20/11/14

EXEMPLOS - desafio nº 78

Bolo no forno, aroma no ar.
Vinho a gelar. Fogo na lareira.
Logo o relógio badalaria.
Banho de banheira longo.
Modelo bem belo, o melhor que havia ali no armário.
Olhava ao redor!
Maria Helena o aguardava. Queria o melhor!
Era a vez. Não duvidaria em viver o que de belo dali viria.
Ele enfim vem. Bebevinho, engole qual animal o bolo, envolve-a.
Imaginando liberdade, joga a vergonha longe e “nana” ali.
Ronqueja qual animal feroz.
Chica, 65 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Na aldeia onde morava e vira a luz do dia, o velho relógio da igreja badalejava que a manhã abeirara.
A aurora deixava adivinhar um dia bem agradável!
Abriu a janela e olhou em redor. A luz inundara a varanda e a flor da amendoeira afagou-lhe o olhar! Lá em baixo o rio, rodeado de grama, banhava a lezíria! Um barquinho à vela navegava devagar!
Olhou de novo e aferrolhou a janela! Lá fora, o dia aguardava-a! 
Emília Simões, 63 anos, Mem-Martins (Algueirão)

Não dá! Vou dizer uma vogal, anexo-a a uma qualquer, não é uma narração nem falha, é um barulho mordaz que não me deixa andar leve. Na verdade falo um barulho ou digo um ruído que é igual à razão do nada. O barulho mudo que me deixa a imaginação anulada. O ruído aflige a junção de uma vogal no meu miolo. A minha reflexão agonia-me quando não ouço o barulho da vogal, afinal ela é nula.
Isabel Pinela Fortunato, 41 anos, Amadora

Amigo é mola do meu viver.
Me movo a doar-me a ele. 
Ânimo e união urgem. 
Zelo é um veio. 
Amor é fogo que arde no âmago do amigo. 
Zombar e difamar não faz bem. 
Dar valia ao que ele fala. 
Não deixá-lo embaixo do fardo dele. 
Lhe dar alegria na alma lhe ajuda.
É feliz no elo inoxidável. 
O amigo fiel é um refrigério ao irmão. 
Quem defende o amigo faz um gol: 
Bola na rede!
Rosélia Bezerra, 60 anos, Rio de Janeiro, Brasil

​O meu menino!
Queria falar daquele dia em que o vi.
Era um menino, afaguei e beijei aquele filho, que na minha barriga vingou.
A alegria era enorme, maior do que alguma vez imaginei.
Quero velar e vigiar aquele menino.
Quero legar nele o melhor que no mundo há.
De menino a homem irá mudar e nada me fará deixar algum dia de o amar.
O meu amor é grande e quero bradar, que não há nenhum igual ao meu.
Sissi, 39 anos, Vila Real

Liberdade e alegria 
Um dia de inverno, madrugou. Queria, já não dormia. Que fazer a rolar de lado a lado na enxerga? Olhar o vazio negro? De roldão, jogou o edredom ao fundo, fugiu do ninho e lavou o nariz, e a alma, à malandra; enfiou a malha fofinha e alva e o algodão azul. Meia negra a guardar do frio. Anoraque enfiado e faixa vermelha, a envolver. Já na rua, o aroma da erva húmida inebria-a. Liberdade e alegria.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra

A flor abriu. Amélia, alegre, via o dia. Deambulando na rua, ganhava em alegria. A velha má memória finava.
– Uma nuvem não faz o inverno! Quem melhor do que eu faz mudar a minha dor?
Manejava de novo a vida.
Agora ela envergava o vigor e a firmeza de uma árvore, a leveza da bela lua brilhava na negrura do dia. Do que foi dor agora nada havia.
– Não há final de mim, há um enorme amanhã.
Constantino Mendes Alves, 56 anos, Coimbra

Sobre afetos
Vá lá.

Falar de afago.
Afagar...
Há algo melhor? Há?, e não me falaram?
Afagar é verbo de enlevo. Agrado que embala.
Beijar olhando no olho, olhar no fundo do olhar.
Afagar: envolvendo, unir,
Afago: fazer alma inflamar.

A mão de leve oferecer...

No murmúrio dizer:
– Há em mim enorme bem-querer,
Que quer o bem.
Um ânimo de fazer feliz.
Dizendo palavra doce e verdadeira que vem do fundo,
Da alma,

Afagar é uma forma de amar...
Roseane Ferreira, Macapá, Estado de Amapá, Brasil

Tudo acaba assim 
Foi num dia frio de Inverno. A nevealva,iluminada pela lua que fazia reflexo,envolvia numa realidade genuína, um mundo imaginário de rara beleza. 
A família longe da aldeia,à lareira,lembrava a velha lenda:
"Aquelavelhinha que andavaà lenha no vazio do nada que era a vida. 
Além da neve, ela, o marido... E um grande amor. 
A velhinha gelou ouvindo o badalar dum relógio, a balada da neve "...
Foi num dia frio de Inverno.
Rosélia Palminha, 66 anos, Pinhal Novo

Fraude diz ela!
Viajar na luz, ver o azul do dia, o brilho que emana do luxo, na rima: riqueza dá beleza.
Adorno vulgar da prole, que a árvore gera em magna vida. Favorável e de favor, longa é a fila que gere.
Um dia, na malha da lei, o furor afundou. Nem lua, nem luar no morno guindar da ilharga. Largar o avião e aguardar no inferno, a moral do reino. É alvorada e frio lá fora. Que mau!
Alda Gonçalves, 47 anos, Porto

Ao folhear o velho álbum, eu vira alguém que o nome ignoro.
Reagi admirado:
– Ó mãe, quem é?
– Ora, é um afim da avó.
George, ao lado dele Maria.
Um amor malfadado.
Maria morreu duma doença irremediável.
George reduzido a um grande vazio negro, enviou o álbum à família no dia que morreu, revólver na mão.
Aqui a vinda da mágoa que George deixou ao fim da vida.
Oh, querida Maria, uma vida vazia, não quero viver.
Theo De Bakkere, 61 anos, Antuérpia, Bélgica

Não digo? Ai digo, digo! E brado ao mundo em grande alarido!
Digo que me induzi em erro, digo que me lixei, me arruinei, me modifiquei. Deixei o meu eu fugir. Razão? Adorei-o, qual anjo azul. Guardei-o no fundo de mim. Fiz-me menina, fiz-me mulher, fiz-me diva, fiz-me fada. E ele faz-me aquela borrada?
Não digo? Ai digo, digo! A vida é lixada!!!
E digo ainda: fim da união. Folha virada, novela finalizada!
Agora, fiz-me bruxa. Vou.
Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira

Relembro, ao lado dele, a liberdade do meu dia-a-dia.
Relembro o amor, a enorme amizade, que a ele me unia.
Relembro a luz daquele olhar, que me iluminava a alma de alegria.
Relembro a mão firme que me afagava o
medo quando dormia.
Ligada a ele, dei valor e mudei o rumo da minha vida.
Ligada a ele, fiz-me Mulher, num milagre de habilidade e magia.
É um orgulho dizer que fui filha daquele Homem um dia...
Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa

Ele veio, devagar, ao luar…
A melodia no vigor do olhar vinha invadida de uma química inegável… Ela não iria ignorar, no fundo do eu….
Ele veio, olhou-a, admirou-a, venerou-a, não a largou!
Queria e adorava vê-la ferver, inundada de ardor, afagando e ameigando…
Afinal, quem iria barrar o fulgor!? Ninguém!!!
Havia que exibir ao mundo um fervilhar de bem-querer.
A voz iria brilhar e mirar a razão admirável e nobre do amor…
Agora e no infindo amanhã!!!
Cristina Carvalho, 45 anos, S. João da Madeira

O lago
O vale dava guarida a mil e um animais, no meio havia um grande lago. Raro era o dia que não havia um novo morador.
Em Novembro veio um Koala, velho, meio aéreo, figura miúda. Dia a dia olhava o lago, embasbacado. Não guardava memória de algum igual a ele. Um dia, munido de giz e folha na mão, fez um lindo quadro. Juro que não vi nada igual, nem o lago de rara beleza o igualava.
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Regresso
Era uma vez um rei, uma fada e uma bruxa má.
Havia uma menina e um dragão horrível!
– Que medo, Vovó! E no fim? Diz-me, diz-me.
E ela dizia, dizia…
Eu dormia embalada na voz da avó, a minha Fada boa.

Hoje a avó é velhinha. Vive longe da realidade, num mundo imaginário.
Agora é a minha vez: Era uma vez um rei, uma fada boa…
Já o olhar ganha novo brilho.
– E no fim? Diz-me, diz-me.
Palmira Martins, 58 anos, Vila Nova de Gaia

Baile
Velho ou jovem, homem ou mulher, não há quem fique longe do baile.
Exibindo alguma joia ou adorno de baixo valor, a vila bamboleia, namorando ao murmúrio da banda. É que o verdadeiro amor é vivido, ouvindo o que de melhor é idealizado.
O bombo invade o ar, ao lado do adufe e da viola.
A braguinha embala um duo, que baila em harmonia, deixando de fora qualquer amargura que lhe afogue a alma. É o amor!
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Quero falar, não falo! Ainda que queira dizer algo, nada digo.
Vou lembrar-me! De quê... o que dizer?!
Um breve olhar, envolve a vida... abrange uma nova medida.
Energia adquirida... feroz, vai diluindo a qualidade.
Mundo que mexe na dor humana, um a um... invadindo a liberdade de viver.
Rendida à dor, vai naufragando num mar longínquo... onde não há fim.
Alegria de viver faz vibrar. A magia do amor... reage e ganha!
Manobra bombardeada em dor.
Prazeres Sousa, 51 anos, Lisboa

Loenda
Que maravilha quando a Lua dá luar!
Que fulgor lembra a onda ao germinar!
Que alva nuvem não arma hábil leveza?
Que rubra lava não é afervorada beleza?
E aquela amendoeira de renda de enxoval?!
E aquele limoeiro ornado de verde real?!
Há que bendizer o grado dia alumiado.
Há que louvar o fúlgido alor dourado.
A bondade de mãe de mão fagueira.
A bonina de abelha na flor ligeira.
Adágio, ou rifão
Nada aflui em vão!
Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Madrugada e Alvorada
Uma luz na madrugada
E na alva bela alvorada
Veio aliviar minha mágoa.
Do orvalho bebo água
E quando a flor é regada
Exala um aroma agradável
Que embriaga minha alma
Leio um livro num vaivém
E digo que amo o meu bem
À madrugada quero bem
A alvorada olha-me diz- me
Que é ainda uma menina
E que é minha amiga
E no xaile me abriga
Obrigada digo-lhe eu
Nada lhe dou, afinal nada é meu.
Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos Lisboa

Quero amá-lo, não há dúvida.
Amizade que virou amor.
Um amor jovem, rebelde e nada maduro.
Amor que me faz andar na lua e querer afagar aquela grande nuvem que vejo da minha janela.
Vejo brilho no que não brilha.
A minha alma ganhou uma nova vida, uma nova harmonia, um novo rumo.
A ele, nada lhe falei. Não faz ideia do meu devaneio.
Reagirá bem?!
Um dia, deixo o medo de lado e vou lá dizer-lhe.
Ana Santos, 25 anos, Seixal

Duelo à alma, hoje, fiz:
Lograr que viver não é árduo! 
Migalha que de mim emano e dou.
Quero divulgar a humildade da vida
A quem ainda não viu
Mendigo! Dizem. Não, não fui!
De algibeira fui, de alma não!
Rogo hoje que me ajudem a 
Reavivar aquele que ainda dorme.
A união faz a força!
Quero dar algo maior!
Ao final do dia, no fundo, o que eu quero
É amar o mundo e a vida!
Sara Pereira, 20 anos, Braga

Reviver
Revivo.
Uma alegria efémera,
uma memória feliz,
um dia de alegria inebriante:
o brinquedo querido há um ano, agora ali. Meu.
Uma mágoa: roxa, negra e dorida,
uma borbulha horrível, no nariz deformado;
a gordura invadindo-me a alma,
a voz aguda da menina da vivenda do lado
– a minha barbie é linda, elegante. A menina é feia e balofa.
Uma lágrima foge,
a memória dói.
Fujo.
Não quero relembrar, nem reviver.
Finjo que fui feliz.
Maria José Castro, 54 anos, Azeitão

Helena morava em Almada. Naquela manhã de Domingo, foi andar na rua que havia em redor do jardim da moradia onde morava.
No meio do jardim havia um grande lago. Nele havia um nenúfar em flor e uma rã. Helena deu-lhe uma migalha de bolo, que levava na algibeira.
Quando olhou o relógio viu que devia ir embora. A mãe ia a uma reunião no lar onde a avó Joaquina vivia logo que o avô Jaime morrera. 
São Sebastião, 68 anos, Glória Estremoz

Querido amigo, murmuro eu
de mim a ele!
Faz quando que não o vejo?
Não me lembro! Minha memória, não me deixa, já me falha!
Não o verei eu? 
Irá a vida boa? 
Amigo a minha flui, obrigado!
Amigo, aqui e agora é novidade
É modernidade
Não há meio
Ninguém falha de admirar-me!
Querido amigo, amaria revê-lo de novo
Meu amigo imaginário,
Viverá ele na minha alma,
raiz de origem?
De amigo a um amigo
Um beijo!
Sara Pereira, 20 anos, Braga

Aquele homem não vê
Aquele azul, aquela luz que brilha
Ainda que em breve um novo dia venha
Em ele, nada remexe
nele não há fé na humanidade
Homem que dorme, 
não vê nem quer ver 
Homem, larga o medo!
Ruiu, logo me ergo!
Ruge à dor e voa
O que há é o aqui e o agora
Abraça a roda da vida e vive
deixar ao amanhã o dia de hoje
é dia que já foi!
Sara Pereira, 20 anos, Braga

Anda um beijo a voar 
Olha, falo duma original ideia, meu amor: logo, à hora da novela, vou à janela e dou um beijo no ar. É bom que ninguém me veja, querido. Adoro o enigma!
Ignora quem olhar. Finge olhar a lua ou alguma flor. É bom mandar um beijo na doçura morna daquela hora do fim do dia. Quando o dia é lugar de luz e vigília, o fim dele é ainda melhor quando dá lugar ao verdadeiro amor.
Fernanda Ruaz, 66 anos, Lisboa

A boda
A manhã era o grande dia, a boda da Joaquina. Maria, a irmã, é a madrinha, a mãe anda em grande azafama, bolo, buquê de noiva, a viagem de lua de mel a Veneza...
A avó, ao ver a noiva, dá-lhe um baque e diz que não é adequado na idade dela levar ramo de laranjeira... e já de barriga, que vergonha! Quando ela era nova...
Deixam-na a falar.
Júlio, o noivo, alheio ao arrufo olha-a enamorado.
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Belo, era belo aquele mar… Adorava ninar ouvindo o marulhar. Olhá-lo era banhar a alma lavando-lhe a mágoa que a devorava. O mar que amava aboliu o bem maior que havia ganho da vida: o amado filho, Amadeu. Viver o vazio deixado era difícil. O mar guardava agora o derradeiro gemido de Amadeu. Mergulhar nele era agarrar o resquício deixado. O resquício do filho amado. Belo aquele mar e enorme a dor lembrada… a dor do vazio.
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Joana não duvidava da amiga.
Vivia daquele modo, fiada no que a vida lhe daria,
envolvida, num mundo que ela imaginava.
Um mundo de amor, onde a amizade é leal.
No jardim do mundo dela, havia a flor da harmonia.
Nadava num mar azul, onde um golfinho,
era o amigo imaginário.
Joana, já era mulher madura, vivendo longe da realidade.
Na verdade, vivia o mundo que ela imaginava.
Um mundo em que a humanidade, ainda não exibira.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Um dia qualquer, ao olhar o brilho do luar, irei ver a imagem do homem que amo.
Ao mirar o fundo da água do mar, irei ver o reflexo do meu amor.
Amanhã de manhã, quando vier admirar a beleza do mar, vou levar um búzio, uma vez que quero ouvir nele a voz meiga do rei leal que governa a minha alma e a minha vida.
Irei viajar num navio enorme e levarei o meu herói.
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

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