20/05/14

EXEMPLOS - desafio nº 66

Ela olhava para a folhinha.
O tempo passara depressa demais, voara!
Supersticiosa, que nunca estacionava de frente à carros cuja placa final 66, estava para completar tal número de anos.
Como faria? E toda sua família, nas festinhas colocava as famosas velinhas com os números indicadores.
Chega o dia, todos jantam felizes.
Hora do bolo.
Eis que ela surge carregando-o com as velinhas viradas. Nem se importava de mostrar 99.
Todos diriam o quanto ela estava bem!
Chica, 65 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

subi 66 degraus. quando desci eram 99. virei-me do avesso e virei do avesso a minha realidade. voltei a subir agora de 6 em 6 e a descer de 9 em 9, tudo igual. percebi depois que a redonda terra me confundia os hemisférios. já meia tonta dei meia volta sobre a volta e meia que fiz de mim e sorri de tonturas e vertigens. aceitei. sofrer de tonturas já sofro. juntei tudo e fiz dois oitos!
Catarina Romão Gonçalves, 41 anos, Lisboa

Deitou-se ensonado com a pressão do preconceito, qual diabo procurando a pureza dos céus. Queria dormir o sessenta e seis e repousar as costas largas das maleitas. Inverteu-se nos sonhos e encontrou um mundo de pernas para o ar, no qual havia noventa e nove razões para não acordar. As nove dezenas adoravam as novas unidades. Viviam juntas, pois eram as derradeiras na composição dos dois algarismos... Despertado pelos sete anões, pediu o desejo da irrevogável hibernação.
Hélder Rodrigues, 35 anos, Vila Nova de Gaia


66 é igual a 99
66 vezes contei e recontei
confirmando valor recebido
sei que exagerei
valor não era tão comprido
É que sempre fui desconfiada
dessa pessoa em questão
entre muitos era discutida
sua falta de atenção

O valor da prestação
de minha máquina de lavar
era 99 reais, pagamento exato, que aflição
melhor conferir antes de na loja chegar
Pra completar meu dia
nas "Lojas 99" cheguei
66 pessoas na minha frente, que alegria
66 vezes, de novo, 99 recontei
Majoli Oliveira, 53 anos, Caçapava, São Paulo, Brasil

Inversões
Os 2 amigos dobravam-se sobre si próprios com as mãos amparando-lhes os ventres.
– Ainda me saltam as vísceras com tantas gargalhadas: mais do que 66! – dizia o Rui numa linguagem que o riso abafava.
A brincadeira durava há 3 semanas. Resultava sempre. O Manuel, mais franzino, trepava para cima do muro. Num golpe circense encavalitava-se no Rui. Caminhavam, tipo gigantones, até à porta da Silvina e… invertiam os algarismos de metal: deixando o 99 num equilíbrio periclitante.
Maria José Castro, 54 anos, Azeitão

– 66, não dá para seres 99.
– Mas é claro que dá. 

– Não acredito! Repara. 6 e 6 dá 66. Nove fora nove... Ah! 9 e 9 é 99. Será isso? Sim, porque se fossem 18 seriam 9+9.
 66 é 6 e 6... E 9 e 9 é 99. 66, estás a ver, eu bem te disse. Não dá!

– Então faz lá o pino. E agora? Que número sou?

– 66, tu és... És 99!

– Estás a ver...
Pedro Jardim, 37 anos, Sintra

A importância de um tracinho
Essa história dava comigo em doida, quando jogava ao loto improvisado. Ter de colocar uns tracinhos por baixo para se distinguirem os números era uma boa estratégia. Mas lá havia uns espertinhos que não assinalavam nenhum dos blocos. O primeiro número que saía passava a 66 ou a 99, consoante a conveniência. O número marcado, diziam eles, era sempre o que permanecia no saco. E a marosca só se descobria quando mais um bloco não sinalizado aparecia...
Elsa Rodrigues, 41 anos, Lisboa

– Olá 66!
– Olá 99!
– Porquê é que estás ao contrário?
– Para ser diferente dos outros todos. Sabes como é, sou do contra!
– Gostava de perceber essa tua cabeça, tens sempre umas ideias viradas do avesso.
– Sou original, o que me torna único. Não te cansas de ser como os outros?
– Só sou como os outros aparentemente, mas cá dentro sou como tu, rebelde.
– Então mostra o que és, surpreende-me!
– Zás! Que tal te pareço? Sou o 00.
Isabel Pinela, 41 anos, Amadora

Apanhado
A irmã, sem cerimónias, enfiara-lhe a mão no bolso do casaco e, agora, exibia os malditos números 66 e 99.
– Juro que não sei como isso veio aqui parar. Desculpas, já as arranjara melhor. Estava perdendo qualidades. Sentia a face queimar como no inferno, e suava em bica debaixo da camisola, ao mesmo tempo que contemplava a prova do seu delito. Pior do que fazer batota, é ser-se apanhado.
Mais uns minutos, e teria conseguido fazer bingo.
Quita Miguel, 54 anos, Cascais

Coisas da Matemática
Dia de queima das fitas.
– Olá, como te chamas?
– Luísa Xénia Vasconcelos Infante. Pelas cores das fitas, somos do mesmo curso.
– Assim parece. Apresento-me, sou Xavier Carlos Igreja Ximenes.
Luísa solta uma gargalhada.
– Desculpa, Xavier, não pude evitar, repara nas primeiras letras do meu nome LXVI66 em numeração romana, e o teu XCIX99.
Sorriem um para o outro e saem a correr de mãos dadas rumo ao futuro, quem sabe, um lindo futuro a 2.
Isabel Branco, 53 anos, Charneca de Caparica

Os TPC
Rita, quando chegou a casa, encontrou os avós maternos, sorridentes para a receber.
Foi uma surpresa para ela, amava os avós...!
Mais tarde, já cansada e com sono, lembrou-se que não tinha feito os TPC... Ainda por cima tinha que escrever os números até 100... e agora?! A muito custo começa a escrever, chegou ao 66 adormece. Quando acorda, olha para o caderno e continua a escrever os números, e no 99, chega a mãe... Vamos Rita!
Prazeres Sousa, 51 anos, Lisboa

Inesperado Reencontro
– Mizé!! Oh, Olga... Não acredito! O átrio do Hotel àquela hora concorrido e formigando, susteve o rumor, tal a efusão do reencontro das duas amigas. O tempo que as transcendeu – trinta e três anos – não lhes apagou a amizade nem as feições. Recordações da escola, agora evocadas num hotel de férias.
Conversa feita, estavam afinal no mesmo andar.
O destino a uni-las, coincidentemente o número trinta e três a separá-las: Mizé no quarto 66, Olga no 99.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 69 anos, Lisboa

99
Bastaram 66 segundos para me apaixonar por ti. Fulminado pela tua presença, um turbilhão de sensações levaram-me para longe. Consegui levar-te comigo. Os tempos que dedicamos um ao outro realizaram-me plenamente. No entanto tudo se resume num número, 99, estes foram os meses da nossa relação. Colecionei-os todos na minha memória. É tudo o que me resta, já não te tenho a meu lado, eras a melhor parte da nossa relação. Um vazio tomou o teu lugar. 
Paulo Renato, 38 anos Maia

 
Exactamente, 66 anos!
Fui almoçar ao restaurante, encontrei um amigo que por acaso faz anos no mesmo dia.
Fiquei satisfeita pela oportunidade de comemorarmos juntos.
Todos os familiares eram amigos comuns.
Surpresa. Haviam mandado fazer um enorme bolo, com velas e tudo.
Mas foi uma grande confusão!
Punha-me dum lado, 99, ia para o outro, 99. O meu amigo fazia 99 anos e cada vez que me virava, via as velas de pantanas! 
Foi mesmo uma festa...
Rosélia Palminha, 66 anos, Pinhal Novo

Reinava a confusão no mundo dos números. Era o desafio 66, mas ninguém o encontrava. Algum invejoso resolvera estragar o desafio das 77 palavras...
Chamaram o 112, número respeitado que só convocavam nas urgências! Este reuniu todos os números. Um a um foram interrogados. Até que chegou ao 99... Atrapalhado acabou por confessar: Tinham-se apaixonado. Viviam juntos e tinham resolvido dividir tarefas. Assim iam alternando entre o 66 e o 99.. E o desafio acabou em boda!!!!
Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa

As velas de aniversário não tinham ponta de pavio para se poderem acender. Pudera, a avó Celeste tinha-as virado ao contrário. O ar maroto desmascarou-a. Filhos e netos, fingindo-se indignados, reclamaram:
– Já tem idade para ter juízo!
– Por isso mesmo, se não me ponho a pau, fico uma velha de cem anos. Falta um número aos 99, mas enquanto der, vou enganando as dores dos ossos...
Todos aplaudem e felicitam a avó Celeste pelas suas 66 primaveras!
Regina Graça, 50 anos, Coimbra

No bilhete de identidade foi carimbado pelos nazis, em letras grandes, JUDIA. A partir de então tudo mudou. "Verboten fur juden" – não tinha nenhuma liberdade.
Num dia, o comboio da morte levou-a junto com muitos outros para Auschwitz. Ali foi tatuado no seu antebraço KZA 66.99
Dos vinte cinco mil judeus belgas transportados para Auschitz apenas mil e trezentos sobreviveram a este flagelo.
Não o deixemos acontecer de novo, esta é sua a mensagem para a humanidade.
Theo De bakkere, 61 anos, Antuérpia, Bélgica

66 versus 99
Para escrever setenta e sete palavras há 66 formas diferentes de pensar e 99 textos possíveis para o dizer. Vou deixar apenas um. É um desafio apaixonante, é como amar à distância e parecer próximo. Entranha-se na pele, adormece connosco e acordamos com ele. Ajuda-nos quando estamos tristes e acompanha a solidão das noites difíceis, celebrando juntos as conquistas e as vitórias. São palavras onde entram os algarismos, são a vida do blogue numa capicua de emoções.
Alda Gonçalves, 46 anos, Porto

Carlitos, o imparável
– Carlitos, toma atenção – chama Aurora. – Olha que digo à mãe!
– Oh, pá, não sejas chata.
– Ainda por cima. Estou a ajudar-te e... Não adianta. Olha, resolve mas é o problema: No pomar há 66 macieiras e... – lia Aurora, mas Carlitos já sonhava.
Vai Néné, passa para Ronaldo que lança para Carlitos, grande finta! Carlitos está imparável. Remata. Goloooo! Incrível! É o 99º golo de Carlitos. Nunca se viu nada assim, a multidão está ao rubro grita por...
– CARLITOS! ACORDA!
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

A reunião
O 99, número de idade considerável, escutava pacientemente as divagações do 66 que parecia atravessar uma crise de meia idade.
– Temos de fazer greve! – gritava 66. – Não nos respeitam, só jogos. Matemática nada!
– Acalma-te, uma greve nada resolve. Tudo começa no berço...
– Tu e as tuas ideologias. Estou farto! Greve. É o que precisamos.
– E as crianças que querem aprender?
– Poucas, bem poucas. Não se justifica tanto trabalho.
– Poucas ou não merecem o esforço, não te parece?
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Uma boa ideia
O 66 e o 99 são ambos múltiplos de 33.
Agora, cumprido o desafio, que fazer com as 55 palavras que faltam?
Talvez fale do Amor. Não me parece. Afinal só faltam 44.
Talvez fale da beleza do Sol, da magia do Luar, da solidão da Noite, do renascer que há em cada nova Madrugada.
Lá se foram mais 22. Eu sem me decidir.
É melhor começar. Vou respirar fundo. Ajuda sempre.
Finalmente uma boa ideia: Ontem…
Nuno Longle, 40 anos, Odivelas

Olhar tudo sob diferentes perspectivas. “Pensar fora da caixa” Todos o dizem, quase ninguém o faz! Ou melhor, deixaram de o fazer porque se perde este hábito na proporção inversa com que se envelhece.
Para uma criança 99 pode ser 66 e vice-versa, um 5 pode ser um S, um leão ou um dragão, um amigo. Aos olhos dos pequenos génios o impossível é possível.
Acreditem, mentes brilhantes foram aquelas que jamais esqueceram a fertilidade da imaginação.
Vera Viegas, 30 anos, Lisboa/Penela da Beira

Aulas no Parque
– Bom Dia, meninos!
Está um dia tão bonito, cheio de sol. Vamos fugir da rotina, sair da escola e ter aulas no Parque – informou a professora Alice.
– Gostamos, professora!
– Chapéus na cabeça! Vamos fazer um piquenique no Parque.
Chegados ao parque o João e a Natália encontraram um carreiro de formigas. O João contou 66, a Natália 99.
A aula teve início com todos os alunos a contarem até 100 para descobrirem qual dos colegas tinha razão.
Cristina Lameiras, 48 anos, Casal Cambra

Nenhum se sentia bem consigo mesmo! Estavam oficialmente separados. O 66 e o 99 rachados a meio... Dois 6 e dois 9 à deriva.
Mas... Tudo ficou bem mais leve!
A atracção pelo oposto surgiu! Os 6 e os 9 apaixonaram-se, percebendo o segredo do universo... Num abraço imenso encontraram-se! Yan e Ying.
Uma noite, estava o céu estrelado e os casais empolgados deitaram-se! Quando deram por si, desenharam um 8 horizontal. Fizeram do amor, o infinito!
Pedro Sobreda, 45 anos, Sintra

Crime por engano
Foi um crime por engano!
O investigador Moreira matou a charada ao perceber que haviam dois quartos com números iguais: 66.
O número 99 estava com parafuso solto e transformou-se em 66 também.
Foi assim que a esposa traidora foi assassinada, mas igualmente uma pobre secretária em férias que nada tinha a ver com a história.
Ao ver que havia matado a pessoa errada, o marido não vacilou em cometer novo delito indo ao quarto 99. Triste!
Anne Lieri, 53 anos, São Paulo, Brasil

Números
Maria detesta números. Não entende a sua linguagem; resolveram mandá-la analisar uns papéis de contabilidade em que, em dois parâmetros, os resultados seriam 66 e 99.
Desesperada. Olhava e olhava os documentos, não detectava erros, nem conseguia deturpá-los de modo a forjar 66, 99.
No percurso para o trabalho, doía-lhe o coração. Chegando, a ansiedade imensa; nem ansiolíticos faziam efeito.
Desabafou com uma colega. Resolveu-lhe, de imediato o problema. Como não pensara mais cedo em pedir ajuda?!
Isabel Pinto, 47 anos, Setúbal

66 – dois algarismos combinados
em adição açucarados
transformam os turnos em diurnos ou nocturnos (12 horas);
66 – de pernas para o ar
todas as estações do ano
conseguem metamorfosear (12 meses)
99 – de pés assentes na Terra
são nascituros gémeos da Vida Humana
após 9 meses e mais 9 de gestação
surge a criança do embrião
8 + 1 é a inversão
da maioridade em acção!
E eis o resultado final
Ano 1992:
A Nova Desordem Mundial
Ana Mafalda, 44 anos, Lisboa

Beijos interditos II
Em fragilidade, pediu colo ao amigo. Aninhou-se no seu corpo. Festas de carinho, no rosto, demoradas no tempo, 66?!
Anoiteceu. Deitaram-se. Mãos dadas, corpos afastados; distância imposta.
Conversaram longas horas. Diálogo de descoberta; afectos; intercalado por beijos: rosto; mãos.
Os corpos teimavam na insónia. Tanto para dizer; sentir.
Madrugada: um beijo resvala para os lábios dela. Beijaram-se, "só", 69 vezes, num afecto indizível, interdito - seres perdidos (?!) em emoções indecifráveis.
Sabem do fim anunciado, sempre adiado. Até quando?
Isabel Pinto, 47 anos, Setúbal

33 Rita! Em Alice parecia que os anos não pesavam, a matriarca mantinha aquele azul  lúcido no olhar. Margarida pegava no colo o seu mais recente neto e experimentava uma vespertina maternidade que julgava devorada pelo tempo. Rita contagiava-se de afetos e parecia ainda mais bonita do que era na realidade.
Há alguns meses, Margarida tinha festejado mais 33, 66 aniversários, uma semana atrás Alice, de um sopro, tinha apagado mais 33 velas, 99 anos de luz.
Constantino Mendes Alves, 56 anos, Leiria

Idade é probabilidade
Se “o tempo é relativo e não pode ser medido exactamente do mesmo modo e em toda a parte”, para que serve a idade? 36, 66, 99 anos, o que nos dizem? Estatística do corpo físico. De resto, há quem cresça e morra com os mesmos dogmas, são os que pararam no tempo. Há quem rejuvenesça de felicidade com o passar da idade. Há quem se sinta morrer diariamente, mesmo ainda tendo uma vida inteira pela frente!
Márcia Gomes, 36 anos, Vila Nova de Famalicão

Peculiaridades da vida
Se fosse pautar a vida em números eles seriam no mínimo uma intrigante, digamos coincidência. Formou-se aos 22, após longos anos de namoro casou-se aos 33. Voltas da vida e aos 44 estava separada, com um filho de11 (engravidara um ano antes de casar). Aos 55 foi avó dos gêmeos que nasceram em um dia 22.  Exatamente aos 66 conheceu aquele que ficaria com ela 20 anos quando partiu, dormindo. E pensar que quase chegou aos 99...
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Era a consulta onde o diagnóstico definitivo iria ser revelado. Gosto de capicuas. De senha na mão, senti-me transportado para um qualquer talho. Utente 66 – grita uma voz rouca. Diante dela era apenas mais um indivíduo.
– Sim, confirma-se o pior diagnóstico. Sr. Bernardino, vamos avançar já para a cirurgia!
– Adalberto, chamo-me…
Irritada, a médica pede-lhe a senha de chegada.
– O seu é o 99.
– Sabe, talvez não houvesse engano se fôssemos pessoas com nome… e não números.
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Naquela tarde, jogavam às cartas como em todas as outras.
O motivo da conversa era o número da porta do Januário.
Todos achavam esquisito. Nunca sabiam se era 66 ou 99.
Várias vezes lhe perguntaram a razão, e a resposta
era sempre a mesma:
– Depende.
Estavam nesta conversa, quando o Januário chega.
E claro, a mesma pergunta.
– Depende de quê? – perguntaram em uníssono.
– Do dia do cobrador de impostos.
Mas o número da minha porta é 69.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Gémeas
Eram gémeas verdadeiras,
Meninas belas, iguais
E num colégio de freiras
Gozavam com as demais!

Uma era sessenta e seis,
E outra noventa e nove,
Iguaizinhas, tão fieis,
Só variavam de nome!

Tão cúmplices, leais, unidas,
E brilhantes na harmonia
Que ao vencerem as corridas,
A que ganhava perdia!                      

Entusiasmadas num jogo,
Tinham prazer em rodar,
Dava-lhes enorme gozo
Pôr os outros a pensar!

Coitados dos professores,
Não havia paciência!...
Como atribuir valores?...
– Muito rigor na ciência!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Baile de finalistas
No baile de finalistas, as raparigas tiravam papelinhos numerados dum pote, os rapazes doutro. Formavam pares aqueles a quem saíssem os mesmos números.
Maricéu, minha paixão secreta, tirou o 66.
Olhei o meu:
“99… azar!”, lamentei-me.
E atirei o papelinho que, esvoaçando ao vento, colou-se no gelado dum petiz. Ri-me desta casual malvadez e olhei de soslaio. Tive um sobressalto! Afinal, agora, reparando bem, era mesmo o 66.
Roubei o gelado e, eufórico, fui reclamar meu par!
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

A Belinha está deitada na sua cama a ler "Os Maias", tendo que interromper abruptamente na página 99.
A mãe pediu-lhe para ir à florista encomendar um ramo de 66 rosas vermelhas, representando todos os funcionários, para oferecer à directora do hospital onde trabalha ― hoje é o aniversário da instituição.
A directora é uma pessoa exemplar e uma profissional muito competente, capaz de motivar e unir a equipa, sendo extremamente carinhosa com os utentes... todos a adoram!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

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