o proibido
Depois do fim sonho com uma vida colorida
Depois do fim grito embebido… Findo. Depois das 77 palavras!
Carla Ribeiro, 38 anos, Ourense, Espanha

O fim
Depois do fim, vem o novo começo! Pois até mesmo o Fim tem fim. Provavelmente estão às voltas com este pensamento... Pois eu bem sei, o mesmo me sucedeu. Mas depois de horas a refletir, cheguei realmente a uma conclusão. Se tudo tem um fim, então até mesmo o Fim tem de acabar! Se pensarmos bem, com o terminar de uma era, houve sempre o nascer de uma nova e melhorada época. Logo, não temam o fim!
Liliana Macedo, 15 anos, Ovar

Depois do fim veio um recomeço de algo jamais vivido. Pelo menos por mim. Uma nova fase estava a iniciar e, apesar da vontade de fazer algo certo desta vez, o fim deixava muito a desejar: queria motivos, razões e, principalmente, respostas, as quais nunca tive direito a conhecer. Agora, com um novo início, espero esquecer ou então deixar de relembrar tanto o fim para finalmente poder começar a viver por mim e não só pelos outros.
Maria Luísa Barros, 15 anos, Porto 

Experiências Estranhas
Depois do fim, surgiu um longo tempo de enorme sofrimento, amargura, revolta. Perdeu-se na vida; perdeu-se da vida. O tempo de paragem, isolamento total, transformaram-na. Perdeu relações e a perspectiva da realidade. Esta, outra, estranha, orientou os seus comportamentos: estranhos para outros, dissonantes com a “normalidade”.
Vários anos. Paradoxalmente, acompanhou os filhos. Amou-os.
Pediu ajuda. Preciosa. Encontrou novos amigos, a sua vida profissional, quase nula, melhorou.
As experiências vividas nesse tempo marcaram-na profundamente. É outra. Até quando?!
Isabel Pinto, Setúbal
Isabel Pinto, 47 anos, Setúbal

Depois do fim só restou a loucura de quem batalha sem saber o porquê!
Se sou uma princesa ou um fantasma comum é-me impossível dizer.
Deixaste-me entre a espada e a parede, sem saber qual rumo tomar.
E na loucura terna deste princípio de tarde escolho morrer, permitindo assim que aquela faca quieta e sem vida me trespasse. Me esventre, despedace e leve de mim tudo o que tivemos.
Dou-te a minha morte, como prova de amor!
Ana Sofia Cruz, 16 anos, Porto

Depois do fim do pôr-do-sol chega o quase negrume.
São uns pares de horas em que permanecemos… eu e a Lua.
Os superviventes daquele cor-de-laranja combinado com tons de amarelo e encarnado, muito ao de leve, que carrega uma energia incrivelmente brutal e, simultaneamente, frágil.
Todavia, com o partir deste sonho, encaminha-se algo novo.
O nascer do sol, o mar, o barulho das ondas, o tagarelar dos pássaros, as pessoas… a Vida.
Soubéssemos todos… o mais importante.
Inês Cunha, 17 anos, Lisboa

Depois do fim...
Surgiu a Ode ao tempo
Tempo que não escapa
Não esquece
Não pára;
Tempo que irrompe
Que caminha,
Que percorre
Tempo de agir, de Ser
Que rola no planeta Terra
No cosmos universal
E se mistura com astros e estrelas.
Depois do fim que
Por vezes não passa,
Estagna na singela vida
Foge por entre as brumas
Salta de um penhasco
E aninha-se no “eu”
Tempo...
É ontem, hoje, amanhã
É depois do fim...
Ana Mafalda, 44 anos, Lisboa

Depois do fim, veio tudo: num giro, num golo, num sorvo, tudo se desfez. Efectuou dois ou três morticínios; o resto foi no enxurro do egoísmo que desfez tudo: morte ou torvelinhos de feitos insólitos.
Que existir este… um tropel de sonhos, ilusões fúnebres, olhos prisioneiros de luzes que quis refulgentes, longe dos trilhos comprimidos pelos seus pés, engodos de um excesso de furor que desejou esquecido.
Depois do fim, veio tudo… o píton mordeu-se: tudo principiou…
Jaime A., 50 anos (agora de férias em Mortágua)

Depois do fim. Riste. Perdido em qualquer pedaço. Labirinto. Dor. Um quarto fechado pelo corpo. Memória. As palavras incendeiam-te a boca. Multidão. Gente. Nada. Ouviste o silêncio como uma ave. O Muro. Procuraste. Não havia segredo que te traísse. A árvore. A força que cresce. Água. Tudo o que tiveste. Sal. Terra. As tuas mãos abrem-se. Dádiva. Ergue-te. Partida. Uma rua de um sentido. O coração bate-te na cara. O olhar. Luz. Como caminhando. Sonâmbulo. O início. 
Constantino Mendes Alves, 56 anos, Leiria

Memórias Minhas
Depois do fim da minha vida, nada vai mudar.
O sol continuará a nascer e os planetas continuarão a girar.
A água vai continuar a correr, a tecnologia continuará a mudar.
Vão apenas restar memórias… Memórias dos que se cruzaram comigo em algum momento das suas vidas.
Onde pudemos em conjunto rir… Ou até chorar.
Estar sérios ou até mesmo brincar.
É reconfortante saber que, depois do fim da minha vida, uma parte de mim irá permanecer viva.
Diogo Carvalho, 19 anos, Odivelas

De volta ao (re)começo
Depois do fim,
O que resta?
A casa vazia,
A louça na pia,
A hora tardia,
É quase tudo que resta...

O cheiro impregnado
O livro encontrado
As dedicatórias
Cartões, miudezas
Tão parte da história
Tão tudo que resta...

Comidas, lugares,
Lembranças constantes
Por onde se passa
Em todo instante
Materialidades
Singularidades
Achados no armário
Vazios tão completos
De falta repleto
São necessidades...

Depois do fim
São restos que restam
E resta por fim

Um (só) recomeçar...
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

E Com Tudo o Vento Chegou 
Depois do fim, vem o final. 
E no final de contas porque é que acabou? 
Afinal o final não é mais que o fim do que começou. 
Pudéssemos nós começar sequer. 
Veio o vento que tudo levou, 
menos o fim, que chegou com o vento.

Se no fim do Inverno vêm as flores,
talvez no fim de nós cheguem, enfim, os amores. 
Depois do fim, vem o final.
Para quando chega o vento?
Pudéssemos nós começar sequer.
Gonçalo Gil, 18 anos, Lisboa

 no fim ele aparece
Depois do fim da infância 
Ao entrar na adolescência
Surgiu-me uma pergunta
Que ainda hoje me atormenta

Amor, onde está?

Li romances e poemas
Em busca de um padrão 
Vi filmes e série na televisão
Conversei com conhecidas
Troquei experiências de vidas
E cheguei à conclusão
Que o amor é como o firmamento
Não se encontra um elemento
Encontra-se uma vastidão
E só quando se olha ao longe
Se reconhece a existência
Se sente a sua presença.
Márcia Gomes, 36 anos, Vila Nova de Famalicão

Depois do fim, a vida possui o amargo sabor a recomeço. Sem saber porquê, para quê, tudo o que conhecemos transforma-se, e se somos tela em branco ou pintada a sangue não importa. Depois do fim, a ânsia de encontrar o que perdemos de nós, o que perdemos em nós, o que resta de nós. E, no fim, cacos, vidros, lágrimas e sorrisos. Fingimentos! E gritámos, e sofremos e queremos que depois do fim não exista fim.
Ana Sofia Cruz, 17 anos, Porto

RECOMEÇO
Depois do fim…
Seguimos sem dar nas vistas
Duas rotas bem opostas
Anteriormente previstas!

Cabisbaixos por demais,
Numa análise detalhada,
A revolta e o carinho,
Numa carga amargurada…

Vieram-nos à cabeça
Aquelas recordações,
Umas boas, outras más
O peso dos arranhões!
……………………………
Mas, devagar, devagarinho
Regressamos à partida…
Com ternura e tropeções
Estava ali a nossa vida!

E, olhando bem de frente,
Dissemos “cara na cara”:
É mais forte o que nos une
Que aquilo que nos separa”.
Maria do Céu Ferreira, 59 anos, Amarante

Depois do fim, renascia. Fugira da guerra, agarrada à vida. Diante da guerra a vida eleva-se. Nada se assume com tamanha grandeza. Perde-se o nosso mundo, o aconchego dos dias feito ao nosso jeito. Perdem-se as ruas, os amigos, o odor da chuva batendo na terra. Acredita-se que outro sol irá brilhar, outro marulhar virá. E, não querendo perder tudo, amarramos na lembrança o que se extinguiu. Para que o renascer se faça presente, depois do fim.
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Depois do fim ficam as memórias. Ainda aqui estás mas já nem dás por isso. Doloroso este fim que não encaixa na história da tua vida, mas que iremos percorrer juntos. Assim como nas milhares de vezes que me deste a mão nunca me ocorreu que um dia me caberia a missão de te conduzir. Tarefa árdua de dimensão titânica estar à altura do que fizeste por mim. E por certo, nem perto chegarei antes do fim.
Luís Miguel Reis, 43 anos, Cascais

Depois do fim da primeira história, a criança pede-me, sempre, outra e eu digo-lhe: “Só mais uma!”. Desta vez, ela adormece a meio da narrativa. Então, tapo-a até aos ombros, apago a luz e saio do quarto, em bicos de pés.
Logo pela manhã, depois de uma noitada bem dormida, a cachopa acorda, dá-me dois beijinhos. Volta para o quarto e vê os seus desenhos animados preferidos, com tranquilidade e sem preocupações. Como é bom ser criança!
Catarina Moreira, 13 anos, Arrifana, Santa Maria da Feira, prof Ana Paula Oliveira


Depois do fim,
Foi para longe, mudou para um lugar 
onde ninguém a conhecia, onde pudesse curar as feridas,
que teimavam em sangrar.
Onde ninguém lhe fazia perguntas difíceis,
as quais ela não saberia responder.
Agora só queria viver a vida que sempre sonhou.
Ela, afinal, nunca sonhou muito alto,
não exigia muito da vida, queria apenas vivê-la.
Acreditava numa cabana, mas não no amor… E prometeu ao coração
nuca mais o ocupar, para ninguém o magoar.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Depois do fim
Depois do fim, tudo ficará ligado – céu e terra. O que se seguir, estará no domínio do imprevisível. O que tenha acontecido na vida, já aconteceu. Os homens bons já não se encontrarão pelas ruas e as suas almas irão subir, em mil partículas, transparentes e leves, porque estavam reservadas aos céus. Um anjo descerá e os virá consolar, àqueles que já andaram pela vida labutando, amando, padecendo e que têm um sabor amargo de saudade na boca.
Isabel Sousa, 64 anos, Lisboa.

Depois do fim de uma antiga história de amor, plena de sentimentos recalcados, começou uma outra que de triste nada possui.
Esta nova história pouco tem, mas detém o principal... tu existes dentro dela; és essencial para colorir dias de penumbra, para despertar melodias em ambientes insonoros e conceder inspiração ao espírito quando está em fase de austeridade criativa.
O meu amor por ti dá asas à minha imaginação; és tu que conduzes a minha caneta. Obrigado!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Depois do fim, ainda te encontro.
Adocicaste e criaste a minha inspiração.
Mudaste a cor dos dias - eram sonhos rosados, nuvens alaranjadas - momentos de
infinito. Iluminaste-os de noite, regaste-os de dia.
A tua voz melodiosa harmonizou-se com o meu sentir, vibrando em uníssono.
Ainda me desencontro, na reprovação humilhante, dum desabafo. 
Ainda te sinto, no amparo da redenção - onde as minhas fragilidades foram ouvidas e
confortadas.
Às vezes, esta doçura ainda permanece, por isso ainda te encontro.
Ana Beatriz, 39 anos, Lisboa

Depois do fim, ainda te encontro.
Adocicaste e criaste a minha inspiração.
Mudaste a cor dos dias - eram sonhos rosados, nuvens alaranjadas - momentos de infinito. Iluminaste-os de noite, regaste-os de dia.
A tua voz melodiosa harmonizou-se com o meu sentir, vibrando em uníssono.
Ainda me desencontro, na reprovação humilhante, dum desabafo. 
Ainda te sinto, no amparo da redenção - onde as minhas fragilidades foram ouvidas e confortadas.
Às vezes, esta doçura ainda permanece, por isso ainda te encontro.
Ana Beatriz, 39 anos, Lisboa


Depois do fim
quase nada ficou além de vazio
um coração cheio de lembranças
e uma saudade infinita.

Do que foi e já não é
e do que poderia ter sido
não fosse a vida calejada
de azáfama e labuta
 tolhida de incumbências
e furtando a audácia
de uma vida plena e realizada…

De que vale afinal
tanto frenesim infernal
na conquista de um lugar ao sol
que acaba por não nascer
se depois vem o fim?
Paula Gomes, 43 anos, de Porto de Mós


Depois do fim dos meus dias escolares, senti um alívio e uma tristeza ao mesmo tempo. Alívio pois começou uma fase nova da minha vida que é ir para a universidade, mas tristeza pois deixo para trás amigos. Depois do fim desta, passo por outra mudança. Começa a vida adulta e isso traz outros desafios: casar, encontrar emprego...
Depois do fim da vida ativa, como idoso, reflicto sobre a vida, apercebo-me das constantes mudanças que esta teve.
IM, 16 anos, Seixal

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