20/01/15

EXEMPLOS - desafio nº 82

Harmonia e Amor
Olhei Para Ele Com A Maior Seriedade.
Orava. Pensava Em Como Ali Maior Sintonia. 
Onde Podia Estar, Curtir Ao Momento, Sentia. 
Outras Pessoas Estavam Com A Mesma Sensação.
Ouvíamos Piados E Cantos Afinados. Muitos Sons. 
O Pássaro Era Chamado. Atendia Meu Sinal. 
Olhava Para Ele. Contemplava. Ah, Maravilha! Sempre 
Onde Posso Estar Contigo, Amigo Mar. Sinto O Poder Enorme.
Contigo, Atinjo Meu Sonho. O Pequeno Está Chamando A Mim.
Sou Obsequiada Por Estar Com Amor Maior Sentir! 
Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Maldade Obvia
Óbvio, pedir em cada altura mimo suficiente...
Ou poder evocar contando alguns motivos simpáticos;
Os pobres, espirituosos cidadãos arrumam meticulosamente sobras, outros perdem-se em comer aflições! Mesquinha sobrevivência, onde palavras escapam.
Caminhar assim mostra sublimação!
Ouvir, procurar escutar, começa antes, misteriosamente, sabemos.
Olá, pediu ela, começar agora modifica sempre orar, prece escondida, cataloga atropelos, malvadezes seculares. Os piores estudos concluíram algumas missões sagradas...
Ocultam palavras estranhas, complicam adjetivos, misturam sujeitos.
O pedaço escrito, contem algumas maldades subjetivas...
Alda Gonçalves, 47 anos, Porto

Na Prisão
O preso escondeu-se com aflição. Manteve-se silencioso, oculto, preparado e conformado a morrer sozinho.
Ontem, procurava em consciência ambientar-se, mal sabendo onde poder encontrar consolo. Agora, mais sofrido, olhava-se perdido e compreendia: a morte soava opressora.
Poderia enfrentar com altivez, mostrando-se superior, o policial.
Encolheu-se, cobarde. Agasalhou-se, mergulhando sob os panos estraçalhados. Com agonia, maldisse sua obscura pequenez e, com ardor, matou-se.
Sombrios, outros presos entenderam como amenizar maus-tratos. Sem objeção, procuraram, em conjunto, a morte salvadora.
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

O Pedro Era Casado. Amava Muito Sua Olga. Porém Estava Constantemente A Mirar Sofia. Ora Perante Este Caso A Mulher Sofria.
O Pedro Evitava.  Contudo A Mãe Sabia.
O Pai Esquivava-se Comentar. Anteriormente Muito Sofrera. O Pedro Era Cativante. As Mulheres Sempre O  Preferiram. 
E Chegara Ao Matrimónio Sensato. O Pior Era Como Acautelar-se. Muito Se Ouvia. Porém, Ele Conquistara A Mulher. Seriam Ótimos Pais E Concretizariam Ambos Muitos Sonhos. O Passado Estava Cessado. 
Agora Muito Siso.
Emília Simões, 63 anos, Mem-Martins (Algueirão)

Casamento autorizado 
O Paulo encaminhou-se calmamente ao momento sonhado. Ouvia pessoas emocionadas. Conhecia-as. Amizades memoráveis. Sorriu. O plano elaborado culminava ali. Medicina.
Soube optar pacificamente entre coisas apaixonantes: Música, Samba.
Orgulhoso, perante esse caloroso aplauso, mexe suavemente os pés e começa aquele maravilhoso samba.
Ouvem-se pelo espaço canções antigas, modernas. Sempre o Paulo encantava e contagiava. A multidão solta-se. Ovações provocadoras espevitam cada amigo mais sossegado. O Paulo eloquente conseguira autoproclamar-se Médico Sambista.
O público entregou-se. Casamento autorizado: Medicina/Samba.
Vera Viegas, 31 anos, Penela da Beira

Olá! Pelos Entretantos, Cá Amparo Menos Saudades Ou Penso Enganar-me Com As Mesmas Saudosas Opacidades. Posso Enfrentar Cada Amor Mais Só Ou Piorar Esse Constante Apelo! Mesmo Sem Obstruir Posso Encantar Criaturas Andando Miserável Somente Olvidando! Pedir-te Esse Canto Apenas Minimiza Sentimentos Obscuros Para Espoletar Cadências Amplificadas Mas Sinceras. Ou Pensa Entre Cada Aparência Maximizando Só Os Pensamentos Em Circunstâncias Aparentes, Mesmo Simplificando Os Pecados Encadeados Cortando Aqueles Minuciosos… Só Os Pecadores Encarnam Coelhos Alegando Missivas Santíssimas!
Hélder Rodrigues, 35 anos, Vila Nova de Gaia

Ora pois escrever com a mesma sequência… O problema é conseguir arranjar maneira simpática, obediente, prática e coerente, ainda mais sem omitir palavra escolhida criteriosamente à medida! Se ontem pareceu entusiasmante começar, agora mesmo sinto ocasionalmente peso em cima até me sair o pretendido. Então continuo a matutar sobre o problema e canto até me surgir o palavreado. E canto alto (mas sem o povo ensurdecer, claro!). Agora, minha senhora, o problema é conseguir! Aiiii, Margarida Santos!!!
Catarina Azevedo Rodrigues, 41 anos, Venda do Pinheiro

Ontem Pedro Esperava Conseguir Aquela Muito Sonhada Oferta Para Escapadinha – Caraíbas. Adicionava Monotonia Sobre Ondas Pasmaceiras Enquanto Catava Aumento. Santiago Opunha-se Peremptoriamente Esgrimindo Contas, Argumentos. Magda Segurava Oprimidas Promessas Enquanto Considerava Abafar Matrimónio. Surgiam-lhe, Ocasionalmente, Parcos Ensejos Cúpidos. Aqueles Momentos Sofregamente Osculados Presentemente Esfumavam-se. Carta Acenava Mofando Silêncio. Ondas Proporcionando Esperança Cativavam Ânsias. Maravilha! Suavemente Oceano Prodigalizava Escaldantes Cenários Amorosos. Maviosamente Subiam Opíparas Paisagens Entusiasticamente Conquistadas. Abraçados Madrugavam Satisfeitos.
Palmira Marcelo, 51 anos, Lisboa

Escuta Intrépida
Olho para ele. 
Começo acompanhando-o. 
Mesmo sabendo ouvi-lo pausadamente, ele cala-se, apaticamente.
Mete-se sistematicamente (ostracismo puro), enclausura-se. 
Casulo antipático, medroso, sórdido... 
Olho-o paulatinamente, empaticamente, compassivamente, amorosamente, mesmo sabendo, ostensivamente, porque ele cala-se, amargura-se, morre silenciosamente.
Observo-o, piedosamente. 
Ele, cordialmente, atende minha sensatez. 
Ofusco-lhe praticamente. 
Enervo-o comedidamente, ansiosamente mas sei o porquê. 
Ele comporta-se assim. Médica, sensibilizo-me. 
Ofusco-lhe para empregar-lhe corretivo, alívio moroso sobre o péssimo, enigmático, comportamento abatido. 
Merece sofrer? 
O pesadelo em casa: aceitar mãe sádica.
Rosélia Bezerra, 60 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Óscar Pitosga Estava Calmo Até Martelar Sobre O Pé. “Estou Com Azar”, Murmurou. Soltou O Prego E Começou A Massajar Sofregamente O Pendúclo. Era Conhecido Assim Mesmo, Somente O Pitosga Encontrava Constantemente Azares Marados. Seria O Próprio Estar Com Azar Mesmo Sem O Procurar? Este Coitado Assumiu Mudar. Solucionar O Problema Era Caso Assente, Matutou Sobre Os Procedimentos Em Comutar A Mísera Situação. Óscar Prontificou-se E Concentrou-se A Mudar Seus Óculos Para Evitar Assim Mais Situações Ópiosas.
Isabel Pinela Fortunato, 41 anos, Amadora

O Pecado É: 
Comer A Maçã Sem Ostentar Perguntas.
É, Conscientemente, Assassinar Momentos Sem Ouvir Palavras E Corações.  Amar Muito Sempre Olvidando Pequenas Histórias Com Alarmantes Maquinações Sádicas Ou Perversas.
E Caminhar Assim Mesmo. 
Sabias, Ó Patrícia?  É Contigo, Amiga!
Muito Sofre O Pecador Estúpido, Calado, Amargurado, Martirizado. 
Sim, Ó Patrícia! Estás Completamente Avariada!
Mesmo Sabendo-lhe O Paladar Envenenado: Comes A Maçã Sofregamente. 
Ó Patrícia!, És Como As Moscas: Sugas O Putrefacto E Cheiras Ao Mesmo. Sempre!
Cátia Penalva, 33 anos, Viana do Castelo

Sobre amar demais
Ontem Pude Entender Claramente: Amar Muito Sem Oprimir, Prender É Complexo. Ainda Mais Se Olhamos Para Ele Com Apreço Mórbido. Seguramente O Passo Exigido: Creia, Ame Mas Seja O Par Especial, Compartilhando Amizade, Materializando Sonhos.
Obra Perfeita Evita Caminhos Apartados. Minimizar Sempre Orgulho, Promessas Exigentes. Convém Afeto Mas Sem Ostentar Posse.
Empírico?
Constatações!
Ame. Mas Seja Oferta. Presente.
Empreenda. Conduza.
Amplie Mais Seu Olhar. Palavras Eivadas Com Amor. Mas Sem Ofertar Perdão É Como Água Morna.
Superficial.
Roseane Ferreira, Macapá, Amapá, Brasil

O pedido é curioso; abarca muito saber.
O problema estranho, caricato, assombra momentaneamente, sobremaneira.
O possível encontro com atrofiante moderação sorna.
O provável eterno cansaço assola mordaz, sub-repticiamente.
O perigoso embrulhado caminho alonga-se mortífero, sufocante.
O pensamento enublado corre, abafa, molestando sonhos. 
O pesadelo eterno começa acenando miríades sorrateiras. 
O pior castigo enrola-se, acode matreiro, sórdido.                                                                     
Outrora perdurara enorme carinho, alento, motivação sonhadora.
O pérfido efémero carácter alastra mundícias sonsas.
O perdão, enfim, consegue amolentar mazelas sufocantes
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra

A recuperação de Paulo
O Pai Estava Constantemente Amargurado. Muito Sisudo.
O Paulo Era, Como Afirmavam Muitos, Sofrível.
O Pulmão Esquerdo Causava Aflição, Mal Severo. 
O Pediatra Estava Confiante, Animado, Muito Satisfeito.
O Paciente Estava Calmo, Assintomático, Melhorara Subitamente.
 Progresso Era Causado Assim Milagrosamente, Satisfatoriamente.
O Paulo Espantosamente Conseguia Amenizar Mais Sofrimento.
O Pior Estava Completamente Acabado. Melhorava Sempre.
O Pai Estava Completamente Agradecido, Mais Satisfeito.
O Parecer Era Confiável, Animador, Muito Surpreendente.
O Pediatra Estava Contente, Alegre, Maravilhado, Satisfeito.
Verena Niederberger, 64 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Letras e Palavras
Os passarinhos, encantadores
Cantam alegres melodias
Soletram odes para encantares
Carlos, António, Marias
Surgem orações poderosas
Evocando canções a murmurares
Saltitam os pardainhos
E correm apaixonados
Manhã, sol ó perdição
Enlevos carinhos amizades
Mar sublime ondulados
Pássaros esvoaçam cidades
Amor maravilhas silêncios
O Portugal entoa cânticos
Arte magia segredos
Ódios, paixões, entusiasmos
Celebra-se a mocidade
Sensações, o perfume, enfeitiçado
Caminhas a matar saudades
Obrigações passadas entraves
Com água mata-me sede
Obedece passarinho, esvoaça com amor
Mergulhão surpreendente.
Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa

O Perigo Espreita. Capas Amarradas... Maltratadas!
Osório Permanecia Estupefacto... Cumprindo, Angustiado. Ocultava memórias!
O Pensamento Esperançado Coabitava. Alcançava Mera Sabedoria…!
Mudanças Sombrias, Oscilavam. Prosseguiu Encarcerado... Caminho Ambíguo.
Medos Sincronizados, Opera Princípios Estratégicos. Coragem Apaziguada, Saciada...!
Osório Procura Esconder Cicatrizes Acentuadas. Mantendo-se Sorridente!
Omitindo Palavras Emaranhadas. Calmo... Amistoso, Mantinha Sua Opinião.
Prudência Existente. Caminhava Assim, Observando, Matutando... Sentindo!
Os Passos Eram Convictos! Arrepiante Manuscrito, Secreto.
Osório Pára. Expandindo, Consegue Mistificar… Simplificando O Prefácio!
Espera Conseguir Amadurecer Manifestando Segurança!
Prazeres Sousa, 51 anos, Lisboa

A entrevista
Óscar Policarpo esperava calmamente a madre superiora. Óscar pensava entrar como auxiliar mas sentiu-se ofuscar, pensamentos estranhos começavam a movimentar-se. Sentia-se oprimido, pardacento estava com a mente sistematicamente ocupada pensando em como arranjar maior sustentação. 
Os pais estavam constantemente a mandar-lhe salsichas, ovos, paios e coisas assim.
Mães, sempre observando placidamente. E com amor mantêm silenciadas as preocupações e caladas as muitas suposições.
Ouviram-se passos exaustos, certamente a madre superiora. Os passos ecoavam com alguma monotonia sistémica. 
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Ontem pensou em correr. Acordou. Mas… sozinho? Oh, porra! Esperava correr acompanhado.
Mesmo sozinho, o percurso esperava calmamente. Alegrou-se. Meteu-se sobre os pés, e começou a marcha, solitário.
Os pés estavam cansados. Acelerou. Manteve sempre o percurso. E, cansado, achou melhor sentar-se onde pudesse. Esperou. Com a música seleccionada, optou por enfrentar, confiante, a maratona. Só o pé esquerdo conseguia aguentar maratonas. Sempre obtivera patamares espectaculares como atleta. Mostrou serenidade; objectivara para esta corrida anular mil segundos.
Orlando Nascimento, 37 anos, Lisboa

Orfeão pintado, és canção amada musicando simplesmente...
Orquestras paulatinamente e ceifas amor marítimo sorridente
Ouves piano e carimbas a música sinfónica
Oh primado encantado... caneta âmbar , mestria solfejica!
Olaria pitoresca e cambraia aveludada? Maresia sinalética?
Oh papiro e canudo azulado! Maré? Sim.
Orquídea perfeita e cálice amoroso, maduro semblante...
Ópera pacífica e criada, ali mesmo, sim.
Objectiva peregrina e caiana? Areia? Maresia selvagem?
Onze palacianas ermidas, cataratas auscultando margaridas silvestres;
Orfeónico períbolo e coerente: assim musicado? Sempre!
Ana Mafalda, 45 anos, Lisboa

Os pardais espreguiçavam-se cansados.
A madrugada solta, odorífera, purpurava estradas.
Comungo a maravilha solitária.
Oiço. Perco-me. Encanto-me. Consumo-me. 
A música senta-se ostensivamente.
Penso em canais. Ama-se mais serenamente onde perdemos escadas compridas.
Assusta muito saber o preço entre caminhos.
Antes morrer sonhando.
Onde perdemos espinhos conhecemos abraços. 
Melhor sorte onde pecados existem. Com armaduras magoas, sabes?
Olvida passados estranhos! Corre atrás! Mesmo sofrendo.
O pior é cansarmo-nos antes. Morre-se seco.
Orgulhosamente preso entre consensos.
A moer solidões.
Jorgete Teixeira, 65 anos, Barreiro

A professora de Matemática
Outrora pianista experimentada como amava música serena!
Olga, pianista e  concertista, amava momentos serenos.  Ouvira preparar, encantada, concertos à mãe solista. O pai escutava concentrado a música, silencioso.  O prazer era  constante, amavam música, sons. Os pais ensinaram-lhe como admirar música sempre.
Olga pensou e começou a música serenamente.  Os próprios estudantes calaram-se atentos mal soou o piano e  calmos ao menor som, ouviram-na presos, encantados, com  árias mozartianas sentidas. Olhavam perplexos e confusos aquela mulher, silenciosamente.   
Zuzu Baleiro, 66 anos, Estremoz

Olha para este convencido!
A Madame segura o prato encantada com a marca «Sèvres». O prato envaidece-se com ar muito soberbo. Ousa pedir em casamento a melhor saladeira, obra prima entre chinas antigas, marca Supimpa...
O pires encarnado com asas, marcado Sacavém, olha para ele com azedume. Mas, sem outros pergaminhos, é considerado Arte menor.
Silencioso, o pires empurra  com astúcia Marca Sèvres. O prato estatela-se. Cacos antigos mergulham sobre o pavimento envernizado. Casamento acabado, maldito Sacavém!
Isabel Lopo,68 anos, Alentejo

O Pecado Estava Cansado. Andava Muito Só, Ódios Passados.
Eva Calava A Magoa Silenciosa. Onde Poderia Esconder-se?
Corpo Aberto... Maçã Sugerida...

O Pecado Esperava Causar Amor, Matando Serpente.
O Pior Era Cada Árvore, Manhosa, Sempre Onde Passava Eva.

Chamava-se Adão. Mordia Suavemente O Pensamento.

Enumerava Cada Anjo Mutilado Sobre Os Penhascos.
Existir Capturando A Morte.
Soltando Os Pés Entre Cada Abismo.
Mas Sem Os Pés Era Complicado Andar.
Melhor Seria Obedecer.
Palavras Escritas Com As Mãos Sagradas.
Regina Graça, 50 anos, Coimbra

Títulos Avulsos
O Paulino era cordial, amistoso, mas sensaborão.
Os possíveis ecossistemas conquistam as multidões sábias.
Olhando para estrelas com alma, mantém-se serenidade.
O Pancrácio esperto, cabeçudo, aldabrão, manifesta-se sempre.
Outorgando passos em contradança, alcançam-se magníficas sequências.
Oh para ela com ajustadas madeixas sarapintadas!
O palavreado encanta completamente abrangendo metódica semântica.
O pintor é certamente atento, maravilhado, sublime.
Orlando Pingalim é comilão, astuto, madraço, sabichão.
Omitindo por estultícia, conseguiu aquele mandrião sumir-se.
O pior é comer a mais sofregamente.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Ofuscada pelo espanto caminhou azamboada.
Maldita sorte, o perigo escondido continuava a manter-se silencioso, obscuro.
Perderia este combate? A misteriosa sombra ocupava pontos estratégicos, conquistando a mansarda.
Serenou o pensamento e continuou atenta.
Mau seria, o possante estupor, como alienígena, manipular sem oposição.
Ponderou estratégias, com atrevimento moveu-se serpenteando.
Os portões estavam completamente abertos, mostrando saídas.
Olhou pausadamente, estava consciente, arriscou, mas seguiu o plano.
Escutava cada aproximação, mantendo sempre o perímetro estabelecido.
Circulou a maroteira, suspirou…
Goretti Pina, 53 anos, Odivelas

O Papagaio Espreitava Curioso. Alguém Morreu!?
Sérgio, O Professor, Estava Calado.
A Maria Suspirava!
O Pedro Estava Completamente Assustado. Manhã Surreal!
O Parapeito Esculpido, Cheirava A Madeira. Sacudiam O Pó Enquanto Conversavam.
Aquele Momento Suscitava-lhes Ódio. Parecia Eterno!
Continuavam Amedrontados. Murmuravam Segredos.
Ouvia-se Pedro, Estava Confuso.
AMãos Suavam. O Perfume Estranho Continuava.
Afinal, Maria Sabia Onde Podiam Estar Cadáveres. Atrocidades Macabras Sucediam-se. 
O Professor Embirrava Com Animais Maliciosos. Sorrateiramente, O Papagaio Era Culpado. AMarcas Surgiram.
Celeste Silva, 44 anos de Coimbra

Pensamentos
Obstinados pensamentos estes, constantemente a martirizar-me.
Sentimentos ocultos, presos. Entrelaçados com as mais sentimentais ocasiões. Pesa-me esta constante amargura.
Mil segredos ocultos! Por estranhos caminhos avançámos  misturando sempre os passos. Esquecer? Como amor meu, se o passado encontra caminho aberto? Mesmo sem o procurar ele cá anda moendo silenciosamente.
Oh, pensamentos estes, ceifando a minha sanidade!
Outros pensamentos escolheria, certamente alguns mais serenos...
Ontem pareciam esgotar-se calmamente, agora magoam-me sistematicamente. 
Obstinadamente procuro encontrar certo apaziguamento mental, sedativo...
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

70 Anos
O pensamento eleva-se caminhando além memórias. Sofrimento.
Ordens. Passos entoando coragem. Auschwitz, mágoa. Sofrimento.
Ouvem-se pelos espaços carruagens abarrotando. Medo, silêncio.
Observam-se prostrados, esqueletos cansados, almas movimentando-se, sangrando.
Oficiais prosaicos espancam crianças, assassinam mulheres submissas.
O piso está contaminado, arames muram, sufocam.  
Os prisioneiros emudecem, caem amarrados morrendo subjugados.
Operários passam enigmáticos carregando armas mortíferas. Sufrágio.
O pó esmorece causando aromas memoráveis, sinistros.
Observados, palmilhavam estradas, cadáveres andantes movendo-se silenciosamente.
Obrigada. Portões entreabertos. Caras ansiosas.  Milagre. Surpresa!
Rosélia Palminha, 66 anos, Pinhal Novo

Pessoas encapuçadas com armas. Mostram-se superiores.
Oprisioneiros encolhidos, cabisbaixos, ajoelhados, mantêm-se submissos.
Opaíses evitam comentar amensagens.
Soltem-nos!”
O pecado é cortar, atear, massacrar!
Soldados odiosos, perversos e cegos!
Atacam, matando sob ordens planeadas, evocando convictos Alá. Mas, so profeta está certo, Alá misericordioso, 
sem ódio, proíbe e condena assassinatos.
Monstros são!
O povo envergonhado contesta.
Almas manchadas sem o perdão esperado! Crêem alcançar maravilhas sujeitando
opovos! Erro crasso! Até Maomé sofende!
Márcia Gomes, 36 anos, Vila nova Famalicão

Conversa de comadres
– Olhe para estes, comadre Anica.
– Mãe Santíssima! Onde pensam estar?
– Credo! À mulher sobeja-lhe ouro!
– Provavelmente ele compra-lho aos montes…
– Sortuda!
– Olhe para ele, casaquinho amarelo, meia sarapintada...
– O pobre é campónio.
– A mini-saia sobe, o pudor encolhe.
– Carteira aberta...
– Minha Santinha! O primo Engrácio, comadre! A mulher saiu ontem para Espanha com a mãe.
– Sinceramente! O parvo!
– Embaraça-a constantemente, ah, miserável!
– Sebento, os pais, esses coitados, há meses sozinhos…
– O primo está chegando, acho melhor silenciarmo-nos.
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

O pecado esbateu-se contra a mágoa. Sempre o pior e correto. A manhã sem o possuir. Estranho caminho!
A misera sensação, o passado estilhaçado com a memória, sem o precaver e convencer.
A meta surge: o passo eloquente com a música serena. O pecador emaranhado, caído alucinado. Mas, sem o perdão e com a marca sagrada… O pano esvoaçou, combateu a mágoa sem o penetrar e com a missão sensata o pecado esmoreceu com a morte sua.
Ana Sofia Cruz, 17 anos, Porto

Pecados e pudores
Ouviu-se. Pecado? Era controverso. A Mentira? Sabotadora. Opressivo pudor? Estranha coisa adiada, medos sucumbidos.
O Pai estava confuso. A mãe sorria.
Ontem pudera enternecer corpos, aconchegar maresias sensuais.
Ouviu-se. Podia enganar. Calar a maternidade, silenciando-a. Obedecer, por esses caminhos apaziguadores, mas sibilantes! Ouvir patéticos, engenhosos conselhos, admoestando, martirizando. Sabia-os!
Ouviu-se. Podia erigir-se como amorosa mãe. Sentia-a! Ostentar pecados enamorados. Condimentados, aromatizados. Manjericão, sálvia. Optar pela esperança. Crença andante, mas segura.
Ouviu-os. Pai entra, comovido. As mães… sorriem.
Fernanda Elisabete Gomes, 58 anos, Vila Franca de Xira  

O Pedro estava contente, amanhã, marcaria, seguramente, o pacato encontro com as melhores surfistas. Orgulhoso, podia estar convencido. Amanhã, mesmo sábado, o Paulo esperava-o. Claro, a Maria, sempre objectiva, preferia economia. Contestava a magia, subtileza, o poder especial, contemplativo. Assim mudava sempre o programa. Estava convicta. A maçada seria: ondas, pulos e coisas audazes… mirabolantes. Seria, obviamente, perigoso e cansativo. A Maria surfar? Ondas? Preferia estudar certamente a matemática. Sonhava obrigar Pedro esquecer completamente as marés? Sim!
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Naufrágio
Ondas puxavam, encurralavam, como assanhados monstros emersos.
Ondas perigosas, espessas, cresciam atormentando. Maria sofria. O perigo espreitava. Curvadas as mulheres sabiam, olhando pensativas esse crespado, avaro mar salgado.
Olhavam-no pesadamente, exaustas, como antigas madonas sombrias.
Olhos procuravam encontrar corpos ainda mexendo, sobreviventes. O próximo encontro com a maré segredava oportunidades. Pedro esbracejava, contendo a má sorte. Ouviam-se preces envolvendo crenças antigas, mas salvadoras. O persistente esforço culminara alegre. Mãe Santíssima, obrigada! Pedro, escapara. Cansado, abraçou Maria. Só.
Isabel Sousa, 63 anos, Lisboa

O P E C A M S
O pequeno estudante
Conhecia a Margarida,
Sabia olhar para ela
Como amiga Miguida!

Sendo o Pedro especial,
Com a máxima simpatia,
Optava por elegê-la,
Como alguma maioria!

Superavam oprimeiros,
Esmerando cabalmente,
A maior simplicidade
Obtida plenamente!

Espertos, com aptidões,
Muitíssimo sincronizados,
Orgulhavam-se portanto,
Ecorrer afeiçoados!

Muita sintonia obtida,
Pareciam explicadores,
Combinados acertando,
Muito sabedores!

Os progenitores, enfim,
Com ambição material,
Sonhavam obrigatoriamente
Perspetiva especial!

Como aqueles ministros:
-Seriam oradores, professores,
Especiais comentadores,
Altos Mestres Superiores!
 Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

O Pequeno Entrou, Cabisbaixo.
Andava Magicando Safar-se.
O Pai Ensinara-o Carinhosamente A Manter
Sempre Os Princípios Elevados Com A Maior Solenidade.
O Passado Era Conhecido, Agora, Menos Sentido.
Opondo-se, Pedia Encarecidamente;
– Calem-se, A Mãe Sabia.
– O Pedro, É Cauteloso Agora, Mas Sobra-lhe Orgulho
Para Encarar, Combater, A Mentira.
Sabendo O Problema E Conhecendo As Memórias Sabidas,
O Pequeno Encarou Com Ávida Mansidão,
Sentindo-se Orgulhoso, Procurou Encontrar Clara.
Amava-a Mesmo Sem O Poder Explicar.
Concretizando, Assim, Meros Sonhos.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Suite para un idílico crimen
Ofelia prefirió esta cena al menú sofisticado: orégano, patata esparcida con algas muy salpimentadas, oca poco elaborada con ajo medio sofrito. Opté por encargar codornices asadas: más sabrosas. Ocurrente, pidió en copas altísimas malvasía selecta. Osé preferirte: estar contigo; ah, marido sedicioso. Organizados, pensamos en cómo asesinarlo. Muy sigilosos operamos para estar correctísimos. Ámame más, Samuel, o perderemos elegancia corporal; ámame; morirá solo. Órficos placeres, enormes caprichos abreviados. Mastícame suave; oceánica playa esta cama; así, matémosle, sátiro.
José Ignacio Martínez Gutiérrez, Valencia de Alcántara, Cáceres

O navio
Obstinado percorria, entre cantos,
as marés sombrias
oscilando, prazenteiro,
entre canoros abanos
mornamente salgados,
odorantes perfumes
e compassados acordes
mansamente sussurrados.
Os pássaros emudeciam
com aqueles melodiosos sons,
observando, perplexos,
esse contínuo avançar
majestosamente solene.
Os peixes escapavam
como astutos malandros surpreendidos
ondeando pressurosos
e cerimonialmente acompanhando
marinheiros sonhos.
Orientando-se pelas estrelas cintilantes,
ao mar suplicava
os perigosos escolhos
com airosa marcha sulcar.
Ostentoso perseguia, entre corais,
as melancólicas sereias, ondas prateadas,
e cativava as marítimas sendas.

Mónica Marcos Celestino, 43 anos, Escuela Oficial de Idiomas, Salamanca (Espanha)



O Paulinho, emocionado, canta. A mãe saiu. O pai encontra-se cansado; a manhã será obrigatoriamente passada em casa a meditar sobre os problemas económicos.
Certamente, a mulher satisfará os planos elaborados carinhosamente.
A mãe saíra; o passeio efectuava-se com amor, meiguice.
Secretamente, os progenitores ensinariam célebre arte musical.
Surpreendente! O Paulinho, estudioso, conseguiu atingir meritório sucesso.
Os protectores educadores comprariam acordeão.
Mas, surpresa oprime poderio económico crescente.
A mãe, sacrificada, obrigará penosos esforços. Contudo, a música soará!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

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